Mostrando postagens com marcador DeuS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DeuS. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

1 ano de Mulheres e Cerveja. Ai meu Deus!


"A cerveja é a prova viva de que Deus nos ama e quer nos ver felizes."
Benjamin Franklin
"DeuS é a prova viva de que a cerveja nos ama e nos quer ver felizes." 
Catarina

Há um ano, Melograno.

Hoje, 365 dias depois, 78 publicações, 57 cervejas provadas e comentadas e algumas poucas aspirantes à perfeita. Mas se falamos de números, então foram 14mil visualizações de página (nenhuma da minha mãe), onde os posts mais visualizados foram:
  1. Malzbier: Ser ou não ser... cerveja! - 252 Pageviews (e tem gente que nem considera Malzbier cerveja...)
  2. Dizem por aí... - 220  Pageviews  (Cerveja tcheca tinha que estar entre as tops)
  3. milnovecentosebolinhas - 212  Pageviews  (foi uma das perfeitas mais simples)
  4. Fruit de la passion - 131  Pageviews  (Cerveja inédita e que por pouco não vira perfeita e acaba com o blog)
  5. Discutível Perfeição - 130  Pageviews  (questionemos a devassidade de Sandy)

Mais números, foram 113 comentários, de amigos, parceiros, visitantes e indagantes. O post mais comentado foi Cerveja x Chopp, pessoalmente meu post favorito.

E ainda falando em números, foram pelo menos 8 eventos de cerveja, 6 países e 10 cidades percorridos na incansável busca da cerveja perfeita. Foram muitos novos amigos, acontecimentos e novidades. Foram dias e noites de leitura, conhecimento, novidades, muitas risadas, olhares desconfiados, milhões de tentativas de convencimento de que sim, mulher sabe falar sobre cerveja, é capaz de comparar tipos de cevada à ritmos musicais, datas comemorativas, sentimentos e personalidade. Foi uma longa amizade enfim desmistificada.

No topo da lista das perfeitas e dos momentos perfeitos, começamos com a Slava, então Hoerggarden, Innis&Gunn, Delirium Tremens, Basement, Schornestein.

E em exatos 365 dias depois, a busca se iluminou. A cerveja comprada direto na fonte, no paraíso das cervejas, num daqueles momentos inesquecíveis, toma o posto da perfeita. Lembro que eu que queria apenas duas coisas da Bélgica: visitar a fábrica da Stella e ir ao Delirium Café. Não pude me conter quando, no centro da cidade de ruas estreitas e sinuosas, numa Europa sempre em reforma no meio do ano passado, encontrei uma pequena loja de cervejas belgas. 
“Deus!”. Ao entrar e diretamente perguntar pelo rótulo, o atendente sem rodeios me pergunta: “Vous êtes au Brésil?”. “Oui”, respondo no meu francês limitado e engato o papo em inglês. E ele então diz que é a cerveja mais procurada pelos brasileiros, e que percebeu pela maneira de minha pronúncia, que lembrava “God” – Deus, mais precisamente. Por 28 euros, mal conseguia tirar o sorriso no rosto com uma sacola especial na mão. Prometi que seria a cerveja de um momento à altura.


Presente especial para as amigas presentes
E foi,  no Melograno novamente. Porque foi lá que surgiu a ideia, e lá, no melhor estilo Mulheres e Cerveja, foi comemorado, com as mulheres mais íntimas presentes, as que gostam e as que nem ligam tanto para cerveja, mas que sempre estiveram presentes apoiando a empreitada, entre altos e baixos. Um convite foi feito, uma lembrança cuidadosamente escolhida, produzida e à mão embalada e uma cerveja especialmente guardada para uma data especial, levada na bolsa. Muito aconteceu desde então, e então, no encontro comemorativo – e com medo de cometer o pecado de deixa-la vencer – a cerveja enfim cumpriu seu propósito: é a cerveja perfeita. E nem fui eu que disse isso.

Como o próprio nome diz, a cerveja dos deuses. A DeuS Brut des Flandres é umas das 3 cervejas no mundo produzidas pelo método “champenoise”, que a deixa com características parecidas com a de um champanhe.  Sua produção – longa produção, de quase um ano - se inicia na Bélgica, onde puro malte de cevada, água e lúpulo sofrem a primeira fermentação em tanques especiais. Também em tanques sofrem a primeira maturação, conhecida por segunda fermentação. Então o líquido é levado para a região de Champagne, na França, onde recebe açúcares e fermentos especiais, desta vez já na garrafa. Neste momento também recebe uma tampa provisória. 
Nesta etapa se inicia a terceira fermentação. Fica em pupitres maturando durante meses, sendo inclinada para baixo gradativamente. Neste período passa pelo processo de remuage, que consiste em girar a garrafa diariamente, sempre no mesmo horário, aumentando sua inclinação para baixo, até o ponto de estar totalmente de ponta cabeça. Após esta longa maturação, toda a borra e fermento se depositaram no “pescoço” da garrafa. Este fermento é congelado e retirado por pressão da garrafa (imagem). A garrafa é completada com cerveja já pronta para compensar a perda durante o processo e, finalmente, recebe a rolha de cortiça e o rótulo.

A DeuS Brut des Flandres é produzida pela Cervejaria Brouwerij Bosteels. Uma Belgian Strong Ale, suave e elegante do começo ao fim. Nas curvas da garrafa, no toque de requinte de seu rótulo, nas taças flute em que é servida (previamente gelada) e nos trejeitos para servir (entre 2 e 4°C posicionada num balde com gelo e água). Tem uma cor dourada clara, com bolinhas efervescentes bem pequenas, com uma espuma densa, branquinha e borbulhante. No aroma, um cítrico complexo, que entre o lúpulo podemos sentir o frutado de pera, maçã e um quê de hortelã, além de um leve temperado, bem gostoso. E no sabor... 
Momento medo. Sabe aquela clássica que "a expectativa é a mãe da frustração"? Mas quando uma das amigas da mesa, que não liga muito pra cervejas mimimis, disse ao primeiro gole que aquela era a melhor cerveja que ela havia provado na vida, me emocionei (eu estava emotiva). Um sabor refrescante mas muito delicado. Um misto de cerveja com a leveza da Champagne (que de fato pode-se chamar de Champagne, por ter parte da produção na região de mesmo nome), sendo suave e, descendo devagar, podia sentir as micro bolinhas que liberavam seu sabor frutado, doce e fermentado.  A DeuS tem um ABV alto, de 11.5%, muito acima da média das cervejas, mas que quase não sentimos no paladar. Mais no final, mas já com a boca limpa e pronta para o próximo momento.


Uma cerveja única, esperada, porém com um desfecho tendencioso. A DeuS é considerada uma das melhores cervejas do mundo, e claro, perfeita. Por isso, não, a busca não acabou. Não é justo encerrar um propósito com um resultado que todo mundo já sabe. Eu quero mais. Eu quero todas as perfeitas, todas as músicas, em todas as taças, com todas as companhias. Quero a perfeita de todos os momentos, de qualquer momento.

Eu só não quero ser perfeita. Porque eu já sou mulher.

E que venha mais um ano!

Cheers, Saúde, Prost, Vive, Tim Tim!