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domingo, 30 de março de 2014

Catarina no país das Maravilhas (Brooklin Brewery)

Cada viagem, uma cervejaria local.

Esse é o lema de cada viagem, programada ou não. E às vezes são as viagem não programadas que trazem os momentos mais felizes.

O fato é que fui comprada. Num relacionamento onde um ama e o outro odeia carnaval, o meio termo às vezes surpreende. E eu troquei 4 dias de samba, suor e cerveja por 4 dias de neve, frio e óbvio, cerveja. Fui “avisada”, num ticket quase que surpresa, na quinta-feira antes do carnaval, que iríamos para Nova York. Mala de botas, cachecóis e casacos pronta, embarcamos no melhoooor estilo American Airlines e chegamos lá, num sutil -6C. A programação da viagem, feita nas 24 horas que antecederam a decolagem, veio uma luz: Eu.Vou.Visitar.A.Fábrica.Da.Brooklyn.

Meu Deus do céu! Então a ansiedade bateu. Já visitei muitas cervejarias, em muitos lugares, mas esta... Não sei dizer se era por ser a Brooklyn, que já tinha tomado tantas vezes, por não ser tão comercial, ou se era porque era NY. Apostas? Juntemos os dois e lá estava eu, em pleno domingo de carnaval, de casaco, cachecol, bota, luva e gorro, botando minha câmera pra tirar fotos cinzas, verdes e douradas.

A Brooklyn Brewery é carregada de uma história sonho de consumo de qualquer designer. Cervejaria fundada em 1988 por dois amigos que abandonaram seus empregos pra viver de cerveja (sonho), batizaram a marca após conseguirem alugar um galpão de distribuição nos “arredores” de Nova York a cerca de U$1 o metro quadrado, já que a cidade estava em crise e o bairro fadado à derrota. A então Brooklyn Brewery precisava de uma logomarca. O amigo e designer gráfico Milton Glaser, mais conhecido como o criador do logotipo para a campanha “Eu amo Nova York”, foi convidado para criar o logotipo da empresa e sua identidade. Sem muita grana e com uma excelente visão de “ninguém fecha um bom negócio sem uma ou duas cervejas na cabeça”, os sócios convenceram o designer amigo a fazer a marca por uma humilde participação nas vendas das cervejas. Hoje a Brooklyn distribui para cerca de 25 estados e 20 países. Bom negócio, eu diria...

Cervejaria crescendo, o comércio local impediu que a Brooklyn saísse do bairro (precisavam de mais estrutura para engarrafamento e distribuição)  e lhe permitiu realizar uma expansão 6,5 milhões dólares da cervejaria em 2009 – com o crescimento da Brooklyn, todos os comerciantes do bairro tiveram medo que o bairro do Brooklyn voltasse a ser o mesmo distrito industrial abandonado dos anos 80 e investiram neste crescimento. Outro bom negócio, eu diria.

Após esta expansão, hoje a Brooklyn é a cervejaria artesanal que mais exporta nos EUA. E hoje, visitar o bairro do Brooklyn foge totalmente da rota turística de Manhattan, mas vale a pena. É lá onde os alternativos de NY vivem, e onde antigamente o bairro era alvo de piadas dos nova-iorquinos e reino dominado pela máfia, e é “graças” a cervejaria (entre-aspas, claro) que o bairro hoje chama a atenção cultural e gastronômica de Nova York.

Aqui já falamos dela logo no começo da delícia de IPA favorita do Chefe Ali e sobre a Sorachi Ale (que virou pôster lá em casa). Hoje vamos falar de quem não é exportada, logo especialmente consumida dentro da cervejaria: A Brooklyn Silver Anniversary Lager. Era uma das especiais do dia (uma outra veio na mala pra depois), comemorando 25 anos da cervejaria e o rótulo é feito por artistas locais, celebrando também as bodas de prata do renascimento cultural do Brooklyn. A cerveja é refermentada na própria garrafa, e seu sabor se preserva o mesmo hoje ou mesmo em anos. Inspirada nas cervejas do século 19, é uma versão doppelbock da Brooklyn Lager original de 1988. Com aroma doce e frutado, exala uma mistura de caramelo do malte torrado e um toque de especiarias – o que eu particularmente já esperava, vendo o tom nebuloso e vermelho-alaranjado do corpo, bem colocado na taça Brooklyn que veio pra casa. Uma espuma (creeeme) bege clara, não muito persistente. Forte mesmo para aquele inverno, doce pelo malte frutado mas amarga na medida denotando presença do lúpulo, com final prolongado seco, com um retrogosto amendoado.

Li algumas resenhas locais sobre esta edição e algumas palavras como “surpreendente”, “maravilhosa” e “nobre” me ajudaram muito no julgamento de PERFEITA da viagem. Achei que pudesse ser um tanto parcial por toda a aura da viagem, pelo encanto de estar de volta à Big Apple ou qualquer sentimento de êxtase que trouxesse mais brilho do que o rótulo merecia. Mas não, estava sendo realista mesmo.

Tão perfeita quanto Nova York, sob frio, neve e passeios congelantes pode ser. Pra quem gosta, sempre perfeita.

Fábrica da Brooklyn - mais fotos da visita no facebook!
Cheers!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

And The Oscar goes to...

Enquanto eu fico aqui, assistindo, escolhendo as melhores das melhores - cervejas - a Sociedade da Cerveja me delicia...


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Cerveja orgásmica. Só que não.

Confesso que fiquei entre curiosa e excitada com o rótulo dela. Porque eu também confesso que muitas das cervejas que escolho, escolho pelo rótulo, salvo exceções de presentes e indicações.

Mas também confesso que nela só o nome é perfeito: Rogue OREgasmic Ale. Quase perfeito, porque percebi que o ORE faz alusão à Oregan, o estado de produção da Rogue. Produção esta aliás que faz parte do Projeto Chatoe. Mas falemos da Rogue antes.

A Rogue começou em 1988, em Ashland, Oregon, EUA, como uma “homebrew”, ou seja, pequena e simpática fábrica de cerveja artesanal que vendia no seu próprio pub, com 60 lugares. O lugar foi ficando pequeno e, na busca por um lugar perfeito, Jack, o criador, encontrou em Newport o lugar ideal para aumentar sua produção. Desde então, a Rogue é conhecida mundo afora pelos seus ingredientes nada em seus cerca de 40 rótulos, como bacon, pimenta, pétalas de rosas, mel... bom, já falamos antes aqui.
Já o projeto Chatoe faz parte de um forte movimento nos Estados Unidos chamado "Grow Your Own Food", ou seja, cultive seu próprio alimento. A Rogue então cuida de todos os processos da fabricação da cerveja, desde o plantio e cultivação dos ingredientes até a produção do líquido sagrado (sim, sagrado!). Indiretamente trouxe ainda um conceito muito difundido no meio do vinho para a cerveja: o terroir. Com maltes e lúpulos locais, a linha Chatoe é absolutamente vinculada ao solo e ao clima do Oregon. Isso vale especialmente para os lúpulos produzidos no Vale do Willamette, únicos no mundo. Ou seja, todos os insumos são locais, o que faz desta cerveja um tanto territorialista. Daí eu entendo o excesso de presunção no rótulo.

Então a cerveja. A OREgasmic Ale tem uma coloração âmbar com espuma bege, bem turva, no aroma o caramelo e no sabor a fortíssima presença do lúpulo com notas cítricas e herbais. E mais lúpulo. E um final seco e amargo. E um erro: logo depois de comer os pãeszinhos de sal grosso e alecrim da mesa, o retrogosto desta Ale se tornou mais seco e amargo. A alta cabornatação faz com que a cerveja dê uma enroscada na hora de descer. Uma American Pale Ale carregada no amargor e na pretensão.

Um rótulo que criou mais expectativa do que era possível suprir. E um rótulo nem tão barato, R$37,00 pelos 650ml.

Esta é a hora que a gente foge do inusitado e volta para o tradicional, para não perder a oportunidade de ter uma perfeita à mesa. Fui de Hoerggaden na sequencia para recolocar o sorriso no rosto.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Blue Moon (now I'm no longer alone)


Sexta-feira de coincidências. É na hora do almoço, coincidentemente regado a cerveja (e que meu chefe não me ouça!) que escuto: “você viu que hoje teremos lua azul?” A conversa cruza. Enquanto uma pergunta o que é lua azul, eu começo a cantarolar alheia à vida real... “blue blue blue moon, you saw me standing alone” . Ninguém deu a resposta da lua azul, e eu continuei divagando... lembrei de uma noite, também regada à cerveja, uma nova amizade, daquelas que surgem do nada e viram pra vida, e búfalo wings num bar em Nova York, na minha primeira viagem a Big Apple... Vieram à minha cabeça a Fernanda, The Marcels, Frank Sinatra, a moça do tempo, o cara de cera do bar e logo depois Neil Armstrong. Quando voltei à mesa, a conversa já tinha mudado de rumo.

Mas na ordem, a lua azul... hoje teremos a segunda lua cheia do mês, a primeira foi dia 2 de agosto. Daí chamamos este fenômeno de Lua Azul. Por que? Porque um sujeito nomeou este fato de maneira errada e o termo ficou. Na realidade, essa expressão existe há pelo menos 400 anos, mas não como sendo a segunda Lua cheia do mês. Este significado nasceu de um erro ocorrido em 1946 e se tornou popular. Embora estranho, a lua já ficou azul de verdade algumas vezes... em 1883, com a erupção do vulcão Krakatoa explodiu na Indonésia, a atmosfera ficou carregada por partículas de poeira que deixaram a Lua azul no mundo todo por quase dois anos. Sempre que há uma grande quantidade de poeira na atmosfera, esse efeito se repete. O mesmo ocorreu em 1927, na Índia, quando uma tempestade depois de uma enorme seca levantou toneladas de poeira na atmosfera. Ou em 1951, quando um enorme incêndio florestal no Canadá lançou uma quantidade de cinzas que deixou a lua azul.

Veio a música moderna e associou este termo à tristeza. Várias músicas usam esta expressão para associar tristeza e solidão, que podemos ver nas músicas de Elvis Presley... Então a expressão se tornou moda, numa febre que deu nome a milhares de restaurantes e mostras de arte no país. Mas a definição de Lua azul de fato aparece em um livro chamado “Almanaque do Fazendeiro do Maine” nas edições anuais entre 1819 e 1962. “Em primeiro lugar considera-se o ano tropical, aquele que começa em um solstício de inverno (mais ou menos no dia 21 de dezembro para o Hemisfério Norte) e vai até o solstício de inverno seguinte. A maioria dos anos tropicais consegue conter 12 Luas cheias, três em cada estação do ano. Cada uma delas tem um nome específico para a atividade humana da época. Ocasionalmente, temos um ano tropical com 13 Luas cheias, o que significa que uma das estações do ano deverá ter quatro delas, ao invés de três. Nesta estação com quatro Luas cheias, a terceira a acontecer é chamada de Lua azul”, diz o almanaque. Daí, em 1946, um astrônomo amador que escrevia para a revista Sky & Telescope nos EUA, em um especial sobre meteoros, resolveu falar sobre Luas azuis. “Em 19 anos, sete vezes aconteceu (e ainda acontece) de haver 13 Luas cheias em um ano. Isto dá 11 meses com uma Lua cheia em cada um e um mês com duas”. Mas concluiu erroneamente: “esta segunda Lua cheia do mês foi chamada de Lua azul.”

E ficamos assim, com a lua azul. E eu, cantarolando “Blue Moon”, logo pensei em cerveja. Foi minha primeira witbier (cerveja branca), com uma suculenta laranja adornado seu copo tulipa. A Blue Moon é da cervejaria homônima baseada em Denver, Colorado, e que foi comprada há cerca de 3 anos pela Coors e virou Molson Coors. Uma Belgian White que leva em sua composição trigo, aveia, coentro e casca de laranja. De coloração âmbar turva, apresenta aromas cítricos (notas de lima e laranja) e sabor pouco amargo, seco, com toques de coentro, sendo muito parecida com a Hoeggarden. Daí a gente nem fala mais nada né? 


A Lua azul desta noite de 31 de agosto é muito especial, com mais coincidências. Aconteceu no mesmo dia do enterro de Neil Armstrong, o primeiro ser humano a dar o primeiro passo na Lua – com o pé esquerdo. Acho válido correr ao primeiro bar/empório e ver a lua cheia no céu - que está fabulosa - erguendo um caprichado copo de Blue Moon e agradecendo à vida!

PS: A inspiração veio do texto do Cássio Barbosa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As rosas simplesmente exalam!

Em toda visita ao Empório, dou uma passeadinha nas prateleiras, procurando um rótulo, uma história, uma indicação. E sempre me surpreendo. Não sou petulante a ponto de dizer que conheço tudo de cerveja, este universo a cada dia fica maior... Gosto, conheço, mas a caminhada é tão grande que eu sequer vejo o fim!

Mas voltemos a falar de flores. Ou de cerveja.

Quando eu tinha uns 9 ou 10 anos, sofria muito bullying no prédio que morava. Quer dizer, na época não existia bullying, então eu era zuada mesmo. Uma das minhas melhores amigas até hoje tem duas irmãs que fizeram da minha infância o inferno na terra. Junto com as amigas delas. Mas esta guerra tinha uma trégua momentânea: a hora da salada de rosas. Íamos na casa vizinha ao nosso prédio e pegávamos pétalas de rosas, que temperávamos com vinagre, sal e azeite e comíamos escondidas atrás da arvore que tinha entre os dois terrenos. Ficava uma delícia! Tinha uma textura macia, um sabor leve adocicado e o perfume das rosas que ainda exalavam. Nunca esqueci deste gosto.

Quase vinte anos depois – e revelando minha idade para os abastados da matemática avançada – esta cena me vem à mente ao encontrar na geladeira uma Rogue Mom Hefeweisen Rose Petals.

É aquele momento que eu não penso duas vezes e abro a geladeira. Além de um rótulo simpaticíssimo com uma versão da Palmirinha, as palavras mágicas: Ale brewed with rose petals. Será que tem aquele gosto da infância?

TEM!


A Rogue Mom Hefeweisen Rose Petals faz parte da extensa família Rogue, cervejaria americana que tem mais de 30 rótulos, todos na linha do exótico. A cervejaria tem 24 anos, mas já tem história, prêmios e muita criatividade, desde os rótulos (que o sangue publicitário me faz amar) até os ingredientes. Cerveja com chocolate, chipotle, avelã, cerveja Mocha... tem de tudo!

Quando falamos da Mom Hefeweisen Rose Petals falamos de uma cerveja Blonde Ale no estilo witbier, o que me lembra bastante a Hoergaaden: turva, amarela clara e aroma de trigo, além do toque cítrico. Mas esta vai além. Um quê de palha, um toque de mel e fragrância de... rosas. Sim, aquele mesmo sabor de rosas, a lembrança do fundo do jardim, da árvore. Muito refrescante, é a típica cerveja do verão europeu, considerada "espumante" pelos alemães, mas na versão com pétalas de rosas. 
Não vou mentir, nem tudo são rosas. Tem um final seco, com a presença forte do trigo. Mas tem rosas. E não são qualquer rosas, pétalas de rosas de Eugene, Oregon.

Confesso que segui o mesmo erro do cidadão do post anterior e peguei a garrafa no ímpeto, sem sequer perguntar o preço. R$42,00 a garrafa de 650ml. É... 

Há quem diga que perfeitos são os lírios com sua fragrância, as orquídeas com sua elegância ou até mesmo as begônias por sua simplicidade.

E eu gosto mesmo é de rosas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

My happy Valentine ♥

Hoje comemorou-se - e alguns casais ainda nem começaram as comemorações - o Dia de São Valentim, mundialmente conhecido como o padroeiro dos casais enamorados.

E juro que quando descobri a notícia, estava mesmo pesquisando sobre cerveja: a Grimm Brothers Brewing em parceria com a Câmara de Comércio de Loveland, cidadezinha em Colorado, Estados Unidos - onde a data é o maior evento do ano, com grandes comemorações e "parades" - a primeira cerveja oficial do dia dos namorados, a Bleeding Heart 2012. O lançamento oficial foi feito na semana passada, em um grande evento com uma limitação de 1 pint por pessoa, tamanho o sucesso da receita - e da cervejaria.

A Bleeding Heart é uma cerveja Porter, que foi produzida com cerejas - quase 50 quilos para a primeira receita - e envelhecida durante uma semana em barris com lascas de cacau. Soa forte e feminino. O encontro do Porter com a cereja. Romântico!

A cerveja é uma jogada para aumentar o turismo na época para a cidade de Loveland, mas virou tal febre entre os locais que a previsão é que dure apenas até o final desta semana. "We're hoping the true beer connoisseurs will want to come here to check out this new special beer available only in Loveland." Palavras de Jim Worthen, do Loveland Chambers. Sim, gostaria muito de ir Jim, conhecer a cerveja e revisitar a cidade de montanhas geladas e paisagem marrom, meu primeiro destino na terra de tio Sam. Até porque, a cerveja NÃO será encontrada fora de lá, ou seja, qualquer possibilidade de nós, brasileiros amantes de cerveja, provarmos a tal Bleeding Heart é através de PATROCÍNIO.

Amigos, não nos façam implorar...

E como amor e esperança andam juntos, o lote do proximo ano será estendido às garrafas, para alegria dos colecionadores viajantes e dos amigos deles.

Amigos, não nos façam implorar...

Ainda, o poster acima também foi produzido em edição limitada de 100 unidades, sendo vendido a U$20 cada. Que mania de limitar tudo... Vejam aqui o release (em inglês) da cerveja em questão.

E, propositalmente no fim do dia, propositalmente para passarmos vontade, propositalmente feliz e sempre apaixonada...

Happy Valentine's!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dá pra fazer!

Existem duas coisas que eu gosto quase mais do que de cerveja: de campanhas publicitárias que me arrepiem a espinha e passar horas na internet aumentando meu índice de cultura inútil. Geralmente entro em êxtase quando me deparo com campanhas publicitárias de cerveja viralizando pela internet. Nem precisa de cereja no topo.

Então a Samuel Adams, em sua fanpage oficial no facebook me surpreende: um aplicativo para que, baseado nos principais aspectos da cerveja - cor, corpo, características do malte, amargor, filtragem, etc - possamos criar a nossa cerveja ideal. O Crowd Craft Project é uma estratégia de marketing, que faz com que o público não só se sinta mais próximo da marca, mas se sinta parte dela. Até dia 05 de fevereiro, todos os palpites serão levados em conta para a produção da primeira cerveja "produzida" pelo facebook. O lançamento será feito em março, infelizmente não aqui no Brasil.

Foi como achar meu pote de ouro no fim do arco íris... Além de ser uma campanha sensacional, que foge dos padrões das mídias convencionais, de onde a maioria das cervejarias não saem, é parte do propósito da nossa busca pela cerveja perfeita.  Afinal, faz quase um ano que buscamos em cada empório, cada cidade, cada viagem, evento, mesa de bar, aquela cerveja perfeita, aquela que vai lembrar de Frank Sinatra, de rock, de infâncias e lugares. Talvez seja esta a alternativa: produzir a própria perfeição, objetivo que não poderia ser mais presunçoso, porém ainda válido.

Pra começar, estamos produzindo uma Ale, então esta nossa perfeita exclui as pilsens, lagers e todas as outras de baixa fermentação. Estando satisfeita com esta predefinição, continuemos. Mãos - e mouse - à obra. Minha fórmula ficou assim:

Que tal montar sua própria perfeita?
O aplicativo só está disponível em inglês, mas vamos lá... Sim, uma Golden Ale, com corpo e transparência médios. Tentei trabalhar com a lógica, deixando um arominha de ervas, uma cerveja levemente condimentada porém refrescante. Acho - acho - que eu produzi algo parecido com uma de minhas favoritas conhecidas. Acho... Mas vai dizer que a imagem acima não deu sede em plena segunda-feira?

De qualquer forma, cada dia, cada momento, pede uma perfeita. Para hoje, Golden Ale. Para amanhã, quem sabe uma Stout bem encorpada, com aquele sabor maltado e de chocolate ao fundo? Para quarta, uma IPA... Enfim, curiosa pelo resultado da campanha! E consciente de que tenho muito chão pra produzir uma cerveja e quero ainda mais chão para encontrar a perfeita. 

Um brinde, à busca e a Samuel Adams, com mais uma campanha sensacional!

Aliás, momento créditos para o Eu bebo sim, onde encontrei a dica do aplicativo, excelente :)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Porque é primavera!

Ah a primavera! Minha época favorita do ano, com certeza! O sol volta a dar sua graça com maior frequência, os ipês de São Paulo florescem com seu amarelo vivo, as amoreiras tingem as calçadas, as roupas vão ficando leves e coloridas.

A primavera denota fertilidade, a vida na terra, onde na agricultura celebra o tempo  em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento e um maior equilíbrio das forças da natureza. Pela cultura pagã, a primavera é um momento ideal para fortalecer a energia de complementaridade ente homem e mulher. Ainda, o momento ideal de cultivarmos nossas sementes, já que é a época do ano que estamos mais ativos, dormimos menos, comemos menos e gastamos mais tempo ao ar livre.

Época de celebrar? Falemos de cervejas. E de flores.

Falamos muito de aromas florais, de fermentação floral, mas quando é que enfim teríamos de fato flores na cerveja? Conheço saladas de rosas (além de outras graças de rosas), perfumes feitos naturalmente de flores e tantas outras invenções. A cerveja não demoraria a entrar neste hall.
E foi então que as cervejarias americanas Dogfish Head e Samuel Adams inovaram e produziram a Savor Flower, uma cerveja colaborativa cuja composição inusitada: água de rosas, lavanda, hibiscus, jasmim e rosas, além de uma variante de lúpulo conhecida apenas como #369, que tem como principal característica ressaltar as notas florais da cerveja. É quase um buquê de flores engarrafado! Segundo os participantes do evento que a degustaram, a cerveja é clara, dourada, com o aroma doce e floral que é tão forte quando o sabor, que eles comparam à um chá de flores (ou de um pot-pourri).

Além de toda a botânica usada, a cerveja foi maturada em barris. Vejam neste vídeo todo o processo, da ideia à produção dos cervejeiros:


Infelizmente esta cerveja foi produzida somente para o evento Savor Craft Beer, em Washington, que ocorreu em Junho.  Esperamos que a ideia tenha vingado e que a Savor Flower entre no mercado. Cerveja com água de rosas para Catarina é como um ”body Shot”, e a curiosidade de conhecer este sabor está me matando!

E esta será a minha forma de celebrar a chegada da primavera neste final de semana: percorrer as ruas de SP, entre ipês e amoras, sempre em busca de uma cerveja perfeita, nem que seja só para esta estação...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja"

Esta semana recebi um email de um amigo me questionando qual era a dúvida de que ele pudesse curtir Mulheres e Cerveja... Vou explicar: Catarina é uma garota das redes sociais. E ela não descansou enquanto não fez, enfim, a página do Mulheres e Cerveja no Facebook, e sugeriu então a página aos amigos. Daí o "Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja" que ele me questionou. "Qual a dúvida de que um homem não vá curtir Mulheres e Cerveja?", ele perguntava... Na realidade não criamos antes porque tínhamos receio de não conseguir alimentar a página por falta de tempo e deixa-la obsoleta. Afinal, temos que trabalhar, AINDA não vivemos de cerveja! Acessem e curtam também nossa página bem no estilo facebook.
 



Além da movimentada vida social-virtual, nesta última semana foram nada menos que 10 novos rótulos provados. Dez. Na realidade, em dois dias, quinta-feira no Café Elétrico, onde Renatinha exigiu minha presença para provar a Basement e na empolgação e no calor da conversa - coloca-la a par de 30 dias de viagens e detalhar todas as peripécias - foram mais 5 garrafas e domingo, mesa repleta de homens e mulheres pós-samba, no Empório Alto dos Pinheiros, onde desta vez eu fazia questão que ela provasse a Delirium Tremens - ela e outros 5 amigos e novos amigos que se esbaldaram com mais outros 5 rótulos.

Haja fígado e dinheiro, mas tanto esforço sempre vale a pena. A especulação sobe o sabor da cerveja, dividir com homens nossas impressões, o olhar de aprovação após o primeiro gole... são todas sensações impagáveis que nos fazem cada vez nos aprofundar na busca da cerveja perfeita!

Enfim, a escolhida da semana, primeiro porque tanta insistência na visita ao Empório se deu por ela, sugerida pelo Chefe Ali, e segundo porque em 4 de agosto é celebrado o Dia da IPA, é a Brooklyn East India Pale Ale.

A Brooklin East é uma cerveja da americana Brooklyn Brewery, no estilo IPA, aquela do tipo especialmente fermentada, lembra? Pois bem. Cerveja esperada e muito bem recebida. A começar pelo aroma: herbal. No sabor, o amargor de uma IPA, com a intensidade do lúpulo e uma finalização de ervas sensacional. Aliás, sensacional é a palavra. Sim, IPA é amarga, mas a Brooklin East tem uma formula bem balanceada, que denota tanto o aroma de ervas, o amargor do lúpulo e o adocicado malte caramelo. Uma coloração mais escura, âmbar porém cristalina. Sua aparência e sabor nada se identificam com a simplicidade de seu rótulo verde e vermelho, em garrafa long-neck.


É difícil escolher uma cerveja perfeita entre tantas em tão pouco tempo. Foram mais da Colorado, da Abadessa, uma garrafa muito bem dividida de Delirium, cervejas de trigo, com frutas, amargas e até mesmo muitas latinhas de Itaipava e Skol. Sim, porque samba que é samba pede lata de cerveja na mão.

Por isso, vamos repetir a(s) dose(s) em um próximo fim de semana, talvez com a mesma companhia de risadas, impressões positivas e devoção pela cerveja, pelo samba e pela boemia, com o perdão do trocadilho!

E um brinde especial ao tremoço!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos, amigos, cervejas fazem parte!

(Post a 4 mãos)
 
São seis os amigos mais famosos do mundo. E são inúmeras as vezes que os vimos sentados diante de uma única protagonista: a cerveja.

Durante 10 anos – e pasmem, que acabaram há 7 anos – acompanhamos as piadas, tragi-comédias, amores, dores e neuras de 6 pessoas tão comuns quanto nós mesmos. Rachel, Monica, Phoebe, Ross, Chandler e Joey fizeram nossas noites mais agradáveis e hilárias. Seus quotes já são imortais, como o famoso “How you doing” de Joey, ou o “Could I be any...” de Chandler, isso claro, sem contar nos trejeitos e olhares de Ross. Tanto a dizer sobre eles, Catarina e Renatinha são fãs incondicionais do seriado. A ponto de saberem de cor as falas e detalhes de cada episódio. E vêem e revêem cada um deles como se fosse a primeira vez.

Mas uma coisa notada recentemente por Catarina, talvez pela nova paixão adicionada à sua lista: a cerveja favorita, principalmente de Joey: Budweiser.

Sem muito o que explicar, bud lembra parceiro, best bud, como ele mesmo chama seu amigo Chandler (ele deu até uma pulseira para ele, the woman repeller!)

Hoje, no dia do amigo, falamos da Budweiser americana, aquela lager que está sempre nas geladeiras nos filmes e seriados e que por algum tempo só nos fez vontade por aqui. Por algum tempo porque o Brasil está para ganhar uma nova amiga. Sim, a Budweiser será lançada em breve no Brasil.

A Budweiser foi a primeira cerveja nacionalmente americana. Seu nome na realidade é inspirado num tipo de cerveja de um lugar chamado Budweis, em uma região distante do Império Húngaro, e em 1883 começou a ser pasteurizada e engarrafada. Sim, nossa Bud era um másculo e rústico exemplar de chopp. O que alias combina e muito com seu público, homens trabalhadores, macacões, mãos sujas de graxa, trabalho pesado e jogos tradicionais. Nada mais americano, nada mais cinematográfico. Como imagem visual sempre foi o ponto alto da Budweiser – tanto o rótulo tipicamente americano com suas cores vermelho, branco e azul – com seu poder distintivo comparável ao da Coca-Cola; os slogans “O Rei das Cervejas” e “O Produto Genuíno” transformaram a marca na cerveja mais consumida do planeta, inclusive com campanhas que fizeram história (inclusive fazendo parte da nossa história!).

Em 2008 a Inbev comprou a Budweiser, tornando-se então a maior cervejaria do mundo. E já que a Bud será então fabricada e comercializada por aqui, nenhuma data melhor para comemorar a notícia da chegada de uma nova amiga do que no dia do amigo. Mas oficialmente sua primeira aparição acontecerá no Preliminary Draw, evento da Fifa que acontece no Rio de Janeiro na última semana desse mês. E estará no mercado até o mês de novembro (informações da Ambev). Na publicidade ela será representada por ninguém menos que Nisan Guanaes, ou melhor dizendo, pela Africa.

Enfim, uma cerveja para ser bebida entre amigos, após uma longa jornada de trabalho ou mesmo em frente à TV na companhia de 6 amigos inseparáveis que elevaram a amizade a um novo patamar.

O mundo e os amigos nunca mais foram os mesmos após Friends e talvez uma nova revolução aconteça após a Budweiser. Afinal, quando se trata de estômago ninguém entende mais que o Joey.

So... How YOU doing?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E pra não dizer que não falei... dos homens.

“Uma mulher levou-me a começar a beber e eu nem tive a decência de lhe agradecer.” –  W.C. Fields

Complementando o tema da Renatinha na última semana, que falava sobre a relação das cerveja com as mulheres, hoje cá estou para falar de homens. E, claro, de cerveja. E de relações recentes de amor e – acho – apego.
Assim como as mulheres estão ligadas à produção da cerveja, homens são os mais exímios apreciadores. Mas, diferentes de nós mulheres, veem a cerveja com os olhos racionais, apreciam não somente seus atributos “psicológicos”, mas querem saber mais que qualquer um: o ABV, o creme/espuma, a cor, o amargor, que quanto maior, mais macho os tornam – e não? Contemos mulheres e homens que realmente apreciam Dry Stouts então...

Como diria Tim Russman em umas das mais famosas citações sobre cerveja, “Uma cerveja cheia é uma cerveja perfeita.” Isso prova a simplicidade com que homens veem a bebida. De forma simplista, técnica por vezes, mas nunca com a profundidade e complexidade da análise feminina. Considerar perfeita por estar cheia? Discordamos. O homem esquece que, sempre, sua cerveja, seja ela a Pilsen de todas as horas, a de confraria, a especial, nacional ou importada, está sempre ligada à um momento de prazer. Futebol pede cerveja. Reunião com os amigos pede cerveja. Sol e calor pedem cerveja. Gelada. Para o homem, o estalar do anel da latinha traz todo um sentimento de realização, calmaria, prazer. Os primeiros goles de sua cerveja favorita desaceleram o mundo, apagam maus momentos e péssimas lembranças por quanto tempo for preciso.

E, claro, não podemos deixar de admitir – característica clássica feminina, em assumir limitações e impor virtudes – que o homem tem seu papel indiscutível no universo da cerveja.  Tanto que a história nos ensina que o homem se tornou agricultor (e sedentário) para beber cerveja e se embriagar, e não para garantir alimentação. Deixaram as caçadas e deram mais atenção aos grãos e plantas. Quer dizer... isso pode ser só mais uma das lendas sobre cerveja, vai saber.
O fato é que toda mulher que bebe com homem, dirige com homem e cozinha com homem, os fazem muito melhor. Ou porque somos ótimas aprendizes – que geralmente em pouco tempo se tornam mestres – ou porque o gosto da concorrência nos embriaga.

E se estamos falando de homens, que tal falar de uma cerveja com nome de homem? A Anderson Valley Oatmeal Stout, uma cerveja artesanal americana, a primeira no estilo Oatmeal Stout vendida no Brasil, cujos maltes são de aveia. Sim, mais uma Stout nas nossas resenhas (eu me descobri fã incondicional de Stouts ultimamente).
É uma das stouts mais encorpadas, ricas e complexas do mercado. Em 1990, foi a primeira medalha de ouro da cervejaria, no Great American Beer Festival. A Barney Flats foi julgada tão superior às outras stouts do mercado que nenhuma outra medalha foi sequer concedida nessa categoria. Inclusive, foi citada no livro “As 50 Melhores Cervejas do Mundo”. Deu vontade?
Pois a Anderson Valley veio numa oportunidade e foi degustada com homens de porte: Num evento corporativo recente, foi dividida com ninguém menos que os sócios da empresa que trabalho. O que foi ótimo porque não precisei pagar os R$39 pela garrafa de 750ml, ou seja, patrocinada! Jantar finalizado, era meu momento de espairecer depois de mais um evento de sucesso. E este momento foi curtido com uma cerveja de espuma escura, densa e persistente. Um aroma característico de Stout, adocicado de malte torrado, caminhando para o peculiar chocolate e caramelo. Mas a Anderson tem o quê de ervas, um toque defumado e um amargor não tão forte. Das Stouts provadas, foi de longe a mais densa e encorpada, tudo culpa da aveia. De acordo com minhas considerações femininas, os homens presentes também a aprovaram e inclusive abriram uma segunda garrafa.

É... e de homem a cerveja, de cerveja a Stout e de Stout à nossas relações de amor com os homens e cervejas. Tudo funcionando perfeitamente na engrenagem do universo...