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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Czechvar agora é chopp!


Texto escrito pela Elisângela  ou Eli, que nos representou no evento. Ela é uma recém apaixonada por cerveja – na realidade por qualquer tipo de bebida, mas que se aproximou do mundo da cerveja graças às boas influências. Valeu Eli!

A gente já falou aqui sobre a Czechvar e sobre como uma cerveja mesmo amarga pode ser leve e refrescante. Então a Uniland nos convidou para um evento especial no Consulado da Republica Tcheca: o lançamento no Brasil da Czechvar em barril!

A versão chopp da Czechvar traz o amargor residual persistente do lúpulo Saaz e o agradável aroma de malte tcheco. De sabor leve, talvez resultado da maçã em sua fermentação, é uma bebida muito refrescante que combina muito bem com o clima tropical do Brasil. Com a proposta de agradar os paladares dos consumidores mais exigentes, a Czechvar harmoniza muito bem com petiscos, refeições leves como saladas, peixes, grelhados ou queijos frescos.

Eu acrescentaria uma pitada de pimenta para realçar a refrescância natural do chopp, que deve ser consumido com um denso colarinho e estupidamente gelado.


Quem quiser conferir chopes Czechvar, vai no The Ale House Pub e Empório Alto dos Pinheiros em São Paulo, Grannies Pub em Campinas e Empório Biergarten em Ribeirão Preto.

Na zdraví!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um casamento cervejeiro :: Cervejaria Nacional


Há tempos estou pra falar da Cervejaria Nacional. Mais precisamente desde a primeira vez que a visitei, mas desta vez será especial.

A Cervejaria Nacional fica em Pinheiros, São Paulo. Tem três ambientes: a fábrica no primeiro andar, o bar no segundo e o restaurante no terceiro. Genuinamente nacional, usa o folclore brasileiro como tema da decoração e para nomear as cervejas.

Sim, fábrica, porque a Cervejaria Nacional é a única fábrica-bar de SP. Por isso lá só tem as cervejas produzidas por eles e é lá, no primeiro andar – onde eu tirei as melhores fotos da vida! -  que são produzidos cerca de 5.000 litros de cerveja de 5 tipos diferentes por mês. Cerveja sem conservantes, artesanal e muito saborosa, elaborada pelas mãos dos mestres-cervejeiros Fabiani e Alexandre Sigolo. Até hoje, lá já foram produzidas e bebidas mais de 25 receitas dos mais variados sabores e ingredientes.

Daí lá a gente ainda aprende mais sobre cerveja. A gente já sabia que cerveja gelada demais é um erro. E na Cervejaria eles explicam porque não servem a estupidamente gelada... “A temperatura baixa engana suas papilas gustativas e faz com que você dificilmente perceba o sabor ou a falta dele. Por isso, todas as nossas receitas chegam à torneira da chopeira com a temperatura entre 0º e 0,2ºC, para que você possa degustar e sentir todas as características do sabor de cada uma delas.” Cultura cervejeira. O bar no segundo andar, com mesas, balcão e decorado com sacas de cevada está sempre cheio – funciona desde o almoço até tarde da noite.

E indo ao terceiro e último andar, o restaurante, um espaço rústico, iluminado durante o dia e mais quente e ameno à noite, tem no fundo a cozinha, super à mostra através de um vidro que mostra a galera se empenhando em pratos sensacionais. E então foi neste ambiente que nosso casamento foi celebrado. O terceiro andar foi reservado e previamente decorado, e escolhemos o menu de harmonização da casa para nossos convidados.



Foram 5 pratos, cada um acompanhando – à vontade – uma cerveja da casa. Os convidados ao chegar tinham como opção de petiscos as “comidinhas de boteco”: Pastéis de Carne e Queijo, Bolinho de arroz, Batata da casa e Polenta frita. Para harmonizar, a cerveja Y-iara Pilsen, o carro-chefe da casa, primeira das cervejas a ser produzida. Base de maltes pilsen e vienna, coloração amarela-dourada, lúpulo Saaz para um aroma floral e 5% ABV. A ideia dessa receita é reproduzir a tradição do estilo, com amargor perceptível, 100% malte e personalidade. As cervejas Pilsens são leves, aromáticas, refrescantes e com delicadas notas de malte. Sugerida para acompanhar saladas, aperitivos fritos e condimentados e grelhados. Foi basicamente a escolha dos convidados para a noite toda, embora muito ainda tivesse por vir...

Como entrada, duas opções: Crostini de Cogumelos (Cogumelo paris com um toque de alho, parmesão e rúcula), servidos com a Cerveja Kurupira Ale, uma Amber Ale com equilíbrio entre o amargor do lúpulo e as notas adocicadas de malte, onde o caramelo tende a prevalecer. Nossa Ale do dia a dia e herdeira direta da receita da Drake's Brown Ale. O plano era criar uma receita baseada no primeiro grande sucesso da Cervejaria Nacional, com tons mais avermelhados. Na versão Kurupira temos 30 IBU's como na original, com maior presença das notas de malte caramelo e 5% ABV.
Salada Xavantes
Ainda como entrada, a Salada Xavantes - alface romana, molho ceasar, parmesão e croutons – servida com a cerveja Domina Weiss, que como toda cerveja de trigo tem um paladar refrescante, aromas de banana e cravo e a inconfundível sensação do malte de trigo, características que agradam muito nos dias mais quentes. Com uma receita simples de maltes de trigo e pilsen e lupulagem amena com o Tettnanger, a Domina Weiss é elaborada com uma cuidadosa fermentação que produz os aromas acima de maneira muito delicada, o que faz dela a campeã absoluta de vendas. Inclusive, foi com ela o primeiro brinde dos noivos, direto da fonte!

Brinde dos noivos by Domina Weiss
O prato principal podia ser escolhido entre um sensacional Risoto de Costelinha (Arroz arbóreo com costelinha de porco desfiada, limão cravo e crispy de cebola) ou o Ravioli da Casa, que eu já a-d-o-r-a-v-a, recheado com mussarela de búfala e molho de tomate italiano. Ambos acompanhavam a Mula IPA, aquela favorita do padrinho Ali. É um estilo que tem se tornado muito popular entre os cervejeiros. A Mula nasceu como uma IPA americana, a qual possui teor alcoólico elevado (7,5%), corpo baixo, final seco e generosas doses de lúpulos americanos que contribuem para aromas de frutas tropicais, maracujá e cítrico além do amargor bem pronunciado (60 IBUs). Como as IPAs são cervejas de personalidade forte, amargor elevado e alto teor alcoólico com o lúpulo sendo o grande destaque, são indicadas para acompanhar pratos mais fortes e mais temperados. Por fim, além do fantástico Bolo de Guinness já anteriormente citado, a sobremesa, mais apreciada impossível: Petit Gateau com sorvete de creme, servida com a Sa’si Stout. As cervejas Stout são famosas por acompanharem doces e sobremesas. A Sa’si é uma Dry-Stout com  4,6% ABV, 35 IBU e cor negra profunda. Com o tempo o forte amargor de malte torrado foi sendo equilibrado com outros elementos da receita para dar harmonia aos sabores dessa Stout, caracterizada pela cremosidade e as notas de café e chocolate no aroma e sabor. 

E ainda, a Patrícia Reali, gerente da Cervejaria Nacional, foi incrível o tempo todo. Mesmo depois de 2 meses, ainda é tempo de agradecer a atenção especial que nos deu e o momento proporcionado. É sempre muito difícil agradar à todos em um evento – principalmente casamento – mas o local superou nossas expectativas. Quem já conhecia adorou a ideia de termos a recepção lá. E quem não conhecia com certeza se surpreendeu! Muito gostoso ter um casamento simples, mas cheio de estilo e com muitos elogios.
Valeu Pat!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dog A, a cerveja de 110 reais tomada no gargalo

“Catarina você já tomou cerveja com vodca?”

Já no caixa do Empório Alto dos Pinheiros escuto esta frase. Meu amigo vem até mim com uma BrewDog na mão. “Esta é forte hein!”

Era a Dog A, ABV de 15,1%, rótulo chumbo, quase preto, em sua totalidade. A edição é especial de 5º aniversário, lançada em março deste ano.

Amigo, você viu o preço desta cerveja?, pergunto, já com minhas dúvidas por se tratar de uma edição especial... “Ah, não deve ser tão cara, tava na geladeira”, ele diz sossegadíssimo.

Ok, mas ó, digo eu em tom de advertência... a BrewDog, fora da linha convencional costuma ser meio cara. Tem uma deles, que por um tempo foi considerada a cerveja mais forte do mundo – a Tactical Nuclear Penguim – que custa R$600. Daí veio outra mais forte – a Sink the Bismark – que tá quase na casa dos milhares....

Ele ficou assustado, mas continuamos bebendo. A cerveja é de fato forte, está longe de ser (isso pra não dizer NÃÃÃÃÃO faz isso com a cerveja) a longneck que se bebe no gargalo, de pé na frente do bar, que foi o que fizemos. É extremamente encorpada, cada gole leva uma eternidade para ser completado. Cerveja maltada, escura, sério, forte mesmo... uma Imperial Stout que, segundo o próprio fabricante, detona a boca. Tem inclusão de grãos de cacau, pimenta e café. Não sei a cor, o corpo, a espuma nem o aroma, porque, como disse, foi tomada no gargalo. Não me culpem.

Ainda em pé, ao lado do caixa. Escuto de longe um extasiado “QUANTO?”. R$110,00. Ri, ri muito. Rir da desgraça alheia é especialidade do ser humano.

Ele pagou, com dor no coração. E com Visa Vale.

Moral da história: nunca vá a um empório e pegue uma cerveja X da geladeira sem saber o preço. E não ache que porque você tem um chaveiro de abridor de garrafa você é o dono do mundo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Petroleum, uma grande descoberta!

Sejamos honestas: eu arranjo motivo para tudo. Leia-se por motivos, desculpas, esfarrapadas ou lógicas, satisfações, porquês e quero-porque-queros.

E a páscoa – aquela que passou há quase um mês – foi o “motivo” que o amigo Robson do Empório Alto dos Pinheiros (sério, adoro ele, me cumprimenta pelo nome e sabe praticamente todas as cervejas que eu comprei lá) me deu para provar o lançamento da Wäls: a Wäls Petroleum. “Páscoa taí, gosta de chocolate? Então... esta aqui é a última recebida, lançamento da Wäls, conhece?". Até busquei no Google uma foto do Robson pra ilustrar. Preciso de uma foto com ele pra agradecer a atenção e as mesas rápidas em dias de superlotação!

Lançada oficialmente em 20 de março (e provada em 31 de março, ainda ‘quentinha’), a Wäls Petroleum é fruto de alguns anos de estudo e dedicação da microcervejaria mineira Wäls, que desde de 1999 se orgulha de trabalhar em uma produção ecologicamente correta, com sua própria estação de tratamento de esgoto, coleta seletiva e com sustentabilidade. Seus barris de maturação vieram da Escócia, de carvalho francês. Todo este cuidado e carinho renderam à cervejaria o título de Cervejaria do ano e a medalha de ouro para a Wäls Petroleum na Copa Sul-Americana de Cervejas no Festival Brasileiro da Cerveja (a cervejaria ainda levou ouro em outra categoria-chave, eleita a campeã no estilo Pilsen).

Fruto da parceria com a paranaense DUM, a Wäls Petroleum é uma Russian Imperial Stout, elaborada com diversos tipos de grãos escuros, com aromas de malte torrado, chocolate belga e toffee. Ainda, é maturada com cacau belga. Tudo isso rende à esta Stout – que todos sabem que é um dos meus estilos favoritos – uma textura aveludada num corpo escuro, combinando com uma espuma marrom, e um fortíssimo aroma, que sim, é de Páscoa. No sabor, uma surpresa agradável... o amargor é forte mas equilibrado. Não trava, desliza pela boca, é a mesma sensação de apreciar um belo chocolate belga, daqueles carregado no cacau, intensos. Posso dizer que esta está para um cervejeiro – zitolibador – assim como o chocolate está para a mulher. Não li uma crítica sequer a respeito da Wäls Petroleum, apenas descrições de experiências inesquecíveis. E o preço: R$23,00 por 360ml.

Perfeita! E quase feminina: seu corpo negro e sabor inebriante escondem seus 12% de ABV.

Vou repetir: maturada com cacau belga, caso isso tenha passado despercebido.

Como o próprio rótulo faz questão de enfatizar, uma grande descoberta (assim como petróleo, mas acho infeliz ter que explicar o insight do nome né?!). Se não fosse a queda do copo na mesa que me rendeu um corte bonito na perna... Mas ainda assim a experiência foi positiva e minha páscoa muito mais feliz.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tem mas acabou

Nada fez mais barulho na internet ultimamente do que o enfim lançamento da Duff, a tal cerveja do Homer aqui em São Paulo. Mil releases anunciavam a festa de lançamento na quinta-feira passada e a distribuição em primeiramente 30 pontos de venda em São Paulo. O preço: R$10.

Na quinta-feira liguei no Empório Alto dos Pinheiros, um dos locais favoritos para degustações, que estava na lista dos locais que teriam a tal e a atenciosa Zenilde claramente não sabia do que se tratava quando disse que receberiam e que o lote era grande. Eu, tranquila, avisei os amigos e fomos todos, equipe completa, provar tal lançamento.

#fail

Tem mas acabou. Na sexta-feira mesmo, rolou fila. E isso não só no Empório. Na segunda-feira, fui ao Johnny Peppers. Em vão. E assim em muitos outros lugares, que receberam e a demanda não atendeu à imensa procura.

E cá estou eu, esperando que, por coincidência, sem mais expectativas, encontre com a tal cerveja do macho, para poder dar as minhas considerações.

Considerações esta que já adianto: tenho a impressão que a Duff deve ser muito parecida com a Budweiser. Não sei porque mas tenho este feeling... inclusive um amigo que a provou concordou comigo, mas enfim... maiores conclusões só depois de provar, nada mais justo.

E para quem provou: Cheers!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para um dia nublado, cerveja!

Em clima de Restaurante Week, nos últimos 10 dias já esgotei todo meu vale-refeição e visitei praticamente todas as opções ao redor do trabalho. Tenho comido bem, mas, mais do que isso, tenho comido muito. Ontem, ao conhecer o menu do La Pasta Gialla, prometi que seria o último. Mas hoje quebrei a promessa e fui almoçar no Empório Santa Maria. A opção de menu Restaurante Week lá é apenas para o jantar, mas a combinação dia cinza, multa de trânsito + pepinos no trabalho + TPM estava em clima de mau humor, e eu resolvi me agraciar com um bom almoço e uma cerveja especial. Porque eu merecia! Sim, TPM.

Pequei. As opções de cervejas no almoço do Empório são menor que escassas:. São 3: Guinness, Oettinger e uma australiana que mal prestei atenção. Apenas li o rótulo “cloudy wheatbeer” da Oettinger e pensei: combina com tudo!

Escolhida porque eu sou sentimental. E porque hoje, quarta-feira mais que cinza na capital paulista, eu precisava de um certo ânimo no dia. Escolhida porque no prato tinha uma seleção de queijos e pães caprichada. E também porque a Guinness já tinha sido pedida na mesa e eu com certeza daria uma bicadinha.

A Oettinger Hefeweizen é uma das cervejas de trigo mais vendidas na Alemanha.  Uma Ale de estilo German Weizen, é engarrafada com as leveduras utilizadas na fermentação (daí “Hefe”), o que a deixa com esta cor dourada turva característica. Além disso, o aroma adocicado de cravo e banana e o sabor encorpado típicos de uma boa cerveja de trigo se fazem presentes. Suave, com seus 4,9% de teor alcoólico que não comprometeram em nada minha volta à labuta! O ponto fraco: ser enlatada, o que prejudica a formação do creme e a mistura no copo... Não é nada que desonere a cerveja, mas se estamos aqui pra falar, falemos. Outro ponto fraco, que nem foi da cerveja mas do local onde comprei, foi o preço: R$ 22,00 a lata de 500mil. Mas até aí, o próprio almoço já tinha comprometido o orçamento. Como disse, pequei.

Enfim... sim, a Oettinger Hefeweizen foi perfeita. Perfeita para melhorar meu humor, para adoçar meu dia (junto com a sensacional torta de morango de sobremesa), para inspirar meu texto, para reunir dois amigos queridos...

Perdoem-me o trocadinho para finalizar, mas Tive um Perfeito Momento nesta quarta-feira cinza!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja"

Esta semana recebi um email de um amigo me questionando qual era a dúvida de que ele pudesse curtir Mulheres e Cerveja... Vou explicar: Catarina é uma garota das redes sociais. E ela não descansou enquanto não fez, enfim, a página do Mulheres e Cerveja no Facebook, e sugeriu então a página aos amigos. Daí o "Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja" que ele me questionou. "Qual a dúvida de que um homem não vá curtir Mulheres e Cerveja?", ele perguntava... Na realidade não criamos antes porque tínhamos receio de não conseguir alimentar a página por falta de tempo e deixa-la obsoleta. Afinal, temos que trabalhar, AINDA não vivemos de cerveja! Acessem e curtam também nossa página bem no estilo facebook.
 



Além da movimentada vida social-virtual, nesta última semana foram nada menos que 10 novos rótulos provados. Dez. Na realidade, em dois dias, quinta-feira no Café Elétrico, onde Renatinha exigiu minha presença para provar a Basement e na empolgação e no calor da conversa - coloca-la a par de 30 dias de viagens e detalhar todas as peripécias - foram mais 5 garrafas e domingo, mesa repleta de homens e mulheres pós-samba, no Empório Alto dos Pinheiros, onde desta vez eu fazia questão que ela provasse a Delirium Tremens - ela e outros 5 amigos e novos amigos que se esbaldaram com mais outros 5 rótulos.

Haja fígado e dinheiro, mas tanto esforço sempre vale a pena. A especulação sobe o sabor da cerveja, dividir com homens nossas impressões, o olhar de aprovação após o primeiro gole... são todas sensações impagáveis que nos fazem cada vez nos aprofundar na busca da cerveja perfeita!

Enfim, a escolhida da semana, primeiro porque tanta insistência na visita ao Empório se deu por ela, sugerida pelo Chefe Ali, e segundo porque em 4 de agosto é celebrado o Dia da IPA, é a Brooklyn East India Pale Ale.

A Brooklin East é uma cerveja da americana Brooklyn Brewery, no estilo IPA, aquela do tipo especialmente fermentada, lembra? Pois bem. Cerveja esperada e muito bem recebida. A começar pelo aroma: herbal. No sabor, o amargor de uma IPA, com a intensidade do lúpulo e uma finalização de ervas sensacional. Aliás, sensacional é a palavra. Sim, IPA é amarga, mas a Brooklin East tem uma formula bem balanceada, que denota tanto o aroma de ervas, o amargor do lúpulo e o adocicado malte caramelo. Uma coloração mais escura, âmbar porém cristalina. Sua aparência e sabor nada se identificam com a simplicidade de seu rótulo verde e vermelho, em garrafa long-neck.


É difícil escolher uma cerveja perfeita entre tantas em tão pouco tempo. Foram mais da Colorado, da Abadessa, uma garrafa muito bem dividida de Delirium, cervejas de trigo, com frutas, amargas e até mesmo muitas latinhas de Itaipava e Skol. Sim, porque samba que é samba pede lata de cerveja na mão.

Por isso, vamos repetir a(s) dose(s) em um próximo fim de semana, talvez com a mesma companhia de risadas, impressões positivas e devoção pela cerveja, pelo samba e pela boemia, com o perdão do trocadilho!

E um brinde especial ao tremoço!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Não adianta vir com guaraná pra mim!

Dia desses eu li que lady que é lady não precisa repetir isso o tempo todo. Fato. E acho que isso cabe para a Divina: cerveja boa não se intitula como boa, simplesmente é.

Como para bom "bebedor", meia palavra basta, percebam que a Divina ficou MUITO aquém das minhas expectativas. Acho até que é a primeira vez que faço um post onde não me encanto com a cerveja... vou explicar melhor.

Ao buscar uma cerveja – mentira, ao procurar uma fruitbeer gostosa, já que a ansiedade da minha viagem ao encantador continente das cervejas aumenta minha vontade daquela fruitbeer belga – na Tortula (padaria/empório em São Paulo que dá dó ao ver como se degrada dia após dia), me deparei com a “Göttlich Divina!”, assim mesmo, com exclamação e tudo.

Cerveja com Guaraná. Um rótulo que não sei porque me lembrou tubaína, uma mistura que me deixou bem curiosa e um preço bem interessante, visto os preços dos outros escassos rótulos da Tortula: R$19,90 a garrafa de 600ml. Levei-a acompanhada de um pacote de salgadinhos e mini-bolos confeitados... sei lá, era um sábado de culto à infância talvez. Mas o momento infância logo passou e a Divina! acabou sendo degustada dias depois, na companhia de um gato, no sentido literal apenas da palavra.

A Divina! é obra de um brasileiro, o Mestre Cervejeiro Leonardo Botto, que utiliza guaraná da Amazônia na sua composição.  Cerveja brasileira, da cervejaria Opa Bier, é produzida com o artesanal processo de Dry Hopping, onde ao final da produção, a cerveja é guiada por pressão através de um recipiente completo com Lúpulos de Aroma. O resultado é uma cerveja muito aromática, sem perder suas características originais de sabor, coloração e espuma. Fato verificado, a Divina! é intensamente dourada, com uma espuma bem persistente e um aroma floral, com apenas um levíssimo toque do guaraná. Sabor intenso, uma Pilsen Super Premium com seu tradicional sabor presente de malte, dando aquele amargor do fim do gole. Refrescante sim, mas não teve aquele clímax que eu tanto esperava.

Enfim, a cerveja é boa sim, mas naquele momento eu esperava algo além de bom. Queria algo de fato divino, perfeito, que me fizesse novamente cantar. Não precisava ser Frank Sinatra, alguns versos de Paul McCartney seriam suficientes, mas essa já é outra história...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Melograno

Visualize aquela tarde de verão onde o asfalto faz curva. O suor corre pelo corpo e tudo em que você consegue pensar é no suor de um copo de cerveja bem gelada.

Sem forças, você apenas se joga no sofá e espera que o poder Jedi traga o boteco para a sua sala. De repente o telefone toca. Não é o boteco avisando que está chegando, mas sim uma amiga com mais forças do que você que fala as palavras mágicas: vamos tomar cer-ve-ja?

Sem titubear você lembra da máxima da montanha movendo-se em direção a Maomé e com um grande sorriso nos lábios responde: onde e que horas?

Então, três mulheres entram em um bar. Na cabeça a vontade de aprender sobre cerveja, no corpo a vontade daquele primeiro copo de cerveja que desce como água gelada no deserto.

O bar foi escolhido justamente porque uma delas (sim Sheynita, essa é você) ouviu dizer que ali tinham vários tipos de cerveja diferentes. Mas para nossa surpresa, era muito mais que isso, descobrimos que não era apenas um bar com uma grande carta de cervejas, mas simplesmente o bar com a melhor carta de cervejas de São Paulo (Melograno).

Os olhos de Catarina e Renatinha brilharam, tanto quanto no dia em que pela primeira vez sentiram-se grandes e adultas o suficiente para tomar o seu primeiro copo de cerveja, mesmo sentindo que esse poderia ser o caminho para o lado negro da força.

Como crianças em loja de brinquedos, ficamos ali, tentando decorar o cardápio e tentando acertar qual a melhor relação custo benefício da casa.

Não adiantaria pedirmos uma cerveja muito cara, sendo que ainda não temos conhecimento o suficiente para apreciá-la adequadamente. Cerveja merece respeito, e para tal o melhor passo é admitir que ainda estamos engatinhando nesta arte.

E se é para engatinhar... ninguém sabe ao certo onde a cerveja surgiu, e para alguns historiadores é a bebida alcoolica mais antiga do mundo, com cerca de 8 mil anos.

A primeira cerveja que escolhemos foi a Krombacher Alemã, pilsner (muito calor, queríamos cervejas leves). Desceu muito bem, e deixou um leve amargor na boca. Foi muito bem recebida. Não tem um teor alcóolico alto (na realidade, foi o mais alto do dia: 4,8%) e tem baixa fermentação.

Depois de muito papo, pedimos a Tcheca 1795, uma premium lager desta vez. Bem cristalina com uma cor intensa (tão intensa que nossa Livinha - de 5 anos - inclusive sugeriu nos acompanhar e pediu um guaraná, dizendo que também estava bebendo cerveja!), mais saborosa, achamos o inverso da primeira, mais amarga no início e sabor residual agradável com um toque amargo bem sutil. Desceu bem, tão bem que, com o calor de cerca de 33ºC, acabou em menos de 20 minutos: estava apaixonantemente gelada.

Agora é a hora, a hora em que fomos conversar e pedir uma ajuda para escolher a cerveja. E ganhamos primeiro uma história muito bem contada, mas não imaginávamos onde essa história iria nos levar.

Escolhemos a cerveja Slava, da cervejaria Abadessa, que fica no Rio Grande do Sul (sim, ela é brasileira). E a história é que esta cerveja não é filtrada e além disso ela é feita com fermento fresco. Depois de produzida ela deve ser mantida gelada, inclusive no transporte. Caso esquente, ela estraga. Aliás, percebemos isso: se fica muito tempo parada no copo, a espuma já se torna mais espessa e seu gosto modifica.

Então, ela chega em um balde de gelo, numa garrafa sektflasche de tampa swing stopper, ela é aberta e servida. Tem um aspecto turvo e opaco, delicadamente aproximamos o nariz da fina e frágil taça onde é servida, e então uma onda de expectativas preencheu nossos pulmões, o sorriso foi inevitável e a ansiedade de experimentá-la nos fez dispensar o 3° brinde. Um sabor peculiar, a primeira cerveja aprovada já com o olhar, com um gosto residual levemente salgado na boca, o que sugere uma acompanhamento perfeito à carnes maturadas.

Foi aí... exatamente neste ponto... que uma mesa um tanto quanto descrente, onde podiam-se ouvir alguns resmungos e muitas dúvidas e aflições sobre a vida, transformou-se de repente na mesa mais animada do lugar. Onde o sorriso era fácil e dominava a crença de que coisas boas acontecem com pessoas boas. Simplesmente frases como: "nossa gente, a vida é linda" e "de repente parece que ouço Frank Sinatra" eram lançadas à mesa.

Em homenagem a Slava (sua menina linda!) fizemos diversos brindes. Fomos obrigadas a repetir o pedido na 4ª garrafa. E saímos de lá todas felizes e flutuantes. Deve ter sido culpa do fermento.

Este blog é culpa dela. Culpa da melhor cerveja que provamos até então. Ela é a estrela principal do nosso primeiro post, será o nosso parâmetro, o primeiro passo de nossa jornada em busca da cerveja perfeita.

Todas as cervejas serão rigorosamente testadas a partir de agora, e comparadas com a nossa atual eleita. Para isso a equipe se prepara, agendando visitas à fabricas de cerveja e lendo muito sobre o assunto, para que possamos ter conhecimentos a serem aplicados na prática.

O que ganhamos com isso? Oras, o prazer de degustar muitas cervejas diferentes, de aprender sobre uma paixão e principalmente a diversão e as surpresas que reservam qualquer jornada.

Keep Walking...