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terça-feira, 19 de março de 2013

Aussie St. Patrick's Day

Que a Austrália - Perth mais especificamente - não era o paraíso da nightlife eu já sabia. Mas confesso que, mesmo com a mudança de vida, isso me faz uma falta incontestável.

Domingo, St. Patrick's Day especial por diversos motivos: o primeiro na Austrália, o primeiro (de todo o sempre) trabalhando com o líquido sagrado e aquele que comemorava um ano com o agora marido. Nos conhecemos no último stop do tour do ano passado.

Atualizando e voltando um pouco, estou trabalhando numa cervejaria, coisa que conto mais pra frente. Ainda é começo, mas o progresso virá "sooner or later"! Então metade do domingo lá estava eu, com tiarinhas de St. Patrick's correndo pra lá e pra cá. O click-click das anteninhas está na minha cabeça até agora...

Depois de um longo dia, enfrentei o cansaço e até os housemates que não sairiam de casa aqueeeela hora - oito da noite! - nem pensar, e fomos eu e o marido para o Moon & Sixpence, um dos tradicionais pubs irlandeses em Perth (que conta com 4 mais precisamente). No centro da cidade, chegando por volta das nove da noite, a rua quase deserta. Sério.

Ao chegar lá, não tinha mais chapéu divertido, não tinha mais camiseta da Guinness, nada! Uma Guinness Pie e duas pints de Guinness, jogar conversa fora e curtir a noite quente da cidade. Foi o que nos restou.

E quer saber? Delícia! Mesmo abrindo mão da noite agitada, da correria do tour, das danças, saia xadrez, nariz verde... foi gostoso dividir uma paixão com outra.



Mudanças da vida. A única coisa que não muda foi o patrocínio Guinness da noite!

Cheers!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Catarina no país das maravilhas (Guinness Storehouse)

Voltando um pouquinho, logo no começo da nossa busca pela cerveja perfeita, a primeira providência tomada pela Catarina e Renatinha ao entrar no mundo cerveja foi a visita à fábrica da Baden Baden, em Campos do Jordão. Logo naquela época minha cabeça já sonhava em ir mais além, mais precisamente quilômetros além e conhecer enfim a fábrica de uma das meninas dos meus olhos: a fábrica da Guinness, em Dublin, Irlanda.

Uma viagem um tanto confusa mas que rendeu além de novos amigos, bons momentos e a tão esperada visita à Guinness Storehouse, que se saiu muito além de qualquer expectativa nutrida. Primeiro porque o local não é grande: é gigantesco. São sete andares  - o primeiro deles divididos em quatro pavimentos.

Primeiro vamos começar com um breve contexto da história da Guinness: Arthur Guinness, em 1759, iniciou sua produção de maneira inovadora, tanto que foi condenado por adicionar mais água que os padrões das cervejas Porters permitiam. Então, o xerife da cidade foi acionado para cortar o fornecimento de água da cervejaria, mas Arthur não permitiu, se colocando contra dizendo que defenderia sua produção com um exército se fosse necessário. Com o sucesso da receita de uma de suas Porters, Arthur decidiu que não fabricaria nenhuma outra receita senão a Guinness. Com a morte de Arthur em 1803, a cervejaria foi passada para seu filho, também Arthur, e já nesta época a fábrica da Guinness era a maior do mundo, na mesma localização de hoje, o St. James Gate, em Dublin, Irlanda. A paixão da família Guinness, que ainda está a frente da marca, depositada na produção da cerveja é chamada por eles de 5º ingrediente.


Logo na chegada, uma grande surpresa, uma parede gigantesca com TODOS os rótulos e edições da cerveja. Só ali devo ter ficado uns 20 minutos apreciando cada garrafa e, claro, tirando mil fotos. Um simpático guia inicia o tour de alguns chineses com uma breve explicação sobre a cerveja num ambiente que, através de jogos de luzes e imagens, parece que estamos dentro de um gigantesco copo de Guinness.



A seguir, os ingredientes nos são apresentados e minimamente explicados conforme o anúncio: “Para entender o que faz a Guinness tão especial, você tem que começar com os ingredientes crus. Água, cevada, lúpulo e levedura: quatro ingredientes naturais, cuidadosamente selecionados para garantir que eles são da mais alta qualidade. Cada ingrediente em si é especial, mas se misturados de acordo com a receita secreta, o resultado é simplesmente extraordinário.”

- Água:
Em qualquer lugar do mundo, a água da Guinness é a mesma, vinda de fontes irlandesas. Eles têm um programa chamado “Water of life”, e todas as moedas jogadas na fonte vão para este programa de tratamento.




- Cevada:
A Guinness é produzida com uma combinação de cevada maltada, não maltada e torrada.







- Lúpulo:
A Guinness tem mais lúpulo que qualquer outra cerveja, seja Ale ou Lager. É o que a torna tão diferente. O lúpulo é como uma planta trepadeira, com um aroma que pode ser verificado ao esfregar as planta com as mãos: é assim que a qualidade é testada. Como o lúpulo é uma espécie de conservante natural, a Guinness exige que o mesmo lote seja exportado para todas as fábricas da cerveja.


- Levedura:
É a levedura que transforma os nutrientes e açúcar da cevada em álcool. Também é produzida de acordo com os padrões criados por Arthur Guinness, apenas em um único local, o St. James Gate, e exportado. É tão valioso que existe uma reserva da levedura trancada dentro dos cofres da sala da diretoria da Guinness.



A seguir, nos é apresentado todo o processo de produção, maturação, estoque e distribuição, com informações detalhadas de cada um dos processos. Juro que tentei roubar a receita, mas fui pega e tive que deixar as anotações para trás...

Ainda, um jogo de perguntas para testar o conhecimento sobre a cerveja em geral e um andar exclusivo para a comunicação da marca – foi lá que o lado latente de publicitária da Catarina entrou em êxtase. Dezenas de anúncios, peças publicitárias e todos os filmes já criados pela Guinness desde o início da marca. SENSACIONAL!

Mas a melhor parte da visita (ou não, difícil definir) foi tirar minha própria pint! Há uma explicação detalhada do processo (que mencionei no meu primeiro post) e fui avaliada por um guia que se manteve ao meu lado o tempo todo. Ao finalizar, com honra, ganhei até um certificado! E pude sentar numa confortável poltrona e me deliciar com minha Guinness especialmente tirada por mim, cujo barril vinha direto da fábrica, há poucos metros de distância. Foi enfim a melhor Guinness que tomei na vida!


Para finalizar, um bar no último andar do edifício, que mais se parece um observatório em 360º da cidade de Dublin. Apreciar a paisagem cinza com uma Guinness na mão foi quase um grand-finale para o dia. Isso se não fosse a loja da Guinness no meu caminho de saída, onde deixei preciosos 65 euros em souvenirs: chaveiros, moletom, bolsas, bolachas, camisetas, uma caneca e até ganhei uma gota da cerveja armazenada dentro de um vidro. O lado consumista de Catarina também se realizou.


Saí da visita completamente exausta. Mas incrivelmente feliz. Foi um sonho realizado e mais um passo dado na compreensão e aprendizado do mundo das cervejas. Um dos muitos que virão pela frente.

Como foram muitas fotos e quero dividir este momento com todos, publiquei o álbum completo da visita aqui!

“There is a poetry in a pint of Guinness”.

Cheers!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Porter x Stout - a missão de uma resposta

Sentadas no pub favorito, 4 mulheres e um único homem sentado à mesa que se surpreendia com as mil e uma histórias de cerveja. Depois de um rico cardápio desbravado, desde a nossa querida cerveja de bacon - sucesso sempre - à boa e velha Guinness, passando por cerveja com mel, London Porter e outras tantas e simples long necks de Heineken, o amigo nos põe à prova: "Qual é então a diferença entre Porter e Stout?".

As mulheres se entreolharam. Afinal, na teoria, são cervejas similares, na prática e no gosto, diferenciam-se por tênues detalhes. Como explicar?

Prometemos uma resposta melhor que um "não sabemos" aqui no blog. Depois de pesquisas, finalmente ficou - um pouco mais - claro: quase não há diferença notável.

A cerveja Porter (ale - alta fermentação) é típica da Inglaterra, surgida fruto da prática de se misturar duas ou mais diferentes cervejas para se tirar uma pint. Dessa mistura, as cervejarias começaram a produzir a versão comercial - conhecida como Entire (inteira) - que ficou popular entre os trabalhadores dos portos locais. Este estilo ficou então conhecido como Porter: "do porto". Amarga na medida, é a cerveja que mais harmoniza com sobremesas à base de baunilha e - sim - chocolate. A Fuller's London Porter representa muito bem esse estilo, sendo conhecida como a cerveja Porter mais elegante do mundo.

Já a Stout nasceu da família da Porter e também vem das terras frias. Na realidade, a Stout foi, por muito tempo, considerada um estilo de cerveja Porter, até que através da Guinness as Stout Porter adquiriram tanta personalidade que passaram a serem classificadas apenas como Stout, e foram divididas em 6 estilos:  Dry Stout, Oatmeal Stout, Sweet Stout, Tropical Stout, Russian Imperial Stout e American Stout. O carro-chefe das Stouts é a (sagrada) Guinness, que é do estilo Dry Stout, sendo seca e bem encorpada - quando bem tirada, claro.

Visto que uma "nasce" da outra, vemos a sutilidade da diferença. As Porters mais fortes ganharam uma nova categoria de Stout - o que, hoje nem é mais via de regra, já que temos, dentre os variados estilos de Stouts cervejas tão suaves quanto as Porters. Por isso, apenas como regra geral, sujeita a muitas exceções, podemos entender que as Stouts tendem a ter um caráter de malte torrado mais evidente e que as Porters tendem a ser um pouco mais doces em relação às Stouts.

Eu, Catarina por conveniência, diria que a Stout é a costela da Porter como Eva era a costela de Adão: uma é teoricamente mais forte que a outra, mas no fundo as duas são feitas do mesmo barro e são igualmente complexas. E fascinantes.

Da mesa de bar a dúvida veio. Na mesa de bar ela se cessará.

Cheers!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Coelhinho da Páscoa o que trazes pra mim?

É Páscoa. Justamente por isto não tive como fugir de mais uma vez voltar à pauta mulheres, cerveja e chocolate.

Mas não, desta vez não vou falar de harmonização, mas de algo muito mais interessante e com resultados muito melhores. Cerveja de chocolate.

Mais especificamente, vou falar da cerveja stout que o coelhinho da Páscoa trouxe pra mim: a Young's Double Chocolate.

Nesta cerveja o chocolate não é apenas um detalhe mas sim um de seus ingredientes a lhe conferir sabor e aroma. Aliás, uma aroma perfeito de chocolate bastante intenso. Aquele que faz os olhos das mulheres piscarem mais rápido e brilharem de emoção.

Mas vamos do princípio. A Young's é uma cervejaria inglesa e seus primeiros passos registrados fazem referência a data de 1531, na cidade de Wandsworth e uma cervejaria chamada Ram (carneiro). Vem daí o símbolo da cervejaria Young's que pode ser visto em seu rótulo.

A Young's Double Chocolate é uma sweet stout, de coloração preta opaca e espuma bastante densa, bege escura, cremosa e de excelente duração.

Sobre o aroma eu já falei, mas não me canso de repetir, é de chocolate. Não só chocolate, também dá para notar de forma suave a torrefação, mas para sentir qualquer outro aroma deve-se abstrair a sensação proporcionada pelo chocolate.

Depois de cansar de sentir o inebriante perfume do chocolate  inglês Cadbury que compõe a fórmula da Young's fechei os olhos e parti para a degustação.

Simplesmente incrível. Sabor de café, o chocolate não é tão presente que não permita sentir a explosão de sabores que a cerveja lhe reserva, amarga na medida certa, sua textura é sedosa e seu sabor residual é de puro cacau.

Na minha humilde opinião é a Guinness feminina. Se dizem que a Guinness é uma refeição completa eu diria que a Young's Double Chocolate é a sobremesa perfeita.

Ou seja, prato principal para quem é de prato principal e sobremesa para quem é de sobremesa. A cerveja que melhor harmoniza com a Páscoa e sua grande orgia calórica.

Se a Páscoa é símbolo de renovação, posso dizer que com a Young's Double Chocolate renovei minhas esperanças de encontrar a cerveja perfeita. Cerveja que deixa o coração das mulheres felizes... assim como chocolate.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Obrigada São Patrício pela graça alcançada

Para celebrar o St. Patrick’s Day, as mulheres já tinham previamente se programado para o O’Malleys, pub irlandês no Jardim Paulista. O O’Malleys há algum tempo já era o favorito da Catarina e Renatinha, já que tem um quê de pub inglês, que acalenta o coração da Catarina, tem música que encanta os ouvidos da Renatinha, cerveja – muitos rótulos de muitos países – e ainda um público gostoso de se ver.

Mas ontem, com a comemoração, as coisas foram bem diferentes. Em dado momento, a espera para entrar no pub era de 3 horas, e só se entrava à medida que o mesmo número de pessoas saíssem. Chegamos por volta das 19h, por isso não tivemos problemas. Para entrar, porque para pedir, bem... a paciência foi uma virtude constante. Pelo excesso de pessoas e peso da comemoração, os copos onde as Guinness eram servidas era de plástico: crime! E, claro, com a pressa e lotação, as pints era servidas em esquema de linha de produção. Não eram propriamente preparadas, descansadas e servidas. Uma pena, mas já era de se esperar este tipo de “obstáculo”. Pra quem gosta e conhece uma boa Guinness de verdade, não faltarão futuras oportunidades de aprecia-las, mesmo no O’Malleys, que continua nos favoritos.
 
A música, tipicamente irlandesa, agitou a festa. Catarina, presente com suas vestes características em xadrez, até trocou o scarpin salto 10 por uma confortável bota para poder pular e girar ao som do folk, por Tim O’Connor, Crosstown Traffic e Murphy’s Law. Ainda, outra grande presença foi a Heineken, com o seu chopp verde – sim, verde, e não com menta, com corante mesmo, descobriu Catarina ao fazer graça e colocar a ponta do nariz na espuma. Nariz verde durante toda a noite! Por falar em patrocínio, a cada 3 Guinness ou Heineken, tínhamos opções de camisetas de cada marca. Sim, temos todas elas em nosso estoque.

 Mas melhor que ter a camiseta oficial da Guinness 2011 é ter a camiseta oficial do Mulheres e Cerveja, feita especialmente para a data. E não é que fez um grande sucesso? Conhecemos muita gente bacana deste novo mundo, inclusive com convites para fazermos nossa cerveja. Muitas ideias brotaram da cabeça gastronômica da Renatinha. Fizemos amigos, dividimos histórias, indicações, falamos da nossa escolhida, recebemos sugestões, elogios, opiniões... enfim, Mulheres e Cerveja nunca estiveram tão em pauta quanto ontem!



E como não poderia deixar de ser, tivemos mais uma excelente surpresa ao aceitar uma indicação do Alex, do Cerveja Mecenas: Bamberg Rauchbier. A primeira pergunta que nos fizeram foi: “Vocês gostam de bacon?” Renatinha se iluminou, para ela, a tudo que é gostoso pode ser adicionado bacon. Pedimos nossas pints da cerveja defumada. Sim, defumada. A Rauchbier é uma tradicional cerveja da cidade de Bamberg - Alemanha, onde o malte passa por um processo de defumação onde são utilizadas madeiras das florestas daquela região. Um chope – no caso de ontem, mas também é vendida engarrafada – com espuma densa e marcante, uma tonalidade marrom-avermelhada brilhante, refrescante mas com final seco, toque de caramelo e sim, sabor residual de... bacon! Falem o que quiser, mas com a porção de fritas que consumíamos, harmonizou perfeitamente! Cerveja aprovada, e com direito ao encantamento da Renatinha, que a nomeou “pint de bacon” (ela de fato é apaixonada pelo tal). E premiada também. A Bamberg é a cervejaria nacional que tem as cervejas mais premiadas ao redor do mundo. (Momento crédito: foto by Google - nossa pint em copo de plástico não fazia jus ao sabor...)
Foi a primeira de muitas comemorações do Mulheres e Cerveja, já com grandes feitos. Se antes a gente se divertia sem pensar em pauta, hoje, cada gole se tornou um flash!

Não sei quanto aos leitores, mas eu acho que depois de toda grande data de celebração, deveria haver uma “quarta-feira de cinzas”.

quinta-feira, 17 de março de 2011

St. Patrick's Day - "As coisas boas vêm para aqueles que esperam"


Dia 17 de março é dia de vestir-se de verde e de motivos irlandeses, pintar trevos de três folhas no rosto, beber muita, muita cerveja - preferencialmente Pints de Guinness muito bem tiradas - dançar e se divertir ao som da típica gaita de fole! É assim que tradicionalmente se comemora o Dia de São Patrício, santo padroeiro da Irlanda. Ou muito melhor dizendo, “St. Patrick’s Day”.

St. Patrick foi um missionário que converteu muitos irlandeses ao cristianismo e a cultura popular ainda lhe atribui o milagre de ter livrado a ilha verde das cobras. Por isso em algumas de suas representações St Patrick está esmagando uma cobra com seu poderoso cajado. É... St Patrick devia ter lá seus truques. Era um santo bem esperto, que explicava a Santíssima Trindade utilizando o trevo de 3 folhas característico do país. Dizia que assim como o trevo é apenas um, embora formado de três folhas, a Santíssima Trindade também é apenas uma, que se divide em três: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Vê-se que o uso de analogias não é próprio de nós mulheres não é?

Aqui no Brasil a data ainda não é das mais populares, mas como nós mulheres não gostamos de perder oportunidades de conhecer mais a fundo uma nova cultura enquanto degustamos boas cervejas, obviamente estaremos devidamente caracterizadas em algum pub pela cidade. Sim, pubs, afinal são eles os tradicionais pontos do encontro irlandeses e ingleses e são neles as grandes comemorações deste dia, muito celebrado também nos Estados Unidos, onde existem grandes comunidades irlandesas. Em Chicago, por exemplo, até colorem o Rio Chicago de verde!

Em São Paulo, a grande patrocinadora do St. Patrick’s Day é a Guinness, cerveja preta tipicamente irlandesa com muitos apreciadores fiéis ao redor do mundo (fiéis bem ao gosto de St. Patrick) que geralmente unem esta data à marca. Porém, aqui mesmo no Brasil temos outros patrocinadores do evento, como a Heineken em Belo Horizonte, servindo o tradicional “chopp verde”.

Bom... ‘bora comemorar a data no melhor estilo irlandês? Trajes típicos dos pés à cabeça, pintar alguns trevos pelo corpo e, claro, tomando muita cerveja!

Dica: Quem sair para comemorar, deve usar no mínimo uma peça em verde, ou pode tomar beliscões dos gnomos irlandeses espalhados cidade afora!

Quem sabe a gente não se encontra por aí?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Beber, Servir, Amar

Cerveja, antes de ser uma paixão, antes de ser inspiração, era apenas um hábito. Um hábito de festas, de bar de faculdade, de churrascos onde a carne de baixa qualidade era 10% da compra e as latinhas semi-refrigeradas eram a atração. Mas depois de voltas que a vida deu, cerveja – e outras bebidas - virou trabalho, e é um pouco disso que vou contar.

Na minha temporada de 1 ano em Londres, entre estudos, passeios, baladas e muita diversão, trabalhei num típico pub britânico, onde pints eram servidas com fish’n’chips, festivais de vinhos e cervejas Ales faziam o calendário e mulheres bebiam exageradamente shots de tequila, apple sours ou sambuca (ah sambuca!). Sim, lá é comum ver mulher bebendo muito mais do que homem. E o final da noite – por volta da 1h da madrugada – é marcado por garotas em suas micro-mini-saias, laços, saltos, penteados e cores neon caídas pelos pontos de ônibus, calçadas, ou sendo atendidas prontamente pelos policiais e carros de resgate. Apenas um sábado de rotina na Inglaterra.

Já no quesito happy-hour, os londrinos são os melhores: às 18h pontualmente estão nos pubs, com suas famosas pints e taças de vinho diárias. Este público, mais adulto, é mais responsável – aliás o rigor da legislação da Inglaterra impressiona: não se dirige alcoolizado em hipótese alguma e, como a supervisão é pesada, isso é seguido à risca. E a noite termina cedo porque o tube (metrô) fecha cedo, por volta de meia-noite.

Foi uma época de beber muito. Mas melhor ainda, de beber bem, de conhecer novas bebidas, sabores e estilos. Bons vinhos são muito baratos, dispensando a dor de cabeça do dia seguinte. E eles fazem presença em openhouses, festas fechadas e reuniões de amigos, comuns por lá, acompanhando as famosas latas de cerveja do tamanho das pints, que eu não gostava por esquentarem rápido demais.  As ciders (cidra, ela mesmo, aquela baratinha do réveillon na Praia Grande) chamaram minha atenção. São variações, sabores e marcas diversas. Eu, que demorei para me adaptar ao sabor e temperatura das cervejas Lagers, me identifiquei bastante com elas, servidas em copos de pint (534ml) com muito gelo. Refrescante e leve, minha favorita era a Koppaberg Pear, garrafa de 500ml, cidra sabor pera. Mas a campeã de vendas é a tradicionalíssima Magners de maçã, fruta pioneira da bebida.

Vinho para quem é de vinho, cidra para quem é de cidra, mas aqui a gente fala de cerveja, não é?

Para mim, que tinha conhecimento limitado a gostar muito de Malzbier (ainda gosto) e saber que nossa cerveja é do tipo Pilsen, confesso que estranhei bastante as Lagers servidas nos taps e, principalmente, as de tipo Ale. Mas o tempo é o melhor amigo da técnica. Comecei a trabalhar no pub – The Moon Under Water, da rede J.D.Wetherspoon - com menos de 1 mês em Londres, inicialmente retirando pratos e copos, mas, mesmo sem muito saber falar inglês, fui arrastada para o bar logo de cara (para brasileira simpática e sorridente, inglês era “só” um detalhe). Foram dias de luta, a ponto de confundir Jack Daniels com Jagermeister, mas eu cheguei lá.

Aprendi a diferenciar por cor as cervejas lagers dos taps (draught beers): Coors Light, Forsters, Kronenbourg 1664, Carling... aprendi a diferenciar sabor, a defender cada uma delas de acordo com a busca do freguês: a mais leve, mais gelada , teor alcóolico... Habilidosa, tirava até 3 pints ao mesmo tempo, sem excesso de colarinho, que para eles é head. Era relativamente simples... tal qual um chopp. A Stella tinha seu procedimento mais peculiar, já que a taça em formato ovalado complicava o meio de campo...

As cervejas Ale eram um episódio à parte... “too bitter beers” para o meu paladar, encorpadas e amargas em grande parte, quando adocicadas era caramelizadas ou com notas de café, chocolate e por aí vai... (vamos falar muito sobre isso ainda). Quando não havia festival ou ação promocional, as frequentes no pub eram a Greene King IPA, Abbot, Pedigree, John Smith’s... estas, mais simples e comerciais, mas mesmo assim uma academia pra tirar: bombar o tap no ângulo certo, velocidade e força certa, e por muitas vezes o maldito barril estava no final e era só espuma. Comum, tanto que o tap era especial com uma bandeja para que pudéssemos sempre retirar o excesso de espuma ou deixar descansando. Em épocas de festival eram até 20 marcas diferentes, e os fregueses davam suas notas. Isso era divertido, ver a percepção de cada um para as Ales do dia. Só que cada dia eram 2, 3 novas e eu, desavisada, sempre me perdia. Afinal, num país cujo sotaque é o pior e um cidadão em seus 60 anos, falando na velocidade da luz pede uma cerveja que nunca se ouviu o nome e nem se sabe que está servindo: confusão na certa. Até o dia que eu aprendi a checar as Ales do dia e memorizar seus nomes. Algumas tinham o bico em forma de “chuveiro”, tinha que deixar descansando (settling down), eram servidas com ou sem colarinho... foram sextas e sábados de luta e copos quebrados. Queria me irritar? Half-pint. Acaba com a graça da brincadeira. Pior que isso, degustação dos festivais em copos de 1/3 pint. Praticamente um copo americano, faltavam as saudosas listras no vidro...

E então ela, a Guinness. Era a favorita do Nick, um – queridíssimo - colega do pub, que me ensinou a aprecia-la. Nas primeiras vezes, eu a achava tão forte que dizia que tinha gosto de carne. As exatas palavras dele foram : “No, it’s a whole meal in a glass!” (não, é uma refeição inteira num copo!). Lembrar do Nick é engraçado, eu sempre dizia que no dia que eu entendesse o que ele falava, eu entenderia qualquer idioma... Enfim, a Guinness! Dona de uma pint toda especial, com seus jeitos e trejeitos ao servi-la, tem porte, tem marca, tem presença. Tanto que a própria Guinness acompanha os bartenders ensinando-os como servi-la perfeitamente de tempos em tempos. E seus assíduos consumidores sabem como deve ser, e ficam em cima. Experimente servir uma Guinness espumante à um britânico ou irlandês e verá a mesma espuma sair da boca deles! Pressão total, medo. Mas, de tanto ver, ouvir e aprender com o Nick, nem foi assim difícil. A Guinness perfeita vem de um copo perfeitamente limpo, seco e nunca quente ou recém-lavado, colocado de ponta-cabeça em prateleiras separadas. Antes de abrir o tap, respire fundo e saiba que não é uma cerveja qualquer! O copo –com a logo da Guinness, que é estampado em local estratégico – deve estar a 45 graus, com o bico do tap dentro do copo, quase a ponto de tocar o conteúdo. Com o copo cheio na exata altura do logo (ou 2/3 do copo, que como é em formato de tulipa é difícil quantificar certamente), PARE! Espere, assista o movimento do líquido escuro e denso tomando forma. Quando todo o liquido estiver finalmente rubi, sem muito balanço volte o copo reto para o tap, abrindo-o na posição oposta (da mesma forma do colarinho das lagers). A Guinness então será servida com mais vida, o fundo do copo completamente homogêneo e rubi, seu meio em movimento e um perfeito dedo de colarinho. Era sempre minha melhor criação!

Hoje, vou frequentemente à pubs como o O’Malleys e sinto o desgosto de uma pint de Guinness mal tirada. E aprender a degusta-la foi outro grande passo. As mulheres britânicas tem o hábito de colocar Syrup Blackcurant na Guinness, deixando-a mais adocicada. É como um chopp com groselha. Eu também comecei assim, mas com o tempo me tornei uma apreciadora da bebida em sua forma real.

Entre coisas novas, nem tão novas ou apenas diferentes, tinha as cervejas com menta ou blackcurant, a Strongbow, uma draught cider, mais forte, servida no tap com as mesmas conveniências das lagers, e, um dos meus velhos hábitos, a Snake Pint, que era uma mistura de Lager, Strongbow e Blackcurant. Teor alcoólico alto, fazia muito sucesso nos bares australianos, como os Walkabout da vida... Aliás, era proibido servir Snake Pint se não houvesse licença para tal. No meu pub não podia.

E, claro, os zilhões de diferentes rótulos de cerveja de garrafa de todo o mundo, com destaque das cervejas do leste europeu, com muita saída, como Tyskie, Lech, Efes, etc. Além, claro, das muito vendidas Corona, com limão na boca da garrafa, San Miguel, Budweiser e Beck’s.

De volta ao Brasil, com um sentimento de nostalgia ao relembrar tudo que vivi nas terras frias da rainha e com realidades (financeira, climática, social e com a mente muito mais aberta) tão diferentes daquela época, com toda esta “carga” ficou impossível não dar continuidade na vida de bar. O gosto pela bebida, em especial pela cerveja, me levou à diversas questões, em especial da relação masculina alusiva à cerveja, e em quanto este ponto de vista é falho. Ver tantas mulheres, servi-las e ver suas conclusões abriu um mundo de indagações e sede. De cerveja e de conhecimento!

Foi um post longo, mas também dividir uma experiência tão intensa como essa não poderia ser tão breve.

Cheers!