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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Inverno pra ela é pleno verão!

Comigo promessa é dívida, e não cumprir me deixa com um péssimo sentimento de culpa. Sim, eu prometi manter os posts mesmo remotamente, mas cumpri apenas 75% do combinado...

Mas eu tenho um argumento irrefutável: na última sexta-feira, estava em Ibiza. Me recuperando da melhor festa que fui na vida, fazendo algo que somente Catarina faria numa praia europeia e, ainda, provando uma cerveja local. Estou perdoada?

Ibiza, assim como muitos outros lugares, deve estar na lista de “lugares a se visitar antes de casar” de toda pessoa que tenha como foco na vida qualquer expressão como “Enjoy!”, "Carpe Diem" ou afins. Em dado momento, dormindo deitada na areia, ao som de uma festa na praia, numa peculiar ressaca de uma festa anterior (são muitas festas), acordo com um grito que marcou a viagem: “Esto és Ibiza Babe!”, dizia um espanhol em êxtase correndo pela praia. Sim, Ibiza é simplesmente sensacional, das praias às pessoas, das festas à comida, da cor da água à... cerveja!

Sim, Catarina lagartixava em um confortável deck na praia de Salinas, ao sul da ilha, dormindo e curando a ressaca física e sentimental da noite anterior (ver David Guetta nos deixa com os sentimentos à flor da pele. Caso!) quando as companheiras resolveram caminhar pela praia. Caminhar? Não... Num momento único, introspectiva e pensando em quão boa era as oportunidades que tinha na vida, chega um dos fantásticos garçons “Ibizienses” – algo que só Ibiza pode oferecer: você fala com um garçom gato, sempre gato, cobrindo apenas 5% do corpo e os olhos dele não desviam dos seus – e pergunto, no meu espanhol um tanto quanto único: “Você tem alguma cerveja especial para me oferecer?”

Si, como no?
Eis que chega a Isleña, a cerveja nativa de Ibiza. Um prato cheio para quem gosta de sol, calor, cerveja gelada e design. A começar pela embalagem, uma garrafa de alumínio com todos os símbolos de um lugar de festa, praia, música e gente bonita em cores quentes. A garrafa veio imersa em um balde de gelo, combinando com os cerca de 35C de temperatura exterior. Na garrafa, vem escrito: “Isleña ha sido elaborada, entre otras, con cebada ibicenca y está ligeramente tostada, para darle un sabor suave y una frescura ideal para ser consumida mientras disfrutas del mejor sol, las mejores playas y la mejor fiesta del mundo. Bebe Isleña, disfruta Ibiza” (Isleña foi desenvolvida com, entre outras, cevada de Ibiza levemente tostada para dar um sabor e frescor ideal para ser consumida enquanto desfruta do melhor sol, das melhores praias e da melhor festa do mundo. Beba Isleña e desfrute de Ibiza).

E é no primeiro gole da cerveja mais gelada da Europa que eu concordo com a garrafa. Uma cerveja leve, MUITO parecida com nossas brasileiras companheiras de praia e sol. Mas é uma Ale, com um sabor predominante do lúpulo, e ainda assim sem o amargor típico de Ales. Produto fruto de uma união dos empresários de casas noturnas de Ibiza e no mercado desde 2009, a Isleña é produzida na Alemanha, visto que a ilha ainda não tem nenhuma cervejaria.  Espertos, recorrem aos especialistas!

Se é a melhor cerveja da vida, do mundo, da viagem? Não. Mas foi uma cerveja perfeita. Para aquele momento. Perfeita para fechar com chave de ouro uma viagem, esta sim, mais que perfeita!

Ibiza Babe!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

milnovecentosebolinhas

Para quem conhece a Catarina, sabe que festa e badalação é com ela mesmo. Para quem conhece sua real personalidade, sabe que ela também gosta de calma, paz, amigos, passar uma noite de sexta-feira rodeada por fotos, histórias da adolescência, fatias de pizza e amigos queridos.

Inaugurando o recém-comprado apartamento de um casal de amigos, fui responsável por nada menos que... a cerveja! Claro. E seria uma tarefa difícil, porque todos ainda me olhavam com aquela cara de “ela acha mesmo que entende de cerveja?”. Conhecendo os amigos como bem conheço, já sabia até os sabores de pizza que seriam pedidos, e então, antes do evento, fui ao mercado comprar as perfeitas cervejas que surpreenderiam na harmonização e abalariam as premissas dos homens da casa – meu real intuito.

Confesso que buscava uma cerveja conhecida (Hoeggarden) para dividir com os amigos um exemplar do meu hall de prediletas. Mas não a encontrei. Então apelei para algumas Leffes – as 4 últimas da prateleira - e fiquei rodando pela gôndola do supermercado, em busca de uma boa opção. Me deparei com a 1906 – Reserva especial, uma espanholinha (temos falado muito delas ultimamente não?) com rótulo simples, cara de cerveja rústica e um preço muito chamativo: R$2,89 a unidade. Arrisquei, levando 2 packs de 6 unidades (ah, mulheres exageradamente consumistas!)

Ao chegar, deixar a cerveja para gelar  (no freezer ultramoderno da anfitriã, que programável deixou as cerveja nos exatos 5C sugeridos em 1 hora) e conversar amenidades. A Leffe Blonde foi o primeiro sucesso da noite: um dos amigos não a bebia desde seus tempos em Nice – França, e ele a adorava! Ficou extasiado, a bebia relembrando seus tempos de estudante. Enquanto os homens da casa ouviam inebriados as histórias das cervejas, as outras mulheres tomavam vinho e falavam sobre roupa e maquiagem.

Pizzas a postos, geladeira apitando, retirar a tampinha da garrafa com cuidado – os donos da casa fazem arte com elas. E fui eu a primeira a abrir a 1906. Homens me olhavam. Aprovei. Ofereci. Se entreolharam. Aprovaram. Brindamos. Sucesso.

A 1906 é uma cerveja estilo Vienna Lager, da Cervejaria Estrella Gallicia, que foi criada para comemorar o centenário da fundação da cervejaria. As Viennas vieram da Áustria, sumiram por um tempo e foram meio que ressurgidas depois de quase 2 séculos. Voltou até que com força, principalmente entre as cervejarias hispânicas. Tem um aroma que lembra um pouco o milho – que de fato faz parte da formulação – mas impera o sabor e aroma do malte tostado, que deixa um sabor de caramelo no ar, pouco amargor, e, de acordo com uma das mulheres, um sabor defumado. Bem licorosa e adocicada, mas com uma finalização mais amarga.


Sim, a 1906 é uma cerveja especial, embora existam outras tantas, mas para mim será sempre aquela que mudou a impressão dos homens da casa em relação à essa minha nova paixão. Se eles achavam que eu era apenas mais uma mulher disposta a beber, perceberam que eu sou, na realidade, apenas mais uma mulher disposta a beber BEM!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cerveja de Março

“É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol”
 

Março é um mês sempre especial. Nomeado "março" desde a Roma Antiga, quando ainda era o primeiro mês do ano e chamava-se Martius, de Marte, o deus romano da guerra. Sendo o primeiro mês da primavera, para eles evento lógico para se iniciar um novo ano, bem como a temporada das campanhas militares dos Romanos. Mas isso foi há muito tempo, hoje Março é mês de paz, de muitas comemorações, mês de carnaval para este ano, mês de aniversários de muitos amigos especiais. Mês dos Peixes sensíveis e sonhadores, mês de Arianos ardentes e corajosos...

Mês de equinócio de primavera lá em cima, das águas de março que fecham o verão aqui embaixo. Por isso, quando me deparei com a possibilidade, insisti em experimentar a Voll-Damm, uma Märzenbier, ou “cerveja de março”.

Logo eu, que adoro “as coincidências da vida”!

O termo Märzen é utilizado há séculos para nomear cervejas escuras produzidas somente no mês de março. Antigamente, devido às temperaturas no inverno serem mais favoráveis do que no verão, eram produzidas até março  (isso claro, falando de março no hemisfério norte) e mantidas nos barris no restante do ano para serem servidas no período do outono (outubro). Como são feitas com uma maior quantidade de malte, têm aquela aparência de Pilsen escura, e foram pouco a pouco substituídas frequentemente pela denominação de Oktorberfestbier.

Hoje a Märzenbier já não é mais sazonal – viva o advento da refrigeração! – e o exemplar provado foi uma espanhola, da Cervejaria Damm. A Voll-Damm surpreendeu. Levemente doce, bem maltada – óbvio – e intensa. Intensa, não forte. Uma espuma marcante, clássica, que deu vida ao copo contrastando com o corpo dourado escuro. 
Ao final, levíssimo amargor – muito menos do que esperava de uma escura – deixando um sabor amadeirado, uma sensação leve e gostosa. A mesma sensação que tenho neste fim de março, que foi um mês tão especial, intenso e inesquecível.

Não me deixou com a cabeça em Frank Sinatra, mas sorrindo ao som da inesquecível Elis e suas brincadeiras com Tom.

"São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.”