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terça-feira, 19 de março de 2013

Aussie St. Patrick's Day

Que a Austrália - Perth mais especificamente - não era o paraíso da nightlife eu já sabia. Mas confesso que, mesmo com a mudança de vida, isso me faz uma falta incontestável.

Domingo, St. Patrick's Day especial por diversos motivos: o primeiro na Austrália, o primeiro (de todo o sempre) trabalhando com o líquido sagrado e aquele que comemorava um ano com o agora marido. Nos conhecemos no último stop do tour do ano passado.

Atualizando e voltando um pouco, estou trabalhando numa cervejaria, coisa que conto mais pra frente. Ainda é começo, mas o progresso virá "sooner or later"! Então metade do domingo lá estava eu, com tiarinhas de St. Patrick's correndo pra lá e pra cá. O click-click das anteninhas está na minha cabeça até agora...

Depois de um longo dia, enfrentei o cansaço e até os housemates que não sairiam de casa aqueeeela hora - oito da noite! - nem pensar, e fomos eu e o marido para o Moon & Sixpence, um dos tradicionais pubs irlandeses em Perth (que conta com 4 mais precisamente). No centro da cidade, chegando por volta das nove da noite, a rua quase deserta. Sério.

Ao chegar lá, não tinha mais chapéu divertido, não tinha mais camiseta da Guinness, nada! Uma Guinness Pie e duas pints de Guinness, jogar conversa fora e curtir a noite quente da cidade. Foi o que nos restou.

E quer saber? Delícia! Mesmo abrindo mão da noite agitada, da correria do tour, das danças, saia xadrez, nariz verde... foi gostoso dividir uma paixão com outra.



Mudanças da vida. A única coisa que não muda foi o patrocínio Guinness da noite!

Cheers!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um casamento cervejeiro :: Cervejaria Nacional


Há tempos estou pra falar da Cervejaria Nacional. Mais precisamente desde a primeira vez que a visitei, mas desta vez será especial.

A Cervejaria Nacional fica em Pinheiros, São Paulo. Tem três ambientes: a fábrica no primeiro andar, o bar no segundo e o restaurante no terceiro. Genuinamente nacional, usa o folclore brasileiro como tema da decoração e para nomear as cervejas.

Sim, fábrica, porque a Cervejaria Nacional é a única fábrica-bar de SP. Por isso lá só tem as cervejas produzidas por eles e é lá, no primeiro andar – onde eu tirei as melhores fotos da vida! -  que são produzidos cerca de 5.000 litros de cerveja de 5 tipos diferentes por mês. Cerveja sem conservantes, artesanal e muito saborosa, elaborada pelas mãos dos mestres-cervejeiros Fabiani e Alexandre Sigolo. Até hoje, lá já foram produzidas e bebidas mais de 25 receitas dos mais variados sabores e ingredientes.

Daí lá a gente ainda aprende mais sobre cerveja. A gente já sabia que cerveja gelada demais é um erro. E na Cervejaria eles explicam porque não servem a estupidamente gelada... “A temperatura baixa engana suas papilas gustativas e faz com que você dificilmente perceba o sabor ou a falta dele. Por isso, todas as nossas receitas chegam à torneira da chopeira com a temperatura entre 0º e 0,2ºC, para que você possa degustar e sentir todas as características do sabor de cada uma delas.” Cultura cervejeira. O bar no segundo andar, com mesas, balcão e decorado com sacas de cevada está sempre cheio – funciona desde o almoço até tarde da noite.

E indo ao terceiro e último andar, o restaurante, um espaço rústico, iluminado durante o dia e mais quente e ameno à noite, tem no fundo a cozinha, super à mostra através de um vidro que mostra a galera se empenhando em pratos sensacionais. E então foi neste ambiente que nosso casamento foi celebrado. O terceiro andar foi reservado e previamente decorado, e escolhemos o menu de harmonização da casa para nossos convidados.



Foram 5 pratos, cada um acompanhando – à vontade – uma cerveja da casa. Os convidados ao chegar tinham como opção de petiscos as “comidinhas de boteco”: Pastéis de Carne e Queijo, Bolinho de arroz, Batata da casa e Polenta frita. Para harmonizar, a cerveja Y-iara Pilsen, o carro-chefe da casa, primeira das cervejas a ser produzida. Base de maltes pilsen e vienna, coloração amarela-dourada, lúpulo Saaz para um aroma floral e 5% ABV. A ideia dessa receita é reproduzir a tradição do estilo, com amargor perceptível, 100% malte e personalidade. As cervejas Pilsens são leves, aromáticas, refrescantes e com delicadas notas de malte. Sugerida para acompanhar saladas, aperitivos fritos e condimentados e grelhados. Foi basicamente a escolha dos convidados para a noite toda, embora muito ainda tivesse por vir...

Como entrada, duas opções: Crostini de Cogumelos (Cogumelo paris com um toque de alho, parmesão e rúcula), servidos com a Cerveja Kurupira Ale, uma Amber Ale com equilíbrio entre o amargor do lúpulo e as notas adocicadas de malte, onde o caramelo tende a prevalecer. Nossa Ale do dia a dia e herdeira direta da receita da Drake's Brown Ale. O plano era criar uma receita baseada no primeiro grande sucesso da Cervejaria Nacional, com tons mais avermelhados. Na versão Kurupira temos 30 IBU's como na original, com maior presença das notas de malte caramelo e 5% ABV.
Salada Xavantes
Ainda como entrada, a Salada Xavantes - alface romana, molho ceasar, parmesão e croutons – servida com a cerveja Domina Weiss, que como toda cerveja de trigo tem um paladar refrescante, aromas de banana e cravo e a inconfundível sensação do malte de trigo, características que agradam muito nos dias mais quentes. Com uma receita simples de maltes de trigo e pilsen e lupulagem amena com o Tettnanger, a Domina Weiss é elaborada com uma cuidadosa fermentação que produz os aromas acima de maneira muito delicada, o que faz dela a campeã absoluta de vendas. Inclusive, foi com ela o primeiro brinde dos noivos, direto da fonte!

Brinde dos noivos by Domina Weiss
O prato principal podia ser escolhido entre um sensacional Risoto de Costelinha (Arroz arbóreo com costelinha de porco desfiada, limão cravo e crispy de cebola) ou o Ravioli da Casa, que eu já a-d-o-r-a-v-a, recheado com mussarela de búfala e molho de tomate italiano. Ambos acompanhavam a Mula IPA, aquela favorita do padrinho Ali. É um estilo que tem se tornado muito popular entre os cervejeiros. A Mula nasceu como uma IPA americana, a qual possui teor alcoólico elevado (7,5%), corpo baixo, final seco e generosas doses de lúpulos americanos que contribuem para aromas de frutas tropicais, maracujá e cítrico além do amargor bem pronunciado (60 IBUs). Como as IPAs são cervejas de personalidade forte, amargor elevado e alto teor alcoólico com o lúpulo sendo o grande destaque, são indicadas para acompanhar pratos mais fortes e mais temperados. Por fim, além do fantástico Bolo de Guinness já anteriormente citado, a sobremesa, mais apreciada impossível: Petit Gateau com sorvete de creme, servida com a Sa’si Stout. As cervejas Stout são famosas por acompanharem doces e sobremesas. A Sa’si é uma Dry-Stout com  4,6% ABV, 35 IBU e cor negra profunda. Com o tempo o forte amargor de malte torrado foi sendo equilibrado com outros elementos da receita para dar harmonia aos sabores dessa Stout, caracterizada pela cremosidade e as notas de café e chocolate no aroma e sabor. 

E ainda, a Patrícia Reali, gerente da Cervejaria Nacional, foi incrível o tempo todo. Mesmo depois de 2 meses, ainda é tempo de agradecer a atenção especial que nos deu e o momento proporcionado. É sempre muito difícil agradar à todos em um evento – principalmente casamento – mas o local superou nossas expectativas. Quem já conhecia adorou a ideia de termos a recepção lá. E quem não conhecia com certeza se surpreendeu! Muito gostoso ter um casamento simples, mas cheio de estilo e com muitos elogios.
Valeu Pat!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Entre delírios, flores e cervejas...

Era o que eu queria: fazer o que desse vontade... E deu vontade de ir para a Bélgica, assim... amanhã! E eu fui, de trem, curtindo a paisagem, entre sonecas e campos franceses, para passar dois inesquecíveis dias na terra da Deus, da Stella, da Leffe e de tantas outras cervejas aspirantes à perfeita.

Só que quando a gente faz as coisas sem planejamento, temos 50% de chance de dar certo. No caso, a visita à fábrica da Stella ficou nos outros 50%, porque precisava ser marcada com dois dias de antecedência. Mas como, se eu tinha decidido a viagem há menos de 12 horas?
Tudo bem, então eu decidi que tomaria uma Stella em cada bar da cidade. Leuven, mais especificamente, a 30km de Bruxelas, uma cidade de pessoas solícitas e clima com cara de eterna primavera (flores amarelas combinavam com meu Allstar viajante).

Minha visita à Bélgica tinha 3 grandes objetivos cervejeiros: a fábrica da Stella, o Museu da Cerveja e uma noite no Delirium Café. Este último o único concluído com sucesso, já que o Museu da Cerveja e meus horários de viagem não combinaram muito bem...

Justo eu, que nunca me imaginaria indo “pra balada” sozinha, coloquei meu salto alto, fiz minha maquiagem e fui, despida de qualquer medo ou pudor, direto para o balcão do bar. Lá me sentei, apreciando o som do local – era uma noite de Jam Sessions – e analisando o menu de cervejas como quem devora um livro de história. Por pura curiosidade, porque eu já sabia qual seria minha primeira pedida: a Delirium Tremens, que eu esperava ansiosa para poder prova-la “em casa”.

Foto Delirium Café
O Delirium Café, em Bruxelas, é famoso pela sua carta de cervejas, que em 2004 entrou para o Guinness Book como a maior carta de cervejas do mundo. Hoje tem franquias até mesmo aqui no Brasil, no Rio de Janeiro (única nas Américas) e ainda outras 5 unidades na Bélgica, Suécia, França, Japão e até numa ilhota por perto de Madagascar, no sul da África, chamada St. Pierre (juro que este é meu próximo objetivo de viagem). A matriz em Bruxelas está mais para uma vila de bares e pubs do que um bar em si. Com muitos ambientes, desde pista, palco, balcão, mesas nas áreas externas, lojas de souvenirs e cervejas, escadas e mais escadas, portas e mais portas. Vila esta de paralelepípedos muito bem decorada, com seu elefante rosa estampado em todos os lugares e um ar de anos 50 por todos os lados. Um lugar para passar o dia inteiro e ainda assim não conhecer tudo. Enfim, o melhor bar do mundo com o melhor garçom do mundo! Ele me deu um copo da Delirium e ainda me defendeu de um francês chato que não parava de me atazanar. Um brinde ao Marc!



Mas falemos da Delirium Tremens, cerveja que nomeia o bar e vem de nada menos que uma psicose causada pela abstinência ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos, freqüentemente associada ao alcoolismo. Entre os sintomas são comuns, além das tremedeiras, confusões mentais onde alucinações táteis e visuais fazem com que os pacientes “vejam” insetos e animais asquerosos próximos ao corpo. Sim, você delira e vê um... elefante rosa! Nada mais cabível para nomear esta cerveja, uma Belgium Golden Strong Ale que tem um teor alcoólico de 9% - o que também explica o fato de eu ter ido sozinha e voltado com 6 novos amigos com direito a after party...

A Delirium Tremens é bem encorpada, com uma cor dourada incrível e um sabor frutado com uma finalização bem amarga, o que não compromete em nada seu sabor. Já pelo aroma pude perceber que aquela seria a cerveja que “subiria” rápido, portanto, apreciei devagar. Como esta veio do tap, não tinha rótulo ou garrafa para apreciar, mas – melhor ainda – uma revista com todas as cervejas existentes no Delirium Café fez as vezes para saber mais sobre ela: “Esta loira perfeita acentua as qualidades de um lúpulo excepcional e maltes de luz diferente. Oferece pontas afiadas de amargura em seu rosto e revela um casaco surpreendentemente maltada. Sua conclusão é combinado com um tom de amargo e picante, sem toque de agressividade. Ela representa a lager forte em sua melhor aparência. Ela foi coroada de cerveja campeã mundial em 1998.” Palavras da própria. Pra mim, uma excelente cerveja que abriu caminho para alguns outros rótulos, todos belgas (foi neste dia que fui tentada a provar a tal Floris de manga, a cerveja mais enjoativa da humanidade).

Enfim, serve como aviso: Delirium Tremens é uma condição potencialmente fatal, principalmente nos dias quentes e nos pacientes debilitados. Portanto, nada de abstinência!

Ah... O copo... ficou em outra balada na sequencia do Delirium Café. Onde os garçons não são tão legais...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Antônio

Ontem foi dia dos namorados. Dia especial para aqueles que já encontraram sua cara metade. De passar juntinho, recordando os bons momentos e descobrir o quanto um conhece o outro através das pequenas demonstrações.

Tudo bem, data muito romântica para os comprometidos, mas e os solteiros? 

Para os solteiros o dia 12 de junho também é uma data especial, porque é véspera de Santo Antônio. Ou seja, dia de fazer muitas simpatias para encontrar a tampa de sua panela.

Eu honestamente, não acho muito legal maltratar o pobre santinho em simpatias, afinal acredito mesmo é no poder afrodisíaco da cerveja e não em santos casamenteiros.

E quando digo, poder afrodisíaco da cerveja, NÃO. Não me refiro a cerveja Royal Virility da BrewDog feita com viagra. Sim, há uma cerveja feita com viagra e pior que isso, ela foi lançada em homenagem ao Casamento Real e pasmem, leva os rostos de William e Kate no rótulo. Ela só foi comercializada às vésperas do casamento e 20% das vendas foi destinada à instituição de caridade Centrepoint, apoiada pelo príncipe.

Voltando ao assunto, me refiro mesmo é ao poder afrodisíaco contido em qualquer copo de cerveja, de qualquer classificação e que os bons cervejeiros conhecem muito bem.

Hoje já é dia de Santo Antônio. Ainda há tempo para algumas simpatias, mas minha sugestão é beber um bom copo de cerveja, sem esquecer de deixar o primeiro gole para o santo e fazer um pedido com muita fé.

Enquanto todo mundo o maltrata, quem for na contramão e oferecer uma cerveja na amizade com certeza terá seu desejo passado na frente, não concordam?

Eu não pretendo fazer nenhum pedido, mas como gosto de manter o bom relacionamento com o povo lá de cima, talvez eu aproveite para caminhar na rua Santo Antônio, na Bela Vista. Se eu estiver com sorte encontre aberto o bar Amigo Gianotti, ali no 1106. Então não resistirei a parar, pois sei que serei bem atendida, poderei comer uma fogazza deliciosa e preparada na hora, e claro, acompanhada de uma cerveja muitíssimo bem servida.

Caso sinta-se inspirado em tentar a sorte e passar por lá, não se deixe enganar pela aparência bastante despojada do lugar, é sem dúvida um local que merece ser visitado. Um daqueles bares frequentados por meio intelectuais, meio de esquerda, sabe?

De qualquer forma, dia dos namorados, dia de santo, dia do índio, dia da árvore... Todos podem e devem ser comemorados, mas que não haja regras. Que cada um tenha o direito de comemorar a sua maneira, que pode ser juntinho com seu amor, fazendo tradicionais simpatias, criando novas ou simplesmente bebendo uma cerveja sem se preocupar muito com a data.