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sábado, 4 de abril de 2015

Sobre cervejas, chocolates e o preço dos Ovos de Páscoa.

A gente aqui, 18+, já sabe que o chocolate que faz o ovo de páscoa e o tablete é o mesmo, e por isso nos revoltamos tanto ao pagamos 528% a mais na mesma mercadoria em shapes diferentes. A não ser que falemos de um artesanal de colher, trufado ou feito pela avó, não vale MESMO a pena pagar R$24,90 em 180grs de chocolate, 2 bombons e papel alumínio.

Ben10, Peppa Pig, Barbie, Trakinas e tantos atributos pascalinos não funcionam mais com a gente. Mas que tal cerveja? Minha ideia para esta Páscoa: uma cerveja e um tablete de chocolate, divinamente harmonizados. Vale mais que qualquer ovão de Nhá Benta, acreditem em mim...

Chocolate e cerveja se conversam há tempos, afinal temos cacau na receita de tantas nacionais e até mesmo importadas, como a Brooklyn Chocolate Stout, a Yongs Double Chocolate Stout e Meantime. Chocolate harmoniza por semelhança com cerveja de malte torrado e por diferença nos casos dos brancos com as fruitbeers, por exemplo. Segue algumas dicas, todas de cervejas que já passaram por aqui – ou seja, perfeitas!

Os tradicionais:

Chocolate ao leite




Ah, mas é claro que eu escolhi um Lindor. Não é porque estou deixando o glamour dos ovos de páscoa eu quero pouco. Tem a cremosidade, o sabor de chocolate mais “limpo”, as bolinhas tem um tamanho ideal pra morder, bebericar e criar uma nova experiência de sabor! E, porque o chocolate ao leite é mais adocicado, sugiro a Young’s Double Chocolate Stout. A mistura do leite e cremosidade do chocolate e o torrado da cerveja vai dar um clima de Mocha no paladar. Algo entre o fantástico e o inigualável.
Dica 2: vale um Gold Bunny da Lindt tb. Eu me renderia...

Chocolate amargo / >70% cacau


“Gente mas ela só conhece Lindt?”



Acho chique, mas confesso que não é nem de longe uma opção pra mim. Cerveja para mim é amarga, chocolate doce. Tenho isso muito bem definido no meu paladar, rs! Mas para quem gosta, quanto mais cacau melhor. E para harmonizar, vamos atrelar o torrado do malte com o amargor do chocolate. A Wäls Petroleum é perfeita, porque além de ser maturada com cacau belga, tem um teor alcoólico alto, que causa sensação de aquecimento na boca e ajuda a derreter o chocolate.

Chocolate Branco


Meu favorito. E você vai me dizer que não é chocolate de verdade. Concordo, mas fazer o que? E quando você provar este Casino Chocolat Blanc talvez concorde comigo. Chocolate branco nada mais é do que um “creme de gordura e açúcar”. Sim, é. Mas harmonize então com algo que quebre esta gordura e balanceie o dulçor excessivo com a acidez e carbonatação, como uma fruit lambic ou fruit beer (uma mais ácida, outra mais doce). Como a minha favorita Früli parece que nunca vai vir pro Brasil, outra perfeita é a Hoogarden Rosée, com toque de coentro como sua madre witbier, mas com raspas de framboesas.

Os incrementados:

Chocolate Trufado

Como tem menos açúcar e rum na composição, porque não inovar? A perfeita Strong Ale Vintage Coopers é safrada e produzida com malte especial, maturada em barris de carvalho por 5 anos. Com seu teor alcoólico mais elevado e o sabor puxando para frutas secas, harmoniza com o sabor quase-que-alcoólico da trufa, e atenuando o amargor.


Chocolate com frutas vermelhas



Branco ou ao leite, as frutas vermelhas sempre se evidenciam nesta combinação, trazendo notas de morango, cereja ou framboesa. Para equilibrar o dulçor do chocolate e acidez das frutas, vamos de fruit lambic. A Timmermans Framboise é uma boa pedida, já que é maturada em barril de carvalho, ácida e com adição de framboesa in natura. O dulçor desta combina bem com o chocolate e deixa o todo equilibrado, doce como a vida. Ou ainda, para ir mais para a acidez e menos para o frutado, dando vez aos mirtilos - aquela frutinha quase preta quase roxa cheia de encantamentos - que tal a Sherwood Forest, Maiden's blueberry Ale?


Prestígio / Chocolate com coco


Coco. Nada mais a declarar. Pra quem gosta, nirvana. Pra quem não gosta, fiapo. Mas vamos alinhar aqui que a mistura Nestlé Prestígio deu super certo e já virou até ovo de colher beijinho – vale também pra harmonização.
Com coco a harmonização nunca é a mais fácil, mas vale uma do estilo inglês, envelhecida com esteres de coco queimado, mais licorosa e alcoólica. Assim, “de bate pronto” penso na Innis&Gunn, que provei em Londres e quando falamos de Scotch Ale é ela que corre na minha memória. Mas já que estamos falando de um chocolate querido nacional, vale provar com a Wee Haevy, da Bodebrown, que tá aqui na minha prateleira esperando alguém me dar um prestígio pra harmonizar.


Chocolate com avelãs


Nuts. Aqui a gente pode falar de amêndoas, nozes, avelãs, castanhas, amendoim. Deixa a língua mais lisa, engordurada – gordura boa – e um sabor mais terroso na boca, amendoado, acastanhado... Neste caso, a melhor pedida é evidenciar o sabor mas limpar a gordura do palato. Claro que a sugestão mais óbvia seria da Way Avelã Porter. Mas eu fui lá atrás nas anotações e encontrei a Madera. Uma Old Ale piracicabana de 9% abv, também maturada em barril de carvalho e de notas tão amendoadas quanto qualquer Talento.
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Ok, então você decidiu mesmo que quer presentear com um ovo. Minha sugestão: meia-banda, pequena, de colher, harmonizada. Ainda fica mais barato que o Nestlé Classic.

Brigadeiro

A receita é simples, brasileira e inigualável. Dispensa apresentações e harmoniza bem com outra brasileira, claro. Por uma ironia e uma das minhas lindas, nunca escrevi sobre a Colorado Demoiselle – me retratarei em breve – mas acho opção mais que válida uma Baden Baden Stout. Por quê? Porque é chocolate e ponto. Acho que este tipo de doce e este tipo de cerveja dispensam explicações longas. #partiupaodeacucar

Nutella


É um creme de avelãs, ok? E sofro MUITO bullying por não morrer de amores por Nutella. Eu era apaixonada, mas acho que era trauma por não poder comprar. Daí, em Londres, comprei tanta Nutella na Poundland (versão grinda das lojas “tudo por 1 real”) que enjoei rude.

Bom, por ser um creme de avelãs, sugiro tanto as citadas nos chocolates com nuts acima quanto a minha querida Old Rasputin. Seca e amarga, mistura com a Nutella criando além de uma nova viscosidade, um sabor menos doce, mais torrado. Então, bullyers, podem me dar quantos potes de Nutella forem!

Limão


Doce de adulto, e ironicamente um dos meus favoritos. Azedinho, doce, cremoso, tropical. Geralmente gosto desta opção com chocolate branco, porque acho que os sabores se combinam melhor, mas é pessoal. E pessoalmente também sugiro uma Witbier, porque eu gosto da leveza dos dois. Mas acho também que uma Berliner Weiss Limão dá o toque da harmonização por semelhança perfeita, no cítrico, na acidez e no dulçor!

Nhá Benta

Não podia faltar na lista, e se você ainda não comprou o ovo e tá super a fim de uma filona na chocolateria mais famosa do Brasil (aviso: é nacional sabia?), vale colocar na sua cestinha uma Cream Porter. Porque o marshmallow é doce como açúcar, a gente não quer mais nada doce por aqui. Vamos balancear e criar a cremosidade perfeita em boca com a Way Cream Porter. Acho a mais válida, mas as Porters em geral seguram muito bem esta barra que é amar Nhá Benta na Páscoa...


De qualquer forma – barra, ovo, creme, de colher, na panela, no bolso – chocolate e cerveja forma uma dupla e tanto. Estas dicas valem pra Páscoa, para o bolo de aniversário, para a Festa Junina, Natal, sábado a noite em casal ou pra amenizar TPM. :)

Feliz Páscoa!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Grand finale (russian style)

A vida segue, e a gente tenta tirar sempre o melhor de tudo isso. E no meio de uma mudança abrupta, um jantar entre amigos, que estão sempre por perto. Jantar queima de estoque, como chamamos, que marcou a última noite no apê. Resolvi celebrar – embora não fosse motivo de comemoração, mas de novo, tirar o melhor de tudo – e fazer um jantar de harmonização. Meio confuso, confesso, mas que no final das contas foi como sempre inesquecível.

Nesta noite, entre IPAs, Wheatbeer e Lagers, um grand-finale! E é sobre esta “receita” que falo hoje, a da sobremesa. No sábado anterior, indo para a aula, estava lendo a coluna da Cilene Saorin na Revista Mesa, um dos materiais que temos no curso de Sommelier, e ela falava da combinação Stout + sorvete de baunilha. E minha mente foi além... E então a Sandra, do Cevadaria, me sugeriu a Old Rasputin para esta harmonização.

Não sei quem acertou mais.

A Old Rasputin é uma Russian Imperial Stout, o estilo de cerveja mais intenso e encorpado. Aliás, coincidência ou não, segundo relatos históricos o estilo foi feito sob encomenda em meados do século 18 pela Rainha Catarina II da Rússia, que naquela época comprava barris de cerveja escura feitos em Londres. Era então uma Stout "anabolizada", com mais malte e maior teor alcoólico, exatamente para não congelar na viagem, já que tinha que suportar a congelante viagem pelo mar Báltico. Foi então honrosamente chamada de Russian Imperial Stout.

Na garrafa, de rótulo interessante - figura esquisita do barbudo fazendo um sinal sinistro – com uma imagem (e nome) baseada em Grigori Rasputin, um conselheiro paranormal da Rússia Czarista, considerado um bruxo ou "monge do mal" por muitos, que viveu no século 19 mais de 100 anos após o reinado de Catarina I. A Old Rasputin, produzida pela North Coast Brewing Company, cervejaria americana da Califórnia, é uma cerveja escura, preta, bem densa e opaca, com espuma de ótima qualidade e estabilidade. No aroma, notas de café e malte torrado e já podemos notar o álcool. De corpo denso e forte, no gosto sentimos o malte torrado, o amargor terroso (no gosto, retrogosto, aftertaste, o que quiserem chamar, afinal são 75 IBU) e uma pontinha de chocolate de final seco. É, afinal, uma cerveja equilibrada, de alta cabornatação e altíssimo aquecimento. Boa para fechar a noite, principalmente em dias frios. Sugere-se que estejam acompanhados, afinal são 9% de abv! ;)

Na taça, duas bolas de sorvete, uma dose do tal honroso líquido negro acima e, sobre a espuma formada que condensou, cobertura de chocolate Hersheys, que tem um sabor de chocolate mais intenso que as coberturas para sorvete (não é doce tipo candy sugar, é mais maltada e com sabor de “chocolate do padre”, ou cacau). Nota para o approach estético: 10!

No sabor, a quebra de paradigmas. O intenso amargor e secura da Old Rasputin eram atenuados pelo sorvete de baunilha e complementado pelo chocolate. O caldo formado pelo sorvete derretido e a cerveja na taça adicionava a baunilha à cerveja, trazendo um terceiro sabor, licoroso, ainda um tanto amargo mas com uma finalização da baunilha e um aroma de chocolate que invadia toda a taça. Intenso para os amigos não cervejeiros; e surpreendente mesmo para os que sabem que eu sempre tenho algo na manga nos jantares que marco com a querida “equipe”. E, confesso, surpreendente até para mim, que já havia harmonizado tantas vezes a combinação Stout + sobremesa, mas que esta ficou incrivelmente (e emocionalmente) inesquecível.

Perfeita para encerrar um ciclo e começar um ainda mais intenso!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um casamento cervejeiro :: Cervejaria Nacional


Há tempos estou pra falar da Cervejaria Nacional. Mais precisamente desde a primeira vez que a visitei, mas desta vez será especial.

A Cervejaria Nacional fica em Pinheiros, São Paulo. Tem três ambientes: a fábrica no primeiro andar, o bar no segundo e o restaurante no terceiro. Genuinamente nacional, usa o folclore brasileiro como tema da decoração e para nomear as cervejas.

Sim, fábrica, porque a Cervejaria Nacional é a única fábrica-bar de SP. Por isso lá só tem as cervejas produzidas por eles e é lá, no primeiro andar – onde eu tirei as melhores fotos da vida! -  que são produzidos cerca de 5.000 litros de cerveja de 5 tipos diferentes por mês. Cerveja sem conservantes, artesanal e muito saborosa, elaborada pelas mãos dos mestres-cervejeiros Fabiani e Alexandre Sigolo. Até hoje, lá já foram produzidas e bebidas mais de 25 receitas dos mais variados sabores e ingredientes.

Daí lá a gente ainda aprende mais sobre cerveja. A gente já sabia que cerveja gelada demais é um erro. E na Cervejaria eles explicam porque não servem a estupidamente gelada... “A temperatura baixa engana suas papilas gustativas e faz com que você dificilmente perceba o sabor ou a falta dele. Por isso, todas as nossas receitas chegam à torneira da chopeira com a temperatura entre 0º e 0,2ºC, para que você possa degustar e sentir todas as características do sabor de cada uma delas.” Cultura cervejeira. O bar no segundo andar, com mesas, balcão e decorado com sacas de cevada está sempre cheio – funciona desde o almoço até tarde da noite.

E indo ao terceiro e último andar, o restaurante, um espaço rústico, iluminado durante o dia e mais quente e ameno à noite, tem no fundo a cozinha, super à mostra através de um vidro que mostra a galera se empenhando em pratos sensacionais. E então foi neste ambiente que nosso casamento foi celebrado. O terceiro andar foi reservado e previamente decorado, e escolhemos o menu de harmonização da casa para nossos convidados.



Foram 5 pratos, cada um acompanhando – à vontade – uma cerveja da casa. Os convidados ao chegar tinham como opção de petiscos as “comidinhas de boteco”: Pastéis de Carne e Queijo, Bolinho de arroz, Batata da casa e Polenta frita. Para harmonizar, a cerveja Y-iara Pilsen, o carro-chefe da casa, primeira das cervejas a ser produzida. Base de maltes pilsen e vienna, coloração amarela-dourada, lúpulo Saaz para um aroma floral e 5% ABV. A ideia dessa receita é reproduzir a tradição do estilo, com amargor perceptível, 100% malte e personalidade. As cervejas Pilsens são leves, aromáticas, refrescantes e com delicadas notas de malte. Sugerida para acompanhar saladas, aperitivos fritos e condimentados e grelhados. Foi basicamente a escolha dos convidados para a noite toda, embora muito ainda tivesse por vir...

Como entrada, duas opções: Crostini de Cogumelos (Cogumelo paris com um toque de alho, parmesão e rúcula), servidos com a Cerveja Kurupira Ale, uma Amber Ale com equilíbrio entre o amargor do lúpulo e as notas adocicadas de malte, onde o caramelo tende a prevalecer. Nossa Ale do dia a dia e herdeira direta da receita da Drake's Brown Ale. O plano era criar uma receita baseada no primeiro grande sucesso da Cervejaria Nacional, com tons mais avermelhados. Na versão Kurupira temos 30 IBU's como na original, com maior presença das notas de malte caramelo e 5% ABV.
Salada Xavantes
Ainda como entrada, a Salada Xavantes - alface romana, molho ceasar, parmesão e croutons – servida com a cerveja Domina Weiss, que como toda cerveja de trigo tem um paladar refrescante, aromas de banana e cravo e a inconfundível sensação do malte de trigo, características que agradam muito nos dias mais quentes. Com uma receita simples de maltes de trigo e pilsen e lupulagem amena com o Tettnanger, a Domina Weiss é elaborada com uma cuidadosa fermentação que produz os aromas acima de maneira muito delicada, o que faz dela a campeã absoluta de vendas. Inclusive, foi com ela o primeiro brinde dos noivos, direto da fonte!

Brinde dos noivos by Domina Weiss
O prato principal podia ser escolhido entre um sensacional Risoto de Costelinha (Arroz arbóreo com costelinha de porco desfiada, limão cravo e crispy de cebola) ou o Ravioli da Casa, que eu já a-d-o-r-a-v-a, recheado com mussarela de búfala e molho de tomate italiano. Ambos acompanhavam a Mula IPA, aquela favorita do padrinho Ali. É um estilo que tem se tornado muito popular entre os cervejeiros. A Mula nasceu como uma IPA americana, a qual possui teor alcoólico elevado (7,5%), corpo baixo, final seco e generosas doses de lúpulos americanos que contribuem para aromas de frutas tropicais, maracujá e cítrico além do amargor bem pronunciado (60 IBUs). Como as IPAs são cervejas de personalidade forte, amargor elevado e alto teor alcoólico com o lúpulo sendo o grande destaque, são indicadas para acompanhar pratos mais fortes e mais temperados. Por fim, além do fantástico Bolo de Guinness já anteriormente citado, a sobremesa, mais apreciada impossível: Petit Gateau com sorvete de creme, servida com a Sa’si Stout. As cervejas Stout são famosas por acompanharem doces e sobremesas. A Sa’si é uma Dry-Stout com  4,6% ABV, 35 IBU e cor negra profunda. Com o tempo o forte amargor de malte torrado foi sendo equilibrado com outros elementos da receita para dar harmonia aos sabores dessa Stout, caracterizada pela cremosidade e as notas de café e chocolate no aroma e sabor. 

E ainda, a Patrícia Reali, gerente da Cervejaria Nacional, foi incrível o tempo todo. Mesmo depois de 2 meses, ainda é tempo de agradecer a atenção especial que nos deu e o momento proporcionado. É sempre muito difícil agradar à todos em um evento – principalmente casamento – mas o local superou nossas expectativas. Quem já conhecia adorou a ideia de termos a recepção lá. E quem não conhecia com certeza se surpreendeu! Muito gostoso ter um casamento simples, mas cheio de estilo e com muitos elogios.
Valeu Pat!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sexo, cerveja e acepipes

Hoje que eu parei pra pensar no significado do dia. Dia do sexo – 06/09 – véspera de feriado. Todos interligados, afinal, tire os zeros e surge a posição que data o dia de hoje. Aproveite a noite e descanse a “quarta de cinzas”. Use a desculpa do clima de véspera e saia para beber e angariar sua companhia para o evento especificado...

E sair para beber quase sempre significa beber cerveja! Mas o segredo hoje não é a cerveja – que se consumida moderadamente também ajuda a despertar a libido (e perder a vergonha em alguns casos), é o acepipe.

Por isso hoje eu não falo de Devassas, Tchecas, Stellas ou Delirium. Falo do AMENDOIM. Sim, nosso amiguinho amendoim, que mais que amigo é parceiro. Um acepipe que agrada a todos, nunca falha e nem deixa falhar.

Um dos alimentos afrodisíacos mais populares e acessíveis, é rico em vitamina B3, contribui para vasodilatação sanguínea aumentando a libido. E nada melhor do que uma mulher com sua libido turbinada, não é? Ainda, o amendoim tem a fama de ser um forte remédio na luta contra a impotência masculina, com a ajuda das vitaminas do Complexo B e o aminoácido arginina, que promovem a produção de hormônios sexuais e evita a impotência sexual.

Portanto, gatos e gatas que pretendem comemorar a data com grande estilo, escolham seus melhores rótulos e estejam munidos de amendoim, camisinha e uma boa companhia!

Muita Saúde!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Descobertas

O objetivo de toda jornada sempre implica em descobertas.

Cada vez que saímos em busca de assunto para o blog conhecemos pessoas novas e interessantes que sempre tem algo a nos agregar.

Como seres curiosos que somos, não deixamos de testar nenhuma das sugestões que nos são dadas. Este já foi o caso descrito no post anterior da cerveja Bamberg Rauchbier (bacon líquido da mais pura qualidade). E é também o tema deste post.

Nos foi sugerido, experimentar a cerveja Hoergaaden. Que segundo o Caio (Beer Connouseir da Sociedade da Cerveja), agradaria nosso paladar por ser uma cerveja feminina, e ainda nos lançou o desafio de contar no blog qual o aroma exótico desta cerveja.

O que eu fiz? Na mesma hora corri para o mercado, comprei duas long necks e levei para casa para gelar. Alguns dias depois, com o cardápio certo e a cerveja gelada, arregacei as mangas e enchi o copo. A princípio, somente até a metade, o suficiente para fazer o giro de 360° e poder sentir o aroma.

Aroma este, um pouco cítrico, misturado com um toque de alguma erva. Sem roubar (espiando na internet) para descobrir quais seriam os delicados toques presentes nesta cerveja, continuei apenas a observá-la, valorizando as descobertas que faria por mim mesma.

Seu aspecto é um ouro opaco, característico das cervejas belgas de trigo. Aliás, a Hoergaaden é uma cerveja belga de 1441, bastante leve e refrescante.

No primeiro gole (talvez por estar muito gelada) não consegui perceber nenhum sabor exótico. Ao chegar na metade já notei as raspas de laranja, responsável pelo aroma cítrico e sabor refrescante.

Mas eu já estava nos últimos goles e ainda não havia conseguido identificar qual era a tal erva utilizada que me parecia ser algum tempero.

Com a cerveja acabando, tive que recorrer à internet e soube que esta erva que tanto me intrigara era o coentro.
Mais do que explicado porque ela harmonizou tão bem com peixe.

Conclusão, cerveja sensacional, de paladar muito feminino, que troca de nuances como as mulheres trocam de humor. Me identifiquei demais com ela e agradeço imensamente ao Caio pela dica.

Toda sugestão é sempre bem vinda.

E é por causa de uma nova, que logo mais vou correr ao Asterix, espiar a carta de cervejas e a banca de jornal em frente.

Juntando desta forma, duas de minhas paixões, a busca por cervejas com a busca por HQ's (como eu ainda não conhecia o Grant Morrison?). Sugestões vindas de uma mesma e deliciosa conversa no O'malley's.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Em busca... parte 2 - Nostalgia engarrafada

Estamos em Campos do Jordão, caminhando e admirando a paisagem. Quando nos deparamos com um lindo espécime do sexo oposto, de avental e estacionado em frente ao bar da Baden Baden. E sim, mulheres adoram admirar belas paisagens enquanto bebem sua cerveja, então unimos o útil ao agradável e resolvemos provar algumas cervejas da Baden para chegar na visita à fabrica já com conhecimento de causa.

A primeira cerveja que pedimos foi a Red Ale, uma Double Red, com 9,2% de teor alcóolico, de coloração bem avermelhada, com sabor marcante e aroma caramelado. Sem dúvida uma das cervejas mais impactantes que já provei. Bastante intensa e amarga.

No cardápio do bar há sugestões de harmonização, assim como no rótulo da cerveja. Isso porque a Baden Baden é a primeira cervejaria brasileira com preocupação gourmet, ou seja, com a harmonização entre bebida e pratos.

Harmonização nada mais é do que combinar sabores. Quase como formar casais, agindo como cupido, analisando qual sabor tem coisas em comum com o outro, de vez em quando apostando que serão as diferenças que fortalecerão a união, às vezes querendo que se misturem a ponto de se confundirem e outras vezes querendo que um seja bem discreto para deixar o outro brilhar. Resumindo, aparentemente há muitas regras, mas no fundo pode-se ousar bastante.

A Red Ale tem um gênio difícil, o que torna qualquer harmonização complicada, ela não se mistura com qualquer um. O prato deve corresponder a ela em intensidade e força, o que não é tarefa nada fácil e sem dúvida será quase uma afronta a paladares sensíveis. 


Resolvemos não pedir nada, apenas provar essa garota geniosa de maneira tranquila e solitária.

E quando nossos copos ficaram vazios, sentimos que precisávamos de algo mais leve, para nos recuperar.

Foi quando ouvimos sinos e sentimos cheiro de canela. Para Catarina cheiro de infância que a fez entoar o seguinte mantra: "Meu deus, é nostalgia engarrafada!" Para mim a assossiação não foi assim tão simples, mas sem dúvida, concordei em tornar a Golden Ale a nossa mais nova eleita.

Golden Ale, a menina linda da Baden Baden.

Lógico que o que nos levou a esta decisão, não foi o simples aroma de canela, mas nos identificarmos com ela por ser uma cerveja feita com o propósito de agradar o paladar feminino (nós adoramos quando fazem coisas pensando na gente), por ter cor ouro avermelhada, sabor de especiarias e ser levemente adocicada.

A Slava (nossa para sempre primeira menina linda) ainda tem um sabor mais interessante, mas vendo a relação custo benefício, a Golden (nossa nova menina linda) ganhou mais pontos.

Afinal, a cerveja perfeita deve ser acessível também. Claro que pedimos uma segunda garrafa de Golden para confirmar a nossa opinião. E percebemos também que ela tem charme e jogo de cintura, pois é de fácil harmonização.

Saímos do bar Baden Baden inebriadas pela canela, felizes com nossa nova escolha e ansiosas com a visita na manhã seguinte. Claro que nem lembrávamos mais do lindo garçom que nos fez parar por ali. Vai ver ele era apenas o sinal enviado pelo acaso, para que parássemos e encontrássemos a Golden.

Nunca se deve duvidar das forças do acaso.

Continua...