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sábado, 4 de abril de 2015

Sobre cervejas, chocolates e o preço dos Ovos de Páscoa.

A gente aqui, 18+, já sabe que o chocolate que faz o ovo de páscoa e o tablete é o mesmo, e por isso nos revoltamos tanto ao pagamos 528% a mais na mesma mercadoria em shapes diferentes. A não ser que falemos de um artesanal de colher, trufado ou feito pela avó, não vale MESMO a pena pagar R$24,90 em 180grs de chocolate, 2 bombons e papel alumínio.

Ben10, Peppa Pig, Barbie, Trakinas e tantos atributos pascalinos não funcionam mais com a gente. Mas que tal cerveja? Minha ideia para esta Páscoa: uma cerveja e um tablete de chocolate, divinamente harmonizados. Vale mais que qualquer ovão de Nhá Benta, acreditem em mim...

Chocolate e cerveja se conversam há tempos, afinal temos cacau na receita de tantas nacionais e até mesmo importadas, como a Brooklyn Chocolate Stout, a Yongs Double Chocolate Stout e Meantime. Chocolate harmoniza por semelhança com cerveja de malte torrado e por diferença nos casos dos brancos com as fruitbeers, por exemplo. Segue algumas dicas, todas de cervejas que já passaram por aqui – ou seja, perfeitas!

Os tradicionais:

Chocolate ao leite




Ah, mas é claro que eu escolhi um Lindor. Não é porque estou deixando o glamour dos ovos de páscoa eu quero pouco. Tem a cremosidade, o sabor de chocolate mais “limpo”, as bolinhas tem um tamanho ideal pra morder, bebericar e criar uma nova experiência de sabor! E, porque o chocolate ao leite é mais adocicado, sugiro a Young’s Double Chocolate Stout. A mistura do leite e cremosidade do chocolate e o torrado da cerveja vai dar um clima de Mocha no paladar. Algo entre o fantástico e o inigualável.
Dica 2: vale um Gold Bunny da Lindt tb. Eu me renderia...

Chocolate amargo / >70% cacau


“Gente mas ela só conhece Lindt?”



Acho chique, mas confesso que não é nem de longe uma opção pra mim. Cerveja para mim é amarga, chocolate doce. Tenho isso muito bem definido no meu paladar, rs! Mas para quem gosta, quanto mais cacau melhor. E para harmonizar, vamos atrelar o torrado do malte com o amargor do chocolate. A Wäls Petroleum é perfeita, porque além de ser maturada com cacau belga, tem um teor alcoólico alto, que causa sensação de aquecimento na boca e ajuda a derreter o chocolate.

Chocolate Branco


Meu favorito. E você vai me dizer que não é chocolate de verdade. Concordo, mas fazer o que? E quando você provar este Casino Chocolat Blanc talvez concorde comigo. Chocolate branco nada mais é do que um “creme de gordura e açúcar”. Sim, é. Mas harmonize então com algo que quebre esta gordura e balanceie o dulçor excessivo com a acidez e carbonatação, como uma fruit lambic ou fruit beer (uma mais ácida, outra mais doce). Como a minha favorita Früli parece que nunca vai vir pro Brasil, outra perfeita é a Hoogarden Rosée, com toque de coentro como sua madre witbier, mas com raspas de framboesas.

Os incrementados:

Chocolate Trufado

Como tem menos açúcar e rum na composição, porque não inovar? A perfeita Strong Ale Vintage Coopers é safrada e produzida com malte especial, maturada em barris de carvalho por 5 anos. Com seu teor alcoólico mais elevado e o sabor puxando para frutas secas, harmoniza com o sabor quase-que-alcoólico da trufa, e atenuando o amargor.


Chocolate com frutas vermelhas



Branco ou ao leite, as frutas vermelhas sempre se evidenciam nesta combinação, trazendo notas de morango, cereja ou framboesa. Para equilibrar o dulçor do chocolate e acidez das frutas, vamos de fruit lambic. A Timmermans Framboise é uma boa pedida, já que é maturada em barril de carvalho, ácida e com adição de framboesa in natura. O dulçor desta combina bem com o chocolate e deixa o todo equilibrado, doce como a vida. Ou ainda, para ir mais para a acidez e menos para o frutado, dando vez aos mirtilos - aquela frutinha quase preta quase roxa cheia de encantamentos - que tal a Sherwood Forest, Maiden's blueberry Ale?


Prestígio / Chocolate com coco


Coco. Nada mais a declarar. Pra quem gosta, nirvana. Pra quem não gosta, fiapo. Mas vamos alinhar aqui que a mistura Nestlé Prestígio deu super certo e já virou até ovo de colher beijinho – vale também pra harmonização.
Com coco a harmonização nunca é a mais fácil, mas vale uma do estilo inglês, envelhecida com esteres de coco queimado, mais licorosa e alcoólica. Assim, “de bate pronto” penso na Innis&Gunn, que provei em Londres e quando falamos de Scotch Ale é ela que corre na minha memória. Mas já que estamos falando de um chocolate querido nacional, vale provar com a Wee Haevy, da Bodebrown, que tá aqui na minha prateleira esperando alguém me dar um prestígio pra harmonizar.


Chocolate com avelãs


Nuts. Aqui a gente pode falar de amêndoas, nozes, avelãs, castanhas, amendoim. Deixa a língua mais lisa, engordurada – gordura boa – e um sabor mais terroso na boca, amendoado, acastanhado... Neste caso, a melhor pedida é evidenciar o sabor mas limpar a gordura do palato. Claro que a sugestão mais óbvia seria da Way Avelã Porter. Mas eu fui lá atrás nas anotações e encontrei a Madera. Uma Old Ale piracicabana de 9% abv, também maturada em barril de carvalho e de notas tão amendoadas quanto qualquer Talento.
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Ok, então você decidiu mesmo que quer presentear com um ovo. Minha sugestão: meia-banda, pequena, de colher, harmonizada. Ainda fica mais barato que o Nestlé Classic.

Brigadeiro

A receita é simples, brasileira e inigualável. Dispensa apresentações e harmoniza bem com outra brasileira, claro. Por uma ironia e uma das minhas lindas, nunca escrevi sobre a Colorado Demoiselle – me retratarei em breve – mas acho opção mais que válida uma Baden Baden Stout. Por quê? Porque é chocolate e ponto. Acho que este tipo de doce e este tipo de cerveja dispensam explicações longas. #partiupaodeacucar

Nutella


É um creme de avelãs, ok? E sofro MUITO bullying por não morrer de amores por Nutella. Eu era apaixonada, mas acho que era trauma por não poder comprar. Daí, em Londres, comprei tanta Nutella na Poundland (versão grinda das lojas “tudo por 1 real”) que enjoei rude.

Bom, por ser um creme de avelãs, sugiro tanto as citadas nos chocolates com nuts acima quanto a minha querida Old Rasputin. Seca e amarga, mistura com a Nutella criando além de uma nova viscosidade, um sabor menos doce, mais torrado. Então, bullyers, podem me dar quantos potes de Nutella forem!

Limão


Doce de adulto, e ironicamente um dos meus favoritos. Azedinho, doce, cremoso, tropical. Geralmente gosto desta opção com chocolate branco, porque acho que os sabores se combinam melhor, mas é pessoal. E pessoalmente também sugiro uma Witbier, porque eu gosto da leveza dos dois. Mas acho também que uma Berliner Weiss Limão dá o toque da harmonização por semelhança perfeita, no cítrico, na acidez e no dulçor!

Nhá Benta

Não podia faltar na lista, e se você ainda não comprou o ovo e tá super a fim de uma filona na chocolateria mais famosa do Brasil (aviso: é nacional sabia?), vale colocar na sua cestinha uma Cream Porter. Porque o marshmallow é doce como açúcar, a gente não quer mais nada doce por aqui. Vamos balancear e criar a cremosidade perfeita em boca com a Way Cream Porter. Acho a mais válida, mas as Porters em geral seguram muito bem esta barra que é amar Nhá Benta na Páscoa...


De qualquer forma – barra, ovo, creme, de colher, na panela, no bolso – chocolate e cerveja forma uma dupla e tanto. Estas dicas valem pra Páscoa, para o bolo de aniversário, para a Festa Junina, Natal, sábado a noite em casal ou pra amenizar TPM. :)

Feliz Páscoa!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Cerveja com tequila

Ontem foi um tenso no trabalho. Tenso não, irritante. Mas nem me prolongo muito nisso porque todo mundo tem um alguém no trabalho que te faz um dia pensar em entrar atirando, bem a la Dia de Fúria. Um dia daqueles que você pensa: tudo que eu quero é chegar em casa e tomar uma cerveja. Parece coisa de homem, mas pra equilibrar, tomar uma cerveja assistindo O Diário de Bridget Jones. Pronto, mulherzinha.

Tenho sempre no porta latas da geladeira algumas latinhas providenciais, mas por sorte – ou coincidência -  tinha deixado uma nova aposta na porta da geladeira, comprada um dia antes. Uma amiga sempre me arrasta ao Empório Santa Maria quando quer presentear o namorado com algum rótulo, e eu tinha visto no mesmo dia algum post que falava da Desperados, cerveja com tequila - que eu tinha conhecido em Ibiza (bons tempos aqueles...), e eis que esta curiosidade bateu. Ainda tendendo a me encantar com rótulos, talvez pelo fato de ter a publicidade no sangue, a Tequieros chamou minha atenção.

Que tequila com limão é bom a gente sabe. Que cerveja com tequila é bom a gente também sabe, e tem até mil drinks trabalhados nesta vertente. Mas cerveja com tequila e um quê de limão...A linha tênue que divide o bom e o ruim. Confesso que para o momento, gelada, azedinha e refrescante, eu adorei, sorri, me acalmei. Acompanhei com pipoca e chocolate por um distúrbio psicológico e excesso de ansiedade, mas sei que, como cerveja, como sagrada, tsctsc... Não vira.

A Tequieros é uma fruitbeer da cervejaria francesa Gayant, cervejaria familiar independente desde 1919, que foi pioneira em novos estilos de fabricação, de cerveja sem álcool até a mais forte cerveja francesa, a Bière du Demon, com 12% de álcool. Hoje a Gayant tem 27% do mercado especial de cervejas na França. A cerveja tem uma espuma média – mesmo com a brincadeira feita com o copo servido (e sim, eu faço piada mesmo estando sozinha), tem um corpo bem amarelo, lembrando uma pilsen, de corpo leve, um pouco aguada, aroma de grãos e forte presença do lúpulo. No sabor, levemente doce e amarga, tudo ao mesmo tempo, mantendo o gosto da tequila e a presença do limão até o fim. Pra ser sincera parece as Ices moderninhas, com sabores inusitados. Tem um ABV considerável, 5.6% na garrafa de 330ml. Vale pra matar a curiosidade, mas nunca para colocar na lista da cerveja perfeita.

Mas confesso que gostei, me diverti e ficava repetindo o nome da cerveja talqual um pônei maldito. Mas isso foi um momento inusitado, precisava mesmo de algo mimimi pra revitalizar o dia.

Hoje eu vou de cerveja de gente grande, é sexta-feira.

Te quiero!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Mais uma das cervejas rosas


Voltemos então às rosas, saindo das pétalas e indo para o rótulo.

Eu tenho rosas no nome, no quarto, na cor favorita, enfim, tenho um mundo cor-de-rosa único, mas isso quem não sabia, desconfiava. Tudo que é rosa me encanta. E eu partilho isso com algumas amigas, coincidentemente.

A Semyle, aquela nossa correspondente que ama o blog mas insiste em não participar, sempre vem com uma novidade. Daí ela apareceu com uma cerveja rosa envolta numa pulseira. Caveiras, rosas e framboesa. A framboesa na cerveja, claro. Adoro as surpresas mensais que ela traz pra SP...

A pulseira – que ela insiste que eu não uso – já sabe o caminho casa-trabalho de cor. A cerveja, estamos falando da Timmermans Framboise, tomada no mesmo dia num encontro de garotas no escritório ao lado. Bom porque pode ser aprovada não por uma, mas por 5 mulheres.

Uma lambic, e a maioria das mulheres que torce o nariz pra cerveja adora esta versão. Mesmo eu que adoro sentir o sabor do lúpulo me encanto pelas lambics.

A Timmermans Framboise é da cervejaria belga de mesmo nome, existente há mais de 300 anos, nos arredores do centro de Bruxelas. Maturada em barris de carvalho, a cerveja tem uma tonalidade rosa-avermelhada, com um aroma de framboesa tão intenso quanto o sabor. A espuma é bem rosada, e bem formada. Como tem aromatizante, tanto o aroma quando o sabor puxam bastante, praticamente anulando o amargor da cerveja e a deixando bem doce. Deixa um retrogosto doce e até arrisco dizer que enjoativo no final. Coisa de xarope. Mesmo assim, aprovada pelas mulheres.

Que digo, estavam mais ávidas pelas novidades de cada uma do que pela cerveja. Taí uma diferença entre os homens e as mulheres. Algumas conseguem deixar a cerveja em segundo plano quando a fofoca é boa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

De rosa e de 11, Catarina também comemora!

Onze.

Meu número, e hoje ainda mais. Meu aniversário.

E pensando em números, pensei em cerveja. Não, não existe uma cerveja de rótulo 11. Existiu, mas foi retirada. Mas existem tantas outras que até marcaram passagem aqui pelo blog. Entre elas, dois exemplos:

A 1795 foi a primeira cerveja que, então Renatinha e eu, tomamos no Melograno, de onde veio toda a ideia do blog e da busca que persiste – mesmo apesar dos pesares.

Ontem, na exata virada comemorei com um amigo querido – desses novos que a vida nos presenteia – com uma 1906. Cerveja que me marcou num evento entre amigos.

Números e sabores. Números e cheiros. Números e cores.

Por isso, minha cerveja especial de aniversário, por razões emocionais e, para quem me conhece, até obvias, é a Hoergaarden Rosée.

Hoegaarden porque é Hoegaarden e das mais simples cervejas, uma das favoritas.

E Rosée... como eu disse, quem me conhece sabe que tenho rosas desde o pé até no meu registro de nascimento.

Este exemplar colorido da querida Hoergaarden nada mais é que a cerveja branca com adicional de framboesa. Doce, frutada, uma típica fruitbeer. Deixa o toque rosa com seu creme salmão, o sabor doce e ainda, uma certa cremosidade que impressiona. Sem amargor nenhum, uma companhia perfeita para, quem sabe, um bolo de aniversário ou qualquer outro tradicional docinho da data.

Feliz, de aniversário a Hoegaaden, hoje comemoro uma fase muito boa da vida. Foi em 2011 que a paixão por cerveja floresceu, e tem crescido a cada dia, a cada rotulo, a cada novo amigo que esta nova “empreitada” me traz.

Em 2011 eu conquistei mais do que só mais um ano de vida. Foram incontáveis cervejas, incontáveis risadas, icontaveis boas companhias. Agradeço a todos que participam e me ajudam nesta busca da cerveja perfeita!

E é hoje, no dia 11, uma garota 11, que eu falo de mais uma no hall das favoritas. Rosa.

<:)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Yes, they have bananas!

Mais um post remoto. E fica difícil escolher uma favorita, cada vez mais difícil. Já se foram 11 dias de Londres, e bem mais de 11 rótulos provados. A cada pub, a cada ida ao mercado, a cada refeição, até a cada parada em casa (neste momento, enquanto escrevo, tomo uma Baltika, russa)... ainda bem que a vida de sightseeing me faz caminhar e caminhar, porque tanta cerveja pode acabar com os atributos da Catarina...

Hoje vou falar não especificamente de uma cerveja, mas também de um pub. O "The Porterhouse". Fica na charmosa Covent Garden, que é um dos meus lugares favoritos em Londres, se parece com algo entre a estação da Luz, Mercadão e sei lá, uma feirinha de malhas de Monte Sião. E num dia mais quente de um verão que ainda não deu as caras, fez uma noite clara maravilhosa. 
A Porterhouse Brewing Co. é na realidade irlandesa - para onde estou indo em algumas horas - e tem entre seus rótulos cervejas próprias como a Oyster Stout, Porterhouse Red e Chiller. No total são 3 Stouts, 3 Ales e 3 Lagers, algumas premiadas inclusive. A companhia tem 5 pubs próprios, além de um hotel. É realmente um mundo a se explorar!

Ao chegar no pub, muito bem indicado pelos amigos que estão me recebendo aqui na cidade, me senti como uma criança em um parque de diversões. Todas as paredes do local - TODAS! - são revestidas por vitrines de cervejas especiais, até algumas brasileiras entram na gama. Por exemplo, acompanhando o trabalho da Renatinha, que falou sobre a cerveja especialmente feita para o casamento de William e Katherine (a real), lá encontrei a cerveja feita para o casamento de Charles e Diana, de 1981! 

São 5 andares, divididos em diversos ambientes e com bares separados. Uma área externa na frente do bar fica bem de frente para o Museu do Transporte público de Londres e para o Covent Market. E digo mais: muita gente bonita. Não sei se estava mais extasiada com a paisagem dentro ou fora do pub.

Na hora de escolher, minutos e minutos se passaram. Um menu simples e extenso (menu este que veio na bolsa como um souvenir autorizado. Até porque, segundo o bartender, se ele não deixasse eu iria levar do mesmo jeito), separando as cervejas por país. Todos os preços entre £3 e £7, uma outra que ia além disso. Optei por começar por uma inglesa um tanto curiosa: Wells Banana Bread Beer. Sim, banana. E de fato contém banana. Aliás, de fruitbeer aqui não faltam opções. Até de manga tinha. Sério, manga?

A Banana Bread, da cervejaria Wells & Youngs,  é mais banana que cerveja, mas que dá um resultado muito bom. Doce e intensa, tem uma cor acobreada forte, porém com transparência. A espuma é encorpada, cremosa (creme/espuma...). O aroma de banana prevalece, com um quê de baunilha e também denota um caramelo típico das ales. Maltada e amarga na medida para não contrariar a harmonia com a banana, a Wells é uma cerveja no mínimo interessante. Mas o fato é: não é possível pedir outra garrafa após 500ml dela. Garrafa esta que saiu por módicos £4,20 (menos de R$12).


Segui então com uma weissbeer alemã, na sequência uma Früli, uma Stout pra não perder o costume e uma Guinness porque você sabe né...

Não sei se pelo interior ou pelo exterior, mas eu prometi ainda voltar neste pub antes da volta. E comigo promessa é sempre dívida!

Cheers mates!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Strawberry fields forever!

Fazer um post sobre Londres e a infinidade de cervejas e momentos que tenho aqui, é pedir pra fazer um daqueles textos intermináveis. Mas eu prometo ser concisa! E como dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, esta traduz o "british way of life":

O famoso fish'n'chips acompanhado de Guinness.

Lógico que tenho muito a contar, sobre os preços das cervejas aqui, a oferta, a qualidade e infinidade de rótulos que vemos apenas nos melhores empórios do Brasil sendo vendidos aqui na prateleira do supermercado... enfim! Londres é a conhecida capital de bebedores de cerveja (e todas as outras bebidas alcoólicas), onde muitas das melhores Ales nasceram, as tradicionais Porters e Stouts, a terra das famosas pints e também dos conhecidos mundialmente pubs. Mas esta história eu já contei.

Aqueles que me conhecem também sabem a relação de amor que eu tenho com esta cidade, que é tal qual a relação de amor da Renatinha com São Paulo: falem o que for, falem do cinza, falem da frieza do britânico, falem da monarquia, falem do sotaque muitas vezes incompreensível, falem da burocracia, mas Londres é meu eterno refúgio, o lugar onde eu sei que tudo vale a pena e que eu ando sorrindo. Mas, surpreendentemente, não mais o lugar onde eu moraria. Voltar apenas de férias me fez perceber que minha vida se encontra num momento perfeito e que é no Brasil mesmo que meu destino - e meu coração - está. Sem essa de cartomante. Catarina e Renatinha tomarão incontáveis outras cerveja e continuarão na busca juntas.

E por falar em cerveja, relutei um pouco, mas não vou começar esta série de posts remotos com uma típica Ale britânica. Hoje vou - FINALMENTE - falar de uma belga, a tal da fruitbeer que eu tanto esperei para tomar novamente: a Früli. Me fizeram até passar vontade, é verdade, mas nada como tomar a cerveja mais esperada logo no primeiro dia de viagem, numa feliz coincidência! Na minha primeira visita ao supermercado, ao entrar no corredor de cerveja, uma prateleira repleta de long-necks de Früli sorriu pra mim. E o preço deu aquela piscadela: £1,69 (ou cerca de R$4,30).

Ao chegar em casa e colocar a cerveja para gelar, já podia sentir os carocinhos de morango na boca...

A Früli infelizmente não é vendida no Brasil, mas, para os apreciadores mais sêniores de cerveja isso não é de fato um problema, já que em termos de sabor ela não tem muito de especial. Uma cerveja com adição de suco de morango na fermentação, que a deixa doce e com mais gosto de suco de morango do que de cerveja propriamente. Já para as mulheres nem tão amantes de cerveja, que adoram um drink doce com baixo teor alcóolico, aí sim  a Früli deixa vontade. Eu diria que é como a Malzbier, uma cerveja doce, até enjoativa, mas deliciosa no meu ponto de vista! Cerveja de menininha, que comparada à outras fruitbeers é a mais doce e frutada. Inclusive, alguns dizem que, como a Malzbier, só é considerada cerveja pelo processo de fabricação.

Cerveja produzida pela cervejaria belga Brouwerij, com teor alcoólico de 4,9% (não tão baixo como a Malzbier citada acima), a Früli é uma mistura de 70% de cerveja branca (de trigo, assim como a Hoegaarden) e 30% suco de fruta, no caso, de morango. Esta cerveja ganhou a medalha de ouro no International Beer Competition em 2004 e em 2009 foi anunciada como o "World's Best Fruit Beer" pelos juízes do World Beer Awards. Tá vendo? Não era à toa que eu falava tanto desta danada!

Posso dizer que alguns pontos (gastronômicos) da minha viagem já foram concluidos. Em menos de uma semana, já tomei algumas cervejas que há tempos não tomava, já tive minha Guinness perfeitamente tirada, já matei a vontade da Früli - e outras sobremesas - e a versão britânica da Catarina (Katherine) já fez sua presença. Acho que teremos muito mais que 30 dias de história pra contar por aqui!

Cheers mates!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Não adianta vir com guaraná pra mim!

Dia desses eu li que lady que é lady não precisa repetir isso o tempo todo. Fato. E acho que isso cabe para a Divina: cerveja boa não se intitula como boa, simplesmente é.

Como para bom "bebedor", meia palavra basta, percebam que a Divina ficou MUITO aquém das minhas expectativas. Acho até que é a primeira vez que faço um post onde não me encanto com a cerveja... vou explicar melhor.

Ao buscar uma cerveja – mentira, ao procurar uma fruitbeer gostosa, já que a ansiedade da minha viagem ao encantador continente das cervejas aumenta minha vontade daquela fruitbeer belga – na Tortula (padaria/empório em São Paulo que dá dó ao ver como se degrada dia após dia), me deparei com a “Göttlich Divina!”, assim mesmo, com exclamação e tudo.

Cerveja com Guaraná. Um rótulo que não sei porque me lembrou tubaína, uma mistura que me deixou bem curiosa e um preço bem interessante, visto os preços dos outros escassos rótulos da Tortula: R$19,90 a garrafa de 600ml. Levei-a acompanhada de um pacote de salgadinhos e mini-bolos confeitados... sei lá, era um sábado de culto à infância talvez. Mas o momento infância logo passou e a Divina! acabou sendo degustada dias depois, na companhia de um gato, no sentido literal apenas da palavra.

A Divina! é obra de um brasileiro, o Mestre Cervejeiro Leonardo Botto, que utiliza guaraná da Amazônia na sua composição.  Cerveja brasileira, da cervejaria Opa Bier, é produzida com o artesanal processo de Dry Hopping, onde ao final da produção, a cerveja é guiada por pressão através de um recipiente completo com Lúpulos de Aroma. O resultado é uma cerveja muito aromática, sem perder suas características originais de sabor, coloração e espuma. Fato verificado, a Divina! é intensamente dourada, com uma espuma bem persistente e um aroma floral, com apenas um levíssimo toque do guaraná. Sabor intenso, uma Pilsen Super Premium com seu tradicional sabor presente de malte, dando aquele amargor do fim do gole. Refrescante sim, mas não teve aquele clímax que eu tanto esperava.

Enfim, a cerveja é boa sim, mas naquele momento eu esperava algo além de bom. Queria algo de fato divino, perfeito, que me fizesse novamente cantar. Não precisava ser Frank Sinatra, alguns versos de Paul McCartney seriam suficientes, mas essa já é outra história...