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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Edelweiss de flores, de músicas e de cervejas!

Iniciada a sequência de provas das cervejas recém-ganhadas do United World of Beers. E iniciada de maneira muito única. 

Primeiro porque sim, eu ainda estou com dó de desmontar o kit. Embora algumas das cervejas eu já conheça, tá tão bonito! E segundo porque uma delas me foi dada há um tempinho, junto com dois outros rótulos, pela Semyle (amiga, mais que colega de trabalho, corinthiana fanática e parceira) que quase morreu quando eu consegui derrubar a sacola e quebrar as garrafas com as cervejas que me trouxe de Florianópolis, no meio da minha sala no trabalho. Doeu tanto que eu na hora parei tudo pra caçar empórios onde eu pudesse encontrar as cervejas para repor o presente. Ainda bem que consegui!

Enfim, comecei a série por uma cerveja então duplamente patrocinada: a Edelweiss. E a apreciei de outra maneira dupla, assistindo um filme sobre cerveja, o Beerfest, que há algum tempo tinha ouvido falar e estava bem da curiosa para assistir. Aliás, filme com peculiaridades este. Indico para uma noite quente e com uma certa quantidade de München acompanhando a pipoca (por que não?)

Edelweiss tem muitos significados. Na música conta a história da família austríaca Von Trapp, de A Noviça Rebelde. Na natureza, é uma flor branca que nasce somente nos Alpes da Europa na região da França, Itália, Suíça, Iugoslávia e Áustria, onde, tradicionalmente, se tornou o símbolo do país. Aliás, reza a lenda que um rapaz, quando apaixonado por uma garota, deveria escalar a montanha, pegar um edelweiss e trazê-lo para a amada como prova de seu amor. Ainda hoje, no folclore austríaco, as danças e músicas tirolezas fazem referência a esta lenda. Em alemão, edelweiss significa “branco nobre”. Edelweiss também é sobrenome, e criado no Brasil! Segundo outra lenda, um padre alemão, após se apaixonar por uma brasileira, largou a batina e adotou seu codinome de poeta: Edelweiss.

Mas o significado mais feliz é a cerveja austríaca de trigo, importada pelo Grupo Heineken, que nasceu no coração dos Alpes, na Cervejaria Hofbraü Kaltenhausen na Áustria. Esta cervejaria, uma das mais antigas da Áustria, foi fundada em 1475. A cerveja ale é enriquecida com aroma de ervas alpinas, o que dá um aroma e um paladar bem diferenciado das outras cervejas de trigo, trazendo um leve amargor no final, bem leve. O aroma é doce e fermentado. Tem uma espuma bem densa, e um corpo de cor de mel. No sabor, o agradável sabor de uma weissbier, sem muitas diferenças, mas com um toque mais requintado, talvez pela adição das especiarias e o toque da flor tão rara e especial.

Filme bom, cerveja melhor ainda, e um sentimento de “quem vai escalar os alpes e me trazer uma Edelweiss gelada?”

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Surpresas

Algumas coisas acontecem de forma bastante inusitada.

Imagine-se entrando em um bar cubano. Onde o atendimento é péssimo e o espaço é escasso. Então abre o cardápio sem a menor pretensão.

De repente encontra no canto da página escrito em letras vermelhas e garrafais: EXPERIMENTE A CERVEJA MAIS FORTE DO MUNDO!

E então não resta dúvida quanto ao pedido que será feito ao barman.

A cerveja em questão é a Eggenberg Samichlaus Classic Ambar strong lager.

Mantendo o tema de Catarina, esta também é bem especial, com história, passa por um longo processo de maturação, não tem prazo de validade e prova que o amadurecimento faz bem também às cervejas.

Vamos à história.

A Samichlaus Bier inicialmente foi produzida pela cervejaria Hürlimann, na Suíca, mas desde 2000 passou a ser produzida no Castelo Eggenberg.

Fundado no Século X, é uma das mais antigas cervejarias da Europa. Localizado no estado de Salzburg, região dos Alpes Austríacos, o castelo fica às margens do rio Alm, fonte de água para a produção das cervejas.

Fabricada apenas no dia 06 de dezembro, na celebração de Saint NIcholas, sim, o nosso famoso Papai Noel. É envelhecida por 10 meses antes do engarrafamento e possui 14% de teor alcoólico. Esse teor alcóolico já lhe garantiu espaço no livro Guinness World Records por se a cerveja mais forte do gênero Lager.

Após o envase ela continua maturando na garrafa e com o passar do tempo os aromas se tornam mais complexos e com um paladar cremoso e acalentado.

Bom, mas eu ainda não sabia de nada além da parca informação do cardápio. Lá estava eu, no bar cubano.

Chega minha cerveja. Servida na própria garrafa long neck, o que me fez não conseguir apreciar devidamente seu aroma, nem saber exatamente qual sua cor ou a densidade da espuma, ou seja, tive que me contentar com o sabor, porque conseguir um copo naquele balcão era simplesmente uma missão impossível (como um lugar serve uma cerveja dessas, cobra caro e tem coragem de menosprezá-la na hora de servir ao cliente?).

Sem saber direito o que me esperava, virei um gole da cerveja e então uma incrível sensação percorreu meu corpo. Uma grata surpresa com sabores realmente fortes. Um marcante e doce caramelo a princípio que depois fica seco e adstringente no paladar. Malte intenso e definitivamente uma das cervejas mais complexas que eu já provei.

Me apaixonei instantaneamente por ela. Tomei devagar, tentando aproveitar ao máximo tudo o que ela poderia me oferecer naquele momento.

Me senti madura, bem resolvida e feliz a cada gole. De volta para casa dormi e sonhei com um mundo onde as cervejas são respeitadas e apreciadas devidamente. Onde um bar que decide vender uma cerveja de porte como esta a serve corretamente e com o devido respeito.

De volta à realidade tudo o que posso dizer é que este é um lugar onde não pretendo voltar. E só posso imaginar como esta grata experiência poderia ter sido ainda mais fascinante nas condições ideais.