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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Dog A, a cerveja de 110 reais tomada no gargalo

“Catarina você já tomou cerveja com vodca?”

Já no caixa do Empório Alto dos Pinheiros escuto esta frase. Meu amigo vem até mim com uma BrewDog na mão. “Esta é forte hein!”

Era a Dog A, ABV de 15,1%, rótulo chumbo, quase preto, em sua totalidade. A edição é especial de 5º aniversário, lançada em março deste ano.

Amigo, você viu o preço desta cerveja?, pergunto, já com minhas dúvidas por se tratar de uma edição especial... “Ah, não deve ser tão cara, tava na geladeira”, ele diz sossegadíssimo.

Ok, mas ó, digo eu em tom de advertência... a BrewDog, fora da linha convencional costuma ser meio cara. Tem uma deles, que por um tempo foi considerada a cerveja mais forte do mundo – a Tactical Nuclear Penguim – que custa R$600. Daí veio outra mais forte – a Sink the Bismark – que tá quase na casa dos milhares....

Ele ficou assustado, mas continuamos bebendo. A cerveja é de fato forte, está longe de ser (isso pra não dizer NÃÃÃÃÃO faz isso com a cerveja) a longneck que se bebe no gargalo, de pé na frente do bar, que foi o que fizemos. É extremamente encorpada, cada gole leva uma eternidade para ser completado. Cerveja maltada, escura, sério, forte mesmo... uma Imperial Stout que, segundo o próprio fabricante, detona a boca. Tem inclusão de grãos de cacau, pimenta e café. Não sei a cor, o corpo, a espuma nem o aroma, porque, como disse, foi tomada no gargalo. Não me culpem.

Ainda em pé, ao lado do caixa. Escuto de longe um extasiado “QUANTO?”. R$110,00. Ri, ri muito. Rir da desgraça alheia é especialidade do ser humano.

Ele pagou, com dor no coração. E com Visa Vale.

Moral da história: nunca vá a um empório e pegue uma cerveja X da geladeira sem saber o preço. E não ache que porque você tem um chaveiro de abridor de garrafa você é o dono do mundo.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mitologia Grega

Num contexto acadêmico, a palavra "mito" significa basicamente qualquer narrativa sacra e tradicional, seja verdadeira ou falsa. O sufixo "-logia", derivado do radical grego "logo", representa um campo de estudo sobre um assunto em particular. Com a junção de ambos os termos, "mitologia grega" seria, basicamente, o estudo dos mitos gregos, ou seja, os que fazem parte da cultura da Grécia. Sendo assim, o termo não só alude ao estudo dos mitos como também aos próprios mitos...

Mimimis míticos deixados a quem não quer falar de cerveja, existem dois momentos na minha lembrança que eu tenho certeza que nunca vão se apagar. 

O primeiro foi minha reação ao ver, pela primeira vez,  a vista paradisíaca no topo da ilha de Santorini, na Grécia. Eram quase nove horas da noite, o céu estava com aquelas cores todas misturadas, entre laranja, azul e dourado de quando o sol se põe no mar. A água do mar era quase um espelho do céu. Eu estava chegando do aeroporto, sem hotel agendado e ia dormir no quarto de um casal de amigos, cujo casamento, momento à parte, foi lá, regado à esta mesma paisagem . No caminho, numa virada à esquerda entre as vielas da ilha, me deparei com o mar à minha frente. Fiquei sem respirar por alguns segundos.

O segundo foi logo no dia seguinte. Aquele que eu pensei que seria o maior calor que teria no verão, a mistura de fome e boca seca. No centro da ilha, um restaurante com uma vista estratégica para a “caldeira”, que é o vulcão adormecido entre as ilhas em Santorini. Mar azul, céu azul. E na mesa eis o momento que que ela chega, em véu de noiva, daquele brasileiríssimo jeito de estupidamente gelada.  Ok, a gente sabe que se muito gelada a cerveja perde muito, mas aquela Mythos não perdeu nada!

A Mythos é uma autêntica cerveja grega, lançada em 1997 e produzida em Thessaloniki - norte da Grécia. Desde seu primeiro ano de lançamento conseguiu reverter a situação no mercado de cerveja grega e conquistou os corações do gregos (e muito mais, dos turistas), mesmo com todas as dificuldades e os obstáculos decorrentes da natureza do local, já que a Grécia tem mais de 200 ilhas e a logística é uma coisa complicada por ali. A cerveja leva em sua receita todo o know-how europeu na produção de cervejas, combinado com o paladar grego. Única exemplar grega a vencer o “Canadian Interbeer International Beer & Whiskey Competition”, motivo de orgulho da cervejaria.

Mythos Hellenic Lager Beer, seu nome completo, é uma cerveja suave e muito refrescante, com um corpo dourado-claro, translúcido que contrasta com sua espuma branca densa e cremosa. No paladar, um sabor frutado e com uma leve presença de cereais, muito pouco amarga, que denota um lúpulo leve e fresquinho no finalzinho. Cerveja de bar, de verão, de praia. E foi ela minha cerveja de cada almoço, cada jantar, cada praia de pedra vulcânica e calor mediterrâneo.

A cerveja não é perfeita, vai além, é um MITO! #tudunts

Ef Haristo! (uma das 5 palavras que aprendi em grego...)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

My happy Valentine ♥

Hoje comemorou-se - e alguns casais ainda nem começaram as comemorações - o Dia de São Valentim, mundialmente conhecido como o padroeiro dos casais enamorados.

E juro que quando descobri a notícia, estava mesmo pesquisando sobre cerveja: a Grimm Brothers Brewing em parceria com a Câmara de Comércio de Loveland, cidadezinha em Colorado, Estados Unidos - onde a data é o maior evento do ano, com grandes comemorações e "parades" - a primeira cerveja oficial do dia dos namorados, a Bleeding Heart 2012. O lançamento oficial foi feito na semana passada, em um grande evento com uma limitação de 1 pint por pessoa, tamanho o sucesso da receita - e da cervejaria.

A Bleeding Heart é uma cerveja Porter, que foi produzida com cerejas - quase 50 quilos para a primeira receita - e envelhecida durante uma semana em barris com lascas de cacau. Soa forte e feminino. O encontro do Porter com a cereja. Romântico!

A cerveja é uma jogada para aumentar o turismo na época para a cidade de Loveland, mas virou tal febre entre os locais que a previsão é que dure apenas até o final desta semana. "We're hoping the true beer connoisseurs will want to come here to check out this new special beer available only in Loveland." Palavras de Jim Worthen, do Loveland Chambers. Sim, gostaria muito de ir Jim, conhecer a cerveja e revisitar a cidade de montanhas geladas e paisagem marrom, meu primeiro destino na terra de tio Sam. Até porque, a cerveja NÃO será encontrada fora de lá, ou seja, qualquer possibilidade de nós, brasileiros amantes de cerveja, provarmos a tal Bleeding Heart é através de PATROCÍNIO.

Amigos, não nos façam implorar...

E como amor e esperança andam juntos, o lote do proximo ano será estendido às garrafas, para alegria dos colecionadores viajantes e dos amigos deles.

Amigos, não nos façam implorar...

Ainda, o poster acima também foi produzido em edição limitada de 100 unidades, sendo vendido a U$20 cada. Que mania de limitar tudo... Vejam aqui o release (em inglês) da cerveja em questão.

E, propositalmente no fim do dia, propositalmente para passarmos vontade, propositalmente feliz e sempre apaixonada...

Happy Valentine's!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Edelweiss de flores, de músicas e de cervejas!

Iniciada a sequência de provas das cervejas recém-ganhadas do United World of Beers. E iniciada de maneira muito única. 

Primeiro porque sim, eu ainda estou com dó de desmontar o kit. Embora algumas das cervejas eu já conheça, tá tão bonito! E segundo porque uma delas me foi dada há um tempinho, junto com dois outros rótulos, pela Semyle (amiga, mais que colega de trabalho, corinthiana fanática e parceira) que quase morreu quando eu consegui derrubar a sacola e quebrar as garrafas com as cervejas que me trouxe de Florianópolis, no meio da minha sala no trabalho. Doeu tanto que eu na hora parei tudo pra caçar empórios onde eu pudesse encontrar as cervejas para repor o presente. Ainda bem que consegui!

Enfim, comecei a série por uma cerveja então duplamente patrocinada: a Edelweiss. E a apreciei de outra maneira dupla, assistindo um filme sobre cerveja, o Beerfest, que há algum tempo tinha ouvido falar e estava bem da curiosa para assistir. Aliás, filme com peculiaridades este. Indico para uma noite quente e com uma certa quantidade de München acompanhando a pipoca (por que não?)

Edelweiss tem muitos significados. Na música conta a história da família austríaca Von Trapp, de A Noviça Rebelde. Na natureza, é uma flor branca que nasce somente nos Alpes da Europa na região da França, Itália, Suíça, Iugoslávia e Áustria, onde, tradicionalmente, se tornou o símbolo do país. Aliás, reza a lenda que um rapaz, quando apaixonado por uma garota, deveria escalar a montanha, pegar um edelweiss e trazê-lo para a amada como prova de seu amor. Ainda hoje, no folclore austríaco, as danças e músicas tirolezas fazem referência a esta lenda. Em alemão, edelweiss significa “branco nobre”. Edelweiss também é sobrenome, e criado no Brasil! Segundo outra lenda, um padre alemão, após se apaixonar por uma brasileira, largou a batina e adotou seu codinome de poeta: Edelweiss.

Mas o significado mais feliz é a cerveja austríaca de trigo, importada pelo Grupo Heineken, que nasceu no coração dos Alpes, na Cervejaria Hofbraü Kaltenhausen na Áustria. Esta cervejaria, uma das mais antigas da Áustria, foi fundada em 1475. A cerveja ale é enriquecida com aroma de ervas alpinas, o que dá um aroma e um paladar bem diferenciado das outras cervejas de trigo, trazendo um leve amargor no final, bem leve. O aroma é doce e fermentado. Tem uma espuma bem densa, e um corpo de cor de mel. No sabor, o agradável sabor de uma weissbier, sem muitas diferenças, mas com um toque mais requintado, talvez pela adição das especiarias e o toque da flor tão rara e especial.

Filme bom, cerveja melhor ainda, e um sentimento de “quem vai escalar os alpes e me trazer uma Edelweiss gelada?”

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Anno Novo!

Em um daqueles momentos irrecusáveis da nostalgia do final do ano, o amigo secreto da empresa, uma surpresa agradável. Eu raríssimas vezes fui surpreendida com bons presentes em amigos secretos, mas, seguindo os bons ventos do ano de 2011, sim, fui agradavelmente surpreendida. O limite de R$70,00 do amigo secreto corporativo foi preenchido com duas cervejas compradas da Mr. Beer. Aliás, adendo: quando o meu amigo secreto buscou informações sobre o que me dar e sugeriram cervejas à ele, ele se perguntou se eu tinha um problema com alcoolismo. Obrigada Sandro! 

Dois bons rótulos, indicados pelo atendente: Weihenstephaner Hefe Weissbier e a Hacker-Pschorr Anno 1417, ambas degustadas naqueles momentos entre amigos, dignos de boas cervejas. A Weihenstephaner eu já conhecia de outros tempos, uma cerveja de trigo bávara excelente, refrescante e encorpada, representando muito bem a classe das Weissbier.

O foco fica para a Hacker-Pschorr Anno 1417, cerveja alemã cheia de história para contar. 

A Cervejaria Hacker-Pschorr nasceu exatamente em 1417, 99 anos antes de ser criada a Lei de pureza Alemã, inicilamente apenas como Hacker. O nome atual da cervejaria remete à duas tradicionais cervejarias de Munique, que nesses 591 anos passaram por algumas junções e separações: A primeira união entre a Hackerbräu e a Pschorrbräu aconteceu por volta de 1800, quando Joseph Pschorr comprou a cervejaria Hacker e fundou uma com seu nome, mas manteve sua própria produção. Em 1944, já separadas, a Pschorr teve os seus equipamentos bombardeados durante a segunda Guerra, e a Hacker permitiu que a Pschorr utilizasse seus equipamentos para manter a produção ativa, simbolizando assim a união que permanece até hoje. A cervejaria é atualmente uma das seis grandes de Munique, e faz parte do grupo Paulaner.

Chegou ao Brasil recentemente, uma cerveja do estilo Keller Bier, um raro e antigo estilo de produção alemão - keller em alemão significa adega. Uma lager não-pasteurizada e não-filtrada, fermentada em barris abertos de madeira, o que a deixa com baixa carbonatação. Uma cerveja diferente, com uma cor dourada escura, espuma densa e um aroma maltado, que denota a presença marcante do lúpulo não só no aroma, mas com intensidade no sabor. Um tanto cítrica, bem saborosa e refrescante, com aquele toque de fermento das cervejas não-filtradas (lembram-se a surpresa causada pela Slava?).
Uma excelente cerveja para um dia de verão, seja chuvoso e abafado como nossos típicos reveillon paulistas. Aliás, vou além: a Anno 1417 é a cerveja perfeita. Não para finalizar a busca, mas para entrar em 2012 inspirada, seja pelo nome, seja por remeter à primeira cerveja da saga, seja por ser de presente ou por ser a primeira do ano.

Que 2012 seja de longo caminho na busca da cerveja perfeita, com muito mais aprendizado e boas companhias!

Feliz Ano Novo!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Então é Natal! (Aleluia...)

Depois de muito tempo consegui entender o verdadeiro espírito do Natal. Consegui unir meu lado infantil, que adora as decorações, tem fascínio por árvore de natal, come quilos de panetone compulsivamente e adora dar - e receber - presentes com o perfil da Catarina, que de vinhos natalinos e champagnes passou a provar e conhecer as cervejas especiais da época.

Já na semana passada, em uma visita ao Empório Alto dos Pinheiros, pude começar as degustações festivas natalinas, com a Delirium Noel. Vale lembrar que, nas terras de produção das cervejas especiais de Natal, o clima é outro. O hemisfério norte goza do frio do inverno, flocos de neve dão o toque blasé do Natal do Papai Noel, que se protege então com sua barba, gorro, casaco e botinas. (Pausa para uma oração tipicamente natalina por todos os papais noéis de Shopping brasileiros, que derretem durante o mês de festividades no nosso típico clima de verão)

A Delirium Noel (na realidade, Delirium Noël, assim, com trema, olha que gostoso!) é uma Strong Dark Ale, forte como o nome diz, mas com um toque azedinho de frutas vermelhas, bem leve e encoberto pelo amargor do lúpulo e o caramelo torrado. Ainda, um tanto condimentada. Uma belga que traz a sensação de Nostalgia – e que me encaminha para ter provado todas da família Delirium. Cerveja de alto teor alcoolico como toda Delirium, tem 10% de ABV.

Acompanhando a ceia de Natal, logo após a meia noite, um suculento prato de inúmeros itens natalinos, com passas e castanhas mil, uma BrewDog especial: a There is no Santa. No rótulo, um texto que traduz o espírito natalino e irônico da cervejaria:
“Hark! A limited edition seasonal stout brewed with cocoa nibs and ginger stems. In the true spirit of Christmas ’cheers’ we at BrewDog have taken it upon ourselves to create a Santas’s little helper for all those battling through the festive season. Our crack team of elves, penguins and red nose raindeer have been crafting, brewing and perfecting this warming winter stout as a reward for all those driven to the brink and back in the name of Noel. Now all you have to do is don that customary yule tide sweater and find a roaring open fire to enjoy it by. In fact this beer is so good, we specifically advise against sharing it with any chimney intruding, night time visitors. Oh and just remember, this BrewDog’s not for life, it’s just for Christmas.”

A cerveja traduz exatamente a sensação que tive no que considero fim da infância, quando descobri que Papai Noel não existia, não era invisível e não tinha dinheiro pra comprar tudo que eu queria. É amarga, o que hoje eu até gosto – na cerveja. Uma Stout bem sazonal, não é aquela cerveja que vou pedir em outra ocasião senão fazer brincadeiras com o nome. Embora seja MUITO boa, tem um quê de irreverente demais. Temperada, com o gengibre (que faz sucesso na temporada) bem denotado, acompanhado de outras especiarias como canela, baunilha e o peso do lúpulo, além do forte sabor do caramelo torrado, como qualquer Stout. Uma espuma tão densa que parece que seca. A farofa adocicada e o tender agradeceram.

Na tarde do domingo de Natal, almoço de família e mais um exemplar sai da geladeira. Aliás, minha família ainda não entende bem pra quê eu paro de comer pra tirar foto e nem com que propósito tem tanta cerveja “estranha” no meu quarto. Enfim... foi a vez da Christmas Porter, também uma BrewDog. Novamente, um texto interessante no corpo da garrafa, em forma de poema:
"An Ode To The christmas Porter:
Hark! The sound of hurried footspteps come
The countdown to Christmas has begun
The hijacked season of joviality
That's more about consumers than cordiality
Yet the Yuletide frenzy wasn't always this way
When a non-nanny state made you work Christmas day
Like the porters of London who toiled by the river
Continuing to graft with hands ass a-shiver
But whenever shift's end did begin to near
The porters would reach for theis namesake beer
So if the numb gnaw of winter has begun to bite
Or the wish lists of some are enough to cause fright
Just pick yourself up a reward as you go
And if you need an excuse, the porter said so." 

A Christmas Porter é uma versão da Alice Porter, que saiu de linha há algum tempo. Uma Porter de espuma densa – mas menos que a There is no santa - com cacau, raspas de laranja, gengibre e pimenta. Sim, pimenta, bem forte, bem sentida, bom colocada no rótulo e que chama atenção: chili. Aliás, o pessoal da BrewDog não para de inventar nas receitas das suas cervejas, que têm como características ser um chute no estômago de tão fortes. Esta dá até aquela travada na boca de tão amarga, tem um final seco, uma queimadinha leve na ponta da língua, o torrado característico das Porters e o chute da BrewDog. O que a faz muito boa!

O Natal acabou com a companhia de amigos em casa, rodeados de Heineken e Stella, e finalizando com aquele licor de cerveja comprado na Eisenbahn na Oktoberfest – o que, claro, vai virar um post. Um Natal agradável, cheio de surpresas, descobertas, presentes (entre eles as BrewDogs acima) e boas risadas. Ah, e muita, muita comida, mérito de Amélia, aquela que cozinha.

Ho ho ho!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Adiante, bela Austrália!

Austrália de costas largas, um azul intenso em seus mares e olhos e um sabor intenso. Austrália de amigos verdadeiros e uma companhia incomparável. Austrália de um sotaque carregado. Grande Austrália...

Sim, em um momento em que me pego perdida em grandes lembranças aussies, me pego provando uma Golden Ale australiana, a James Squire Golden Ale, a primeira cerveja australiana.

A cerveja tem uma história interessante: foi fundada por James Squire, um criminoso condenado por roubo diversas vezes enviado para o “Novo Continente” em 1785. Ele chegou a ser condenado anteriormente a vir para a América, mas serviu ao exército para evitar a punição. Porém, após roubar alguns galos e galinhas de um quintal, foi enquadrado no programa de transporte de presidiários para a Austrália. James é tido como a primeira pessoa a conseguir cultivar lúpulo no país naquela época. Morto em 1822, o funeral de James Squire foi, até então, o maior já realizado na colônia inglesa. Aliás, mais interessante ainda é saber que os presos eram enviados às colônias para povoar a região e para os ingleses se livrarem de criminosos na Inglaterra. Logo, haviam muitos condenados vivendo na Austrália. Novo!

Voltando à James, fundou a cervejaria que até hoje permanece artesanal, mesmo comprada por grandes corporações da região. Mesmo de mais de 200 anos depois, com seu rótulo old fashion com um toque de “feito à mão”, servida em garrafinhas afuniladas de 345ml. Comprada no quiosque da Mr. Beers por módicos R$18,00. A Golden Ale apresenta uma coloração caramelo-alaranjada bonita, âmbar, translúcida e uma espuma densa. Um aroma amadeirado, herbal, fechado, que já denota sua principal característica: o amargor, que impressiona, surpreende. Um lúpulo evidente, porém com um leve adocicado presente, bem característico das cervejas inglesas. Desce seca e maltada, com o final novamente amargo. O que não a faz ruim, de maneira nenhuma – eu gosto das amargas sim, equilibra a vida e remete àquelas lembranças.

É... Austrália de homens, sabores e histórias. Um dia eu escrevo de lá...

Cheers! (com sotaque bem carregado)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Natural de Pomerode, representando a Alemanha

Alimentar expectativas é arriscado. Mas quando estas são supridas... ah, nada melhor! Sim, eu nutri uma absurda expectativa ao ir para Blumenau, e por mais que sinta que fiquei muito pouco tempo, fiz o suficiente. Este é o terceiro e último post rendido pelos dois dias em terras pseudo-alemãs.

Na realidade nem falo do evento, e nem de Blumenau. Foi em Pomerode, uma cidadezinha meiga a poucos quilômetros de Blumenau, conhecida com a cidade mais alemã do Brasil,  que conhecemos a Cervejaria Schornstein. Fundada em junho de 2006, está sediada em um prédio tombado pelo patrimônio histórico, com cerca de 50 anos de existência e que tem uma chaminé de 30 metros de altura toda de tijolos maciços (por isso a referência logomarca e no significado do nome da fábrica). Tem ainda uma segunda fábrica na cidade de Holambra, em São Paulo.

Na fábrica em Pomerode, visitamos o bar da fábrica, o Schornstein Kneipe, onde servem petiscos tradicionais da culinária holandesa e alemã e ainda sugerem harmonizações para cada tipo de chope. Um pão fascinante e porções muito apetitosas e bem preparadas.

Ao chegar, pedimos o menu degustação, com os cinco tipos de cerveja que fabrica: pilsen natural, pilsen cristal, weiss, pale ale, bock e imperial stout.

A mesa, composta de 5 adoradores de cerveja foi unânime ao eleger o chope pilsen natural não só o melhor do local, mas o melhor da viagem. Foi então que vimos: uma torre de chope natural a caminho da mesa vizinha e não hesitamos. O chope é denso e encorpado, espuma densa, de cor mais turva. Um forte gosto de fermento, pouco  - bem pouco – amargo, talvez porque o lúpulo não se faz presente. Mais um excelente exemplar que segue a Lei da Pureza alemã (aquela...), uma cerveja de atributos tão naturais como aquela que a apresenta!

Sim, encontramos a cerveja perfeita! A perfeita para celebrar, comemorar e depois relembrar uma viagem curta mas sensacional.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

De rosa e de 11, Catarina também comemora!

Onze.

Meu número, e hoje ainda mais. Meu aniversário.

E pensando em números, pensei em cerveja. Não, não existe uma cerveja de rótulo 11. Existiu, mas foi retirada. Mas existem tantas outras que até marcaram passagem aqui pelo blog. Entre elas, dois exemplos:

A 1795 foi a primeira cerveja que, então Renatinha e eu, tomamos no Melograno, de onde veio toda a ideia do blog e da busca que persiste – mesmo apesar dos pesares.

Ontem, na exata virada comemorei com um amigo querido – desses novos que a vida nos presenteia – com uma 1906. Cerveja que me marcou num evento entre amigos.

Números e sabores. Números e cheiros. Números e cores.

Por isso, minha cerveja especial de aniversário, por razões emocionais e, para quem me conhece, até obvias, é a Hoergaarden Rosée.

Hoegaarden porque é Hoegaarden e das mais simples cervejas, uma das favoritas.

E Rosée... como eu disse, quem me conhece sabe que tenho rosas desde o pé até no meu registro de nascimento.

Este exemplar colorido da querida Hoergaarden nada mais é que a cerveja branca com adicional de framboesa. Doce, frutada, uma típica fruitbeer. Deixa o toque rosa com seu creme salmão, o sabor doce e ainda, uma certa cremosidade que impressiona. Sem amargor nenhum, uma companhia perfeita para, quem sabe, um bolo de aniversário ou qualquer outro tradicional docinho da data.

Feliz, de aniversário a Hoegaaden, hoje comemoro uma fase muito boa da vida. Foi em 2011 que a paixão por cerveja floresceu, e tem crescido a cada dia, a cada rotulo, a cada novo amigo que esta nova “empreitada” me traz.

Em 2011 eu conquistei mais do que só mais um ano de vida. Foram incontáveis cervejas, incontáveis risadas, icontaveis boas companhias. Agradeço a todos que participam e me ajudam nesta busca da cerveja perfeita!

E é hoje, no dia 11, uma garota 11, que eu falo de mais uma no hall das favoritas. Rosa.

<:)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ein, Zwei, G’sufa... Oktoberfest!

(um, dois, beber... Oktoberfest!)

Existem coisas, pessoas e oportunidades na vida que a gente arranja motivo pra não deixar pra trás. E a Oktoberfest foi uma delas. Na realidade eu até agradeci por ter “postergado” a oportunidade de ir na Oktoberfest. Ano passado surgiu a vontade e o convite, que eu acabei passando. Ainda bem, porque este ano as coisas tinham um brilho diferente. Uma vontade diferente, um interesse diferente. E que bom, a mesma companhia!

Muita coisa tem acontecido ultimamente, eu ganhei novas companhias sensacionais, mas perdi algumas que ainda machucam. No final de semana em Blumenau, duas pessoas fizeram uma falta irreparável, por dois motivos diferentes. Mas é a vida, a gente não tem controle sobre o sentimento dos outros, né? Mal temos sobre os nossos...

Enfim... um final de semana de guerreira, como ouvi dos amigos. De anjo à alemã, de uma festa à fantasia em Santos na sexta-feira à Blumenau, passando por São Paulo, Navegantes, ônibus, taxi, avião. Nem eu sei como cheguei... Mas cheguei, e logo nossa visita no sábado à fábrica da Eisenbahn estava já agendada para as 16h. 5 grandes apreciadores de cervejas e petiscos, pedindo todo o arsenal do cardápio antes mesmo da visita à produção.

Touquinhas à postos, e a Amanda já começa seu discurso, mostrando maltes, lúpulos, cerais, explicando o passo-a-passo da velha produção de cerveja, barris, toneis, fermentação... aquele roteiro que todo cervejeiro A-D-O-R-A. No fim, fotos, fotos, e nossa prova da cerveja recém produzida. E, claro, a compra de souvenirs, onde eu me acabei com exemplares de Eisenbahn Oktoberfest e ainda um Licor de cerveja, que vai ser tema de um post futuro...

 
Inspirada na Oktoberfest de Munique, que ocorre há 200 anos, nossa versão brasileira é a maior festa alemã das Américas, com sua primeira edição em 1984 (quase a idade da Catarina!) e até hoje faz de Blumenau o principal destino turístico de Santa Catarina no mês de outubro. Embora o mote principal seja a cerveja, a Oktoberfest é folclore, tradição e cultura, com muita música, comidas típicas, danças e paradas com os costumes alemães preservados pelos imigrantes desde as formações das colônias vindas da Europa para o sul do Brasil. Em suas 26 edições mais de 17 milhões de pessoas já passaram pelo Parque Vila Germânica, ou seja, uma média de um público superior a 700 mil pessoas por ano.
A Oktoberfest original – uma das pretensões de viagem em curto prazo de Catarina - começou em 12 de outubro de 1810, quando o Rei Luis I, mais tarde Rei da Baviera, casou-se com a Princesa Tereza da Saxônia e para festejar o enlace organizou uma corrida de cavalos. O sucesso foi tanto, que a festa passou a ser realizada todos os anos com a participação do povo da região. Em homenagem à princesa, o local foi batizado com o nome de Gramado de Tereza. A festa ganhou uma nova dimensão em 1840, quando chegou a Munique o primeiro trem transportando visitantes para o evento. Passaram a ser montadas barracas e promovidas várias atrações. Neste local apareceram também os primeiros fotógrafos alemães, que ali encontraram um excelente ambiente para fazerem suas exposições. A cerveja, proibida desde os primeiros anos, só começaria a ser servida em 1918. Logo depois, os caricaturistas já retratavam a luta pelos copos cheios de cerveja e pela primeira vez pode-se apreciar nas telas dos cinemas a festa das mil atrações. Por consequência das guerras e pela epidemia de cólera, a Oktoberfest deixou de realizar-se 25 vezes. De 1945 até hoje, aconteceu ininterruptamente. Atualmente, a Oktoberfest de Munique recebe anualmente um público de quase 10 milhões de pessoas. O consumo de cerveja chega a 7 milhões de litros. (fonte: www.oktoberfestblumenau.com.br)
 
À noite, o evento, na Vila Germânica, e Catarina produzida com os costumes alemães não se continha. Um longa fila, uma longa espera, um evento lotado. E muita, MUITA gente bonita. Mais precisamente mulheres bonitas. Claro né, o sul e suas garotas aspirantes à modelos, seus olhos, peles e cabelos claros, seus biótipos de dar inveja à muita paulista. (Aqui cabe: não à mim, se tem uma coisa que faz parte do meu conjunto hoje em dia é a autoestima. Bora que o público é vasto gente...)

Música típica, comidas típicas, shows e atrações, muitas tendas das cervejarias locais, entre elas a Cervejaria Schornstein (um post futuro falará sobre a proeza do seu chopp natural), a Eisenbahn, de onde eu mal saí de perto, e minha primeira aquisição: o valioso caneco de chopp de 1 litro com o cordão característico. Fundamental. Foram 10 fichas de R$4,50, 10 chopps, e nem todos consumidos. Foi um sufoco vender as fichinhas no mercado clandestino e, na desistência, o erro: chopp de vinho. Foi neste momento que eu ouvi do Chefe Ali: “Catarina, você era meu orgulho, agora eu tenho vergonha de você.” 1,5litro de chopp de vinho e uma ressaca fenomenal no dia seguinte me lembraram que não importa quão cheiroso e convidativo o chopp de vinho pareça, ele é MUITO traiçoeiro. Sim, este eu digo com veemência: NUNCA MAIS.

Já quase na porta, debaixo de forte garoa (que a paulista que vos fala leva pra onde quer que viaje), um tropeço: um quiosque da AMBEV e a minha, a nossa, amada Hoeggarden. Justo no final, pela quantia de R$8,00 a “garrafa”. Também havia Stella Artois, Brahma (oficial) e muitas e muitas outras marcas do precioso líquido que adornava o evento com flores.

Hora de ir embora, que pela graça do horário de verão, tivemos uma hora a menos de evento. Cinco horas da manhã, e uma longa estrada nos esperava no dia seguinte. Que só não era mais longa que a minha estrada, que a cada cerveja, cada evento e cada pessoa que conheço, se mostra maior e bem mais interessante.

Na próxima semana: Einsebahn Oktoberfest, ainda em clima de folk germânico.

Ein Prosit!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sexo, cerveja e acepipes

Hoje que eu parei pra pensar no significado do dia. Dia do sexo – 06/09 – véspera de feriado. Todos interligados, afinal, tire os zeros e surge a posição que data o dia de hoje. Aproveite a noite e descanse a “quarta de cinzas”. Use a desculpa do clima de véspera e saia para beber e angariar sua companhia para o evento especificado...

E sair para beber quase sempre significa beber cerveja! Mas o segredo hoje não é a cerveja – que se consumida moderadamente também ajuda a despertar a libido (e perder a vergonha em alguns casos), é o acepipe.

Por isso hoje eu não falo de Devassas, Tchecas, Stellas ou Delirium. Falo do AMENDOIM. Sim, nosso amiguinho amendoim, que mais que amigo é parceiro. Um acepipe que agrada a todos, nunca falha e nem deixa falhar.

Um dos alimentos afrodisíacos mais populares e acessíveis, é rico em vitamina B3, contribui para vasodilatação sanguínea aumentando a libido. E nada melhor do que uma mulher com sua libido turbinada, não é? Ainda, o amendoim tem a fama de ser um forte remédio na luta contra a impotência masculina, com a ajuda das vitaminas do Complexo B e o aminoácido arginina, que promovem a produção de hormônios sexuais e evita a impotência sexual.

Portanto, gatos e gatas que pretendem comemorar a data com grande estilo, escolham seus melhores rótulos e estejam munidos de amendoim, camisinha e uma boa companhia!

Muita Saúde!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ah Moleque!

I Beer Experience
 Um sábado chuvoso, de muito trânsito em São Paulo, e um compromisso que por mais que tivesse motivos para não ir, não poderia deixar de presenciar: o I Beer Experience, que aconteceu no último sábado.

Foram 28 stands, de cervejarias e empórios, oferecendo os mais variados tipos de cerveja, ao som de Velhas Virgens e Blues on the table. Velhas Virgens inclusive com sua cerveja própria.

Vou confessar: esperava algo diferente. Pedir as cervejas estava complicado, a “casa” estava cheia. Tive a impressão que tudo era puramente comercial. Não conseguia conversar com as pessoas nos stands, era tudo muito rápido, não podia ficar com as garrafas (como se isso impedisse Catarina de fazer qualquer coisa né) e as melhores cervejas se esgotaram bem rápido. Tanto que deixei de lado todo o apelo cervejeiro e resolvi curtir com os amigos a área de descanso. Tantas cervejas me deixaram meio aérea.
Mas, críticas à parte, sim, tive novos sabores, uma grande favorita, cervejas de todos os tipos e inclusive uma excelente surpresa pessoal. Além claro de barganhar a taça da Estrella Galicia. Catarina com seus sapatinhos amarelos e seu sorriso doce conquista! :D
Vamos às duas favoritas:
 
Madera
Mais pelo trocadilho mesmo! Depois de algumas muitas cervejas, era divertido pedir “uma madera”. Realmente não esperava a surpresa. A Madera,  da nanocervejaria Brix de Piracicaba (SP) é uma old ale maturada em barril de carvalho – e todos sabem, eu gosto desta história de maturação e envelhecimento, enquanto ainda não é comigo. A Madera, com seus 9% de teor alcóolico, é extremamente maltada e encorpada, com um toque frutado bem leve. Excelente cerveja, perfeita para dias frios e chuvosos com (ou sem) boa companhia. Vou repetir só pra constar: 9% de teor alcóolico, o que me fez deixar o evento com o velho TOC de não pisar nas linhas do chão. Tsc tsc.

Bacuri Beer – Amazon.
Sensacional é a palavra. E também a palavra bacuri, que rondava o evento e já tinha chegado à mim em dicas e sugestões dos amigos mesmo antes do sábado. Tanto que por vezes o estoque da cerveja se acabava, sendo reposto para alegria dos beers presentes.
A cerveja já foi vencedora do Prêmio Tecno Bebida Award no ano de 2002, mas seu lançamento oficial foi feito lá no Beer Experience, o que aumentava o zumzumzum em torno da receita desta cerveja: a Amazon Beer, cervejaria de Belém do Pará, utiliza frutos amazônicos na composição de suas cervejas. E nesta em especial era o Bacuri, que também significa “moleque pequeno” em expressões sulistas do Brasil. Já no norte, esta fruta exótica  e popular de polpa agridoce e mil e uma utilizações na culinária e até medicina, dá à Bacuri Beer um toque adocicado, leve e... é, inebriante. 
Cerveja de cor amarela bem clara, com espuma densa e um aroma suave de lichia, que eu adoro! No sabor, leve, muito leve, ligeiramente ácida . Ainda, um gostinho de biscoito no final, graças ao fermento. Mais uma que vai agradar muito ao paladar feminino, por ser leve e de baixíssimo teor alcoólico: 1,8% apenas. Aliás, fato comprovado: segundo pesquisa do bar da fábrica da cervejaria, 72% do público que consome o chope da Bacuri Beer é feminino. Ah Mulheres!

Não sei se a vontade que sinto agora é de tomar outra Bacuri Beer ou de enfim provar a fruta, que desconheço.

Enfim, Beer Experience deixou sua marca. Espero muito que cresça e seja seguido por muitas outras edições, ficando cada vez melhor e mais bem frequentado. E quando eu digo “deixou sua marca”... calma, não é pra valer! ;)

Valeu Beers!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A cerveja perfeita existe!

Assim como o homem perfeito, o presente perfeito, o trabalho perfeito... todos eles existem. E tolo daquele que acredita que tudo é apenas ilusão. Porque o perfeito está dentro da gente, é visto apenas pelo nosso olhar. Pelo olhar do sonhador. Sim, porque o sonhador não se priva, não se limita, não se conforma; se existe mais, se existe melhor, busquemo-lo. Nem que isso seja a última e única coisa que façamos na vida.

Mas, para encontrar o perfeito, precisamos conhecer até mesmo o oposto daquilo que julgamos perfeito. Aquilo que nossos sentidos abominam. Aqui, no caso, falamos do paladar, mais precisamente o feminino. E sejamos honestas... poucas mulheres se rendem ao amargor.

Eu acredito sim na existência da cerveja perfeita. Mas ela definitivamente não é a Perigosa.

Um rótulo que chama atenção, por uma peculiar razão autoexplicativa. Sim, veneno. E a Perigosa Imperial IPA Stout primeiramente de fato se chamava “Venenosa”. Mas foram obrigados a trocar o rótulo. Cabível, vai que alguma criança que resolveu tomar veneno acaba por se embriagar com cerveja...

Então a Perigosa, vendida em simpáticas garrafinhas de 330ml (algo nela tinha que ser simpática), é uma IPA da cervejaria Bodebrown, de Curitiba. Chegou ao mercado este ano, e por mais amarga que seja, é muito bem recebida. Tem um aroma intenso, frutado até, o que inclusive se presencia no sabor, um leve toque de frutas tropicais. Manga foi a fruta citada na mesa. Ainda soma com o leve caramelado e a presença firme do lúpulo. No final, puro amargor, cortante, longo, intenso. De puxar o céu da boca e te deixar com cara de quem comeu banana verde. Pra quem gosta de cerveja amarga, um “copo” cheio! Pra quem prefere uma cervejinha de trigo com banana... bem, você fez o pedido errado.

E eu como sonhadora, mesmo passando por cervejas amargas, sem gelo, sem espuma, servidas de forma errada, continuo aqui, dizendo: Sim, ela tem que existir! Eu não posso deixar que um amargor mais intenso, que um erro na escolha do rótulo ou que um custo mais caro de vez em quando apague o brilho do meu propósito de encontrar a cerveja perfeita e me impeça de seguir adiante. As pessoas são diferentes, as cervejas são diferentes, esta é a regra básica da vida e dessa busca. O que nos resta é aprender como tirar o melhor proveito de tudo e lidar com estas diferenças, de maneira a ter grandes relacionamentos na vida e incríveis cervejas na memória.

Se eu comparar a busca da cerveja perfeita à busca do homem perfeito acima citado, comparo a Perigosa com um antigo relacionamento malsucedido. Desceu ruim, mas você sabe que no próximo rótulo pode estar a perfeição. Ou não.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja"

Esta semana recebi um email de um amigo me questionando qual era a dúvida de que ele pudesse curtir Mulheres e Cerveja... Vou explicar: Catarina é uma garota das redes sociais. E ela não descansou enquanto não fez, enfim, a página do Mulheres e Cerveja no Facebook, e sugeriu então a página aos amigos. Daí o "Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja" que ele me questionou. "Qual a dúvida de que um homem não vá curtir Mulheres e Cerveja?", ele perguntava... Na realidade não criamos antes porque tínhamos receio de não conseguir alimentar a página por falta de tempo e deixa-la obsoleta. Afinal, temos que trabalhar, AINDA não vivemos de cerveja! Acessem e curtam também nossa página bem no estilo facebook.
 



Além da movimentada vida social-virtual, nesta última semana foram nada menos que 10 novos rótulos provados. Dez. Na realidade, em dois dias, quinta-feira no Café Elétrico, onde Renatinha exigiu minha presença para provar a Basement e na empolgação e no calor da conversa - coloca-la a par de 30 dias de viagens e detalhar todas as peripécias - foram mais 5 garrafas e domingo, mesa repleta de homens e mulheres pós-samba, no Empório Alto dos Pinheiros, onde desta vez eu fazia questão que ela provasse a Delirium Tremens - ela e outros 5 amigos e novos amigos que se esbaldaram com mais outros 5 rótulos.

Haja fígado e dinheiro, mas tanto esforço sempre vale a pena. A especulação sobe o sabor da cerveja, dividir com homens nossas impressões, o olhar de aprovação após o primeiro gole... são todas sensações impagáveis que nos fazem cada vez nos aprofundar na busca da cerveja perfeita!

Enfim, a escolhida da semana, primeiro porque tanta insistência na visita ao Empório se deu por ela, sugerida pelo Chefe Ali, e segundo porque em 4 de agosto é celebrado o Dia da IPA, é a Brooklyn East India Pale Ale.

A Brooklin East é uma cerveja da americana Brooklyn Brewery, no estilo IPA, aquela do tipo especialmente fermentada, lembra? Pois bem. Cerveja esperada e muito bem recebida. A começar pelo aroma: herbal. No sabor, o amargor de uma IPA, com a intensidade do lúpulo e uma finalização de ervas sensacional. Aliás, sensacional é a palavra. Sim, IPA é amarga, mas a Brooklin East tem uma formula bem balanceada, que denota tanto o aroma de ervas, o amargor do lúpulo e o adocicado malte caramelo. Uma coloração mais escura, âmbar porém cristalina. Sua aparência e sabor nada se identificam com a simplicidade de seu rótulo verde e vermelho, em garrafa long-neck.


É difícil escolher uma cerveja perfeita entre tantas em tão pouco tempo. Foram mais da Colorado, da Abadessa, uma garrafa muito bem dividida de Delirium, cervejas de trigo, com frutas, amargas e até mesmo muitas latinhas de Itaipava e Skol. Sim, porque samba que é samba pede lata de cerveja na mão.

Por isso, vamos repetir a(s) dose(s) em um próximo fim de semana, talvez com a mesma companhia de risadas, impressões positivas e devoção pela cerveja, pelo samba e pela boemia, com o perdão do trocadilho!

E um brinde especial ao tremoço!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos, amigos, cervejas fazem parte!

(Post a 4 mãos)
 
São seis os amigos mais famosos do mundo. E são inúmeras as vezes que os vimos sentados diante de uma única protagonista: a cerveja.

Durante 10 anos – e pasmem, que acabaram há 7 anos – acompanhamos as piadas, tragi-comédias, amores, dores e neuras de 6 pessoas tão comuns quanto nós mesmos. Rachel, Monica, Phoebe, Ross, Chandler e Joey fizeram nossas noites mais agradáveis e hilárias. Seus quotes já são imortais, como o famoso “How you doing” de Joey, ou o “Could I be any...” de Chandler, isso claro, sem contar nos trejeitos e olhares de Ross. Tanto a dizer sobre eles, Catarina e Renatinha são fãs incondicionais do seriado. A ponto de saberem de cor as falas e detalhes de cada episódio. E vêem e revêem cada um deles como se fosse a primeira vez.

Mas uma coisa notada recentemente por Catarina, talvez pela nova paixão adicionada à sua lista: a cerveja favorita, principalmente de Joey: Budweiser.

Sem muito o que explicar, bud lembra parceiro, best bud, como ele mesmo chama seu amigo Chandler (ele deu até uma pulseira para ele, the woman repeller!)

Hoje, no dia do amigo, falamos da Budweiser americana, aquela lager que está sempre nas geladeiras nos filmes e seriados e que por algum tempo só nos fez vontade por aqui. Por algum tempo porque o Brasil está para ganhar uma nova amiga. Sim, a Budweiser será lançada em breve no Brasil.

A Budweiser foi a primeira cerveja nacionalmente americana. Seu nome na realidade é inspirado num tipo de cerveja de um lugar chamado Budweis, em uma região distante do Império Húngaro, e em 1883 começou a ser pasteurizada e engarrafada. Sim, nossa Bud era um másculo e rústico exemplar de chopp. O que alias combina e muito com seu público, homens trabalhadores, macacões, mãos sujas de graxa, trabalho pesado e jogos tradicionais. Nada mais americano, nada mais cinematográfico. Como imagem visual sempre foi o ponto alto da Budweiser – tanto o rótulo tipicamente americano com suas cores vermelho, branco e azul – com seu poder distintivo comparável ao da Coca-Cola; os slogans “O Rei das Cervejas” e “O Produto Genuíno” transformaram a marca na cerveja mais consumida do planeta, inclusive com campanhas que fizeram história (inclusive fazendo parte da nossa história!).

Em 2008 a Inbev comprou a Budweiser, tornando-se então a maior cervejaria do mundo. E já que a Bud será então fabricada e comercializada por aqui, nenhuma data melhor para comemorar a notícia da chegada de uma nova amiga do que no dia do amigo. Mas oficialmente sua primeira aparição acontecerá no Preliminary Draw, evento da Fifa que acontece no Rio de Janeiro na última semana desse mês. E estará no mercado até o mês de novembro (informações da Ambev). Na publicidade ela será representada por ninguém menos que Nisan Guanaes, ou melhor dizendo, pela Africa.

Enfim, uma cerveja para ser bebida entre amigos, após uma longa jornada de trabalho ou mesmo em frente à TV na companhia de 6 amigos inseparáveis que elevaram a amizade a um novo patamar.

O mundo e os amigos nunca mais foram os mesmos após Friends e talvez uma nova revolução aconteça após a Budweiser. Afinal, quando se trata de estômago ninguém entende mais que o Joey.

So... How YOU doing?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Evolução

Às vezes há sinais claros de que somos seres em evolução. Nesse fim de semana do Dia das Mães, me dei conta disto analisando como os churrascos dos quais participo evoluíram.

Lembro de quando criança ver aquela churrasqueira pequena de ferro no quintal da casa de meu avô, comandada por meus tios que ou queimavam a carne ou a deixavam crua demais e regado por muitos refrigerantes. O cardápio era em sua maioria espetinhos de carne, frango e coraçõezinhos de galinha e havia muitos acompanhamentos  (maionese, vinagrete, farofa, saladas, arroz...).

Depois foram os churrascos no clube durante a pré-adolescência. Onde tudo era levado em isopores e nem os refrigerantes conseguiam ficar gelados o suficiente, imagino as cervejas. As carnes? Bom, nem um pingo de gordura, secas e meio esturricadas. Muitos bifes de contra-filé, linguiça e pães. Ainda bem que havia pão e muitos acompanhamentos, lembro que até tortas de liquidificador faziam parte do cardápio destes churrascos e a melhor parte para mim era a hora da sobremesa.

Mas então chegamos à adolescência onde os churrascos eram uma desculpa para beber muita cerveja com os amigos. A cerveja passa enfim a ser mais importante do que a carne. Ir em galera para o mercado e lotar o carrinho com muitos engradados da cerveja mais barata e quente que encontrássemos. Os garotos fazendo ares de entendidos ao fingir que sabiam o que faziam ao escolher a carne. Muitos espetinhos e apenas uma peça de picanha que seria sufiente no máximo, para metade dos convidados.

Nada de acompanhamentos, apenas pão. E claro que a cerveja nunca tinha tempo de gelar, era consumida quase que imediatamente à chegada no local do churrasco que passa a ser conhecido intimamente como churras. Definitivamente, só iríamos nos preocupar com a cerveja quente e ruim quando acordássemos com muita dor de cabeça e então faríamos a clássica promessa de nunca mais beber na vida, pelo menos até o próximo churras...

Mas a gente cresce, evolui, aprende. Aprende a fazer churrasco e a beber, e assim não há mais razão para falsas promessas. 

O churrasco de ontem, em homenagem às mães presentes (mãe, te amo) tinha no cardápio: picanha suína, picanha de cordeiro, e costela no vapor. Todas as carnes compradas em um açougue de confiança e previamente marinadas. Salada, e alguns molhos para a carne. E claro regado à muita Norteña gelada.

Chega de cerveja ruim e quente e de carnes mal preparadas.

A Norteña é uma american lager uruguaia que possui uma das melhores relações custo benefício, em minha opinião, além de ser facilmente encontrada.

Leve, refrescante e de amargor suave, combina perfeitamente com churrascos onde você quer aproveitar os sabores na companhia de pessoas queridas.

Em seu rótulo a Norteña declara representar o "Orgullo de nuestra gente, esta noble cerveza es elaborada en base a las más selectas cebadas del litoral".

Para mim, a Norteña ontem representou o orgulho de evoluir. Saber que podemos melhorar a cada dia. A começar pela qualidade da cerveja que consumimos nos momentos especiais.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Porter x Stout - a missão de uma resposta

Sentadas no pub favorito, 4 mulheres e um único homem sentado à mesa que se surpreendia com as mil e uma histórias de cerveja. Depois de um rico cardápio desbravado, desde a nossa querida cerveja de bacon - sucesso sempre - à boa e velha Guinness, passando por cerveja com mel, London Porter e outras tantas e simples long necks de Heineken, o amigo nos põe à prova: "Qual é então a diferença entre Porter e Stout?".

As mulheres se entreolharam. Afinal, na teoria, são cervejas similares, na prática e no gosto, diferenciam-se por tênues detalhes. Como explicar?

Prometemos uma resposta melhor que um "não sabemos" aqui no blog. Depois de pesquisas, finalmente ficou - um pouco mais - claro: quase não há diferença notável.

A cerveja Porter (ale - alta fermentação) é típica da Inglaterra, surgida fruto da prática de se misturar duas ou mais diferentes cervejas para se tirar uma pint. Dessa mistura, as cervejarias começaram a produzir a versão comercial - conhecida como Entire (inteira) - que ficou popular entre os trabalhadores dos portos locais. Este estilo ficou então conhecido como Porter: "do porto". Amarga na medida, é a cerveja que mais harmoniza com sobremesas à base de baunilha e - sim - chocolate. A Fuller's London Porter representa muito bem esse estilo, sendo conhecida como a cerveja Porter mais elegante do mundo.

Já a Stout nasceu da família da Porter e também vem das terras frias. Na realidade, a Stout foi, por muito tempo, considerada um estilo de cerveja Porter, até que através da Guinness as Stout Porter adquiriram tanta personalidade que passaram a serem classificadas apenas como Stout, e foram divididas em 6 estilos:  Dry Stout, Oatmeal Stout, Sweet Stout, Tropical Stout, Russian Imperial Stout e American Stout. O carro-chefe das Stouts é a (sagrada) Guinness, que é do estilo Dry Stout, sendo seca e bem encorpada - quando bem tirada, claro.

Visto que uma "nasce" da outra, vemos a sutilidade da diferença. As Porters mais fortes ganharam uma nova categoria de Stout - o que, hoje nem é mais via de regra, já que temos, dentre os variados estilos de Stouts cervejas tão suaves quanto as Porters. Por isso, apenas como regra geral, sujeita a muitas exceções, podemos entender que as Stouts tendem a ter um caráter de malte torrado mais evidente e que as Porters tendem a ser um pouco mais doces em relação às Stouts.

Eu, Catarina por conveniência, diria que a Stout é a costela da Porter como Eva era a costela de Adão: uma é teoricamente mais forte que a outra, mas no fundo as duas são feitas do mesmo barro e são igualmente complexas. E fascinantes.

Da mesa de bar a dúvida veio. Na mesa de bar ela se cessará.

Cheers!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

milnovecentosebolinhas

Para quem conhece a Catarina, sabe que festa e badalação é com ela mesmo. Para quem conhece sua real personalidade, sabe que ela também gosta de calma, paz, amigos, passar uma noite de sexta-feira rodeada por fotos, histórias da adolescência, fatias de pizza e amigos queridos.

Inaugurando o recém-comprado apartamento de um casal de amigos, fui responsável por nada menos que... a cerveja! Claro. E seria uma tarefa difícil, porque todos ainda me olhavam com aquela cara de “ela acha mesmo que entende de cerveja?”. Conhecendo os amigos como bem conheço, já sabia até os sabores de pizza que seriam pedidos, e então, antes do evento, fui ao mercado comprar as perfeitas cervejas que surpreenderiam na harmonização e abalariam as premissas dos homens da casa – meu real intuito.

Confesso que buscava uma cerveja conhecida (Hoeggarden) para dividir com os amigos um exemplar do meu hall de prediletas. Mas não a encontrei. Então apelei para algumas Leffes – as 4 últimas da prateleira - e fiquei rodando pela gôndola do supermercado, em busca de uma boa opção. Me deparei com a 1906 – Reserva especial, uma espanholinha (temos falado muito delas ultimamente não?) com rótulo simples, cara de cerveja rústica e um preço muito chamativo: R$2,89 a unidade. Arrisquei, levando 2 packs de 6 unidades (ah, mulheres exageradamente consumistas!)

Ao chegar, deixar a cerveja para gelar  (no freezer ultramoderno da anfitriã, que programável deixou as cerveja nos exatos 5C sugeridos em 1 hora) e conversar amenidades. A Leffe Blonde foi o primeiro sucesso da noite: um dos amigos não a bebia desde seus tempos em Nice – França, e ele a adorava! Ficou extasiado, a bebia relembrando seus tempos de estudante. Enquanto os homens da casa ouviam inebriados as histórias das cervejas, as outras mulheres tomavam vinho e falavam sobre roupa e maquiagem.

Pizzas a postos, geladeira apitando, retirar a tampinha da garrafa com cuidado – os donos da casa fazem arte com elas. E fui eu a primeira a abrir a 1906. Homens me olhavam. Aprovei. Ofereci. Se entreolharam. Aprovaram. Brindamos. Sucesso.

A 1906 é uma cerveja estilo Vienna Lager, da Cervejaria Estrella Gallicia, que foi criada para comemorar o centenário da fundação da cervejaria. As Viennas vieram da Áustria, sumiram por um tempo e foram meio que ressurgidas depois de quase 2 séculos. Voltou até que com força, principalmente entre as cervejarias hispânicas. Tem um aroma que lembra um pouco o milho – que de fato faz parte da formulação – mas impera o sabor e aroma do malte tostado, que deixa um sabor de caramelo no ar, pouco amargor, e, de acordo com uma das mulheres, um sabor defumado. Bem licorosa e adocicada, mas com uma finalização mais amarga.


Sim, a 1906 é uma cerveja especial, embora existam outras tantas, mas para mim será sempre aquela que mudou a impressão dos homens da casa em relação à essa minha nova paixão. Se eles achavam que eu era apenas mais uma mulher disposta a beber, perceberam que eu sou, na realidade, apenas mais uma mulher disposta a beber BEM!