Mostrando postagens com marcador Chocolate. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chocolate. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Muito amor envolvido

Dia dos namorados. A gente sabe que a data aqui no Brasil é puramente comercial, pré-evento do Dia de Santo Antônio – que já me ajudou na vida, ou não – mas que a data pesa, ela pesa! Mundo todo comemora em fevereiro, e isso acaba sendo a grande desvantagem da globalização. Solteiros viajantes sofrem em mais idiomas. Casados e relacionados gastam em duas moedas. 

E a sexta-feira hoje será quente! Jantares românticos à vista,  a propaganda do Boticário bombou – e o Egeo vendeu como nunca por puro recalque de consumidores que vestem a causa, como eu. E hoje, no kit presente romântico, vai uma cerveja mais que perfeita. Perfeita porque começando pelo rótulo, dispensa cartões e declarações: I love with my Stout. Se eu amo com a minha stout, é muito amor envolvido.

Acompanhando os textos desde 2011, sabemos que Stout é um dos meus estilos favoritos. Logo, é muito amor envolvido.

E quem declara amor com cerveja... meu amigo, minha amiga. Isso é muito amor envolvido.

Ainda sobre a perfeita, a “Love” (para os íntimos) é da EvilTwin, cervejaria dinamarquesa dona de rótulos incríveis e de receitas irreverentes – além de nomes fora do comum. Seu nome, “gêmeo diabólico”, vem do fato de o fundador, Jeppe Jamit-Bjergsø, ser irmão gêmeo de Mikkel Borg Bjergsø, fundador da Mikkeler, outra cervejaria dinamarquesa famosa. Então, uma certa rivalidade nasceu para criarem as receitas mais diferentes. Ruim pra eles, ótimo pra gente que se beneficiou da rivalidade fraterna! Ambos têm o mesmo esquema de produção: são cervejarias ciganas, ou seja, não têm fábricas e fazem suas brassagens mundo afora, com outras cervejarias parceiras, inclusive no Brasil. Como Jeppe mora em NY, a Love foi foi produzida na Two Roads Brewery de Connecticut.

A Love é uma Imperial Stout, ou seja, mais alcoólica que as Stouts tradicionais, tem 12% de abv. Densa e encorpada, é negra e quase cremosa, lembra óleo de motor, porém opaca e com espuma também densa e persistente. No aroma, notas de cacau, baunilha, canela, caramelo. Parece doce como o amor (e como chocolate), com o álcool latente que inebria. Então, no paladar, o relacionamento se torna real: uma enxurrada de amargor que equilibra com as notas torradas de malte – queimadas. O doce chocolate se torna um “100% cacau”. Preenche a boca, com carbonatação perfeita, deixando um retrogosto de chocolate amargo. Notas de frutas vermelhas quando assenta no copo. Sabe o namoro e encantamento no o aroma e a realidade no paladar? O resultado é relacionamento sério no retrogosto: você quer mais.


Uma cerveja altamente recomendada para os beer-lovers, chocolate-lovers e os love-lovers. Harmoniza bem com chocolate – eu jogaria chocolate branco, pra quebrar e porque é meu favorito. Lambuzaria com sorvete, na orgia da fava de baunilha, e até, porque não, tomaria direto da pele do meu amor cervejeiro.

Cheers. E mais amor por favor.

sábado, 4 de abril de 2015

Sobre cervejas, chocolates e o preço dos Ovos de Páscoa.

A gente aqui, 18+, já sabe que o chocolate que faz o ovo de páscoa e o tablete é o mesmo, e por isso nos revoltamos tanto ao pagamos 528% a mais na mesma mercadoria em shapes diferentes. A não ser que falemos de um artesanal de colher, trufado ou feito pela avó, não vale MESMO a pena pagar R$24,90 em 180grs de chocolate, 2 bombons e papel alumínio.

Ben10, Peppa Pig, Barbie, Trakinas e tantos atributos pascalinos não funcionam mais com a gente. Mas que tal cerveja? Minha ideia para esta Páscoa: uma cerveja e um tablete de chocolate, divinamente harmonizados. Vale mais que qualquer ovão de Nhá Benta, acreditem em mim...

Chocolate e cerveja se conversam há tempos, afinal temos cacau na receita de tantas nacionais e até mesmo importadas, como a Brooklyn Chocolate Stout, a Yongs Double Chocolate Stout e Meantime. Chocolate harmoniza por semelhança com cerveja de malte torrado e por diferença nos casos dos brancos com as fruitbeers, por exemplo. Segue algumas dicas, todas de cervejas que já passaram por aqui – ou seja, perfeitas!

Os tradicionais:

Chocolate ao leite




Ah, mas é claro que eu escolhi um Lindor. Não é porque estou deixando o glamour dos ovos de páscoa eu quero pouco. Tem a cremosidade, o sabor de chocolate mais “limpo”, as bolinhas tem um tamanho ideal pra morder, bebericar e criar uma nova experiência de sabor! E, porque o chocolate ao leite é mais adocicado, sugiro a Young’s Double Chocolate Stout. A mistura do leite e cremosidade do chocolate e o torrado da cerveja vai dar um clima de Mocha no paladar. Algo entre o fantástico e o inigualável.
Dica 2: vale um Gold Bunny da Lindt tb. Eu me renderia...

Chocolate amargo / >70% cacau


“Gente mas ela só conhece Lindt?”



Acho chique, mas confesso que não é nem de longe uma opção pra mim. Cerveja para mim é amarga, chocolate doce. Tenho isso muito bem definido no meu paladar, rs! Mas para quem gosta, quanto mais cacau melhor. E para harmonizar, vamos atrelar o torrado do malte com o amargor do chocolate. A Wäls Petroleum é perfeita, porque além de ser maturada com cacau belga, tem um teor alcoólico alto, que causa sensação de aquecimento na boca e ajuda a derreter o chocolate.

Chocolate Branco


Meu favorito. E você vai me dizer que não é chocolate de verdade. Concordo, mas fazer o que? E quando você provar este Casino Chocolat Blanc talvez concorde comigo. Chocolate branco nada mais é do que um “creme de gordura e açúcar”. Sim, é. Mas harmonize então com algo que quebre esta gordura e balanceie o dulçor excessivo com a acidez e carbonatação, como uma fruit lambic ou fruit beer (uma mais ácida, outra mais doce). Como a minha favorita Früli parece que nunca vai vir pro Brasil, outra perfeita é a Hoogarden Rosée, com toque de coentro como sua madre witbier, mas com raspas de framboesas.

Os incrementados:

Chocolate Trufado

Como tem menos açúcar e rum na composição, porque não inovar? A perfeita Strong Ale Vintage Coopers é safrada e produzida com malte especial, maturada em barris de carvalho por 5 anos. Com seu teor alcoólico mais elevado e o sabor puxando para frutas secas, harmoniza com o sabor quase-que-alcoólico da trufa, e atenuando o amargor.


Chocolate com frutas vermelhas



Branco ou ao leite, as frutas vermelhas sempre se evidenciam nesta combinação, trazendo notas de morango, cereja ou framboesa. Para equilibrar o dulçor do chocolate e acidez das frutas, vamos de fruit lambic. A Timmermans Framboise é uma boa pedida, já que é maturada em barril de carvalho, ácida e com adição de framboesa in natura. O dulçor desta combina bem com o chocolate e deixa o todo equilibrado, doce como a vida. Ou ainda, para ir mais para a acidez e menos para o frutado, dando vez aos mirtilos - aquela frutinha quase preta quase roxa cheia de encantamentos - que tal a Sherwood Forest, Maiden's blueberry Ale?


Prestígio / Chocolate com coco


Coco. Nada mais a declarar. Pra quem gosta, nirvana. Pra quem não gosta, fiapo. Mas vamos alinhar aqui que a mistura Nestlé Prestígio deu super certo e já virou até ovo de colher beijinho – vale também pra harmonização.
Com coco a harmonização nunca é a mais fácil, mas vale uma do estilo inglês, envelhecida com esteres de coco queimado, mais licorosa e alcoólica. Assim, “de bate pronto” penso na Innis&Gunn, que provei em Londres e quando falamos de Scotch Ale é ela que corre na minha memória. Mas já que estamos falando de um chocolate querido nacional, vale provar com a Wee Haevy, da Bodebrown, que tá aqui na minha prateleira esperando alguém me dar um prestígio pra harmonizar.


Chocolate com avelãs


Nuts. Aqui a gente pode falar de amêndoas, nozes, avelãs, castanhas, amendoim. Deixa a língua mais lisa, engordurada – gordura boa – e um sabor mais terroso na boca, amendoado, acastanhado... Neste caso, a melhor pedida é evidenciar o sabor mas limpar a gordura do palato. Claro que a sugestão mais óbvia seria da Way Avelã Porter. Mas eu fui lá atrás nas anotações e encontrei a Madera. Uma Old Ale piracicabana de 9% abv, também maturada em barril de carvalho e de notas tão amendoadas quanto qualquer Talento.
---

Ok, então você decidiu mesmo que quer presentear com um ovo. Minha sugestão: meia-banda, pequena, de colher, harmonizada. Ainda fica mais barato que o Nestlé Classic.

Brigadeiro

A receita é simples, brasileira e inigualável. Dispensa apresentações e harmoniza bem com outra brasileira, claro. Por uma ironia e uma das minhas lindas, nunca escrevi sobre a Colorado Demoiselle – me retratarei em breve – mas acho opção mais que válida uma Baden Baden Stout. Por quê? Porque é chocolate e ponto. Acho que este tipo de doce e este tipo de cerveja dispensam explicações longas. #partiupaodeacucar

Nutella


É um creme de avelãs, ok? E sofro MUITO bullying por não morrer de amores por Nutella. Eu era apaixonada, mas acho que era trauma por não poder comprar. Daí, em Londres, comprei tanta Nutella na Poundland (versão grinda das lojas “tudo por 1 real”) que enjoei rude.

Bom, por ser um creme de avelãs, sugiro tanto as citadas nos chocolates com nuts acima quanto a minha querida Old Rasputin. Seca e amarga, mistura com a Nutella criando além de uma nova viscosidade, um sabor menos doce, mais torrado. Então, bullyers, podem me dar quantos potes de Nutella forem!

Limão


Doce de adulto, e ironicamente um dos meus favoritos. Azedinho, doce, cremoso, tropical. Geralmente gosto desta opção com chocolate branco, porque acho que os sabores se combinam melhor, mas é pessoal. E pessoalmente também sugiro uma Witbier, porque eu gosto da leveza dos dois. Mas acho também que uma Berliner Weiss Limão dá o toque da harmonização por semelhança perfeita, no cítrico, na acidez e no dulçor!

Nhá Benta

Não podia faltar na lista, e se você ainda não comprou o ovo e tá super a fim de uma filona na chocolateria mais famosa do Brasil (aviso: é nacional sabia?), vale colocar na sua cestinha uma Cream Porter. Porque o marshmallow é doce como açúcar, a gente não quer mais nada doce por aqui. Vamos balancear e criar a cremosidade perfeita em boca com a Way Cream Porter. Acho a mais válida, mas as Porters em geral seguram muito bem esta barra que é amar Nhá Benta na Páscoa...


De qualquer forma – barra, ovo, creme, de colher, na panela, no bolso – chocolate e cerveja forma uma dupla e tanto. Estas dicas valem pra Páscoa, para o bolo de aniversário, para a Festa Junina, Natal, sábado a noite em casal ou pra amenizar TPM. :)

Feliz Páscoa!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Petroleum, uma grande descoberta!

Sejamos honestas: eu arranjo motivo para tudo. Leia-se por motivos, desculpas, esfarrapadas ou lógicas, satisfações, porquês e quero-porque-queros.

E a páscoa – aquela que passou há quase um mês – foi o “motivo” que o amigo Robson do Empório Alto dos Pinheiros (sério, adoro ele, me cumprimenta pelo nome e sabe praticamente todas as cervejas que eu comprei lá) me deu para provar o lançamento da Wäls: a Wäls Petroleum. “Páscoa taí, gosta de chocolate? Então... esta aqui é a última recebida, lançamento da Wäls, conhece?". Até busquei no Google uma foto do Robson pra ilustrar. Preciso de uma foto com ele pra agradecer a atenção e as mesas rápidas em dias de superlotação!

Lançada oficialmente em 20 de março (e provada em 31 de março, ainda ‘quentinha’), a Wäls Petroleum é fruto de alguns anos de estudo e dedicação da microcervejaria mineira Wäls, que desde de 1999 se orgulha de trabalhar em uma produção ecologicamente correta, com sua própria estação de tratamento de esgoto, coleta seletiva e com sustentabilidade. Seus barris de maturação vieram da Escócia, de carvalho francês. Todo este cuidado e carinho renderam à cervejaria o título de Cervejaria do ano e a medalha de ouro para a Wäls Petroleum na Copa Sul-Americana de Cervejas no Festival Brasileiro da Cerveja (a cervejaria ainda levou ouro em outra categoria-chave, eleita a campeã no estilo Pilsen).

Fruto da parceria com a paranaense DUM, a Wäls Petroleum é uma Russian Imperial Stout, elaborada com diversos tipos de grãos escuros, com aromas de malte torrado, chocolate belga e toffee. Ainda, é maturada com cacau belga. Tudo isso rende à esta Stout – que todos sabem que é um dos meus estilos favoritos – uma textura aveludada num corpo escuro, combinando com uma espuma marrom, e um fortíssimo aroma, que sim, é de Páscoa. No sabor, uma surpresa agradável... o amargor é forte mas equilibrado. Não trava, desliza pela boca, é a mesma sensação de apreciar um belo chocolate belga, daqueles carregado no cacau, intensos. Posso dizer que esta está para um cervejeiro – zitolibador – assim como o chocolate está para a mulher. Não li uma crítica sequer a respeito da Wäls Petroleum, apenas descrições de experiências inesquecíveis. E o preço: R$23,00 por 360ml.

Perfeita! E quase feminina: seu corpo negro e sabor inebriante escondem seus 12% de ABV.

Vou repetir: maturada com cacau belga, caso isso tenha passado despercebido.

Como o próprio rótulo faz questão de enfatizar, uma grande descoberta (assim como petróleo, mas acho infeliz ter que explicar o insight do nome né?!). Se não fosse a queda do copo na mesa que me rendeu um corte bonito na perna... Mas ainda assim a experiência foi positiva e minha páscoa muito mais feliz.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Castigo

Esta última semana eu estava de castigo. Não, não era ajoelhada no milho, nem cheirando a parede, na verdade era bem pior. Eu estava proibida de beber cerveja.

Nunca 7 dias demoraram tanto para passar. Mas não foi culpa de mau comportamento, não. Foi apenas uma pequena cirurgia que me fez tomar uma tonelada de remédios como um antinflamatório que me deixou mais tempo dormindo do que acordada e um antibiótico que me tirava do sério.

Enfim, deixando os assuntos chatos de lado, só vou comentar que agora está tudo bem e já estou liberada para provar os mais diversos tipos de cerveja.

Bom, mas posso beber somente a partir de hoje, dia de postar no blog e não provei nenhuma cerveja durante a semana, como fazer?

Simples, se não posso beber eu como com farinha. Mais especificamente com farinha, manteiga e ovos.

Quer entender melhor? Que tal um bolo feito com nada mais, nada menos que cerveja stout? Sim! Justo a stout.

É, eu também achei estranho a primeira vez que li a receita, mas depois, pensando bem, cerveja e bolo tem lá suas semelhanças, a começar pelo fermento.

Resolvi arriscar e me surpreendi. Simplesmente divino. O melhor bolo de chocolate do mundo!

Fofo, saboroso... a stout utilizada na massa ficou muito sutil, mas presente. Para incrementar ainda dei um toque na ganache que usei de cobertura, colocando mais uma dose de cerveja. Sem falar das physalis usadas na decoração e que acrescentaram ainda mais um sabor ao bolo.

Ficou realmente incrível. Olha, em todo esse tempo de Gastronomia Doméstica eu confesso que nunca provei um bolo tão sensacional. Sem brincadeira, é o bolo da vida.

Foi de longe, a melhor surpresa da minha rápida recuperação, e claro, só podia ser culpa da cerveja. Ao prová-lo fiquei quase feliz pelo castigo que me obrigou a ser criativa e confiar na receita inusitada.

Se eu tinha alguma dúvida quanto à harmonização de stout com chocolate todas elas se foram logo no primeiro pedaço ainda quente. Definitivamente eles nasceram um para o outro.

Ainda bem que agora que descobri esta maravilha não preciso esperar por um novo castigo para repeti-la.

Segue a receita:

Coloque 100g de margarina de culinária e 1 xícara de cerveja stout em uma panela e leve ao fogo médio. Assim que a manteiga derreter acrescente 1 xícara rasa de cacau em pó. Deixe ferver e desligue o fogo. Reserve.

Em uma travessa peneire 2 xícaras de farinha de trigo, 2 xícaras de açúcar, uma colher (chá) de sal e meia colher (sopa) de bicarbonato de sódio.

Bata em uma terceira travessa 2 ovos, meia lata de creme de leite e o suco de meio limão. Devagar incorpore a mistura de cerveja e cacau aos ovos.

Aos poucos acrescente a mistura de farinha até formar uma massa homogênea.

Coloque em uma forma untada e leve ao forno previamente aquecido à 230° por cerca de 35 minutos.

Enquanto isso derreta 200g de chocolate meio amargo no microondas, acrescente duas colheres (sopa) bem cheias de creme de leite e uma pequena dose de cerveja stout. Misture até ficar bem lisinho.

Cubra o bolo com a ganache e enfeite com physalis (totalmente opcional, mas altamente recomendado).

Surpreenda-se!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Coelhinho da Páscoa o que trazes pra mim?

É Páscoa. Justamente por isto não tive como fugir de mais uma vez voltar à pauta mulheres, cerveja e chocolate.

Mas não, desta vez não vou falar de harmonização, mas de algo muito mais interessante e com resultados muito melhores. Cerveja de chocolate.

Mais especificamente, vou falar da cerveja stout que o coelhinho da Páscoa trouxe pra mim: a Young's Double Chocolate.

Nesta cerveja o chocolate não é apenas um detalhe mas sim um de seus ingredientes a lhe conferir sabor e aroma. Aliás, uma aroma perfeito de chocolate bastante intenso. Aquele que faz os olhos das mulheres piscarem mais rápido e brilharem de emoção.

Mas vamos do princípio. A Young's é uma cervejaria inglesa e seus primeiros passos registrados fazem referência a data de 1531, na cidade de Wandsworth e uma cervejaria chamada Ram (carneiro). Vem daí o símbolo da cervejaria Young's que pode ser visto em seu rótulo.

A Young's Double Chocolate é uma sweet stout, de coloração preta opaca e espuma bastante densa, bege escura, cremosa e de excelente duração.

Sobre o aroma eu já falei, mas não me canso de repetir, é de chocolate. Não só chocolate, também dá para notar de forma suave a torrefação, mas para sentir qualquer outro aroma deve-se abstrair a sensação proporcionada pelo chocolate.

Depois de cansar de sentir o inebriante perfume do chocolate  inglês Cadbury que compõe a fórmula da Young's fechei os olhos e parti para a degustação.

Simplesmente incrível. Sabor de café, o chocolate não é tão presente que não permita sentir a explosão de sabores que a cerveja lhe reserva, amarga na medida certa, sua textura é sedosa e seu sabor residual é de puro cacau.

Na minha humilde opinião é a Guinness feminina. Se dizem que a Guinness é uma refeição completa eu diria que a Young's Double Chocolate é a sobremesa perfeita.

Ou seja, prato principal para quem é de prato principal e sobremesa para quem é de sobremesa. A cerveja que melhor harmoniza com a Páscoa e sua grande orgia calórica.

Se a Páscoa é símbolo de renovação, posso dizer que com a Young's Double Chocolate renovei minhas esperanças de encontrar a cerveja perfeita. Cerveja que deixa o coração das mulheres felizes... assim como chocolate.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

É chocolate o que quero beber...

Tudo bem. Cerveja é cerveja, mas chocolate é chocolate.

Para mim a grande diferença entre a cerveja e o chocolate é que a paixão por chocolate tem início já na infância ao contrário da cerveja. A relação com a cerveja começa a ser construída mais tarde e deve ser trabalhada com carinho para evitar traumas e ganhar forças aos poucos para que desta forma seja uma paixão que nos acompanhe por toda a vida

Mas para mim, cada um tem a sua hora, chocolate na hora do chocolate (ou seja, quase o tempo todo). Cerveja na hora da cerveja (ou seja, quase todo o tempo livre).

Enfim, sendo duas paixões tão divergentes não foi à toa minha surpresa ao descobrir que poderia apreciá-las simultaneamente.

Na visita à fábrica da Baden Baden, vimos que a sugestão de harmonização da Dark Ale da Baden é com chocolate. Lógico que a curiosidade feminina me fez na mesma hora pensar em um cardápio onde facilmente seria encaixada uma sobremesa a base de chocolate para testar a harmonização.

A Stout é uma cerveja bastante encorpada, cremosa de coloração preta, sem reflexos e de espuma densa. Tem aroma marcante, adocicado como chocolate e também uma mistura de malte torrado e café. A torrefação do malte é que lhe confere um intenso amargor, com teor alcóolico de 7,5%. Uma cerveja muito bem feita e já reconhecida por isto, ganhou medalha de ouro na competição cervejeira European Beer Star Awards 2008, na categoria Dry Stout.

Então, mãos à obra. Cheguei em casa preparei um petit gateau (para quem se interessar pela receita: Gastronomia Doméstica) e abri a Stout para colocá-la à prova.

Realmente os sabores do chocolate e da Stout combinam muito. Fica sim, uma harmonização redonda, mas... Tive a impressão que a cerveja mata o sabor do chocolate, como se limpasse o paladar que ainda deliciava-se com o sabor residual do tão adorado doce de cacau.

Experimentar esta harmonização foi um ótimo pretexto para comer muito chocolate. Mas não adianta, mulheres às vezes simplesmente cismam com algo e por melhor que seja a cerveja e por mais que a harmonização funcione, para mim chocolate ainda só combina com chocolate. Ou no máximo com um vinhozinho do porto...