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terça-feira, 2 de julho de 2013

Pequenas Criações Australianas

Há quase quatro meses vivendo uma vida de australiana, começo a me sentir como uma. Por isso, conforme prometido, vamos falar de uma cerveja nata da Austrália Ocidental, ou WA, ou Perth...

Fui selecionada para uma entrevista para um "tasting team" de cervejas locais. Mandei meu currículo cervejeiro, contei minha história e hoje foi o dia da entrevista. Super informal, o assunto cerveja fluiu como sempre. Nada é melhor do que falar de cerveja. Falando de favoritas, me perguntaram das favoritas australianas, e me lembrei da nossa primeira australiana, a James Squire, que coincidentemente foi provada ainda no Brasil há algum tempo e fiz um post todo especial sobre ela, lembram? Ah as coincidências da vida!

Eis que, ainda falando de favoritas, nos vimos preferindo whitebeers, amando Hoeggarden e como um doce souvenir da entrevista, fui apresentada à White Rabbit, uma whitebeer da cervejaria Little Creatures, local de Perth. Melhor entrevista da vida: do lado de casa, clima informal e ainda ganhei uma cerveja. Se nada der certo, já saí no lucro! E como o perfil do trabalho é exatamente provar cervejar, já comecei agora...

A Little Creatures nasceu em 2000, fruto da paixão por cerveja de alguns amigos e uma ideia de uma cervejaria local que fizesse a mehor receita de pale ale. Com sede em Fremantle, bairro histórico de Perth, foi construída com o aval e participação de toda a vizinhança, e é um orgulho para o povo local. Hoje além a fábrica, conta com um enorme restaurante de onde as cervejas saem direto dos barris (gigantes) e um clima de pier-praia-marina no ar, já que a cevejaria fica muito próximo ao porto e no desemboque do rio Swan no mar. Uma delícia de lugar! 

A White Rabbit é de fato muito parecida com a Horggarden citada acima, mas sem o mesmo amargor (15 IBU), o que faz desta uma cerveja uma mais leve, doce e, podemos dizer, redonda. Cerveja de ABV leve (4.5%), longe de parecer com as whitebeers brasileiras, que comumente vem com traços de banana, esta mantem os traços de laranja e coentro, dando um toque herbal, cítrico e diferente no seu retrogosto, que conta ainda com berries. Uma bela exemplar da tradicional cerveja  branca belga, com um corpo amarelo opaco, bem sedimentada, vale uma beeeela chacoalhada no fundo da garrafa pra fazer valer todo o material. Uma cerveja refrescante para um dia ensolarado de vinte e poucos graus no inverno de Perth. Assim disseram os monges belgas que deram a receita - segundo seus criadores.


Ainda, não posso deixar de lado um detalhe, um pequeno detalhe, que deu a graça na garrafa de rótulo simplista, sem muitas informações mas com a graça necessária: gravado no vidro das garrafas de suas cervejas, um pequeno anjo, um cupido, que já tinha visto em algum lugar antes... ah boas memórias!!!

Cheers mate!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Blue Moon (now I'm no longer alone)


Sexta-feira de coincidências. É na hora do almoço, coincidentemente regado a cerveja (e que meu chefe não me ouça!) que escuto: “você viu que hoje teremos lua azul?” A conversa cruza. Enquanto uma pergunta o que é lua azul, eu começo a cantarolar alheia à vida real... “blue blue blue moon, you saw me standing alone” . Ninguém deu a resposta da lua azul, e eu continuei divagando... lembrei de uma noite, também regada à cerveja, uma nova amizade, daquelas que surgem do nada e viram pra vida, e búfalo wings num bar em Nova York, na minha primeira viagem a Big Apple... Vieram à minha cabeça a Fernanda, The Marcels, Frank Sinatra, a moça do tempo, o cara de cera do bar e logo depois Neil Armstrong. Quando voltei à mesa, a conversa já tinha mudado de rumo.

Mas na ordem, a lua azul... hoje teremos a segunda lua cheia do mês, a primeira foi dia 2 de agosto. Daí chamamos este fenômeno de Lua Azul. Por que? Porque um sujeito nomeou este fato de maneira errada e o termo ficou. Na realidade, essa expressão existe há pelo menos 400 anos, mas não como sendo a segunda Lua cheia do mês. Este significado nasceu de um erro ocorrido em 1946 e se tornou popular. Embora estranho, a lua já ficou azul de verdade algumas vezes... em 1883, com a erupção do vulcão Krakatoa explodiu na Indonésia, a atmosfera ficou carregada por partículas de poeira que deixaram a Lua azul no mundo todo por quase dois anos. Sempre que há uma grande quantidade de poeira na atmosfera, esse efeito se repete. O mesmo ocorreu em 1927, na Índia, quando uma tempestade depois de uma enorme seca levantou toneladas de poeira na atmosfera. Ou em 1951, quando um enorme incêndio florestal no Canadá lançou uma quantidade de cinzas que deixou a lua azul.

Veio a música moderna e associou este termo à tristeza. Várias músicas usam esta expressão para associar tristeza e solidão, que podemos ver nas músicas de Elvis Presley... Então a expressão se tornou moda, numa febre que deu nome a milhares de restaurantes e mostras de arte no país. Mas a definição de Lua azul de fato aparece em um livro chamado “Almanaque do Fazendeiro do Maine” nas edições anuais entre 1819 e 1962. “Em primeiro lugar considera-se o ano tropical, aquele que começa em um solstício de inverno (mais ou menos no dia 21 de dezembro para o Hemisfério Norte) e vai até o solstício de inverno seguinte. A maioria dos anos tropicais consegue conter 12 Luas cheias, três em cada estação do ano. Cada uma delas tem um nome específico para a atividade humana da época. Ocasionalmente, temos um ano tropical com 13 Luas cheias, o que significa que uma das estações do ano deverá ter quatro delas, ao invés de três. Nesta estação com quatro Luas cheias, a terceira a acontecer é chamada de Lua azul”, diz o almanaque. Daí, em 1946, um astrônomo amador que escrevia para a revista Sky & Telescope nos EUA, em um especial sobre meteoros, resolveu falar sobre Luas azuis. “Em 19 anos, sete vezes aconteceu (e ainda acontece) de haver 13 Luas cheias em um ano. Isto dá 11 meses com uma Lua cheia em cada um e um mês com duas”. Mas concluiu erroneamente: “esta segunda Lua cheia do mês foi chamada de Lua azul.”

E ficamos assim, com a lua azul. E eu, cantarolando “Blue Moon”, logo pensei em cerveja. Foi minha primeira witbier (cerveja branca), com uma suculenta laranja adornado seu copo tulipa. A Blue Moon é da cervejaria homônima baseada em Denver, Colorado, e que foi comprada há cerca de 3 anos pela Coors e virou Molson Coors. Uma Belgian White que leva em sua composição trigo, aveia, coentro e casca de laranja. De coloração âmbar turva, apresenta aromas cítricos (notas de lima e laranja) e sabor pouco amargo, seco, com toques de coentro, sendo muito parecida com a Hoeggarden. Daí a gente nem fala mais nada né? 


A Lua azul desta noite de 31 de agosto é muito especial, com mais coincidências. Aconteceu no mesmo dia do enterro de Neil Armstrong, o primeiro ser humano a dar o primeiro passo na Lua – com o pé esquerdo. Acho válido correr ao primeiro bar/empório e ver a lua cheia no céu - que está fabulosa - erguendo um caprichado copo de Blue Moon e agradecendo à vida!

PS: A inspiração veio do texto do Cássio Barbosa.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As rosas simplesmente exalam!

Em toda visita ao Empório, dou uma passeadinha nas prateleiras, procurando um rótulo, uma história, uma indicação. E sempre me surpreendo. Não sou petulante a ponto de dizer que conheço tudo de cerveja, este universo a cada dia fica maior... Gosto, conheço, mas a caminhada é tão grande que eu sequer vejo o fim!

Mas voltemos a falar de flores. Ou de cerveja.

Quando eu tinha uns 9 ou 10 anos, sofria muito bullying no prédio que morava. Quer dizer, na época não existia bullying, então eu era zuada mesmo. Uma das minhas melhores amigas até hoje tem duas irmãs que fizeram da minha infância o inferno na terra. Junto com as amigas delas. Mas esta guerra tinha uma trégua momentânea: a hora da salada de rosas. Íamos na casa vizinha ao nosso prédio e pegávamos pétalas de rosas, que temperávamos com vinagre, sal e azeite e comíamos escondidas atrás da arvore que tinha entre os dois terrenos. Ficava uma delícia! Tinha uma textura macia, um sabor leve adocicado e o perfume das rosas que ainda exalavam. Nunca esqueci deste gosto.

Quase vinte anos depois – e revelando minha idade para os abastados da matemática avançada – esta cena me vem à mente ao encontrar na geladeira uma Rogue Mom Hefeweisen Rose Petals.

É aquele momento que eu não penso duas vezes e abro a geladeira. Além de um rótulo simpaticíssimo com uma versão da Palmirinha, as palavras mágicas: Ale brewed with rose petals. Será que tem aquele gosto da infância?

TEM!


A Rogue Mom Hefeweisen Rose Petals faz parte da extensa família Rogue, cervejaria americana que tem mais de 30 rótulos, todos na linha do exótico. A cervejaria tem 24 anos, mas já tem história, prêmios e muita criatividade, desde os rótulos (que o sangue publicitário me faz amar) até os ingredientes. Cerveja com chocolate, chipotle, avelã, cerveja Mocha... tem de tudo!

Quando falamos da Mom Hefeweisen Rose Petals falamos de uma cerveja Blonde Ale no estilo witbier, o que me lembra bastante a Hoergaaden: turva, amarela clara e aroma de trigo, além do toque cítrico. Mas esta vai além. Um quê de palha, um toque de mel e fragrância de... rosas. Sim, aquele mesmo sabor de rosas, a lembrança do fundo do jardim, da árvore. Muito refrescante, é a típica cerveja do verão europeu, considerada "espumante" pelos alemães, mas na versão com pétalas de rosas. 
Não vou mentir, nem tudo são rosas. Tem um final seco, com a presença forte do trigo. Mas tem rosas. E não são qualquer rosas, pétalas de rosas de Eugene, Oregon.

Confesso que segui o mesmo erro do cidadão do post anterior e peguei a garrafa no ímpeto, sem sequer perguntar o preço. R$42,00 a garrafa de 650ml. É... 

Há quem diga que perfeitos são os lírios com sua fragrância, as orquídeas com sua elegância ou até mesmo as begônias por sua simplicidade.

E eu gosto mesmo é de rosas.