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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sinos de casamento


Não, não abandonei a busca da cerveja mais que perfeita. O que acontece mesmo são outras buscas: o vestido perfeito, a música perfeita, o bem-casado perfeito... e isso toma muito mais tempo do que qualquer mortal pode imaginar.

E as cervejas, ah bendito líquido proibido na dieta do vestido branco. E eu, que de força de vontade e disciplina não sei nem da teoria, me superei. Abdiquei das farras e desforras da vida de solteira antes mesmo de casada. Mas o noivo, que sabe que compete a paixão com a cerveja, não me deixa longe dela. Casamos em breve na Igreja da Cruz Torta, “coincidentemente” em frente ao Empório Altos do Pinheiros, o favorito, onde ele e amigos farão o esquenta. E foi lá que neste sábado, após a entrevista com o padre – casamento na igreja tem pormenores que até Deus duvida - ele me deu um romântico presente, outro além de dividir uma taça de Delirium e um filé de frango com salada ali mesmo no Empório.


A Geuze Mariage Parfait chamou a atenção, óbvio, pelo nome. A cerveja belga da cervejaria Brouwerij F. Boon se intitula o casamento perfeito entre cervejas Lambic envelhecidas. É uma mistura de 100% de cervejas deste estilo, maturadas em tonéis de carvalho, passando ainda por uma segunda fermentação na garrafa, uma tradição mantida desde 1835. Esta cerveja tem pelo menos três anos de idade quando engarrafada, tanto que meu exemplar tem safra de 2006. É uma cerveja seca, bastante atenuada (baixa doçura), com baixa carbonatação e caracterizada por intensas notas frutadas e sabor especialmente ácido. Sua rolha estoura forte ao ser aberta. Em primeiro momento um aroma de champagne, em seguida surpreendentes aromas de estábulos, cítricos, florais e avinagrado, são tipicamente encontrados neste estilo, resultado da fermentação por leveduras especiais. Cerveja ácida e refrescante, que mascara o ABV de 8%. Muito para quem não bebe há mais de mês.

E ansiosa para o grande dia, que será comemorado em estilo cervejeiro. “Mariage Parfait”!

Tim-tim!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Mitologia Grega

Num contexto acadêmico, a palavra "mito" significa basicamente qualquer narrativa sacra e tradicional, seja verdadeira ou falsa. O sufixo "-logia", derivado do radical grego "logo", representa um campo de estudo sobre um assunto em particular. Com a junção de ambos os termos, "mitologia grega" seria, basicamente, o estudo dos mitos gregos, ou seja, os que fazem parte da cultura da Grécia. Sendo assim, o termo não só alude ao estudo dos mitos como também aos próprios mitos...

Mimimis míticos deixados a quem não quer falar de cerveja, existem dois momentos na minha lembrança que eu tenho certeza que nunca vão se apagar. 

O primeiro foi minha reação ao ver, pela primeira vez,  a vista paradisíaca no topo da ilha de Santorini, na Grécia. Eram quase nove horas da noite, o céu estava com aquelas cores todas misturadas, entre laranja, azul e dourado de quando o sol se põe no mar. A água do mar era quase um espelho do céu. Eu estava chegando do aeroporto, sem hotel agendado e ia dormir no quarto de um casal de amigos, cujo casamento, momento à parte, foi lá, regado à esta mesma paisagem . No caminho, numa virada à esquerda entre as vielas da ilha, me deparei com o mar à minha frente. Fiquei sem respirar por alguns segundos.

O segundo foi logo no dia seguinte. Aquele que eu pensei que seria o maior calor que teria no verão, a mistura de fome e boca seca. No centro da ilha, um restaurante com uma vista estratégica para a “caldeira”, que é o vulcão adormecido entre as ilhas em Santorini. Mar azul, céu azul. E na mesa eis o momento que que ela chega, em véu de noiva, daquele brasileiríssimo jeito de estupidamente gelada.  Ok, a gente sabe que se muito gelada a cerveja perde muito, mas aquela Mythos não perdeu nada!

A Mythos é uma autêntica cerveja grega, lançada em 1997 e produzida em Thessaloniki - norte da Grécia. Desde seu primeiro ano de lançamento conseguiu reverter a situação no mercado de cerveja grega e conquistou os corações do gregos (e muito mais, dos turistas), mesmo com todas as dificuldades e os obstáculos decorrentes da natureza do local, já que a Grécia tem mais de 200 ilhas e a logística é uma coisa complicada por ali. A cerveja leva em sua receita todo o know-how europeu na produção de cervejas, combinado com o paladar grego. Única exemplar grega a vencer o “Canadian Interbeer International Beer & Whiskey Competition”, motivo de orgulho da cervejaria.

Mythos Hellenic Lager Beer, seu nome completo, é uma cerveja suave e muito refrescante, com um corpo dourado-claro, translúcido que contrasta com sua espuma branca densa e cremosa. No paladar, um sabor frutado e com uma leve presença de cereais, muito pouco amarga, que denota um lúpulo leve e fresquinho no finalzinho. Cerveja de bar, de verão, de praia. E foi ela minha cerveja de cada almoço, cada jantar, cada praia de pedra vulcânica e calor mediterrâneo.

A cerveja não é perfeita, vai além, é um MITO! #tudunts

Ef Haristo! (uma das 5 palavras que aprendi em grego...)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Catarina no País... de Gales

Confesso que esta viagem foi bem diferente. Fiquei um pouco desligada do mundo, sequer levei meu computador, e vivi muito menos o lado cervejeiro da Europa do que gostaria. Tenho poucas – mas boas – histórias na bagagem.

Cada lugar, um rótulo, este é o objetivo de qualquer viagem que faço. E sobre as inglesas, muito já procurei nelas a minha nova perfeita. Resolvi pegar a estrada e procurar nos lugares mais distantes, e mais atípicos.

País de Gales. Ou Wales, como os britânicos o chamam. Viagem curta e decidida de última hora, como quase tudo que faço. Uma terça-feira e nenhum lugar agitado para receber três brasileiras ávidas por música e diversão. A cidade é linda, tem um idioma um tanto quanto curioso além do inglês, mas é pacata como uma cidade de interior. E estamos falando de Cardiff, a capital do País de Gales.

Mas a pergunta não muda: qual é a cerveja local daqui? Com um sorriso no rosto, a muito jovem (sério, ela não tinha nem 20 anos) me levou até o tap das Ales locais. Eram 3 locais e uma “Guest Ale” (que não provei por não ser local), e pude provar um pouco de todas até escolher a minha favorita e tomar uma pint muito bem tirada.



Pela ordem dos taps, a The Rev. James, uma cerveja encorpada e picante, com um aroma forte amadeirado que lembra castanha. Uma típica Ale, de cor âmbar e espuma clara, com um corpo doce porém com um final seco e amargo. Uma cerveja curiosa, que a cada gole fui mudando um pouco a opinião. No fim das contas, uma Ale doce e até agradável para o paladar feminino das amigas. A cerveja é o nome de um dos proprietários originais da Buckley Brewery, que em 1997 foi comprada pela SA Brain&Co.

Em seguida, a Brains Bitter, que conforme o próprio nome, amarga. Feita através de uma mistura curiosa de maltes e dois tipos de lúpulos, tem um sabor doce inicial que logo é substituído pela presença forte do lúpulo, sendo amarga como um cabo de guarda-chuva. Ainda assim, é frequente vencedora de prêmios internacionais. Gosto de cerveja amarga, mas este ficou em terceiro lugar, entre as três.

Última da noite, a Brains SA. É a cerveja da mídia de Wales, patrocina o time de Rugby e está presente em pôsteres em todos os pubs que circulei. Mais uma vez, a cervejaria ultiliza uma mistura de lúpulos, que traz – mais uma vez – amargor na ale, não tão denotada quanto na anterior. Com um corpo mais acobreado, tem um final seco com o sabor e aroma do malte, com notas de frutas e um leve adocicado no final. Boa, bem boa, a favorita.

Todas elas são da cervejaria SA Brain&Co, própria de Cardiff, localizada desde 1713 no coração da cidade, na avenida principal. Em 1882 foi comprado pela Samuel Arthur Brain e seu tio Joseph Benjamin Brain, e os negócios continuam na família até hoje, sendo o presidente neto dos fundadores. Ainda hoje  as cervejas são produzidos de forma tradicional na cervejaria, que é um marco central da cidade, caracterizado por sua chaminé subindo ao lado da estação central de Cardiff.

Realmente, no quesito cerveja, Cardiff não me decepcionou. Já o clima... não parou de chover por um minuto sequer nos dois dias que estive lá. Depois soube por uma amiga londrina que nasceu em Wales que não chove lá por raros 15 dias no ano. Ou seja, 350 dias de água. Valeu São Pedro!

lloniannau! (Sim, isso é "Saúde" em galês)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Para um verão diferente, Sidras!


Quem é vivo...

Virou tradição - espero - passar as férias em Londres e dar aquela esticadinha, até onde o cartão de crédito permite! E este ano a viagem se deu por um motivo nobre e sem chance de recusa! Então, cá estou!

Já matei as saudades de muitas cervejas aqui... a primeira, correndo, foi a Früli, lógico. Depois Guinness, Innis & Gunn (a perfeita do ano passado), Snake pint (mistura australiana de uma espécie de groselha, cerveja e cidra), Carling... e sempre que possivel, aquela passada no Tesco pra descobrir algo novo e barato.

Mas hoje não falo de cerveja. Quero falar das "Ciders". Sim, a sidra, a Cereser, popular substituta brasileira do Champagne na hora dos fogos de Ano-Novo. A sidra é uma bebida preparada com sumo fermentado de maçã. Seus maiores produtores são Inglaterra e França, no entanto é também bastante popular na Suíça, Alemanha, Espanha, Portugal, Brasil, Irlanda, Áustria, África do Sul e Austrália. No Reino Unido, a sidra é geralmente associada à região oeste do país, e também produzido no País de Gales e na Inglaterra, onde há duas grades fazendas de sidras. Estima-se que há cerca de 480 fabricantes de Sidra ativos no Reino Unido, tomando 8% do mercado alcoólico do Reino Unido. Sabendo-se como este povo bebe, não é um mercado pequeno...

Já dei uma breve apresentada sobre as sidras no inicio da nossa busca, mas sem me aprofundar. Com o verão na Inglaterra, este ano foi uma das minhas primeiras opções para refrescar o calor de ... 25C. Nossa! E de fato são mais populares no verão do que as cervejas, cujas temperaturas não são as mais geladas. 

Servidas em pints repletas de cubos de gelo, elas ocupam um grande espaço nas geladeiras dos pubs e prateleiras dos supermercados. Minha favorita, sempre, é a Kopparberg. Um nome sueco, uma grande marca inglesa. A Kopparberg é uma sidra da categoria suave, leve, doce e refrescante. Me lembra um pouco a nossa H2Oh, sem muito gás e com um sabor bem suave. A de pêra minha fiel favorita, mas também nos sabores Morango, maçã e outras combinações estranhas e surpreendentes. Todo verão eles inovam com um novo rótulo. Já a "dona do pedaço" é a Strongbow, vendida tanto em garrafas longnecks como "from the tap", popular nos pubs londrinos. Uma sidra seca mais clássica, forte, de maçã tradicionalmente. Não inventam sabores. Aliás, no passado, era dos mesmos produtores da Heineken.


Ainda no popular, a Magners, a segunda mais vendida. Esta é irlandesa e comumente vista como patrocinadora de grandes eventos e shows no Reino Unido e Irlanda. Nas versões Original, Pêra, Frutas vermelhas, Light e a sensação deste verão, "Spiced Apple and Rhubarb". Eu nunca comi um ruibarbo, mas na sidra é bem gostoso. 


Estas todas já eram velhas conhecidas minhas de outros tempos, mas este ano uma nova - e excelente marca - foi lançada, que tomou o posto da perfeita entre as Ciders: Rekordelig. Sim, Sidra é algo sueco, então é comum esses nomes estranhos! A Rekorderlig é genuinamente sueca, uma empresa familiar, no mercado local desde 99 e agora se expandiu para a União Européia. Tem 6 sabores, uma sidra suave, não tão doce quanto a Kopparberg e mais refrescante.

Eu que nem buscava perfeição, achei uma Cider perfeita. Viagem de surpresas!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

De mulher pra mulher...

Nem só de busca vive Catarina...

Eis que recebo das meninas do Negócio de Mulher um convite para um evento especial: "Oficina Feminina de Degustação de Cervejas "

Vou replicar exatamente o release que recebi e contar porque fiquei encantada:

O Negócio de Mulher, um grupo de empreendedoras que desenvolve iniciativas criativas para as mulheres, promove no dia 23 de Junho, no Cinecittá Café, em Belo Horizonte, a Oficina Feminina de Degustação de Cervejas, com Armando Fontes, produtor da Cerveja Vilã e membro fundador da AcervA Mineira (associação de cervejeiros artesanais de MG).

Com o objetivo de levar a cultura e conhecimento de cervejas às mulheres, a oficina desvendará as diferenças entre os diversos estilos da bebida, abordará a história e as principais escolas cervejeiras do mundo, além de ter um momento reservado para a degustação de rótulos nacionais e internacionais especialmente escolhidos para o paladar feminino. 

Um pesquisa realizada em 2010 pela gigante inglesa SABMiller descobriu que as mulheres são melhores provadoras de cerveja que os homens. Evidências mostrariam que elas têm mais sensibilidade para detectar off-flavours que os homens. “Percebo que as mulheres experimentam mais, estão mais abertas a novas experiências que os homens” - revela Armando.

Karine Drumond e Priscila Valentino, sócias da Negócio de Mulher, ressaltam também a ligação da mulher com as cervejas: “As mulheres estão intimamente ligadas à descoberta da cerveja e sua produção. A cerveja não foi inventada, mas aprimorada e uma mulher na Alemanha, a beata Hildegard von Bingen 1179, abadessa beneditina, erudita e visionária, deu a primeira contribuição científica e técnica à produção de cerveja ao acrescentar o lúpulo na receita - explica Karine. “Por isso não estamos inovando com essa história, mas sim resgatando um pouco desta cultura” - complementa Priscila.

O encontro acontecerá no Cinecittá Café, onde as participantes poderão aprender e degustar os rótulos que serão apresentados, acompanhados de aperitivos e sobremesa harmonizada.

As vagas são limitadas e a inscrição deve ser feita pelo link http://bit.ly/KxPTxK. O valor promocional de inscrição é de R$90, até dia 20/06 e R$100 para inscrições após esta data. (Cervejas e aperitivos já inclusos no valor). O pagamento poderá ser feito com boleto bancário, depósito ou transferência.

Data: 23 de Junho
Horário: 14:30 às 17:30 hs
Local: Cinecittá. Rua Aimorés, 582, Funcionários
Valor: promocional até dia 20/06: R$90,00 | após 20/06: R$100,00
Inscrições: http://bit.ly/KxPTxK
Mais informações no site http://bit.ly/Lmde4K, pelo telefone 31 9841-8406 ou email contato@negociodemulher.com.br

Achei a ideia sensacional! Um evento reunindo apenas a beleza das mulheres e os encantos e sabores das cerveja... de novo, SENSACIONAL. E, para mim, seria um excelente motivo para enfim conhecer BH. Massssssss embarco dia 22 para minha saga anual no velho continente, seguindo minha incansável busca por cores, cheiros, sabores e rótulos em novos e já conhecidos locais! 

Pra quem puder participar do evento e quem sabe encontrar a cerveja perfeita por lá, me conta! Sério, vou adorar ceder o espaço para mulheres engajadas na busca da cerveja perfeita! (emailme: mulheresecerveja@gmail.com)

Saúde, em mineirim...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quilmes que te quiero

E eis que esta é a semana mais romântica do ano!

Entre os apelos comerciais de São Valentino, João Dória e Santo Antônio, uma viagem romântica, a dois, celebrando um amor recente e cheio de novidades. Ser romântico é bom e inspira textos dignos de Neruda. Ou, melhor colocado, Cervantes.

Mas como eu não entendo poesia, minha atenção estava voltada para algo além daquele conjunto de bíceps, tríceps e palavras bonitas. Eu tinha uma família a visitar na terra de Evita Péron. Ah Buenos Aires com suas recordações, seu outono quase europeu, alfajores e aquelas Mediallunas!

E aquela cerveja...

Já falamos da Quilmes Cristal, cerveja trazida de presente de uma viagem de lua-de-mel. Mas eu fui além, e conheci a família Quilmes.

Comecei pela Quilmes Stout, uma cerveja mais indicada para aquele frio da madrugada. Uma cerveja escura, com tom avermelhado, de corpo e cremosa, feita com maltes torrados que conferem o aroma de uma Stout. É um tipo de cerveja mais doce, com um amargor muito suave e equilibrado, com caramelo torrado que lembra o café ou chocolate. Como qualquer Stout. É uma boa cerveja sim, mas sem muita personalidade. Na realidade foi este meu comentário, e ao ler sobre a cerveja, percebi que não fui a única com este sentimento...




A Quilmes Bajo Cero. Para quem conhece Antarctica e Antarctica Sub-zero, aquela filtrada a -2C... Pronto. Se não conhece, é uma cerveja mais fraca, que desce mais fácil por ser mais aguada, refrescante para os dias quentes e para quem não esperar uma cerveja encorpada. Tem o mesmo quê de azedinha da Quilmes, mas mais suave. Cerveja de praia. O que na Argentina não combinou muito. Culpa do frio, ou não.
Depois destas duas experiências um tanto medianas, mesmo sabendo que ainda tinha 3 rótulos pendentes na família e já tendo como a preferida da família a velha Cristal - uma das minhas favoritas na hora do Happy Hour - fui vencida pelo vinho. Feita esta troca, todos sabemos que não poderia retornar à cerveja pelo menos por um dia. E a viagem já teria acabado.

O que não impediu de um novo rótulo sair de Caminito para a mala. Cenas de um próximo post...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Birra che te fa bene!

Ainda com aquela reportagem na cabeça, fui de “ingredientes exóticos”. A cerveja cujo nome sempre me fugia, mas o design do rótulo estava vívido na cabeça, e então, lá mesmo no Empório Alto dos Pinheiros, ela estava lá, entre as duas irmãs.

A Mastri Birrai Umbri Cotta 37. Suas irmãs, de sobrenome Cotta 21 e Cotta 74, a cercavam. A escolha foi feita A pela curiosidade de seu ingrediente exótico e B pelo prato que havia escolhido (pra quem não sabe, no Empório Alto dos Pinheiros também come-se muito bem!), mezzalunas coloridas de brie com manteiga de sálvia pediam uma red Ale como acompanhamento.

Cerveja artesanal italiana, então eu vou usar a descrição em italiano:

“ La Rossa Artigianale dei Mastri Birrai Umbri è prodotta seguendo la ricetta Cotta 37 con il tradizionale metodo dell’alta fermentazione e con l’impiego di materie prime ricercate e di malti speciali tostati, che caratterizzano il suo colore ramato intenso e naturalmente velato. ll suo aroma coinvolgente è dominato dalla complessità dei luppoli nobili che si evolvono verso eleganti note di caramello e buccia di arancia. Il corpo è rotondo, il gusto bilanciato. L’artigianalità della produzione, il metodo dell’alta fermentazione, la non filtrazione e la non pastorizzazione possono creare un sedimento sul fondo della bottiglia. Temperatura di servizio: 8° - 10°"

E todo meu italiano de Terra Nostra entendeu o recado: cerveja boa!

Uma Spice/Herb/Vegetable Beer. Porque? Este é o ingrediente exótico: ervilhas, que aceleram sua fermentação. Suas irmãs, que atiçaram minha curiosidade, utilizam-se de lentilhas na Cotta 74 e farro, um cereal típico italiano, na Cotta 21. Com uma garrafa (maravilhosa) de 750ml se torna impossível provar as três. 

Red artesanal, que nem é tão avermelhada, muito mais para alaranjada, dourada, turva. Sua espuma é densa, consistente, e no aroma já sentimos o toque caramelizado do malte e, veja, ervilha, entre notas adocicadas de frutas secas, Um sabor inusitado, bem maltada, e o mais intrigante é que também dá pra sentir o sabor suave da ervilha no corpo, com uma finalização levemente amarga. Por não ser filtrada e refermentada na garrafa, tem sedimentação no fundo da garrafa, o que faz com que o segundo copo seja mais turvo. Uma cerveja surpreendentemente refrescante e fácil de beber – não fosse escassos goles dos acompanhantes de mesa, tomei toda a garrafa. O preço foi justo, na minha opinião: R$37,00.


E como publicitária, não fico só na cerveja. O site da Mastri Birrai Umbri é sensacional, muito bem desenhado, com um toque clássico italiano mas com um quê do moderno da internet. Gostei muito!


E eu que jamais imaginaria quanto assunto uma simples Vejinha me traria. Que venham as de grande estilo, dias frios, dias quentes, mais fortes, mais doces e embalagens diferentes!

Salute!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cerveja única, com nome e sobrenome: Brooklin Sorachi Ace

Entre tantas buscas, tantos momentos e tantas surpresas da vida, uma revista pousou em minha mesa, trazida por um co-worker que sabe da minha paixão. A Veja São Paulo surge com um especial de cervejas na cidade, com inúmeros rótulos, que eu confesso que virou meio que uma lista de “to do”. Quando vi alguns rótulos desconhecidos pensei... quero a PERFEITA desta matéria!

Iniciei então a busca naquela sexta-feira mesmo, trocando um jantar romântico por uma visitinha no Melograno de sempre.

A matéria da revista dividia os rótulos entre ingredientes exóticos, grande estilo, dias frios, dias quentes, mais fortes, mais doces, sabores inusitados e embalagens diferentes.

Sabores inusitados. Primeira escolha, aliás escolhida a dedo e com toda a má intenção de matar o Chefe Ali de inveja: Brooklyn Sorachi Ace. Envolta por um elegante rótulo denotando uma carta de baralho, a carta da grande jogada na mesa, um ás, em vermelho e dourado, estiloso, com garrafa de rolha.
Uma cerveja única e muito refrescante, cada gole pede outro, muito fácil de beber – olha o perigo, 7,6% de ABV – graças à alta carbonatação. Coloração amarela opaca forte, espuminha branca leve mas persistente. No corpo, dá pra sentir a presença forte do lúpulo, com final equilibrado, levemente ácido e cítrico. E o aroma? Ah o aroma, floral e frutado. Nem parece amarga!


Faz parte de uma série especial da Brooklyn Brewery, a Brewmaster`s Reserve. Com um raro tipo de lúpulo desenvolvido no Japão e cultivado em apenas uma fazenda do mundo, localizada no estado americano do Oregon, a Brooklyn Sorachi Ace se destaca pelas notas cítricas e um amargor forte. Uma cerveja do estilo Saison, também conhecida como Farmhouse Ale, estilo comum na França e na Bélgica e não muito popular por aqui.  Ale que chega a ser comparada a vinhos tintos devido a fermentação e sabores presentes em comum. O nome dela vem da variedade de lúpulo utilizado na cerveja, o Sorachi Ace, inventado por japoneses em 1988 através do cruzamento entre o Brewer`s Gold inglês e o Saaz tcheco. Este lúpulo tem notas cítricas e frutadas de limão muito intensas e foi a única variedade utilizada na cerveja. No processo de fabricação esta cerveja é fermentada com o fermento belga da Brooklyn, leva o raro Sorachi Ace cultivado no Oregon, passa por um dry hopping também com o mesmo lúpulo e no final passa por refermentação na garrafa com fermento de champanhe. Este momento me custou (sejamos honestas, custou ao consorte) a quantia de R$52,00, o que fez com que o namorado desfizesse de sua última frase: "Só tomarei esta cerveja a partir de hoje."

De novo, é uma cerveja única.

Pizza feita no forno ali atrás e bruschettas de brie e mel acompanharam a perfeita da noite.

Uma noite única.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

1 ano de Mulheres e Cerveja. Ai meu Deus!


"A cerveja é a prova viva de que Deus nos ama e quer nos ver felizes."
Benjamin Franklin
"DeuS é a prova viva de que a cerveja nos ama e nos quer ver felizes." 
Catarina

Há um ano, Melograno.

Hoje, 365 dias depois, 78 publicações, 57 cervejas provadas e comentadas e algumas poucas aspirantes à perfeita. Mas se falamos de números, então foram 14mil visualizações de página (nenhuma da minha mãe), onde os posts mais visualizados foram:
  1. Malzbier: Ser ou não ser... cerveja! - 252 Pageviews (e tem gente que nem considera Malzbier cerveja...)
  2. Dizem por aí... - 220  Pageviews  (Cerveja tcheca tinha que estar entre as tops)
  3. milnovecentosebolinhas - 212  Pageviews  (foi uma das perfeitas mais simples)
  4. Fruit de la passion - 131  Pageviews  (Cerveja inédita e que por pouco não vira perfeita e acaba com o blog)
  5. Discutível Perfeição - 130  Pageviews  (questionemos a devassidade de Sandy)

Mais números, foram 113 comentários, de amigos, parceiros, visitantes e indagantes. O post mais comentado foi Cerveja x Chopp, pessoalmente meu post favorito.

E ainda falando em números, foram pelo menos 8 eventos de cerveja, 6 países e 10 cidades percorridos na incansável busca da cerveja perfeita. Foram muitos novos amigos, acontecimentos e novidades. Foram dias e noites de leitura, conhecimento, novidades, muitas risadas, olhares desconfiados, milhões de tentativas de convencimento de que sim, mulher sabe falar sobre cerveja, é capaz de comparar tipos de cevada à ritmos musicais, datas comemorativas, sentimentos e personalidade. Foi uma longa amizade enfim desmistificada.

No topo da lista das perfeitas e dos momentos perfeitos, começamos com a Slava, então Hoerggarden, Innis&Gunn, Delirium Tremens, Basement, Schornestein.

E em exatos 365 dias depois, a busca se iluminou. A cerveja comprada direto na fonte, no paraíso das cervejas, num daqueles momentos inesquecíveis, toma o posto da perfeita. Lembro que eu que queria apenas duas coisas da Bélgica: visitar a fábrica da Stella e ir ao Delirium Café. Não pude me conter quando, no centro da cidade de ruas estreitas e sinuosas, numa Europa sempre em reforma no meio do ano passado, encontrei uma pequena loja de cervejas belgas. 
“Deus!”. Ao entrar e diretamente perguntar pelo rótulo, o atendente sem rodeios me pergunta: “Vous êtes au Brésil?”. “Oui”, respondo no meu francês limitado e engato o papo em inglês. E ele então diz que é a cerveja mais procurada pelos brasileiros, e que percebeu pela maneira de minha pronúncia, que lembrava “God” – Deus, mais precisamente. Por 28 euros, mal conseguia tirar o sorriso no rosto com uma sacola especial na mão. Prometi que seria a cerveja de um momento à altura.


Presente especial para as amigas presentes
E foi,  no Melograno novamente. Porque foi lá que surgiu a ideia, e lá, no melhor estilo Mulheres e Cerveja, foi comemorado, com as mulheres mais íntimas presentes, as que gostam e as que nem ligam tanto para cerveja, mas que sempre estiveram presentes apoiando a empreitada, entre altos e baixos. Um convite foi feito, uma lembrança cuidadosamente escolhida, produzida e à mão embalada e uma cerveja especialmente guardada para uma data especial, levada na bolsa. Muito aconteceu desde então, e então, no encontro comemorativo – e com medo de cometer o pecado de deixa-la vencer – a cerveja enfim cumpriu seu propósito: é a cerveja perfeita. E nem fui eu que disse isso.

Como o próprio nome diz, a cerveja dos deuses. A DeuS Brut des Flandres é umas das 3 cervejas no mundo produzidas pelo método “champenoise”, que a deixa com características parecidas com a de um champanhe.  Sua produção – longa produção, de quase um ano - se inicia na Bélgica, onde puro malte de cevada, água e lúpulo sofrem a primeira fermentação em tanques especiais. Também em tanques sofrem a primeira maturação, conhecida por segunda fermentação. Então o líquido é levado para a região de Champagne, na França, onde recebe açúcares e fermentos especiais, desta vez já na garrafa. Neste momento também recebe uma tampa provisória. 
Nesta etapa se inicia a terceira fermentação. Fica em pupitres maturando durante meses, sendo inclinada para baixo gradativamente. Neste período passa pelo processo de remuage, que consiste em girar a garrafa diariamente, sempre no mesmo horário, aumentando sua inclinação para baixo, até o ponto de estar totalmente de ponta cabeça. Após esta longa maturação, toda a borra e fermento se depositaram no “pescoço” da garrafa. Este fermento é congelado e retirado por pressão da garrafa (imagem). A garrafa é completada com cerveja já pronta para compensar a perda durante o processo e, finalmente, recebe a rolha de cortiça e o rótulo.

A DeuS Brut des Flandres é produzida pela Cervejaria Brouwerij Bosteels. Uma Belgian Strong Ale, suave e elegante do começo ao fim. Nas curvas da garrafa, no toque de requinte de seu rótulo, nas taças flute em que é servida (previamente gelada) e nos trejeitos para servir (entre 2 e 4°C posicionada num balde com gelo e água). Tem uma cor dourada clara, com bolinhas efervescentes bem pequenas, com uma espuma densa, branquinha e borbulhante. No aroma, um cítrico complexo, que entre o lúpulo podemos sentir o frutado de pera, maçã e um quê de hortelã, além de um leve temperado, bem gostoso. E no sabor... 
Momento medo. Sabe aquela clássica que "a expectativa é a mãe da frustração"? Mas quando uma das amigas da mesa, que não liga muito pra cervejas mimimis, disse ao primeiro gole que aquela era a melhor cerveja que ela havia provado na vida, me emocionei (eu estava emotiva). Um sabor refrescante mas muito delicado. Um misto de cerveja com a leveza da Champagne (que de fato pode-se chamar de Champagne, por ter parte da produção na região de mesmo nome), sendo suave e, descendo devagar, podia sentir as micro bolinhas que liberavam seu sabor frutado, doce e fermentado.  A DeuS tem um ABV alto, de 11.5%, muito acima da média das cervejas, mas que quase não sentimos no paladar. Mais no final, mas já com a boca limpa e pronta para o próximo momento.


Uma cerveja única, esperada, porém com um desfecho tendencioso. A DeuS é considerada uma das melhores cervejas do mundo, e claro, perfeita. Por isso, não, a busca não acabou. Não é justo encerrar um propósito com um resultado que todo mundo já sabe. Eu quero mais. Eu quero todas as perfeitas, todas as músicas, em todas as taças, com todas as companhias. Quero a perfeita de todos os momentos, de qualquer momento.

Eu só não quero ser perfeita. Porque eu já sou mulher.

E que venha mais um ano!

Cheers, Saúde, Prost, Vive, Tim Tim!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dá pra fazer!

Existem duas coisas que eu gosto quase mais do que de cerveja: de campanhas publicitárias que me arrepiem a espinha e passar horas na internet aumentando meu índice de cultura inútil. Geralmente entro em êxtase quando me deparo com campanhas publicitárias de cerveja viralizando pela internet. Nem precisa de cereja no topo.

Então a Samuel Adams, em sua fanpage oficial no facebook me surpreende: um aplicativo para que, baseado nos principais aspectos da cerveja - cor, corpo, características do malte, amargor, filtragem, etc - possamos criar a nossa cerveja ideal. O Crowd Craft Project é uma estratégia de marketing, que faz com que o público não só se sinta mais próximo da marca, mas se sinta parte dela. Até dia 05 de fevereiro, todos os palpites serão levados em conta para a produção da primeira cerveja "produzida" pelo facebook. O lançamento será feito em março, infelizmente não aqui no Brasil.

Foi como achar meu pote de ouro no fim do arco íris... Além de ser uma campanha sensacional, que foge dos padrões das mídias convencionais, de onde a maioria das cervejarias não saem, é parte do propósito da nossa busca pela cerveja perfeita.  Afinal, faz quase um ano que buscamos em cada empório, cada cidade, cada viagem, evento, mesa de bar, aquela cerveja perfeita, aquela que vai lembrar de Frank Sinatra, de rock, de infâncias e lugares. Talvez seja esta a alternativa: produzir a própria perfeição, objetivo que não poderia ser mais presunçoso, porém ainda válido.

Pra começar, estamos produzindo uma Ale, então esta nossa perfeita exclui as pilsens, lagers e todas as outras de baixa fermentação. Estando satisfeita com esta predefinição, continuemos. Mãos - e mouse - à obra. Minha fórmula ficou assim:

Que tal montar sua própria perfeita?
O aplicativo só está disponível em inglês, mas vamos lá... Sim, uma Golden Ale, com corpo e transparência médios. Tentei trabalhar com a lógica, deixando um arominha de ervas, uma cerveja levemente condimentada porém refrescante. Acho - acho - que eu produzi algo parecido com uma de minhas favoritas conhecidas. Acho... Mas vai dizer que a imagem acima não deu sede em plena segunda-feira?

De qualquer forma, cada dia, cada momento, pede uma perfeita. Para hoje, Golden Ale. Para amanhã, quem sabe uma Stout bem encorpada, com aquele sabor maltado e de chocolate ao fundo? Para quarta, uma IPA... Enfim, curiosa pelo resultado da campanha! E consciente de que tenho muito chão pra produzir uma cerveja e quero ainda mais chão para encontrar a perfeita. 

Um brinde, à busca e a Samuel Adams, com mais uma campanha sensacional!

Aliás, momento créditos para o Eu bebo sim, onde encontrei a dica do aplicativo, excelente :)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cerveja arretada!

Estar em constante busca da cerveja perfeita é algo que ao mesmo tempo que encanta, nos tira um pouco do roteiro em algumas ocasiões. E de roteiro me refiro ao roteiro turístico. Sou uma exímia exemplar da mistura da ascendência uruguaia com a nordestina. Filha de cearense, daquelas que carrega a peixeira na cintura e fala arrastado, fui passar os primeiros dias do ano em braços familiares em Fortaleza. Muito sol, praia e cerveja, como todo litoral tupiniquim que se preze.

E lá estava eu, pendurada no 3G do celular debaixo do guarda-sol. Objetivo: encontrar uma cerveja genuinamente nordestina. Etapa concluída!

A Drache Bier é produzida pela primeira – e até então única – cervejaria artesanal nordestina, com fábrica no município de Horizonte, a cerca de 50km de Fortaleza, a Cervejaria Nordeste. Produzida sob a Lei de Pureza Alemã, nas versões Pilsen, Stout, Pale Ale e Weiss (o trigo foi admitido posteriormente na Reinheitsgebot como ingrediente adjunto), todas provadas no empório do Shopping Dom Luis, em Fortaleza, onde o simpático Elisson (na foto) me explicou tintim por tintim todas as peculiaridades de cada cerveja.

A cervejaria trata como diferencial o fato de só trabalhar com produtos de alta qualidade. Ele ressalta que todos os ingredientes utilizados na fabricação do chopp Drache Bier são todos  importados: malte da Alemanha e Bélgica; lúpulo da Alemanha e Estados Unidos; e levedura da Bélgica e França, além de água mineral de fonte própria. Um estudo sobre uma fórmula mundialmente respeitada, buscada diretamente na Alemanha, os melhores ingredientes e a mais alta tecnologia de produção que durou cerca de 6 meses, até o lançamento, em 2009, que resultaram num chopp excelente, provados na seguinte ordem:

Drache Bier Pilsen
Um Chopp leve e suave, com o sabor do lúpulo bem acentuado, que denota a qualidade dos ingredientes. De cor amarelo brilhante e espuma branquinha branquinha (olha eu arrastando o sotaque), bem refrescante, servido gelado como o clima de verão nordestino pede. Excelente opção para acompanhar mariscos e crustáceos debaixo do guarda-sol.

Drache Bier Weiss
Como toda Weiss, tem o quê de banana, frutada, com cravos e florais. De cor amarela-opaca e espuma densa e não-filtrado, mas um pouco mais amargo que o comum. Mais gelado que visto por aí, foi quase meu rótulo favorito, o que não seria surpresa, já que eu adoro Weiss. Ótima opção para acompanhar queijo de cabra ou aves. 



Drache Bier Pale Ale
A surpresa da noite. Vale dizer que eu estava em clima de verão, portanto aceitavelmente, os chopes eram servidos na temperatura de 1°C, o que para uma Pale Ale é muito gelada. Não sei se foi isso ou a surpresa com o amargor refrescante da versão, foi eleita minha Drache favorita. De tonalidade acobreada graças ao uso da mistura com o malte tostado, revela um sabor maltado e encorpado. Tem um toque herbal, por conta do lúpulo evidente, o que gerou até uma discussão com o Elisson.

Drache Bier Stout
A última versão da sequência de degustação, também sofreu a questão da temperatura acima, estando mais gelado que o comum, o que o deixou refrescante e com o sabor talvez até menos acentuado. Mais, oxi, nenhum problema até aí. Estava um calor da peste! O Drache Stout é uma boa opção para ser degustado com mariscos e crustáceos, feijoada, chocolate, tortas de frutas e sobremesas de banana. Enfim, pratos mais pesados, que harmonizam bem com o contraste entre a suavidade do aroma com traços de chocolate e malte tostado e o sabor forte e encorpado do café. Enfim, um excelente exemplar de Stout.



Ainda, a Drache tem todas as opções em garrafas long necks à venda por módicos R$15,00 o kit com as 4 versões. E uma infinidade de souvenirs. Vieram para casa acompanhando um garrafão em cerâmica – de presente – cheio de pilsen, que permaneceu gelada por 2 dias. E o atendimento... sensacional! Troquei algumas figurinhas com o Elisson e ele fez questão que eu não pagasse a degustação, apenas os souvenirs. Patrocínio dos bons! Minha mãe que o diga, não se cabia quando viu o cartãozinho do MC circulando entre os funcionários (acho que ela está começando a entender... e curtir.) e ainda menos quando ganhou um chopp Pilsen, escolhido pelo paladar dela a melhor opção.

Eu, que nem posso mais que considerar turista de tantas visitas que fiz à terra de Padre Cícero, não me contive com fotos mil e me rasgo de elogios sempre que saio de lá.

Um cheiro!

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Anno Novo!

Em um daqueles momentos irrecusáveis da nostalgia do final do ano, o amigo secreto da empresa, uma surpresa agradável. Eu raríssimas vezes fui surpreendida com bons presentes em amigos secretos, mas, seguindo os bons ventos do ano de 2011, sim, fui agradavelmente surpreendida. O limite de R$70,00 do amigo secreto corporativo foi preenchido com duas cervejas compradas da Mr. Beer. Aliás, adendo: quando o meu amigo secreto buscou informações sobre o que me dar e sugeriram cervejas à ele, ele se perguntou se eu tinha um problema com alcoolismo. Obrigada Sandro! 

Dois bons rótulos, indicados pelo atendente: Weihenstephaner Hefe Weissbier e a Hacker-Pschorr Anno 1417, ambas degustadas naqueles momentos entre amigos, dignos de boas cervejas. A Weihenstephaner eu já conhecia de outros tempos, uma cerveja de trigo bávara excelente, refrescante e encorpada, representando muito bem a classe das Weissbier.

O foco fica para a Hacker-Pschorr Anno 1417, cerveja alemã cheia de história para contar. 

A Cervejaria Hacker-Pschorr nasceu exatamente em 1417, 99 anos antes de ser criada a Lei de pureza Alemã, inicilamente apenas como Hacker. O nome atual da cervejaria remete à duas tradicionais cervejarias de Munique, que nesses 591 anos passaram por algumas junções e separações: A primeira união entre a Hackerbräu e a Pschorrbräu aconteceu por volta de 1800, quando Joseph Pschorr comprou a cervejaria Hacker e fundou uma com seu nome, mas manteve sua própria produção. Em 1944, já separadas, a Pschorr teve os seus equipamentos bombardeados durante a segunda Guerra, e a Hacker permitiu que a Pschorr utilizasse seus equipamentos para manter a produção ativa, simbolizando assim a união que permanece até hoje. A cervejaria é atualmente uma das seis grandes de Munique, e faz parte do grupo Paulaner.

Chegou ao Brasil recentemente, uma cerveja do estilo Keller Bier, um raro e antigo estilo de produção alemão - keller em alemão significa adega. Uma lager não-pasteurizada e não-filtrada, fermentada em barris abertos de madeira, o que a deixa com baixa carbonatação. Uma cerveja diferente, com uma cor dourada escura, espuma densa e um aroma maltado, que denota a presença marcante do lúpulo não só no aroma, mas com intensidade no sabor. Um tanto cítrica, bem saborosa e refrescante, com aquele toque de fermento das cervejas não-filtradas (lembram-se a surpresa causada pela Slava?).
Uma excelente cerveja para um dia de verão, seja chuvoso e abafado como nossos típicos reveillon paulistas. Aliás, vou além: a Anno 1417 é a cerveja perfeita. Não para finalizar a busca, mas para entrar em 2012 inspirada, seja pelo nome, seja por remeter à primeira cerveja da saga, seja por ser de presente ou por ser a primeira do ano.

Que 2012 seja de longo caminho na busca da cerveja perfeita, com muito mais aprendizado e boas companhias!

Feliz Ano Novo!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Tem mas acabou

Nada fez mais barulho na internet ultimamente do que o enfim lançamento da Duff, a tal cerveja do Homer aqui em São Paulo. Mil releases anunciavam a festa de lançamento na quinta-feira passada e a distribuição em primeiramente 30 pontos de venda em São Paulo. O preço: R$10.

Na quinta-feira liguei no Empório Alto dos Pinheiros, um dos locais favoritos para degustações, que estava na lista dos locais que teriam a tal e a atenciosa Zenilde claramente não sabia do que se tratava quando disse que receberiam e que o lote era grande. Eu, tranquila, avisei os amigos e fomos todos, equipe completa, provar tal lançamento.

#fail

Tem mas acabou. Na sexta-feira mesmo, rolou fila. E isso não só no Empório. Na segunda-feira, fui ao Johnny Peppers. Em vão. E assim em muitos outros lugares, que receberam e a demanda não atendeu à imensa procura.

E cá estou eu, esperando que, por coincidência, sem mais expectativas, encontre com a tal cerveja do macho, para poder dar as minhas considerações.

Considerações esta que já adianto: tenho a impressão que a Duff deve ser muito parecida com a Budweiser. Não sei porque mas tenho este feeling... inclusive um amigo que a provou concordou comigo, mas enfim... maiores conclusões só depois de provar, nada mais justo.

E para quem provou: Cheers!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Natural de Pomerode, representando a Alemanha

Alimentar expectativas é arriscado. Mas quando estas são supridas... ah, nada melhor! Sim, eu nutri uma absurda expectativa ao ir para Blumenau, e por mais que sinta que fiquei muito pouco tempo, fiz o suficiente. Este é o terceiro e último post rendido pelos dois dias em terras pseudo-alemãs.

Na realidade nem falo do evento, e nem de Blumenau. Foi em Pomerode, uma cidadezinha meiga a poucos quilômetros de Blumenau, conhecida com a cidade mais alemã do Brasil,  que conhecemos a Cervejaria Schornstein. Fundada em junho de 2006, está sediada em um prédio tombado pelo patrimônio histórico, com cerca de 50 anos de existência e que tem uma chaminé de 30 metros de altura toda de tijolos maciços (por isso a referência logomarca e no significado do nome da fábrica). Tem ainda uma segunda fábrica na cidade de Holambra, em São Paulo.

Na fábrica em Pomerode, visitamos o bar da fábrica, o Schornstein Kneipe, onde servem petiscos tradicionais da culinária holandesa e alemã e ainda sugerem harmonizações para cada tipo de chope. Um pão fascinante e porções muito apetitosas e bem preparadas.

Ao chegar, pedimos o menu degustação, com os cinco tipos de cerveja que fabrica: pilsen natural, pilsen cristal, weiss, pale ale, bock e imperial stout.

A mesa, composta de 5 adoradores de cerveja foi unânime ao eleger o chope pilsen natural não só o melhor do local, mas o melhor da viagem. Foi então que vimos: uma torre de chope natural a caminho da mesa vizinha e não hesitamos. O chope é denso e encorpado, espuma densa, de cor mais turva. Um forte gosto de fermento, pouco  - bem pouco – amargo, talvez porque o lúpulo não se faz presente. Mais um excelente exemplar que segue a Lei da Pureza alemã (aquela...), uma cerveja de atributos tão naturais como aquela que a apresenta!

Sim, encontramos a cerveja perfeita! A perfeita para celebrar, comemorar e depois relembrar uma viagem curta mas sensacional.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Estação Oktoberfest. Desembarque pelo lado direito do trem.

Semanas conturbadas. Um misto de inferno astral, resoluções de final de ano e a sazonalidade do meu trabalho – que ainda não é só cerveja – me afastaram um pouquinho daqui. Sinceras desculpas.

Ainda em clima de Oktoberfest, ainda lembrando da visita à fábrica da Eisenbahn, ainda lembrando daquele final de semana cheio de viagens, chuvas e histórias.

Falando em história, falemos da história da Eisenbahn. Cervejaria nacional localizada em Blumenau – SC – desde 2002 e em 2008 comprada pelo Grupo Schincariol, é uma das poucas nacionais que produz seu chope seguindo a Reinheitsgebot, a “Lei de Pureza Alemã” (aquela que um dia um rei que acordou de ressaca e uma maldita dor de cabeça e resolveu que não haveria mais nada nas cervejas além de malte de cevada, lúpulo e água). Sua fábrica fica ocalizada ao lado de uma antiga linha de trem em Blumenau, o que serviu de inspiração: Eisenbahn em alemão significa ferrovia. A Eisenbahn é premiada internacionalmente,sendo a primeira cervejaria da América do Sul a conquistar o European Beer Star, com 2 medalhas de bronze. Vale ainda citar que a Eisenbahn foi citada o livro de Michael Jackson, um dos melhores escritores e conhecedores de cervejas do mundo. Esse livro é como se fosse um guia de cervejas de todo o mundo e a Eisenbahn é a única cervejaria brasileira que aparece na página da América Latina.

Entre tantas outras menções e prêmios, a Eisenbahn é umas das estrelas do maior festival de cerveja. E como não poderia deixar de ser, tem uma receita específica para tal: A Eisenbahn Oktoberfest. Feita para celebrar os 25 anos da maior festa alemã fora da Alemanha, a Eisenbahn lançou a primeira Cerveja Oktoberfest feita no Brasil. Desenvolvida especialmente para o festival, é produzida somente de setembro a outubro. É uma cerveja lager de corpo médio, cristalina, com coloração dourada escura, e com aromas marcantes de malte, pão e cereais, apresentando leves aromas de lúpulo em simpáticas long-necks de rótulos azul-brilhante. É também considerada uma Märzenbier, já que segue o mesmo principio das cervejas do tipo.

Não, não a provei no festival, mas ainda antes da visita à fábrica, harmonizando com uma suculenta porção de polentas fritas e salsichões, além claro de risadas, amigos, chapéus, copos e souvenirs e, entre os 4 amigos, outros 2 tipos de cervejas da marca. Para mim, a cerveja mais leve da mesa, que contratou muito com o clima do local: frio, nublado e chuvoso.

Então, na sequência e para aquecer, dei início a prova de todas as cervejas da Einsenbahn. Minha favorita? Ainda a Oktoberfest!

Prosit!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ein, Zwei, G’sufa... Oktoberfest!

(um, dois, beber... Oktoberfest!)

Existem coisas, pessoas e oportunidades na vida que a gente arranja motivo pra não deixar pra trás. E a Oktoberfest foi uma delas. Na realidade eu até agradeci por ter “postergado” a oportunidade de ir na Oktoberfest. Ano passado surgiu a vontade e o convite, que eu acabei passando. Ainda bem, porque este ano as coisas tinham um brilho diferente. Uma vontade diferente, um interesse diferente. E que bom, a mesma companhia!

Muita coisa tem acontecido ultimamente, eu ganhei novas companhias sensacionais, mas perdi algumas que ainda machucam. No final de semana em Blumenau, duas pessoas fizeram uma falta irreparável, por dois motivos diferentes. Mas é a vida, a gente não tem controle sobre o sentimento dos outros, né? Mal temos sobre os nossos...

Enfim... um final de semana de guerreira, como ouvi dos amigos. De anjo à alemã, de uma festa à fantasia em Santos na sexta-feira à Blumenau, passando por São Paulo, Navegantes, ônibus, taxi, avião. Nem eu sei como cheguei... Mas cheguei, e logo nossa visita no sábado à fábrica da Eisenbahn estava já agendada para as 16h. 5 grandes apreciadores de cervejas e petiscos, pedindo todo o arsenal do cardápio antes mesmo da visita à produção.

Touquinhas à postos, e a Amanda já começa seu discurso, mostrando maltes, lúpulos, cerais, explicando o passo-a-passo da velha produção de cerveja, barris, toneis, fermentação... aquele roteiro que todo cervejeiro A-D-O-R-A. No fim, fotos, fotos, e nossa prova da cerveja recém produzida. E, claro, a compra de souvenirs, onde eu me acabei com exemplares de Eisenbahn Oktoberfest e ainda um Licor de cerveja, que vai ser tema de um post futuro...

 
Inspirada na Oktoberfest de Munique, que ocorre há 200 anos, nossa versão brasileira é a maior festa alemã das Américas, com sua primeira edição em 1984 (quase a idade da Catarina!) e até hoje faz de Blumenau o principal destino turístico de Santa Catarina no mês de outubro. Embora o mote principal seja a cerveja, a Oktoberfest é folclore, tradição e cultura, com muita música, comidas típicas, danças e paradas com os costumes alemães preservados pelos imigrantes desde as formações das colônias vindas da Europa para o sul do Brasil. Em suas 26 edições mais de 17 milhões de pessoas já passaram pelo Parque Vila Germânica, ou seja, uma média de um público superior a 700 mil pessoas por ano.
A Oktoberfest original – uma das pretensões de viagem em curto prazo de Catarina - começou em 12 de outubro de 1810, quando o Rei Luis I, mais tarde Rei da Baviera, casou-se com a Princesa Tereza da Saxônia e para festejar o enlace organizou uma corrida de cavalos. O sucesso foi tanto, que a festa passou a ser realizada todos os anos com a participação do povo da região. Em homenagem à princesa, o local foi batizado com o nome de Gramado de Tereza. A festa ganhou uma nova dimensão em 1840, quando chegou a Munique o primeiro trem transportando visitantes para o evento. Passaram a ser montadas barracas e promovidas várias atrações. Neste local apareceram também os primeiros fotógrafos alemães, que ali encontraram um excelente ambiente para fazerem suas exposições. A cerveja, proibida desde os primeiros anos, só começaria a ser servida em 1918. Logo depois, os caricaturistas já retratavam a luta pelos copos cheios de cerveja e pela primeira vez pode-se apreciar nas telas dos cinemas a festa das mil atrações. Por consequência das guerras e pela epidemia de cólera, a Oktoberfest deixou de realizar-se 25 vezes. De 1945 até hoje, aconteceu ininterruptamente. Atualmente, a Oktoberfest de Munique recebe anualmente um público de quase 10 milhões de pessoas. O consumo de cerveja chega a 7 milhões de litros. (fonte: www.oktoberfestblumenau.com.br)
 
À noite, o evento, na Vila Germânica, e Catarina produzida com os costumes alemães não se continha. Um longa fila, uma longa espera, um evento lotado. E muita, MUITA gente bonita. Mais precisamente mulheres bonitas. Claro né, o sul e suas garotas aspirantes à modelos, seus olhos, peles e cabelos claros, seus biótipos de dar inveja à muita paulista. (Aqui cabe: não à mim, se tem uma coisa que faz parte do meu conjunto hoje em dia é a autoestima. Bora que o público é vasto gente...)

Música típica, comidas típicas, shows e atrações, muitas tendas das cervejarias locais, entre elas a Cervejaria Schornstein (um post futuro falará sobre a proeza do seu chopp natural), a Eisenbahn, de onde eu mal saí de perto, e minha primeira aquisição: o valioso caneco de chopp de 1 litro com o cordão característico. Fundamental. Foram 10 fichas de R$4,50, 10 chopps, e nem todos consumidos. Foi um sufoco vender as fichinhas no mercado clandestino e, na desistência, o erro: chopp de vinho. Foi neste momento que eu ouvi do Chefe Ali: “Catarina, você era meu orgulho, agora eu tenho vergonha de você.” 1,5litro de chopp de vinho e uma ressaca fenomenal no dia seguinte me lembraram que não importa quão cheiroso e convidativo o chopp de vinho pareça, ele é MUITO traiçoeiro. Sim, este eu digo com veemência: NUNCA MAIS.

Já quase na porta, debaixo de forte garoa (que a paulista que vos fala leva pra onde quer que viaje), um tropeço: um quiosque da AMBEV e a minha, a nossa, amada Hoeggarden. Justo no final, pela quantia de R$8,00 a “garrafa”. Também havia Stella Artois, Brahma (oficial) e muitas e muitas outras marcas do precioso líquido que adornava o evento com flores.

Hora de ir embora, que pela graça do horário de verão, tivemos uma hora a menos de evento. Cinco horas da manhã, e uma longa estrada nos esperava no dia seguinte. Que só não era mais longa que a minha estrada, que a cada cerveja, cada evento e cada pessoa que conheço, se mostra maior e bem mais interessante.

Na próxima semana: Einsebahn Oktoberfest, ainda em clima de folk germânico.

Ein Prosit!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Porque é primavera!

Ah a primavera! Minha época favorita do ano, com certeza! O sol volta a dar sua graça com maior frequência, os ipês de São Paulo florescem com seu amarelo vivo, as amoreiras tingem as calçadas, as roupas vão ficando leves e coloridas.

A primavera denota fertilidade, a vida na terra, onde na agricultura celebra o tempo  em que as sementes são plantadas e começam o seu processo de crescimento e um maior equilíbrio das forças da natureza. Pela cultura pagã, a primavera é um momento ideal para fortalecer a energia de complementaridade ente homem e mulher. Ainda, o momento ideal de cultivarmos nossas sementes, já que é a época do ano que estamos mais ativos, dormimos menos, comemos menos e gastamos mais tempo ao ar livre.

Época de celebrar? Falemos de cervejas. E de flores.

Falamos muito de aromas florais, de fermentação floral, mas quando é que enfim teríamos de fato flores na cerveja? Conheço saladas de rosas (além de outras graças de rosas), perfumes feitos naturalmente de flores e tantas outras invenções. A cerveja não demoraria a entrar neste hall.
E foi então que as cervejarias americanas Dogfish Head e Samuel Adams inovaram e produziram a Savor Flower, uma cerveja colaborativa cuja composição inusitada: água de rosas, lavanda, hibiscus, jasmim e rosas, além de uma variante de lúpulo conhecida apenas como #369, que tem como principal característica ressaltar as notas florais da cerveja. É quase um buquê de flores engarrafado! Segundo os participantes do evento que a degustaram, a cerveja é clara, dourada, com o aroma doce e floral que é tão forte quando o sabor, que eles comparam à um chá de flores (ou de um pot-pourri).

Além de toda a botânica usada, a cerveja foi maturada em barris. Vejam neste vídeo todo o processo, da ideia à produção dos cervejeiros:


Infelizmente esta cerveja foi produzida somente para o evento Savor Craft Beer, em Washington, que ocorreu em Junho.  Esperamos que a ideia tenha vingado e que a Savor Flower entre no mercado. Cerveja com água de rosas para Catarina é como um ”body Shot”, e a curiosidade de conhecer este sabor está me matando!

E esta será a minha forma de celebrar a chegada da primavera neste final de semana: percorrer as ruas de SP, entre ipês e amoras, sempre em busca de uma cerveja perfeita, nem que seja só para esta estação...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A cerveja perfeita existe!

Assim como o homem perfeito, o presente perfeito, o trabalho perfeito... todos eles existem. E tolo daquele que acredita que tudo é apenas ilusão. Porque o perfeito está dentro da gente, é visto apenas pelo nosso olhar. Pelo olhar do sonhador. Sim, porque o sonhador não se priva, não se limita, não se conforma; se existe mais, se existe melhor, busquemo-lo. Nem que isso seja a última e única coisa que façamos na vida.

Mas, para encontrar o perfeito, precisamos conhecer até mesmo o oposto daquilo que julgamos perfeito. Aquilo que nossos sentidos abominam. Aqui, no caso, falamos do paladar, mais precisamente o feminino. E sejamos honestas... poucas mulheres se rendem ao amargor.

Eu acredito sim na existência da cerveja perfeita. Mas ela definitivamente não é a Perigosa.

Um rótulo que chama atenção, por uma peculiar razão autoexplicativa. Sim, veneno. E a Perigosa Imperial IPA Stout primeiramente de fato se chamava “Venenosa”. Mas foram obrigados a trocar o rótulo. Cabível, vai que alguma criança que resolveu tomar veneno acaba por se embriagar com cerveja...

Então a Perigosa, vendida em simpáticas garrafinhas de 330ml (algo nela tinha que ser simpática), é uma IPA da cervejaria Bodebrown, de Curitiba. Chegou ao mercado este ano, e por mais amarga que seja, é muito bem recebida. Tem um aroma intenso, frutado até, o que inclusive se presencia no sabor, um leve toque de frutas tropicais. Manga foi a fruta citada na mesa. Ainda soma com o leve caramelado e a presença firme do lúpulo. No final, puro amargor, cortante, longo, intenso. De puxar o céu da boca e te deixar com cara de quem comeu banana verde. Pra quem gosta de cerveja amarga, um “copo” cheio! Pra quem prefere uma cervejinha de trigo com banana... bem, você fez o pedido errado.

E eu como sonhadora, mesmo passando por cervejas amargas, sem gelo, sem espuma, servidas de forma errada, continuo aqui, dizendo: Sim, ela tem que existir! Eu não posso deixar que um amargor mais intenso, que um erro na escolha do rótulo ou que um custo mais caro de vez em quando apague o brilho do meu propósito de encontrar a cerveja perfeita e me impeça de seguir adiante. As pessoas são diferentes, as cervejas são diferentes, esta é a regra básica da vida e dessa busca. O que nos resta é aprender como tirar o melhor proveito de tudo e lidar com estas diferenças, de maneira a ter grandes relacionamentos na vida e incríveis cervejas na memória.

Se eu comparar a busca da cerveja perfeita à busca do homem perfeito acima citado, comparo a Perigosa com um antigo relacionamento malsucedido. Desceu ruim, mas você sabe que no próximo rótulo pode estar a perfeição. Ou não.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja"

Esta semana recebi um email de um amigo me questionando qual era a dúvida de que ele pudesse curtir Mulheres e Cerveja... Vou explicar: Catarina é uma garota das redes sociais. E ela não descansou enquanto não fez, enfim, a página do Mulheres e Cerveja no Facebook, e sugeriu então a página aos amigos. Daí o "Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja" que ele me questionou. "Qual a dúvida de que um homem não vá curtir Mulheres e Cerveja?", ele perguntava... Na realidade não criamos antes porque tínhamos receio de não conseguir alimentar a página por falta de tempo e deixa-la obsoleta. Afinal, temos que trabalhar, AINDA não vivemos de cerveja! Acessem e curtam também nossa página bem no estilo facebook.
 



Além da movimentada vida social-virtual, nesta última semana foram nada menos que 10 novos rótulos provados. Dez. Na realidade, em dois dias, quinta-feira no Café Elétrico, onde Renatinha exigiu minha presença para provar a Basement e na empolgação e no calor da conversa - coloca-la a par de 30 dias de viagens e detalhar todas as peripécias - foram mais 5 garrafas e domingo, mesa repleta de homens e mulheres pós-samba, no Empório Alto dos Pinheiros, onde desta vez eu fazia questão que ela provasse a Delirium Tremens - ela e outros 5 amigos e novos amigos que se esbaldaram com mais outros 5 rótulos.

Haja fígado e dinheiro, mas tanto esforço sempre vale a pena. A especulação sobe o sabor da cerveja, dividir com homens nossas impressões, o olhar de aprovação após o primeiro gole... são todas sensações impagáveis que nos fazem cada vez nos aprofundar na busca da cerveja perfeita!

Enfim, a escolhida da semana, primeiro porque tanta insistência na visita ao Empório se deu por ela, sugerida pelo Chefe Ali, e segundo porque em 4 de agosto é celebrado o Dia da IPA, é a Brooklyn East India Pale Ale.

A Brooklin East é uma cerveja da americana Brooklyn Brewery, no estilo IPA, aquela do tipo especialmente fermentada, lembra? Pois bem. Cerveja esperada e muito bem recebida. A começar pelo aroma: herbal. No sabor, o amargor de uma IPA, com a intensidade do lúpulo e uma finalização de ervas sensacional. Aliás, sensacional é a palavra. Sim, IPA é amarga, mas a Brooklin East tem uma formula bem balanceada, que denota tanto o aroma de ervas, o amargor do lúpulo e o adocicado malte caramelo. Uma coloração mais escura, âmbar porém cristalina. Sua aparência e sabor nada se identificam com a simplicidade de seu rótulo verde e vermelho, em garrafa long-neck.


É difícil escolher uma cerveja perfeita entre tantas em tão pouco tempo. Foram mais da Colorado, da Abadessa, uma garrafa muito bem dividida de Delirium, cervejas de trigo, com frutas, amargas e até mesmo muitas latinhas de Itaipava e Skol. Sim, porque samba que é samba pede lata de cerveja na mão.

Por isso, vamos repetir a(s) dose(s) em um próximo fim de semana, talvez com a mesma companhia de risadas, impressões positivas e devoção pela cerveja, pelo samba e pela boemia, com o perdão do trocadilho!

E um brinde especial ao tremoço!