terça-feira, 2 de julho de 2013

Pequenas Criações Australianas

Há quase quatro meses vivendo uma vida de australiana, começo a me sentir como uma. Por isso, conforme prometido, vamos falar de uma cerveja nata da Austrália Ocidental, ou WA, ou Perth...

Fui selecionada para uma entrevista para um "tasting team" de cervejas locais. Mandei meu currículo cervejeiro, contei minha história e hoje foi o dia da entrevista. Super informal, o assunto cerveja fluiu como sempre. Nada é melhor do que falar de cerveja. Falando de favoritas, me perguntaram das favoritas australianas, e me lembrei da nossa primeira australiana, a James Squire, que coincidentemente foi provada ainda no Brasil há algum tempo e fiz um post todo especial sobre ela, lembram? Ah as coincidências da vida!

Eis que, ainda falando de favoritas, nos vimos preferindo whitebeers, amando Hoeggarden e como um doce souvenir da entrevista, fui apresentada à White Rabbit, uma whitebeer da cervejaria Little Creatures, local de Perth. Melhor entrevista da vida: do lado de casa, clima informal e ainda ganhei uma cerveja. Se nada der certo, já saí no lucro! E como o perfil do trabalho é exatamente provar cervejar, já comecei agora...

A Little Creatures nasceu em 2000, fruto da paixão por cerveja de alguns amigos e uma ideia de uma cervejaria local que fizesse a mehor receita de pale ale. Com sede em Fremantle, bairro histórico de Perth, foi construída com o aval e participação de toda a vizinhança, e é um orgulho para o povo local. Hoje além a fábrica, conta com um enorme restaurante de onde as cervejas saem direto dos barris (gigantes) e um clima de pier-praia-marina no ar, já que a cevejaria fica muito próximo ao porto e no desemboque do rio Swan no mar. Uma delícia de lugar! 

A White Rabbit é de fato muito parecida com a Horggarden citada acima, mas sem o mesmo amargor (15 IBU), o que faz desta uma cerveja uma mais leve, doce e, podemos dizer, redonda. Cerveja de ABV leve (4.5%), longe de parecer com as whitebeers brasileiras, que comumente vem com traços de banana, esta mantem os traços de laranja e coentro, dando um toque herbal, cítrico e diferente no seu retrogosto, que conta ainda com berries. Uma bela exemplar da tradicional cerveja  branca belga, com um corpo amarelo opaco, bem sedimentada, vale uma beeeela chacoalhada no fundo da garrafa pra fazer valer todo o material. Uma cerveja refrescante para um dia ensolarado de vinte e poucos graus no inverno de Perth. Assim disseram os monges belgas que deram a receita - segundo seus criadores.


Ainda, não posso deixar de lado um detalhe, um pequeno detalhe, que deu a graça na garrafa de rótulo simplista, sem muitas informações mas com a graça necessária: gravado no vidro das garrafas de suas cervejas, um pequeno anjo, um cupido, que já tinha visto em algum lugar antes... ah boas memórias!!!

Cheers mate!

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Waka waka

Nunca antes na história deste blog ficamos tanto tempo off. Peço sinceras desculpas e prometo - novamente - voltar à ativa como antes. Quem vive no exterior sabe como a fase de adaptação é complexa e demorada, e me tornar aussie tem sido quase impossível!

Mas antes que a adaptação se conclua, não falo de australianas. Como ainda tô no meio do caminho, vou contar de uma cerveja do meio do caminho.

Conexão na África do Sul e o que eu quero? Amarula! Por um tempinho não pensei em cerveja, afinal não é muito frequentemente que podemos tomar Amarula em sua terra natal. O doce licor de Marula, uma fruta africana, misturado em creme de leite e com PASMEM 17% de teor alcoólico. Amo Amarula desde os tempos de adolescente, quando achava que dava pra fazer amarula caseira com vodca e Nescau.

Mas eis que no Duty Free, quase apagada pelos mil destaques de Amarula na área de bebidas, eu encontro uma geladeira. Com cerveja gelada. Tinha mais duas horas de conexão e nem pensei duas vezes. Foi pro caixa!

Quem?
Darling Brew, Slow Beer.

Pesquisei e descobri que é uma cervejaria africana fundada em meados de 2007 em Cape Town, por viajantes que estavam pela África sem destino. Uma micro-cervejaria cujo primeiro rótulo foi este provado, e Slow beer é o conceito que representa a cervejaria, slow fermentation contra produção de massa. A inspiração da cervejaria para os rótulos é a tartaruga geométrica, uma das mais raras do mundo, encontradas somente na África mas que, recentemente, um grande incêndio florestal reduziu drasticamente a sua população e a deixou em extinção. Tem cores fortes e manchas no casco que parecem feitas geometricamente.

A Darling é uma lager leve, com uma rica cor laranja-dourada. Refrescante, com um sabor forte do lúpulo e finaliza com um amargor suave. Tem aroma frutado, com toque leve de banana, espuma clara e com muita carbonatação. Muito parecida com nossas lagers que matam a sede nos dias de verão, no meu caso matou a sede de curiosidade e, principalmente, ansiedade!

Waka waka (do it!)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Czechvar agora é chopp!


Texto escrito pela Elisângela  ou Eli, que nos representou no evento. Ela é uma recém apaixonada por cerveja – na realidade por qualquer tipo de bebida, mas que se aproximou do mundo da cerveja graças às boas influências. Valeu Eli!

A gente já falou aqui sobre a Czechvar e sobre como uma cerveja mesmo amarga pode ser leve e refrescante. Então a Uniland nos convidou para um evento especial no Consulado da Republica Tcheca: o lançamento no Brasil da Czechvar em barril!

A versão chopp da Czechvar traz o amargor residual persistente do lúpulo Saaz e o agradável aroma de malte tcheco. De sabor leve, talvez resultado da maçã em sua fermentação, é uma bebida muito refrescante que combina muito bem com o clima tropical do Brasil. Com a proposta de agradar os paladares dos consumidores mais exigentes, a Czechvar harmoniza muito bem com petiscos, refeições leves como saladas, peixes, grelhados ou queijos frescos.

Eu acrescentaria uma pitada de pimenta para realçar a refrescância natural do chopp, que deve ser consumido com um denso colarinho e estupidamente gelado.


Quem quiser conferir chopes Czechvar, vai no The Ale House Pub e Empório Alto dos Pinheiros em São Paulo, Grannies Pub em Campinas e Empório Biergarten em Ribeirão Preto.

Na zdraví!


terça-feira, 19 de março de 2013

Aussie St. Patrick's Day

Que a Austrália - Perth mais especificamente - não era o paraíso da nightlife eu já sabia. Mas confesso que, mesmo com a mudança de vida, isso me faz uma falta incontestável.

Domingo, St. Patrick's Day especial por diversos motivos: o primeiro na Austrália, o primeiro (de todo o sempre) trabalhando com o líquido sagrado e aquele que comemorava um ano com o agora marido. Nos conhecemos no último stop do tour do ano passado.

Atualizando e voltando um pouco, estou trabalhando numa cervejaria, coisa que conto mais pra frente. Ainda é começo, mas o progresso virá "sooner or later"! Então metade do domingo lá estava eu, com tiarinhas de St. Patrick's correndo pra lá e pra cá. O click-click das anteninhas está na minha cabeça até agora...

Depois de um longo dia, enfrentei o cansaço e até os housemates que não sairiam de casa aqueeeela hora - oito da noite! - nem pensar, e fomos eu e o marido para o Moon & Sixpence, um dos tradicionais pubs irlandeses em Perth (que conta com 4 mais precisamente). No centro da cidade, chegando por volta das nove da noite, a rua quase deserta. Sério.

Ao chegar lá, não tinha mais chapéu divertido, não tinha mais camiseta da Guinness, nada! Uma Guinness Pie e duas pints de Guinness, jogar conversa fora e curtir a noite quente da cidade. Foi o que nos restou.

E quer saber? Delícia! Mesmo abrindo mão da noite agitada, da correria do tour, das danças, saia xadrez, nariz verde... foi gostoso dividir uma paixão com outra.



Mudanças da vida. A única coisa que não muda foi o patrocínio Guinness da noite!

Cheers!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Bohemia além da Bohemia

Ainda no fuso brasileiro, é de brasileira que falo hoje. A Bohemia Confraria, post que fiquei devendo desde a Experiência Cervejeira Bohemia, onde fui apresentada oficialmente à ela (sim, já a conhecia, mas superficialmente).

A Bohemia vai além da Pilsen Premium que pedimos no bar quando queremos algo mais top na cerveja com os amigos. Ela tem uma família de mais três lindas representantes: a Bohemia Escura, a Bohemia Weiss e a Bohemia Confraria. 

A última, uma receita especial, criada na idade média pelos monges belgas, que foi resgatada e aperfeiçoada pela Bohemia. É uma cerveja feita com lúpulo importado, de tipo Abadia, mais forte e encorpada, com um aroma frutado e cítrico, seu corpo de cor âmbar e sabor intenso, mas doce. Traz também um ABV bem elevado para a família, de 6.2%. Sua fabricação é inspirada no processo artesanal dos monges da Idade Média. A cerveja Bohemia Confraria é elaborada com lúpulo importado adicionado à aveia em sua receita. Essa fórmula lhe confere o sabor e o aroma frutado e cítrico característicos das cervejas de abadia. A Bohemia Confraria combina muito bem com aperitivos frios e defumados, frutos do mar, carnes marinadas, fondues, ervas, molhos agridoces e queijos fortes.


No apelo visual, uma garrafa diferenciada, que dá um efeito de cerâmica, artesanal. Combinada à taça Confraria, comprada na pequena loja de Souvenirs, que deixa a obra ainda mais bonita, é uma cerveja sem erro, ótima para o começo da noite, fim do dia ou apenas para acompanhar um petisco ou momento, quando quer que seja.

Saúde!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

And The Oscar goes to...

Enquanto eu fico aqui, assistindo, escolhendo as melhores das melhores - cervejas - a Sociedade da Cerveja me delicia...


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Experiência Cervejeira Bohemia



A ponte Rio-SP nunca foi tão rápida. Pra quem está acostumada a levar mais de uma hora pra chegar em qualquer ponto de São Paulo, estar em Petrópolis, a quase 500km de casa, mesmo com o atraso do voo, antes do meio-dia, é até extasiante.

Por que Petrópolis? Porque é ela que está a fábrica da Cerveja Bohemia, e é lá que conhecemos a Experiência Cervejeira, num museu que, mais que Bohemia, fala da história da cerveja no Brasil. Patrocínio Ambev, meu querido! Devo falar que, ao lado da Yumi do Eu Bebo Sim e da Pollyana, da assessoria da Ambev, não tinha muita mulher no meio da machaiada cervejeira. Tudo bem, eu nunca disse que homem não sabe de cerveja, e eu aprendi um monte de coisa boa! 


Passando pela história, tipos de cerveja, onde um corredor e uma animação interativa muito bem feita mostra todos os tipos de cerveja. Tá, falta um ou outro, mas nota quem manja até demais. Outra tela mostra as grandes marcas de grande parte do mundo, num mapa onde podemos escolher país por país. Esta fase da experiência termina na Praça Koblenz, uma homenagem à cidade de Petrópolis, que leva o nome da praça localizada em frente à Cervejaria, fundada em 1845 pelos primeiros colonos  alemães que chegaram à cidade de Petrópolis.
E vamos à Bohemia. Mais uma brasileira na lista das perfeitas, foi a primeira cerveja pilsen caracterizada como Premium nas mesas de bar. Aquela que é a perfeita "cola social", como chamamos as loiras da mesa do bar, que só quando estamos bem, formados ou já estabilizados podemos coloca-la aos montes à mesa. Sim, porque quem nunca se contentou com qualquer cerveja nas festas de faculdade ou nas "aulas vagas" (cabuladas) nos bares nos arredores da faculdade ou trabalho?

A produção, história e segredos da Bohemia são divididos nas Sala do Mestre, Sala dos Ingredientes (mastigar cevada é obrigatório em qualquer visita em cervejarias), Alquimia e Transformação, onde tomamos um Chope Bohemia exclusivo, vindo direto da produção (fato: não há chope de Bohemia fora de Petrópolis), o Ritual, onde duas mulheres nos mostram o ritual para tomar uma Bohemia - a escolhida foi a Confraria, receita especial que falarei no próximo post (sempre evitando o detalhamento de Cinquenta Tons de Cinza nos posts). 




Depois de dois copos de cerveja, um estúdio interativo, com fotos, jogos e quiz. Meus olhos brilharam quando vi uma rotuladora para personalizar uma garrafa de Mulheres e Cerveja, mas para minha frustração, não estava em funcionamento. Fiquei com isso meio entalado, odeio ilusões... Vão me fazer voltar né?! 


Ainda, a Vila Bohemia, onde vimos a real produção da cerveja, com as garrafas na pressa de serem preenchidas, rotuladas, encaixotadas e encaminhadas para as lojas, mercados, empórios e bocas sedentas. Finalizamos o dia no Boteco, com comidinhas de boteco sensacionais regadas à Bohemia Pilsen e mais um pouco da Bohemia Confraria. De souvenirs, ainda peca um pouco. Segundo o Ricardo Amorim, Gerente de Comunicação da Ambev, o projeto ainda está em expansão, e tão logo o restaurante se estruturar e crescer, uma loja de souvenirs de peso acompanhará a finalização da visita. Tomara, porque pra mim, souvenirs são parte importante de uma visita. Meu cartão de crédito sabe o quanto posso gastar estando extasiada pelo líquido dourado sagrado!


Enfim, de volta pra casa, lembranças na bolsa, na câmera e na memória, agradeço o convite, indico a visita e confesso que fiquei SÓ mais um pouquinho apaixonada por cerveja, orgulhosa por ver a qualidade de uma produção genuinamente nacional.

SAÚDE!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Cerveja com tequila

Ontem foi um tenso no trabalho. Tenso não, irritante. Mas nem me prolongo muito nisso porque todo mundo tem um alguém no trabalho que te faz um dia pensar em entrar atirando, bem a la Dia de Fúria. Um dia daqueles que você pensa: tudo que eu quero é chegar em casa e tomar uma cerveja. Parece coisa de homem, mas pra equilibrar, tomar uma cerveja assistindo O Diário de Bridget Jones. Pronto, mulherzinha.

Tenho sempre no porta latas da geladeira algumas latinhas providenciais, mas por sorte – ou coincidência -  tinha deixado uma nova aposta na porta da geladeira, comprada um dia antes. Uma amiga sempre me arrasta ao Empório Santa Maria quando quer presentear o namorado com algum rótulo, e eu tinha visto no mesmo dia algum post que falava da Desperados, cerveja com tequila - que eu tinha conhecido em Ibiza (bons tempos aqueles...), e eis que esta curiosidade bateu. Ainda tendendo a me encantar com rótulos, talvez pelo fato de ter a publicidade no sangue, a Tequieros chamou minha atenção.

Que tequila com limão é bom a gente sabe. Que cerveja com tequila é bom a gente também sabe, e tem até mil drinks trabalhados nesta vertente. Mas cerveja com tequila e um quê de limão...A linha tênue que divide o bom e o ruim. Confesso que para o momento, gelada, azedinha e refrescante, eu adorei, sorri, me acalmei. Acompanhei com pipoca e chocolate por um distúrbio psicológico e excesso de ansiedade, mas sei que, como cerveja, como sagrada, tsctsc... Não vira.

A Tequieros é uma fruitbeer da cervejaria francesa Gayant, cervejaria familiar independente desde 1919, que foi pioneira em novos estilos de fabricação, de cerveja sem álcool até a mais forte cerveja francesa, a Bière du Demon, com 12% de álcool. Hoje a Gayant tem 27% do mercado especial de cervejas na França. A cerveja tem uma espuma média – mesmo com a brincadeira feita com o copo servido (e sim, eu faço piada mesmo estando sozinha), tem um corpo bem amarelo, lembrando uma pilsen, de corpo leve, um pouco aguada, aroma de grãos e forte presença do lúpulo. No sabor, levemente doce e amarga, tudo ao mesmo tempo, mantendo o gosto da tequila e a presença do limão até o fim. Pra ser sincera parece as Ices moderninhas, com sabores inusitados. Tem um ABV considerável, 5.6% na garrafa de 330ml. Vale pra matar a curiosidade, mas nunca para colocar na lista da cerveja perfeita.

Mas confesso que gostei, me diverti e ficava repetindo o nome da cerveja talqual um pônei maldito. Mas isso foi um momento inusitado, precisava mesmo de algo mimimi pra revitalizar o dia.

Hoje eu vou de cerveja de gente grande, é sexta-feira.

Te quiero!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Cerveja orgásmica. Só que não.

Confesso que fiquei entre curiosa e excitada com o rótulo dela. Porque eu também confesso que muitas das cervejas que escolho, escolho pelo rótulo, salvo exceções de presentes e indicações.

Mas também confesso que nela só o nome é perfeito: Rogue OREgasmic Ale. Quase perfeito, porque percebi que o ORE faz alusão à Oregan, o estado de produção da Rogue. Produção esta aliás que faz parte do Projeto Chatoe. Mas falemos da Rogue antes.

A Rogue começou em 1988, em Ashland, Oregon, EUA, como uma “homebrew”, ou seja, pequena e simpática fábrica de cerveja artesanal que vendia no seu próprio pub, com 60 lugares. O lugar foi ficando pequeno e, na busca por um lugar perfeito, Jack, o criador, encontrou em Newport o lugar ideal para aumentar sua produção. Desde então, a Rogue é conhecida mundo afora pelos seus ingredientes nada em seus cerca de 40 rótulos, como bacon, pimenta, pétalas de rosas, mel... bom, já falamos antes aqui.
Já o projeto Chatoe faz parte de um forte movimento nos Estados Unidos chamado "Grow Your Own Food", ou seja, cultive seu próprio alimento. A Rogue então cuida de todos os processos da fabricação da cerveja, desde o plantio e cultivação dos ingredientes até a produção do líquido sagrado (sim, sagrado!). Indiretamente trouxe ainda um conceito muito difundido no meio do vinho para a cerveja: o terroir. Com maltes e lúpulos locais, a linha Chatoe é absolutamente vinculada ao solo e ao clima do Oregon. Isso vale especialmente para os lúpulos produzidos no Vale do Willamette, únicos no mundo. Ou seja, todos os insumos são locais, o que faz desta cerveja um tanto territorialista. Daí eu entendo o excesso de presunção no rótulo.

Então a cerveja. A OREgasmic Ale tem uma coloração âmbar com espuma bege, bem turva, no aroma o caramelo e no sabor a fortíssima presença do lúpulo com notas cítricas e herbais. E mais lúpulo. E um final seco e amargo. E um erro: logo depois de comer os pãeszinhos de sal grosso e alecrim da mesa, o retrogosto desta Ale se tornou mais seco e amargo. A alta cabornatação faz com que a cerveja dê uma enroscada na hora de descer. Uma American Pale Ale carregada no amargor e na pretensão.

Um rótulo que criou mais expectativa do que era possível suprir. E um rótulo nem tão barato, R$37,00 pelos 650ml.

Esta é a hora que a gente foge do inusitado e volta para o tradicional, para não perder a oportunidade de ter uma perfeita à mesa. Fui de Hoerggaden na sequencia para recolocar o sorriso no rosto.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um casamento cervejeiro :: Cervejaria Nacional


Há tempos estou pra falar da Cervejaria Nacional. Mais precisamente desde a primeira vez que a visitei, mas desta vez será especial.

A Cervejaria Nacional fica em Pinheiros, São Paulo. Tem três ambientes: a fábrica no primeiro andar, o bar no segundo e o restaurante no terceiro. Genuinamente nacional, usa o folclore brasileiro como tema da decoração e para nomear as cervejas.

Sim, fábrica, porque a Cervejaria Nacional é a única fábrica-bar de SP. Por isso lá só tem as cervejas produzidas por eles e é lá, no primeiro andar – onde eu tirei as melhores fotos da vida! -  que são produzidos cerca de 5.000 litros de cerveja de 5 tipos diferentes por mês. Cerveja sem conservantes, artesanal e muito saborosa, elaborada pelas mãos dos mestres-cervejeiros Fabiani e Alexandre Sigolo. Até hoje, lá já foram produzidas e bebidas mais de 25 receitas dos mais variados sabores e ingredientes.

Daí lá a gente ainda aprende mais sobre cerveja. A gente já sabia que cerveja gelada demais é um erro. E na Cervejaria eles explicam porque não servem a estupidamente gelada... “A temperatura baixa engana suas papilas gustativas e faz com que você dificilmente perceba o sabor ou a falta dele. Por isso, todas as nossas receitas chegam à torneira da chopeira com a temperatura entre 0º e 0,2ºC, para que você possa degustar e sentir todas as características do sabor de cada uma delas.” Cultura cervejeira. O bar no segundo andar, com mesas, balcão e decorado com sacas de cevada está sempre cheio – funciona desde o almoço até tarde da noite.

E indo ao terceiro e último andar, o restaurante, um espaço rústico, iluminado durante o dia e mais quente e ameno à noite, tem no fundo a cozinha, super à mostra através de um vidro que mostra a galera se empenhando em pratos sensacionais. E então foi neste ambiente que nosso casamento foi celebrado. O terceiro andar foi reservado e previamente decorado, e escolhemos o menu de harmonização da casa para nossos convidados.



Foram 5 pratos, cada um acompanhando – à vontade – uma cerveja da casa. Os convidados ao chegar tinham como opção de petiscos as “comidinhas de boteco”: Pastéis de Carne e Queijo, Bolinho de arroz, Batata da casa e Polenta frita. Para harmonizar, a cerveja Y-iara Pilsen, o carro-chefe da casa, primeira das cervejas a ser produzida. Base de maltes pilsen e vienna, coloração amarela-dourada, lúpulo Saaz para um aroma floral e 5% ABV. A ideia dessa receita é reproduzir a tradição do estilo, com amargor perceptível, 100% malte e personalidade. As cervejas Pilsens são leves, aromáticas, refrescantes e com delicadas notas de malte. Sugerida para acompanhar saladas, aperitivos fritos e condimentados e grelhados. Foi basicamente a escolha dos convidados para a noite toda, embora muito ainda tivesse por vir...

Como entrada, duas opções: Crostini de Cogumelos (Cogumelo paris com um toque de alho, parmesão e rúcula), servidos com a Cerveja Kurupira Ale, uma Amber Ale com equilíbrio entre o amargor do lúpulo e as notas adocicadas de malte, onde o caramelo tende a prevalecer. Nossa Ale do dia a dia e herdeira direta da receita da Drake's Brown Ale. O plano era criar uma receita baseada no primeiro grande sucesso da Cervejaria Nacional, com tons mais avermelhados. Na versão Kurupira temos 30 IBU's como na original, com maior presença das notas de malte caramelo e 5% ABV.
Salada Xavantes
Ainda como entrada, a Salada Xavantes - alface romana, molho ceasar, parmesão e croutons – servida com a cerveja Domina Weiss, que como toda cerveja de trigo tem um paladar refrescante, aromas de banana e cravo e a inconfundível sensação do malte de trigo, características que agradam muito nos dias mais quentes. Com uma receita simples de maltes de trigo e pilsen e lupulagem amena com o Tettnanger, a Domina Weiss é elaborada com uma cuidadosa fermentação que produz os aromas acima de maneira muito delicada, o que faz dela a campeã absoluta de vendas. Inclusive, foi com ela o primeiro brinde dos noivos, direto da fonte!

Brinde dos noivos by Domina Weiss
O prato principal podia ser escolhido entre um sensacional Risoto de Costelinha (Arroz arbóreo com costelinha de porco desfiada, limão cravo e crispy de cebola) ou o Ravioli da Casa, que eu já a-d-o-r-a-v-a, recheado com mussarela de búfala e molho de tomate italiano. Ambos acompanhavam a Mula IPA, aquela favorita do padrinho Ali. É um estilo que tem se tornado muito popular entre os cervejeiros. A Mula nasceu como uma IPA americana, a qual possui teor alcoólico elevado (7,5%), corpo baixo, final seco e generosas doses de lúpulos americanos que contribuem para aromas de frutas tropicais, maracujá e cítrico além do amargor bem pronunciado (60 IBUs). Como as IPAs são cervejas de personalidade forte, amargor elevado e alto teor alcoólico com o lúpulo sendo o grande destaque, são indicadas para acompanhar pratos mais fortes e mais temperados. Por fim, além do fantástico Bolo de Guinness já anteriormente citado, a sobremesa, mais apreciada impossível: Petit Gateau com sorvete de creme, servida com a Sa’si Stout. As cervejas Stout são famosas por acompanharem doces e sobremesas. A Sa’si é uma Dry-Stout com  4,6% ABV, 35 IBU e cor negra profunda. Com o tempo o forte amargor de malte torrado foi sendo equilibrado com outros elementos da receita para dar harmonia aos sabores dessa Stout, caracterizada pela cremosidade e as notas de café e chocolate no aroma e sabor. 

E ainda, a Patrícia Reali, gerente da Cervejaria Nacional, foi incrível o tempo todo. Mesmo depois de 2 meses, ainda é tempo de agradecer a atenção especial que nos deu e o momento proporcionado. É sempre muito difícil agradar à todos em um evento – principalmente casamento – mas o local superou nossas expectativas. Quem já conhecia adorou a ideia de termos a recepção lá. E quem não conhecia com certeza se surpreendeu! Muito gostoso ter um casamento simples, mas cheio de estilo e com muitos elogios.
Valeu Pat!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O casamento de Catarina

O período de seca nos posts de cerveja está oficialmente encerrado.

Rafael foi um cara malandro. Veio quieto e em questão de meses conquistou a Michelle eeeee a Catarina. E quando pensávamos que só o casamento da Michelle que estava rolando, numa manhã estilo “Se Beber Não Case” levou o que restava da Catarina ao cartório e ela, quase sã, assinou seu novo nome. Sim, Michelle e Catarina agora assinam Reis.

E este casamento foi pautado pelo dourado líquido sagrado. Feito de cerveja e celebrado com cerveja, numa cervejaria. Afinal de contas, o casamento dos noivos que se conheceram nas comemorações do St. Patrick's Day e foram abençoados pela graças de São Patrício, não poderia ser de outra forma...

Começando pelas lembranças, um mimo. 

Potinhos de brigadeiro de cerveja.

A receita é simples mas requer paciência:
  • 350ml de cerveja Pilsen (usei Heineken)
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 colher de sopa de margarina


Paciência para reduzir a cerveja para 150ml. Demora um pouquinho e não pode ferver, porque ela sobe. O fogo brando e o olhar zeloso constante duram cerca de 20 a 30 minutos e o cheiro... ainda estava em estado de ressaca (dois dias antes tinha visitado o hospital graças à festa de despedida de solteira. Plasil na veia, estômago enjoado e a aparência verde me acompanharam até a véspera do casamento) e o odor do álcool evaporando não foi muito confortável, confesso. Mas o resultado ficou excelente. O gostinho diferente da cevada deu um toque. A cor é como a de beijinho, um cremezinho claro, mas isso depende da cerveja usada. Como usei Pilsen, ficou mais clarinha, mas uma dica é usar a Stout, que deixa o doce até mais amarguinho, agradando mais! Mimo aprovado, sucesso. Foram feitos 100 potinhos, sobraram zero.

Decoração vinda da Despedida de Solteira

Não queria deixar as mesas do restaurante, que tem uma decoração mais rústica, lisas. Coletando ideias nos milhares de sites de casamento que vi por aí, vi uma decoração que usava garrafas de vidro como centro de mesa, com palhas e flores. Rá! Vamos adaptar e usar garrafas de cerveja, já que seria na Cervejaria, não? Melhor... na semana do casamento, mais especificamente 3 dias antes, na despedida de solteira, pedi para as meninas guardarem as garrafas de Heineken que tomavam, para que eu pudesse usá-las. A Dani Pioli, arquiteta e criativa nas horas vagas, me preparou a surpresa. Como ela que iria decorar o ambiente, ficou com as garrafas. E o rótulo, em vez de retirado, foi substituído por um personalizado. Sensacional ideia e efeito! Muitos levaram como lembrancinha. Inclusive eu!

Bolo de Guinness

Esta receita é velha conhecida do MC. E eu também já tinha usado a receita num bolo de aniversário de amigos. A decisão do bolo de Guinness foi por acaso. Quando estávamos à procura do bem-casado perfeito encontramos a Alessandra Tonisi (vale a visita no site pra quem vai casar ou só quer um bolo gostoso viu). Um ateliê no bairro da Saúde, uma casinha pequena e movimentada e a Alessandra, perdoem-me a redundância, um doce de pessoa! Eu procurava um outro tipo de bolo e faria com uma amiga da família, mas ela me conquistou. E deu boas idéias.

Bolo de casamento, quem vive este momento sabe, é muito caro, mas essencial. E lá no ateliê, discutindo formas e sabores, fui apresentada ao “Naked Cake”, uma nova moda de bolo de casamento que não tem a cobertura de pasta americana. A base seria de chocolate e o recheio, trufa de amêndoas brancas. Então me veio à cabeça: “Você já fez bolo de Guinness?”. Ela não conhecia a receita, e eu, orgulhosa, mostrei o Blog. Ela acatou a ideia, fechamos o contrato e na sequência o noivo, engalado, levou as latinhas de Guinness para que ela pudesse testar a receita. E que receita! Eu nunca vi convidados comendo o bolo de casamento, para mim é apenas mais uma das formalidades, mas o bolo simplesmente evaporou! E nós, os noivos, nos acabamos. Foi o melhor bolo que comi na vida! A massa era intensa, molhadinha, de chocolate com o toque amargo da Stout, o recheio quebrava, nada enjoativo, com pedacinhos de amêndoas de davam um crocante no bolo molhadinho. Recebi até foto do bolo no prato de convidados, que se perguntavam quem tinha feito, do que era... é, usar cerveja na culinária encanta e desperta a curiosidade!

Pra quem se pergunta, o Shrek é sim o Rafa, foi uma surpresa para ele. E sim, casei de sapato rosa e usei meu celular no altar. Mas enfim...

Recepção na Cervejaria Nacional

A Cervejaria Nacional é um dos meus três lugares “pra-tomar-cerveja” em São Paulo favoritos. E na busca de um local para a recepção, já que queria fugir do padrão de festa de casamento em buffet, a Cervejaria veio em pauta. Os restaurantes, ao saber que era casamento, cobravam menu fechado que saía mais caro que qualquer buffet que se preze. Quando estava ficando chato, uma amiga me sugere: “Leva os mais chegados pra tomar uma cerveja e pronto!”. Então conversei com a fofa da Patrícia Reali, gerente da Cervejaria, que nos deu o maior apoio e adorou a ideia. Fechamos o menu de harmonização, a R$90 por convidado, com cinco pratos e cada um acompanhado por uma cerveja da própria Cervejaria Nacional. Vou especificar e falar bastante disso semana que vem, ou este texto vira um capítulo de Cinquenta Tons de Cinza...

Aprovadíssimo pela geral. No fim das contas, o kit antirressaca que seria distribuído na balada na sequência, foi dado ali mesmo. Muita cerveja à vontade, menu farto e pessoas felizes. Tudo que todo casal de noivos que acabou de passar o nervoso do altar da igreja quer. Com cerca de 80 pessoas na lista, fechamos o segundo andar da Cervejaria, o que para um sábado à noite causou certo transtorno na fila de espera do local. E, claro, alvoroço toda vez que a noiva descia no primeiro andar para usar o banheiro. Descobri uma timidez que não sabia que existia.

Ansiosa pelo álbum oficial (por enquanto só temos as fotos de alguns amigos que postaram com a #casalreis no instragram), já que abriram a produção para que pudéssemos tirar mil fotos entre os barris de cerveja, sacas de cevada, tirando a cerveja do próprio tonel, acompanhando a fervura. Delírios de Catarina, noiva de touquinha!

O Brinde foi com Deus

Era algo que passava pela minha cabeça, mas que se mostrava surreal pelo preço da garrafa. Imagina 20 garrafas de Deus? Seria mais barato usar Veuve-Clicquot. Mas por motivos de logística e negociação, abortamos o vinho e brinde do jantar - embora já estivéssemos a caminho do Imigrantes Bebidas, de onde sairíamos com cerca de 40 garrafas e algumas centenas de reais desfalcados, quando a decisão foi obrigatoriamente tomada, um dia antes do casamento. Mas o protocolo do casamento pede o brinde dos noivos, o corte do bolo e mais mil mimimis, portanto era mesmo importante. Então, lá mesmo entre tantas garrafas, vejo uma caixa. Com um balde e duas taças personalizadas, a “módicos” R$270,00, ela, a Deus, piscou e disse: Um brinde!

Foi quase o momento mais emocionante da noite. O brinde com efetivamente a melhor cerveja do mundo, a eleita perfeita pelo Mulheres e Cerveja, aquela que quem não a conhece duvida ser cerveja. Divina, majestosa. Por pouco, quase a dama da noite. Nosso brinde dos noivos foi feito regado à Deus, em taças especiais que hoje adornam minha coleção de copos, quase que em uma redoma. Meu presente de casamento ver os olhos do Rafael brilhando ao prova-la. Estourar a rolha, claro, foi tarefa gentilmente cedida à Catarina, que julgou justo que todos os convidados a provassem, então a “bitoquinha coletiva” fez com que todos admirassem e ouvissem, um a um, o que era a Deus. Cerveja... Champanhoise... Belga... 28 euros em casa.

Um casamento especial. Diferente, simples, quebrando paradigmas, mas mesmo assim especial, íntimo e muito feliz. E, principalmente, cervejeiro. E pensar nisso me faz abrir um sorriso ao escrever, ao lembrar, ao falar. A cerveja agora tem um espaço na minha vida muito maior e mais bonito. E um novo admirador, que a cada ideia de incluía cerveja aprovava e apoiava.

Aos noivos, Prosit, Salut, Cheers, Tim-tim, Proost, lloniannau, Salute, Vive ou Saúde! Com todas as cervejas do mundo!