segunda-feira, 16 de julho de 2012

Catarina no País... de Gales

Confesso que esta viagem foi bem diferente. Fiquei um pouco desligada do mundo, sequer levei meu computador, e vivi muito menos o lado cervejeiro da Europa do que gostaria. Tenho poucas – mas boas – histórias na bagagem.

Cada lugar, um rótulo, este é o objetivo de qualquer viagem que faço. E sobre as inglesas, muito já procurei nelas a minha nova perfeita. Resolvi pegar a estrada e procurar nos lugares mais distantes, e mais atípicos.

País de Gales. Ou Wales, como os britânicos o chamam. Viagem curta e decidida de última hora, como quase tudo que faço. Uma terça-feira e nenhum lugar agitado para receber três brasileiras ávidas por música e diversão. A cidade é linda, tem um idioma um tanto quanto curioso além do inglês, mas é pacata como uma cidade de interior. E estamos falando de Cardiff, a capital do País de Gales.

Mas a pergunta não muda: qual é a cerveja local daqui? Com um sorriso no rosto, a muito jovem (sério, ela não tinha nem 20 anos) me levou até o tap das Ales locais. Eram 3 locais e uma “Guest Ale” (que não provei por não ser local), e pude provar um pouco de todas até escolher a minha favorita e tomar uma pint muito bem tirada.



Pela ordem dos taps, a The Rev. James, uma cerveja encorpada e picante, com um aroma forte amadeirado que lembra castanha. Uma típica Ale, de cor âmbar e espuma clara, com um corpo doce porém com um final seco e amargo. Uma cerveja curiosa, que a cada gole fui mudando um pouco a opinião. No fim das contas, uma Ale doce e até agradável para o paladar feminino das amigas. A cerveja é o nome de um dos proprietários originais da Buckley Brewery, que em 1997 foi comprada pela SA Brain&Co.

Em seguida, a Brains Bitter, que conforme o próprio nome, amarga. Feita através de uma mistura curiosa de maltes e dois tipos de lúpulos, tem um sabor doce inicial que logo é substituído pela presença forte do lúpulo, sendo amarga como um cabo de guarda-chuva. Ainda assim, é frequente vencedora de prêmios internacionais. Gosto de cerveja amarga, mas este ficou em terceiro lugar, entre as três.

Última da noite, a Brains SA. É a cerveja da mídia de Wales, patrocina o time de Rugby e está presente em pôsteres em todos os pubs que circulei. Mais uma vez, a cervejaria ultiliza uma mistura de lúpulos, que traz – mais uma vez – amargor na ale, não tão denotada quanto na anterior. Com um corpo mais acobreado, tem um final seco com o sabor e aroma do malte, com notas de frutas e um leve adocicado no final. Boa, bem boa, a favorita.

Todas elas são da cervejaria SA Brain&Co, própria de Cardiff, localizada desde 1713 no coração da cidade, na avenida principal. Em 1882 foi comprado pela Samuel Arthur Brain e seu tio Joseph Benjamin Brain, e os negócios continuam na família até hoje, sendo o presidente neto dos fundadores. Ainda hoje  as cervejas são produzidos de forma tradicional na cervejaria, que é um marco central da cidade, caracterizado por sua chaminé subindo ao lado da estação central de Cardiff.

Realmente, no quesito cerveja, Cardiff não me decepcionou. Já o clima... não parou de chover por um minuto sequer nos dois dias que estive lá. Depois soube por uma amiga londrina que nasceu em Wales que não chove lá por raros 15 dias no ano. Ou seja, 350 dias de água. Valeu São Pedro!

lloniannau! (Sim, isso é "Saúde" em galês)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Para um verão diferente, Sidras!


Quem é vivo...

Virou tradição - espero - passar as férias em Londres e dar aquela esticadinha, até onde o cartão de crédito permite! E este ano a viagem se deu por um motivo nobre e sem chance de recusa! Então, cá estou!

Já matei as saudades de muitas cervejas aqui... a primeira, correndo, foi a Früli, lógico. Depois Guinness, Innis & Gunn (a perfeita do ano passado), Snake pint (mistura australiana de uma espécie de groselha, cerveja e cidra), Carling... e sempre que possivel, aquela passada no Tesco pra descobrir algo novo e barato.

Mas hoje não falo de cerveja. Quero falar das "Ciders". Sim, a sidra, a Cereser, popular substituta brasileira do Champagne na hora dos fogos de Ano-Novo. A sidra é uma bebida preparada com sumo fermentado de maçã. Seus maiores produtores são Inglaterra e França, no entanto é também bastante popular na Suíça, Alemanha, Espanha, Portugal, Brasil, Irlanda, Áustria, África do Sul e Austrália. No Reino Unido, a sidra é geralmente associada à região oeste do país, e também produzido no País de Gales e na Inglaterra, onde há duas grades fazendas de sidras. Estima-se que há cerca de 480 fabricantes de Sidra ativos no Reino Unido, tomando 8% do mercado alcoólico do Reino Unido. Sabendo-se como este povo bebe, não é um mercado pequeno...

Já dei uma breve apresentada sobre as sidras no inicio da nossa busca, mas sem me aprofundar. Com o verão na Inglaterra, este ano foi uma das minhas primeiras opções para refrescar o calor de ... 25C. Nossa! E de fato são mais populares no verão do que as cervejas, cujas temperaturas não são as mais geladas. 

Servidas em pints repletas de cubos de gelo, elas ocupam um grande espaço nas geladeiras dos pubs e prateleiras dos supermercados. Minha favorita, sempre, é a Kopparberg. Um nome sueco, uma grande marca inglesa. A Kopparberg é uma sidra da categoria suave, leve, doce e refrescante. Me lembra um pouco a nossa H2Oh, sem muito gás e com um sabor bem suave. A de pêra minha fiel favorita, mas também nos sabores Morango, maçã e outras combinações estranhas e surpreendentes. Todo verão eles inovam com um novo rótulo. Já a "dona do pedaço" é a Strongbow, vendida tanto em garrafas longnecks como "from the tap", popular nos pubs londrinos. Uma sidra seca mais clássica, forte, de maçã tradicionalmente. Não inventam sabores. Aliás, no passado, era dos mesmos produtores da Heineken.


Ainda no popular, a Magners, a segunda mais vendida. Esta é irlandesa e comumente vista como patrocinadora de grandes eventos e shows no Reino Unido e Irlanda. Nas versões Original, Pêra, Frutas vermelhas, Light e a sensação deste verão, "Spiced Apple and Rhubarb". Eu nunca comi um ruibarbo, mas na sidra é bem gostoso. 


Estas todas já eram velhas conhecidas minhas de outros tempos, mas este ano uma nova - e excelente marca - foi lançada, que tomou o posto da perfeita entre as Ciders: Rekordelig. Sim, Sidra é algo sueco, então é comum esses nomes estranhos! A Rekorderlig é genuinamente sueca, uma empresa familiar, no mercado local desde 99 e agora se expandiu para a União Européia. Tem 6 sabores, uma sidra suave, não tão doce quanto a Kopparberg e mais refrescante.

Eu que nem buscava perfeição, achei uma Cider perfeita. Viagem de surpresas!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

De mulher pra mulher...

Nem só de busca vive Catarina...

Eis que recebo das meninas do Negócio de Mulher um convite para um evento especial: "Oficina Feminina de Degustação de Cervejas "

Vou replicar exatamente o release que recebi e contar porque fiquei encantada:

O Negócio de Mulher, um grupo de empreendedoras que desenvolve iniciativas criativas para as mulheres, promove no dia 23 de Junho, no Cinecittá Café, em Belo Horizonte, a Oficina Feminina de Degustação de Cervejas, com Armando Fontes, produtor da Cerveja Vilã e membro fundador da AcervA Mineira (associação de cervejeiros artesanais de MG).

Com o objetivo de levar a cultura e conhecimento de cervejas às mulheres, a oficina desvendará as diferenças entre os diversos estilos da bebida, abordará a história e as principais escolas cervejeiras do mundo, além de ter um momento reservado para a degustação de rótulos nacionais e internacionais especialmente escolhidos para o paladar feminino. 

Um pesquisa realizada em 2010 pela gigante inglesa SABMiller descobriu que as mulheres são melhores provadoras de cerveja que os homens. Evidências mostrariam que elas têm mais sensibilidade para detectar off-flavours que os homens. “Percebo que as mulheres experimentam mais, estão mais abertas a novas experiências que os homens” - revela Armando.

Karine Drumond e Priscila Valentino, sócias da Negócio de Mulher, ressaltam também a ligação da mulher com as cervejas: “As mulheres estão intimamente ligadas à descoberta da cerveja e sua produção. A cerveja não foi inventada, mas aprimorada e uma mulher na Alemanha, a beata Hildegard von Bingen 1179, abadessa beneditina, erudita e visionária, deu a primeira contribuição científica e técnica à produção de cerveja ao acrescentar o lúpulo na receita - explica Karine. “Por isso não estamos inovando com essa história, mas sim resgatando um pouco desta cultura” - complementa Priscila.

O encontro acontecerá no Cinecittá Café, onde as participantes poderão aprender e degustar os rótulos que serão apresentados, acompanhados de aperitivos e sobremesa harmonizada.

As vagas são limitadas e a inscrição deve ser feita pelo link http://bit.ly/KxPTxK. O valor promocional de inscrição é de R$90, até dia 20/06 e R$100 para inscrições após esta data. (Cervejas e aperitivos já inclusos no valor). O pagamento poderá ser feito com boleto bancário, depósito ou transferência.

Data: 23 de Junho
Horário: 14:30 às 17:30 hs
Local: Cinecittá. Rua Aimorés, 582, Funcionários
Valor: promocional até dia 20/06: R$90,00 | após 20/06: R$100,00
Inscrições: http://bit.ly/KxPTxK
Mais informações no site http://bit.ly/Lmde4K, pelo telefone 31 9841-8406 ou email contato@negociodemulher.com.br

Achei a ideia sensacional! Um evento reunindo apenas a beleza das mulheres e os encantos e sabores das cerveja... de novo, SENSACIONAL. E, para mim, seria um excelente motivo para enfim conhecer BH. Massssssss embarco dia 22 para minha saga anual no velho continente, seguindo minha incansável busca por cores, cheiros, sabores e rótulos em novos e já conhecidos locais! 

Pra quem puder participar do evento e quem sabe encontrar a cerveja perfeita por lá, me conta! Sério, vou adorar ceder o espaço para mulheres engajadas na busca da cerveja perfeita! (emailme: mulheresecerveja@gmail.com)

Saúde, em mineirim...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quilmes que te quiero

E eis que esta é a semana mais romântica do ano!

Entre os apelos comerciais de São Valentino, João Dória e Santo Antônio, uma viagem romântica, a dois, celebrando um amor recente e cheio de novidades. Ser romântico é bom e inspira textos dignos de Neruda. Ou, melhor colocado, Cervantes.

Mas como eu não entendo poesia, minha atenção estava voltada para algo além daquele conjunto de bíceps, tríceps e palavras bonitas. Eu tinha uma família a visitar na terra de Evita Péron. Ah Buenos Aires com suas recordações, seu outono quase europeu, alfajores e aquelas Mediallunas!

E aquela cerveja...

Já falamos da Quilmes Cristal, cerveja trazida de presente de uma viagem de lua-de-mel. Mas eu fui além, e conheci a família Quilmes.

Comecei pela Quilmes Stout, uma cerveja mais indicada para aquele frio da madrugada. Uma cerveja escura, com tom avermelhado, de corpo e cremosa, feita com maltes torrados que conferem o aroma de uma Stout. É um tipo de cerveja mais doce, com um amargor muito suave e equilibrado, com caramelo torrado que lembra o café ou chocolate. Como qualquer Stout. É uma boa cerveja sim, mas sem muita personalidade. Na realidade foi este meu comentário, e ao ler sobre a cerveja, percebi que não fui a única com este sentimento...




A Quilmes Bajo Cero. Para quem conhece Antarctica e Antarctica Sub-zero, aquela filtrada a -2C... Pronto. Se não conhece, é uma cerveja mais fraca, que desce mais fácil por ser mais aguada, refrescante para os dias quentes e para quem não esperar uma cerveja encorpada. Tem o mesmo quê de azedinha da Quilmes, mas mais suave. Cerveja de praia. O que na Argentina não combinou muito. Culpa do frio, ou não.
Depois destas duas experiências um tanto medianas, mesmo sabendo que ainda tinha 3 rótulos pendentes na família e já tendo como a preferida da família a velha Cristal - uma das minhas favoritas na hora do Happy Hour - fui vencida pelo vinho. Feita esta troca, todos sabemos que não poderia retornar à cerveja pelo menos por um dia. E a viagem já teria acabado.

O que não impediu de um novo rótulo sair de Caminito para a mala. Cenas de um próximo post...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Birra che te fa bene!

Ainda com aquela reportagem na cabeça, fui de “ingredientes exóticos”. A cerveja cujo nome sempre me fugia, mas o design do rótulo estava vívido na cabeça, e então, lá mesmo no Empório Alto dos Pinheiros, ela estava lá, entre as duas irmãs.

A Mastri Birrai Umbri Cotta 37. Suas irmãs, de sobrenome Cotta 21 e Cotta 74, a cercavam. A escolha foi feita A pela curiosidade de seu ingrediente exótico e B pelo prato que havia escolhido (pra quem não sabe, no Empório Alto dos Pinheiros também come-se muito bem!), mezzalunas coloridas de brie com manteiga de sálvia pediam uma red Ale como acompanhamento.

Cerveja artesanal italiana, então eu vou usar a descrição em italiano:

“ La Rossa Artigianale dei Mastri Birrai Umbri è prodotta seguendo la ricetta Cotta 37 con il tradizionale metodo dell’alta fermentazione e con l’impiego di materie prime ricercate e di malti speciali tostati, che caratterizzano il suo colore ramato intenso e naturalmente velato. ll suo aroma coinvolgente è dominato dalla complessità dei luppoli nobili che si evolvono verso eleganti note di caramello e buccia di arancia. Il corpo è rotondo, il gusto bilanciato. L’artigianalità della produzione, il metodo dell’alta fermentazione, la non filtrazione e la non pastorizzazione possono creare un sedimento sul fondo della bottiglia. Temperatura di servizio: 8° - 10°"

E todo meu italiano de Terra Nostra entendeu o recado: cerveja boa!

Uma Spice/Herb/Vegetable Beer. Porque? Este é o ingrediente exótico: ervilhas, que aceleram sua fermentação. Suas irmãs, que atiçaram minha curiosidade, utilizam-se de lentilhas na Cotta 74 e farro, um cereal típico italiano, na Cotta 21. Com uma garrafa (maravilhosa) de 750ml se torna impossível provar as três. 

Red artesanal, que nem é tão avermelhada, muito mais para alaranjada, dourada, turva. Sua espuma é densa, consistente, e no aroma já sentimos o toque caramelizado do malte e, veja, ervilha, entre notas adocicadas de frutas secas, Um sabor inusitado, bem maltada, e o mais intrigante é que também dá pra sentir o sabor suave da ervilha no corpo, com uma finalização levemente amarga. Por não ser filtrada e refermentada na garrafa, tem sedimentação no fundo da garrafa, o que faz com que o segundo copo seja mais turvo. Uma cerveja surpreendentemente refrescante e fácil de beber – não fosse escassos goles dos acompanhantes de mesa, tomei toda a garrafa. O preço foi justo, na minha opinião: R$37,00.


E como publicitária, não fico só na cerveja. O site da Mastri Birrai Umbri é sensacional, muito bem desenhado, com um toque clássico italiano mas com um quê do moderno da internet. Gostei muito!


E eu que jamais imaginaria quanto assunto uma simples Vejinha me traria. Que venham as de grande estilo, dias frios, dias quentes, mais fortes, mais doces e embalagens diferentes!

Salute!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Cerveja única, com nome e sobrenome: Brooklin Sorachi Ace

Entre tantas buscas, tantos momentos e tantas surpresas da vida, uma revista pousou em minha mesa, trazida por um co-worker que sabe da minha paixão. A Veja São Paulo surge com um especial de cervejas na cidade, com inúmeros rótulos, que eu confesso que virou meio que uma lista de “to do”. Quando vi alguns rótulos desconhecidos pensei... quero a PERFEITA desta matéria!

Iniciei então a busca naquela sexta-feira mesmo, trocando um jantar romântico por uma visitinha no Melograno de sempre.

A matéria da revista dividia os rótulos entre ingredientes exóticos, grande estilo, dias frios, dias quentes, mais fortes, mais doces, sabores inusitados e embalagens diferentes.

Sabores inusitados. Primeira escolha, aliás escolhida a dedo e com toda a má intenção de matar o Chefe Ali de inveja: Brooklyn Sorachi Ace. Envolta por um elegante rótulo denotando uma carta de baralho, a carta da grande jogada na mesa, um ás, em vermelho e dourado, estiloso, com garrafa de rolha.
Uma cerveja única e muito refrescante, cada gole pede outro, muito fácil de beber – olha o perigo, 7,6% de ABV – graças à alta carbonatação. Coloração amarela opaca forte, espuminha branca leve mas persistente. No corpo, dá pra sentir a presença forte do lúpulo, com final equilibrado, levemente ácido e cítrico. E o aroma? Ah o aroma, floral e frutado. Nem parece amarga!


Faz parte de uma série especial da Brooklyn Brewery, a Brewmaster`s Reserve. Com um raro tipo de lúpulo desenvolvido no Japão e cultivado em apenas uma fazenda do mundo, localizada no estado americano do Oregon, a Brooklyn Sorachi Ace se destaca pelas notas cítricas e um amargor forte. Uma cerveja do estilo Saison, também conhecida como Farmhouse Ale, estilo comum na França e na Bélgica e não muito popular por aqui.  Ale que chega a ser comparada a vinhos tintos devido a fermentação e sabores presentes em comum. O nome dela vem da variedade de lúpulo utilizado na cerveja, o Sorachi Ace, inventado por japoneses em 1988 através do cruzamento entre o Brewer`s Gold inglês e o Saaz tcheco. Este lúpulo tem notas cítricas e frutadas de limão muito intensas e foi a única variedade utilizada na cerveja. No processo de fabricação esta cerveja é fermentada com o fermento belga da Brooklyn, leva o raro Sorachi Ace cultivado no Oregon, passa por um dry hopping também com o mesmo lúpulo e no final passa por refermentação na garrafa com fermento de champanhe. Este momento me custou (sejamos honestas, custou ao consorte) a quantia de R$52,00, o que fez com que o namorado desfizesse de sua última frase: "Só tomarei esta cerveja a partir de hoje."

De novo, é uma cerveja única.

Pizza feita no forno ali atrás e bruschettas de brie e mel acompanharam a perfeita da noite.

Uma noite única.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Petroleum, uma grande descoberta!

Sejamos honestas: eu arranjo motivo para tudo. Leia-se por motivos, desculpas, esfarrapadas ou lógicas, satisfações, porquês e quero-porque-queros.

E a páscoa – aquela que passou há quase um mês – foi o “motivo” que o amigo Robson do Empório Alto dos Pinheiros (sério, adoro ele, me cumprimenta pelo nome e sabe praticamente todas as cervejas que eu comprei lá) me deu para provar o lançamento da Wäls: a Wäls Petroleum. “Páscoa taí, gosta de chocolate? Então... esta aqui é a última recebida, lançamento da Wäls, conhece?". Até busquei no Google uma foto do Robson pra ilustrar. Preciso de uma foto com ele pra agradecer a atenção e as mesas rápidas em dias de superlotação!

Lançada oficialmente em 20 de março (e provada em 31 de março, ainda ‘quentinha’), a Wäls Petroleum é fruto de alguns anos de estudo e dedicação da microcervejaria mineira Wäls, que desde de 1999 se orgulha de trabalhar em uma produção ecologicamente correta, com sua própria estação de tratamento de esgoto, coleta seletiva e com sustentabilidade. Seus barris de maturação vieram da Escócia, de carvalho francês. Todo este cuidado e carinho renderam à cervejaria o título de Cervejaria do ano e a medalha de ouro para a Wäls Petroleum na Copa Sul-Americana de Cervejas no Festival Brasileiro da Cerveja (a cervejaria ainda levou ouro em outra categoria-chave, eleita a campeã no estilo Pilsen).

Fruto da parceria com a paranaense DUM, a Wäls Petroleum é uma Russian Imperial Stout, elaborada com diversos tipos de grãos escuros, com aromas de malte torrado, chocolate belga e toffee. Ainda, é maturada com cacau belga. Tudo isso rende à esta Stout – que todos sabem que é um dos meus estilos favoritos – uma textura aveludada num corpo escuro, combinando com uma espuma marrom, e um fortíssimo aroma, que sim, é de Páscoa. No sabor, uma surpresa agradável... o amargor é forte mas equilibrado. Não trava, desliza pela boca, é a mesma sensação de apreciar um belo chocolate belga, daqueles carregado no cacau, intensos. Posso dizer que esta está para um cervejeiro – zitolibador – assim como o chocolate está para a mulher. Não li uma crítica sequer a respeito da Wäls Petroleum, apenas descrições de experiências inesquecíveis. E o preço: R$23,00 por 360ml.

Perfeita! E quase feminina: seu corpo negro e sabor inebriante escondem seus 12% de ABV.

Vou repetir: maturada com cacau belga, caso isso tenha passado despercebido.

Como o próprio rótulo faz questão de enfatizar, uma grande descoberta (assim como petróleo, mas acho infeliz ter que explicar o insight do nome né?!). Se não fosse a queda do copo na mesa que me rendeu um corte bonito na perna... Mas ainda assim a experiência foi positiva e minha páscoa muito mais feliz.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Lady in Black

Esse não foi um patrocínio, foi uma solicitação desesperada. Assim que soube que a Curi (a já apresentada Semyle) ia nos representar no Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau, eu já corri meus dedinhos pelo teclado para pesquisar o que eu queria de lá. Eis que, antes mesmo do Festival acontecer, eu vejo o lançamento da cerveja mais tendenciosa da história do Mulheres e Cerveja: a Lady in Black.

Foi no próprio site do Festival que eu li:
Mais uma vez presente no festival, a Sauber Beer, de Mogi Mirim (SP), aproveita para divulgar a Lady in Black, uma cerveja produzida em homenagem às mulheres. "Como diz o nome, é uma cerveja preta mais encorpada e adocicada para agradar o paladar feminino", ressalta o engenheiro químico Renato Marquetti Júnior.
Não tive dúvidas que era essa que eu queria! E ela não decepcionou.

O lançamento da Sauber Beer foi um presente de Renato para a esposa Vanesca, que mesmo tendo apoiado a cervejaria desde o início, não era apreciadora da bebida. Ele ficava constrangido com isso e se empenhou em pesquisar o paladar feminino, até chegar nesta cerveja, aprovada pela esposa, ainda que ela tenha reclamado do leve amargor no final. "Claro que eu adorei. É uma cerveja escura, como as mulheres gostam, mas que por outro lado é leve", explica ela. E eu assino embaixo. A cerveja, uma Stout bem equilibrada, cremosa, com espuma densa e persistente. Um aroma clássico das Stouts mas já afirmando o equilíbrio do amargor: um adocicado gostoso, pouca presença de lúpulo, amadeirado. Já no aroma percebe-se que é uma Stout doce que não vai ser enjoativa. Digo isso pq vi muito da Malzebier na Lady in Black, mas sem aquela “pegada” do açúcar da Malzebier, não trava, desce muito mais amena, deixando no fundo da boca o amargor que caracteriza uma boa Stout.

A Sauber Beer nasceu em 2009 da combinação entre a experiência de mais de 25 anos em Engenharia Química  de Renato e a paixão pela cerveja de alta qualidade. As cervejas são produzidas ao som dos pássaros e quedas d’água em uma agradável chácara na cidade de Mogi Mirim (SP), onde a proposta é obter uma cerveja que resgate o verdadeiro sabor de antigamente. 

A receita deu certo, já que na produção foram usados lúpulos mais suaves, mais aromatizados. Esta “fornada” especial rendeu apenas 100 garrafas de 600ml. Espero ver mais por aí. É uma cerveja que eu quero repetir a dose!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Uma correspondente especial...

Um pedido de desculpas. E algumas justificativas... Pela primeira vez em mais de um ano eu fiquei praticamente um mês fora da vida cervejeira. 

Sim, eu tomei algumas, houve eventos, houve motivos, houve novas provas, o que não houve foi tempo. Além de ter tido a amigdalite da vida, eu tenho trabalhado como um camelo. E ainda, Catarina agora tem seu consorte, o que faz com que as horas vagas sejam sabiamente preenchidas com outras tarefas mundanas. E este consorte gosta mesmo é de energético, aí já viu...

Mas em blog de cerveja falemos de cerveja! E temos novidades... uma correspondente amante do mundo da cerveja, a Semyle Berardi - ou a Curi para os mais várzeas - mais que colega de trabalho, amiga que mora em Florianópolis e toda vez que vem para a matriz da empresa aqui em SP me traz boas cervejas, geralmente compradas no Beer Boss. Ela já me trouxe entre tantas uma Coruja, Theresópolis, Paulaner, Edelweiss e agora trouxe a menina dos olhos do Festival Brasileiro da Cerveja 2012, que aconteceu entre 21 e 24 de março em Blumenau – SC: a Lady in Black, cuja resenha está no forno! (Mas adianto: uma cerveja com nome de mulher feita para uma mulher... sensacional!)

Semyle ("Curi") no FBC 2012
O Festival contou com 84 stands de cervejarias artesanais e conhecidas, oferecendo mais de 500 rótulos para cerca de 23mil pessoas nos 4 dias de evento nesta quarta edição, que além de cervejas  este ano privilegiou a gastronomia local. Foram seis pontos de alimentação, que registraram um movimento intenso em quatro dias, especialmente na sexta e no sábado. A Semyle saiu de lá com 2 garrafas de Duff, que era a febre do local, com filas para a prova e compra – como sempre digo, o Marketing da Duff tem feito miséria aqui no Brasil. Ainda, uma coleção de bolachas, folders, copos e cerveja. Uma cervejeira nata que ainda está descobrindo seu potencial!

E que potencial. Antes mesmo de se considerar cervejeira, tem sua candidata à perfeita: o Chopp Asgard. Alias vale citar que a curiosidade nasceu do marido da Semyle, que se interessou pelo chopp – antes mesmo de saber que este havia sido premiado como o melhor chopp do Festival Brasileiro de Cerveja 2012 no dia anterior – pelo nome, já que Asgard é o planeta do Thor (amantes de HQ deleitem-se!). Foi o Chopp mais vendido também, com filas longas e que por pouco não permitiram a compra do souvenir: a camiseta do Thor (segundo o dono da cervejaria foram feitas apenas 780 unidades, esgotadas no mesmo dia do lançamento).

O Chopp Asgard, da microcervejaria de mesmo nome que fica em Curitiba, PR, é considerado 100% natural, por não levar aditivos, e apresenta baixo teor alcoólico, cum um ABV de 3,4%. Dá pra sentir que tem pouco álcool, mas ainda assim é bem encorpado, de tonalidade turva, nebulosa. O chope é claro, leve e de baixa acidez, pois passa por um sistema de filtragem diferente da cerveja (que é pasteurizada, lembram da diferença?). Sua principal diferencial está no envase: um barril de aço inox com capacidade para dez litros apenas. Ainda, tem todo um cuidado com o processo de produção, que começa na escolha da água a ser utilizada, retirada de uma fonte própria. E isso fez toda a diferença no sabor do líquido, eleito o melhor da vida da nossa correspondente especial, que espero que continue engrandecendo nossa busca com sua participação especial.

Veja mais fotos do evento e de todos os stands visitados na página do MC no Facebook!

quarta-feira, 21 de março de 2012

St. Patrick's Day, tour de cerveja e amizade!

Algumas datas são esperadas ansiosamente. E pra mim, o St. Patrick's Day, o Dia de São Patrício, é uma delas. Resolvi que comemoraria da maneira mais irlandesa possível, sob o maior número de tradições: de verde, fazendo um tour pelos principais pub's de São Paulo, onde o objetivo era tomar uma cerveja por local.

Foi assim que comemorei meu primeiro St. Patrick's, lá em Londres há 2 anos. Queria reviver um pouquinho daquela nostalgia. E posso falar? Aqui foi muito mais interessante!
Pra começar, claro, Mulheres e Cerveja sempre à caráter. As camisetas verdes deram o que falar, puxaram assunto e foram alvo de olhares desconfiados e conhecidos (beijos pro pessoal da Cerveja Gourmet!). As amigas como sempre participaram e até os amigos exigiram uma de presente... e eu não sei dizer não, tinha camiseta e baby-look, todos fofos! Alias, momento agradecer à todos pelo apoio: Vaninha, Dani Pioli, Ali, Nick e até a minha mãe - que agora resolveu que acompanha super o blog depois de ganhar a camiseta e desfilar por aí toda toda!

Camiseta para os Homens,
Babylook para as  Mulheres
Após os preparativos, às 14h começou o já programado tour. Eu sabia que não seria fácil, que teria trânsito e que, por ser sábado, teriam filas e mais filas... mas toda esta expectativa foi triplicada! Filas não... horas de espera. Trânsito não... engarrafamento. Pubs cheios não... esquema "sai um pra entrar um". Cerveja não... MUITA cerveja!

o verde invadiu o dia,
dos sapatos e cervejas às... unhas! 
 
Chegamos no O'Malleys cerca de duas e pouco da tarde, e adivinha? Lo-ta-do. Cardápio reduzido, conseguimos um cantinho para sentar e pedir uma demorada porção de fritas e filé aperitivo. Mas a cerveja, rápida e verde, verdinha - assim como a ponta do meu nariz por tradição! Uma Heineken gelada - por incrível que pareça. Duas delas depois e, antes da casa começar a cobrar entrada, nos despedimos do ponto um do tour rumo ao The Blue Pub.

Lá, uma taxa de entrada alta para quem queria ficar alguns minutos: R$31,00. Mas nada como a delicadeza - chamemos assim - feminina. Entramos com um cronômetro: 10 minutos para conhecer sem pagar entrada! Foi o tempo necessário para um amigo e dois raros exemplares da Duff verde, edição especial da Duff para o St. Patrick's Day. Foi o momento do dia. Eu, que ainda não tinha experimentado a cerveja (sério), parei o mundo naquele momento para curtir a long neck puro malte e seu sabor encorpado. Um aroma forte, que me remeteu à primeira vez que coloquei cevada nas mãos. No sabor, biscoito. Ah vai... era a cevada, mas sim, biscoito, que logo logo dá lugar ao amarguinho do lúpulo. Enfim, igualzinha a Duff vermelhinha que eu tomei depois, "pra comparar" (desculpinha...)

Após cerca de 30 minutos, novo rumo: All Black. Só pra ver a fila e dizer "nãããão". E seguimos para a busca de outro Pub. Finnegan's. Cheio e fila. Brew Pub. Oi? "Ah, vamos inovar o tour e tomar uma no Empório Alto dos Pinheiros e então partir pro Queen's Head? Sim!

Lá, chopp Bamberg verde e aquele atendimento eficaz de sempre, sem fila e bem baratinha. Cestinha de pães e conversas femininas depois, 3 quarteirões de caminhada para o Queen's Head que adivinha? Fechado até que esvaziasse um pouco. Um sorvetinho de volta no Empório e rumo àquele que seria o final da noite de acordo com a programação: The Sailor.

Eu trabalho do lado do local, passo todo santo dia ali e me assustei com o que vi. Portas abertas, som no meio da Faria Lima, fila até o posto da esquina. E ainda eram 8:30pm. Paramos um pouquinho, socialização na fila pra ver o que era e o que não era e... Kiaora! Fila média, R$35,00 de entrada e hummm... quer saber? Vamos pra St. Patrick's Party, organizada pelo All Black?

E foi lá que, as oito da manhã do domingo, St, Patrick's acabou. Num galpão na Vila Leopoldina, Leprechauns, potes de ouro, Baileys e muita Guinness - que ÓBVIO que eu entrei no bar pra tirar a minha. A banda tocava U2, a decoração festiva verde com trevos e chapéus, fiz Micheladas verdes no bar para os amigos e a fila de mais de uma hora era regada por esperança, vento frio e Budweiser do posto de gasolina.

Sim, foi perfeito. Afinal, "as coisas boas vêm para aqueles que esperam"!

terça-feira, 6 de março de 2012

Proibida

A vida e suas coincidências...

Por razões que fogem à minha competência - an-han - estou em um período de retiro. Por longos 30 dias estou proibida de tomar cerveja, seja ela qual for. 

E é um período necessário. Porque tudo em excesso faz mal, de água à felicidade, passando por comida, sexo e, quem diria, cerveja. E eu abusei no carnaval. Ao fazer uma continha de padeiro, coisa simples, percebi a quantidade homérica que ingeri nos 6 dias de festas tupiniquins. Afinal, em um lugar onde a garrafa de água custava R$3 e 4 latinhas de Skol 250ml - a famosa "piriguete" nas terras soteropolitanas - saíam pela bagatela de R$5, a escolha era até justa, haja visto o valor previamente gasto em abadás. Enfim, foram cerca de 20 unidades por dia, vezes 6 dias, vezes 140 calorias a unidade, vezes...

Odeio Pitágoras.

Eu, que estou acostumada à longos períodos sem doces, chocolate e "afins", vou dizer: é difícil. Qualquer dose meia boca de corrida, de risada ou de suco de açaí substituem a serotonina, mas nada substitui a cevada. Sim, porque eu ainda tenho livre acesso ao álcool, logo não é papo de alcoolatra não, eu de fato sinto falta de cerveja mesmo.

Mas esta é terminantemente proibida.

E então a última cerveja provada antes do carnaval, ou seja, antes do estopim deste jejum, foi exatamente uma Proibida
Encontrada por acaso em uma loja de conveniências, dificilmente nas prateleiras por aí, a Proibida é a famosa cerveja que "trollou" o Pânico ano passado, com as tchecas que no fim eram uma estratégia de marketing viral utilizada pela cervejaria, e que deu o maior auê por conta do principal patrocinador do programa, a Skol.  Dizem que foi pegadinha, dizem que foi estratégia. Enfim... a cerveja tem um bom Marketing, criou a primeira likestore no Facebook semana passada e teve até bloco de carnaval em Récife.

A cerveja é o último lançamento da Companhia Brasileira de Bebidas Premium (CBBP), cervejaria da região nordeste do Brasil existente desde 2008. É uma Pilsen brasileiríssima que segue à risca a receita tcheca de cerveja, utilizando malte e lúpulo importado. Não é uma cerveja artesanal, não vem cheia das nove horas - pelo contrário, comprei num posto de gasolina por cerca de R$5 e provei na própria long neck mesmo - mas tem ares de Premium. Tem um aroma que chama a atenção, diferente das Pilsens do mercado, com um toque herbal e denotando lúpulo, mas no sabor um amargor leve, um pouco ácida e aguada. Nenhuma grande inovação nem descoberta, é uma cerveja de boteco, de verão. Refrescante como uma boa tcheca (sério, que frase esquisita!), boa para deixar um gostinho de quero mais quando este meu "inferno astral" acabar.

Só por mais 20 dias!