sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ah Moleque!

I Beer Experience
 Um sábado chuvoso, de muito trânsito em São Paulo, e um compromisso que por mais que tivesse motivos para não ir, não poderia deixar de presenciar: o I Beer Experience, que aconteceu no último sábado.

Foram 28 stands, de cervejarias e empórios, oferecendo os mais variados tipos de cerveja, ao som de Velhas Virgens e Blues on the table. Velhas Virgens inclusive com sua cerveja própria.

Vou confessar: esperava algo diferente. Pedir as cervejas estava complicado, a “casa” estava cheia. Tive a impressão que tudo era puramente comercial. Não conseguia conversar com as pessoas nos stands, era tudo muito rápido, não podia ficar com as garrafas (como se isso impedisse Catarina de fazer qualquer coisa né) e as melhores cervejas se esgotaram bem rápido. Tanto que deixei de lado todo o apelo cervejeiro e resolvi curtir com os amigos a área de descanso. Tantas cervejas me deixaram meio aérea.
Mas, críticas à parte, sim, tive novos sabores, uma grande favorita, cervejas de todos os tipos e inclusive uma excelente surpresa pessoal. Além claro de barganhar a taça da Estrella Galicia. Catarina com seus sapatinhos amarelos e seu sorriso doce conquista! :D
Vamos às duas favoritas:
 
Madera
Mais pelo trocadilho mesmo! Depois de algumas muitas cervejas, era divertido pedir “uma madera”. Realmente não esperava a surpresa. A Madera,  da nanocervejaria Brix de Piracicaba (SP) é uma old ale maturada em barril de carvalho – e todos sabem, eu gosto desta história de maturação e envelhecimento, enquanto ainda não é comigo. A Madera, com seus 9% de teor alcóolico, é extremamente maltada e encorpada, com um toque frutado bem leve. Excelente cerveja, perfeita para dias frios e chuvosos com (ou sem) boa companhia. Vou repetir só pra constar: 9% de teor alcóolico, o que me fez deixar o evento com o velho TOC de não pisar nas linhas do chão. Tsc tsc.

Bacuri Beer – Amazon.
Sensacional é a palavra. E também a palavra bacuri, que rondava o evento e já tinha chegado à mim em dicas e sugestões dos amigos mesmo antes do sábado. Tanto que por vezes o estoque da cerveja se acabava, sendo reposto para alegria dos beers presentes.
A cerveja já foi vencedora do Prêmio Tecno Bebida Award no ano de 2002, mas seu lançamento oficial foi feito lá no Beer Experience, o que aumentava o zumzumzum em torno da receita desta cerveja: a Amazon Beer, cervejaria de Belém do Pará, utiliza frutos amazônicos na composição de suas cervejas. E nesta em especial era o Bacuri, que também significa “moleque pequeno” em expressões sulistas do Brasil. Já no norte, esta fruta exótica  e popular de polpa agridoce e mil e uma utilizações na culinária e até medicina, dá à Bacuri Beer um toque adocicado, leve e... é, inebriante. 
Cerveja de cor amarela bem clara, com espuma densa e um aroma suave de lichia, que eu adoro! No sabor, leve, muito leve, ligeiramente ácida . Ainda, um gostinho de biscoito no final, graças ao fermento. Mais uma que vai agradar muito ao paladar feminino, por ser leve e de baixíssimo teor alcoólico: 1,8% apenas. Aliás, fato comprovado: segundo pesquisa do bar da fábrica da cervejaria, 72% do público que consome o chope da Bacuri Beer é feminino. Ah Mulheres!

Não sei se a vontade que sinto agora é de tomar outra Bacuri Beer ou de enfim provar a fruta, que desconheço.

Enfim, Beer Experience deixou sua marca. Espero muito que cresça e seja seguido por muitas outras edições, ficando cada vez melhor e mais bem frequentado. E quando eu digo “deixou sua marca”... calma, não é pra valer! ;)

Valeu Beers!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A cerveja perfeita existe!

Assim como o homem perfeito, o presente perfeito, o trabalho perfeito... todos eles existem. E tolo daquele que acredita que tudo é apenas ilusão. Porque o perfeito está dentro da gente, é visto apenas pelo nosso olhar. Pelo olhar do sonhador. Sim, porque o sonhador não se priva, não se limita, não se conforma; se existe mais, se existe melhor, busquemo-lo. Nem que isso seja a última e única coisa que façamos na vida.

Mas, para encontrar o perfeito, precisamos conhecer até mesmo o oposto daquilo que julgamos perfeito. Aquilo que nossos sentidos abominam. Aqui, no caso, falamos do paladar, mais precisamente o feminino. E sejamos honestas... poucas mulheres se rendem ao amargor.

Eu acredito sim na existência da cerveja perfeita. Mas ela definitivamente não é a Perigosa.

Um rótulo que chama atenção, por uma peculiar razão autoexplicativa. Sim, veneno. E a Perigosa Imperial IPA Stout primeiramente de fato se chamava “Venenosa”. Mas foram obrigados a trocar o rótulo. Cabível, vai que alguma criança que resolveu tomar veneno acaba por se embriagar com cerveja...

Então a Perigosa, vendida em simpáticas garrafinhas de 330ml (algo nela tinha que ser simpática), é uma IPA da cervejaria Bodebrown, de Curitiba. Chegou ao mercado este ano, e por mais amarga que seja, é muito bem recebida. Tem um aroma intenso, frutado até, o que inclusive se presencia no sabor, um leve toque de frutas tropicais. Manga foi a fruta citada na mesa. Ainda soma com o leve caramelado e a presença firme do lúpulo. No final, puro amargor, cortante, longo, intenso. De puxar o céu da boca e te deixar com cara de quem comeu banana verde. Pra quem gosta de cerveja amarga, um “copo” cheio! Pra quem prefere uma cervejinha de trigo com banana... bem, você fez o pedido errado.

E eu como sonhadora, mesmo passando por cervejas amargas, sem gelo, sem espuma, servidas de forma errada, continuo aqui, dizendo: Sim, ela tem que existir! Eu não posso deixar que um amargor mais intenso, que um erro na escolha do rótulo ou que um custo mais caro de vez em quando apague o brilho do meu propósito de encontrar a cerveja perfeita e me impeça de seguir adiante. As pessoas são diferentes, as cervejas são diferentes, esta é a regra básica da vida e dessa busca. O que nos resta é aprender como tirar o melhor proveito de tudo e lidar com estas diferenças, de maneira a ter grandes relacionamentos na vida e incríveis cervejas na memória.

Se eu comparar a busca da cerveja perfeita à busca do homem perfeito acima citado, comparo a Perigosa com um antigo relacionamento malsucedido. Desceu ruim, mas você sabe que no próximo rótulo pode estar a perfeição. Ou não.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A cerveja perfeita não existe

Quando começou a busca pela cerveja perfeita uma coisa já estava muito clara em minha cabeça: ela não existe.

Afinal a perfeição é utópica. Cada um tem suas próprias definições do perfeito. A cerveja perfeita deveria agradar o paladar masculino e feminino, ter um brilho em sua cor, um aroma profundo, e um sabor complexo? Ou simplesmente a perceberíamos até mesmo de olhos fechados? Deve ser servida no copo e na temperatura ideais? Ou ela é tão perfeita que se mantém igual a qualquer temperatura?

Mais do que isso. Uma cerveja pode ser perfeita apenas para uma determinada ocasião. E novas perguntas teriam que ser respondidas: Perfeita por que? Perfeita para quem? Em qual momento? Com quem?

Ah! A relatividade da perfeição que se busca em uma cerveja, em um amigo, na vida...

Em contra partida muitos posts daqui do blog falam justamente sobre isso. Sobre o estar entre amigos que torna a cerveja mais especial. Que não é a cerveja que faz o momento, mas o momento que faz a cerveja.

E que mais importante do que fazer afirmações sobre processos de fabricação e tipos, é ter plena consciência que a melhor cerveja é aquela que é preparada por quem gosta de bebê-la, e o faz com cuidado.

Sim, a cerveja exige cuidados, assim como as relações, que também são utópicas quando consideradas perfeitas.

Para mim a busca pela cerveja perfeita sempre foi mera desculpa para aprender. Sobre cerveja, seus processos, seus tipos e rituais. Mais do que isso, ter base para criar inclusive meus próprios rituais e apurar minhas percepções.

Posso dizer que me aproximo cada vez mais desse objetivo, mas não sem a ajuda de meus amigos. Amigos que compartilham suas histórias e conhecimentos cervejeiros, amigos que me trazem de longe cervejas inusitadas, amigos que me presenteiam com lindas garrafas especiais e principalmente, que dividem muitos goles comigo.

A todos esses amigos que fazem parte desta minha jornada eu agradeço de coração. Pelo incentivo e a companhia que sempre, SEMPRE, será bem vinda. Serei eternamente grata, em dívida com todos, e quero que saibam que podem contar comigo SEMPRE!

Enfim, como eu disse lá no começo do texto, a cerveja perfeita não existe. Ou melhor, ela existe apenas nas cabeças dos sonhadores.

Ah! Os sonhadores. Sonhadores são ousados, capazes de enfrentar seus próprios medos de peito aberto. Seguir uma direção sem nem ao menos saber onde irão chegar e se deliciar com as incertezas dos caminhos. Esses idealistas é que geram evolução, pois só eles conseguem imaginar o inimaginável e lutar para tornar real o impossível. Sabem agir com fé, fé tamanha inclusive para acreditar na cerveja perfeita.

Mas se os sonhadores conduzem à evolução são os realistas que constroem o dia a dia. Que fazem o mundo girar. Mesmo que às vezes sejam um pouco chatos quando anotam tudo na ponta do lápis e calculam riscos é importante perceber que o mundo só existe por causa dos realistas. Os sonhadores estão sempre com a cabeça na lua, e isso pode até ser um charme, mas os torna pouco confiáveis.

Só os realistas são capazes de construir as condições ideais para que haja espaço para sonhar. E teem plena convicção de que a busca pela cerveja perfeita é algo que pode ter uma linda jornada, mas não um final feliz.

Enquanto os sonhadores são capazes de se entregar de corpo e alma pela cerveja perfeita, de não perder o foco e passar a vida buscando algo que só existe dentro de si. Os realistas sabem que para alcançar um objetivo de verdade às vezes é necessário mudar de direção.

É neste ponto em que me encontro. Quando percebo que estou em uma bifurcação da estrada. É o momento de escolher entre seguir na direção que me levará a algo em que não acredito, ou romper alguns laços ao escolher manter meu objetivo principal: conhecimento.

E o conhecimento é mesmo uma estrada contraditória, pois embora envolva todos ao seu redor, é também na verdade bastante solitária simplesmente porque cada um tem um ritmo próprio...

Termino dizendo que tudo o que aconteceu de fevereiro para cá foi incrível e serei grata por toda a minha vida. Seguir por aqui foi o maior passo que eu poderia ter dado no início de qualquer caminho que eu resolvesse trilhar.

Jamais deixarei de acompanhar o que acontece neste cenário tão especial, mas agora minha jornada continua por outra direção. Na busca daquilo em que realmente acredito. Sigo sem olhar para trás. E sei que sempre poderei contar com uma pequena ajuda dos meus amigos.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Plantão Extraordinário!


O mulheres e cerveja informa: Hoje é o dia oficial da cerveja.

Como boas cervejeiras iremos comemorar incansavelmente até o dia acabar. Portanto não teremos tempo de escrever hoje sobre este dia tão especial.

Maiores detalhes poderão ser acompanhados através deste mesmo blog no post de segunda feira.

Mas a qualquer momento poderemos voltar com novas informações. (Acompanhe pelo Twitter os detalhes deste evento)

"Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja"

Esta semana recebi um email de um amigo me questionando qual era a dúvida de que ele pudesse curtir Mulheres e Cerveja... Vou explicar: Catarina é uma garota das redes sociais. E ela não descansou enquanto não fez, enfim, a página do Mulheres e Cerveja no Facebook, e sugeriu então a página aos amigos. Daí o "Catarina sugeriu que você pudesse curtir Mulheres e Cerveja" que ele me questionou. "Qual a dúvida de que um homem não vá curtir Mulheres e Cerveja?", ele perguntava... Na realidade não criamos antes porque tínhamos receio de não conseguir alimentar a página por falta de tempo e deixa-la obsoleta. Afinal, temos que trabalhar, AINDA não vivemos de cerveja! Acessem e curtam também nossa página bem no estilo facebook.
 



Além da movimentada vida social-virtual, nesta última semana foram nada menos que 10 novos rótulos provados. Dez. Na realidade, em dois dias, quinta-feira no Café Elétrico, onde Renatinha exigiu minha presença para provar a Basement e na empolgação e no calor da conversa - coloca-la a par de 30 dias de viagens e detalhar todas as peripécias - foram mais 5 garrafas e domingo, mesa repleta de homens e mulheres pós-samba, no Empório Alto dos Pinheiros, onde desta vez eu fazia questão que ela provasse a Delirium Tremens - ela e outros 5 amigos e novos amigos que se esbaldaram com mais outros 5 rótulos.

Haja fígado e dinheiro, mas tanto esforço sempre vale a pena. A especulação sobe o sabor da cerveja, dividir com homens nossas impressões, o olhar de aprovação após o primeiro gole... são todas sensações impagáveis que nos fazem cada vez nos aprofundar na busca da cerveja perfeita!

Enfim, a escolhida da semana, primeiro porque tanta insistência na visita ao Empório se deu por ela, sugerida pelo Chefe Ali, e segundo porque em 4 de agosto é celebrado o Dia da IPA, é a Brooklyn East India Pale Ale.

A Brooklin East é uma cerveja da americana Brooklyn Brewery, no estilo IPA, aquela do tipo especialmente fermentada, lembra? Pois bem. Cerveja esperada e muito bem recebida. A começar pelo aroma: herbal. No sabor, o amargor de uma IPA, com a intensidade do lúpulo e uma finalização de ervas sensacional. Aliás, sensacional é a palavra. Sim, IPA é amarga, mas a Brooklin East tem uma formula bem balanceada, que denota tanto o aroma de ervas, o amargor do lúpulo e o adocicado malte caramelo. Uma coloração mais escura, âmbar porém cristalina. Sua aparência e sabor nada se identificam com a simplicidade de seu rótulo verde e vermelho, em garrafa long-neck.


É difícil escolher uma cerveja perfeita entre tantas em tão pouco tempo. Foram mais da Colorado, da Abadessa, uma garrafa muito bem dividida de Delirium, cervejas de trigo, com frutas, amargas e até mesmo muitas latinhas de Itaipava e Skol. Sim, porque samba que é samba pede lata de cerveja na mão.

Por isso, vamos repetir a(s) dose(s) em um próximo fim de semana, talvez com a mesma companhia de risadas, impressões positivas e devoção pela cerveja, pelo samba e pela boemia, com o perdão do trocadilho!

E um brinde especial ao tremoço!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Envelheço na cidade

Hoje completo mais um ano de vida. Cada aniversário é para mim muito mais do que simplesmente somar 1 ano à idade. Na verdade é um ciclo que se encerra para dar início a um novo.

É a hora de se avaliar, refletir, repensar atitudes, crescer... amadurecer. Deixar aos poucos de enxergar tudo em preto e branco. Somar cores à compreensão do mundo.

É saber dosar a ingenuidade do pequeno beija-flor (às vezes tão necessária) e ao mesmo tempo, aproximar-se mais um passo da sabedoria da coruja.

Ah! A Coruja!

A coruja é uma ave de hábitos noturnos, tal qual os amantes da cerveja. Além de ser símbolo de sabedoria e mistérios, assim como as mulheres. Com a bagagem adquirida neste último ano sinto-me assim, mais sábia (principalmente no quesito cerveja) e viva, extra-viva, para aproveitar cada oportunidade misteriosa que a vida nos oferece dentro de um universo de possibilidades.

E se este é o tema deste post, nenhuma cerveja seria melhor para ilustrá-lo do que a Coruja Extra-Viva.

Fabricada no sul do Brasil a Coruja é uma cerveja viva, o que quer dizer que é uma cerveja não pasteurizada. Mas se não é pasteurizada é chopp, certo? Mas você já viu chopp em garrafa? Pois é. Nada mais de enxergar as coisas em preto e branco.

A Coruja é uma cerveja não pasteurizada, não passa por temperaturas elevadas e não possui conservantes. É servida em um frasco de remédio antigo com rótulo serigrafado diretamente no vidro. Sim, desde sua apresentação nota-se que é um espetáculo de cerveja.

Lançada em 2007 a Coruja Extra-Viva é feita com lúpulo, fermento, água e três vezes mais malte de cevada. Segue a lei de pureza alemã e é bem encorpada. Sua espuma é densa, abundante, e persistente na medida certa. Coloração âmbar e o aroma de pão que eu amo de paixão. Seu sabor é, como o nome sugere, vivo, forte, intenso, marcante, sabe? Assim como as mulheres de 30. Possui uma harmônica mistura levemente adocicada e um amargor com toque ácido. Daquelas cervejas realmente inesquecíveis.

Ótima para encerrar uma noite de degustação. Mas se estivermos no começo da noite sugiro a Otus Lager, a cerveja dourada da Coruja. Mais leve que a Extra-Viva, não tão intensa, mas de grande personalidade e profundo amargor residual.

Independente de ser Otus, Alba, Strix, Viva, Extra-Viva, cerveja ou chopp, o importante é o que elas teem em comum além da marca Coruja. Todas são produzidas com cuidado e possuem sabores únicos além do 2° mandamento da coruja estampado no rótulo: Beba com sabedoria.

Mais um exemplo da sabedoria da Coruja? A empresa divulga movimentos artísticos, apoiando exposições, lançamentos de filmes, eventos de arquitetura entre outros.

A sabedoria pode se manifestar de várias formas, mas para mim o seu maior exemplo é perceber que o passar do tempo só nos beneficia. Por isso, cada aniversário deve ser frenéticamente comemorado, para celebrar o aprendizado, o crescimento que conseguimos obter de nossa vivência e da observação.

Observação da vida, do cotidiano, dos relacionamentos, dos rapazes desfilando, das mulheres a beber... um feliz aniversário, para mim ou pra você!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Entre delírios, flores e cervejas...

Era o que eu queria: fazer o que desse vontade... E deu vontade de ir para a Bélgica, assim... amanhã! E eu fui, de trem, curtindo a paisagem, entre sonecas e campos franceses, para passar dois inesquecíveis dias na terra da Deus, da Stella, da Leffe e de tantas outras cervejas aspirantes à perfeita.

Só que quando a gente faz as coisas sem planejamento, temos 50% de chance de dar certo. No caso, a visita à fábrica da Stella ficou nos outros 50%, porque precisava ser marcada com dois dias de antecedência. Mas como, se eu tinha decidido a viagem há menos de 12 horas?
Tudo bem, então eu decidi que tomaria uma Stella em cada bar da cidade. Leuven, mais especificamente, a 30km de Bruxelas, uma cidade de pessoas solícitas e clima com cara de eterna primavera (flores amarelas combinavam com meu Allstar viajante).

Minha visita à Bélgica tinha 3 grandes objetivos cervejeiros: a fábrica da Stella, o Museu da Cerveja e uma noite no Delirium Café. Este último o único concluído com sucesso, já que o Museu da Cerveja e meus horários de viagem não combinaram muito bem...

Justo eu, que nunca me imaginaria indo “pra balada” sozinha, coloquei meu salto alto, fiz minha maquiagem e fui, despida de qualquer medo ou pudor, direto para o balcão do bar. Lá me sentei, apreciando o som do local – era uma noite de Jam Sessions – e analisando o menu de cervejas como quem devora um livro de história. Por pura curiosidade, porque eu já sabia qual seria minha primeira pedida: a Delirium Tremens, que eu esperava ansiosa para poder prova-la “em casa”.

Foto Delirium Café
O Delirium Café, em Bruxelas, é famoso pela sua carta de cervejas, que em 2004 entrou para o Guinness Book como a maior carta de cervejas do mundo. Hoje tem franquias até mesmo aqui no Brasil, no Rio de Janeiro (única nas Américas) e ainda outras 5 unidades na Bélgica, Suécia, França, Japão e até numa ilhota por perto de Madagascar, no sul da África, chamada St. Pierre (juro que este é meu próximo objetivo de viagem). A matriz em Bruxelas está mais para uma vila de bares e pubs do que um bar em si. Com muitos ambientes, desde pista, palco, balcão, mesas nas áreas externas, lojas de souvenirs e cervejas, escadas e mais escadas, portas e mais portas. Vila esta de paralelepípedos muito bem decorada, com seu elefante rosa estampado em todos os lugares e um ar de anos 50 por todos os lados. Um lugar para passar o dia inteiro e ainda assim não conhecer tudo. Enfim, o melhor bar do mundo com o melhor garçom do mundo! Ele me deu um copo da Delirium e ainda me defendeu de um francês chato que não parava de me atazanar. Um brinde ao Marc!



Mas falemos da Delirium Tremens, cerveja que nomeia o bar e vem de nada menos que uma psicose causada pela abstinência ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos, freqüentemente associada ao alcoolismo. Entre os sintomas são comuns, além das tremedeiras, confusões mentais onde alucinações táteis e visuais fazem com que os pacientes “vejam” insetos e animais asquerosos próximos ao corpo. Sim, você delira e vê um... elefante rosa! Nada mais cabível para nomear esta cerveja, uma Belgium Golden Strong Ale que tem um teor alcoólico de 9% - o que também explica o fato de eu ter ido sozinha e voltado com 6 novos amigos com direito a after party...

A Delirium Tremens é bem encorpada, com uma cor dourada incrível e um sabor frutado com uma finalização bem amarga, o que não compromete em nada seu sabor. Já pelo aroma pude perceber que aquela seria a cerveja que “subiria” rápido, portanto, apreciei devagar. Como esta veio do tap, não tinha rótulo ou garrafa para apreciar, mas – melhor ainda – uma revista com todas as cervejas existentes no Delirium Café fez as vezes para saber mais sobre ela: “Esta loira perfeita acentua as qualidades de um lúpulo excepcional e maltes de luz diferente. Oferece pontas afiadas de amargura em seu rosto e revela um casaco surpreendentemente maltada. Sua conclusão é combinado com um tom de amargo e picante, sem toque de agressividade. Ela representa a lager forte em sua melhor aparência. Ela foi coroada de cerveja campeã mundial em 1998.” Palavras da própria. Pra mim, uma excelente cerveja que abriu caminho para alguns outros rótulos, todos belgas (foi neste dia que fui tentada a provar a tal Floris de manga, a cerveja mais enjoativa da humanidade).

Enfim, serve como aviso: Delirium Tremens é uma condição potencialmente fatal, principalmente nos dias quentes e nos pacientes debilitados. Portanto, nada de abstinência!

Ah... O copo... ficou em outra balada na sequencia do Delirium Café. Onde os garçons não são tão legais...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Fruit de la passion

Fruit de la passion, ou fruto da paixão, sempre foi minha fruta preferida. Desde criancinha adorava come-la à colheradas. Curtindo seu sabor deliciosamente azedo. Afinal, maracujá bom é maracujá azedo.

Para quem não sabe, o maracujá é brasileiríssimo, e um belo dia, entre 1605 e 1621, a planta do maracujá com suas exuberantes flores, foi dada de presente ao Papa Paulo V. Ele se encantou tanto com o extraordinário presente, que mandou cultivá-la em Roma e divulgou que ela representava uma revelação divina. Devido à este fato, somado à beleza e característica de suas flores, relacionou-se a planta à "Paixão de Cristo", esta é a origem de seu gênero botânico "passio" e fica bem mais fácil saber porque os franceses o conhecem como fruit de la passion. Pois é, não tem relação com a paixão carnal, ardente, responsável por arritmias e borboletas no estômago.

Mas como eu dizia, o maracujá sempre foi minha fruta preferida e é aí que começa nossa história.

Na última quinta-feira, minha amiga Liane me apresentou ao café elétrico, que já era uma indicação de um outro amigo, o Péricles. Lugar muito bacana, para se sentir a vontade, tomar boas cervejas e ouvir música de qualidade.

Chegamos, nos instalamos e então o Aroldo veio nos atender. Ele, dono do café elétrico, conhecedor e amante de cervejas, foi a pessoa certa para nos indicar o que havia de mais novo e especial para provarmos, além de dicas e um longo e interessante papo.

Agora imagina o meu sorriso ao ouvir dele que já leu o blog. Me senti quase famosa... enfim...

A cerveja escolhida foi a Basement California Golden Ale. Parece um palavrão eu sei, então vou facilitar um pouquinho.

Foto: Café Eletrico Bar
Califórnia é um tipo de cerveja feita com o fermento para Lagers, mas fermentada em temperatura para Ales. Golden Ale, ou Belgian Blond Ale é uma Pale Ale mais dourada e encorpada, e por sua vez Pale Ale são as Ales claras, com graduação alcoólica até 6% e que possuem características suaves. Se parasse por aí já seria uma cerveja interessante, mas não pára. A Basement não tem tampa, tem rolha. Sim, rolha, como champagne. Isto porque, depois que ela é envasada, recebe mais fermento e então sofre uma refermentação dentro da garrafa.

Além disso é produzida com maltes alemães, lúpulos americanos e leveduras belgas.

Mas calma, ainda não cheguei na melhor parte.

Ela chegou à mesa, devidamente gelada. No copo ideal onde pude perceber sua cor, mais avermelhada do que as golden ales provadas até então. Sua espuma densa, mas não muito persistente e seu aroma suave, onde nota-se um leve caramelado. Então a provei.

Na hora eu entrei em um psicodélico túnel do tempo ao reconhecer um sabor muito familiar. Com ar incrédulo e a cabeça cheia de boas recordações, pensei comigo feliz "maracujá".

No minuto seguinte já me peguei pensando que estava imaginando coisas, sentindo sabores inexistentes. Será que já poderia confiar assim no meu paladar? Fazer o que? Mulheres teem momentos de insegurança.

Segundo gole, mais cítrico ainda, um pouco de mel e o amargor leve no final. Não podia acreditar, estava inventando coisas ou havia maracujá ou alguma fruta muito semelhante à ele naquela cerveja? Para acabar com as dúvidas: O Rótulo. Mais um detalhe? O rótulo tem uma mulher oferecendo uma caneca de cerveja.

Li e fiquei radiante: Rica em aromas de frutas amarelas, refrescante, com notas de mel, caramelo e um suave amargor. Possui maltes alemães, lúpulos americanos e leveduras belgas na sua composição. Cerveja artesanal refermentada na garrafa!

Há frutas amarelas! Chega de insegurança. Nada como um sabor tão familiar e adorado para nos dar mais confiança às nossas próprias percepções, não é mesmo?

Depois disso tomei o terceiro gole mais feliz da vida... e o quarto... o quinto... até o triste fim do copo.

Senti que a Basement California Golden Ale, produzida em Videira, Santa Catarina e lançada na última Brasil Brau, chegou mesmo é para arrasar corações. Mas também, contando com a ajuda da fruit de la passion o resultado não poderia ser diferente.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Catarina no país das maravilhas (Guinness Storehouse)

Voltando um pouquinho, logo no começo da nossa busca pela cerveja perfeita, a primeira providência tomada pela Catarina e Renatinha ao entrar no mundo cerveja foi a visita à fábrica da Baden Baden, em Campos do Jordão. Logo naquela época minha cabeça já sonhava em ir mais além, mais precisamente quilômetros além e conhecer enfim a fábrica de uma das meninas dos meus olhos: a fábrica da Guinness, em Dublin, Irlanda.

Uma viagem um tanto confusa mas que rendeu além de novos amigos, bons momentos e a tão esperada visita à Guinness Storehouse, que se saiu muito além de qualquer expectativa nutrida. Primeiro porque o local não é grande: é gigantesco. São sete andares  - o primeiro deles divididos em quatro pavimentos.

Primeiro vamos começar com um breve contexto da história da Guinness: Arthur Guinness, em 1759, iniciou sua produção de maneira inovadora, tanto que foi condenado por adicionar mais água que os padrões das cervejas Porters permitiam. Então, o xerife da cidade foi acionado para cortar o fornecimento de água da cervejaria, mas Arthur não permitiu, se colocando contra dizendo que defenderia sua produção com um exército se fosse necessário. Com o sucesso da receita de uma de suas Porters, Arthur decidiu que não fabricaria nenhuma outra receita senão a Guinness. Com a morte de Arthur em 1803, a cervejaria foi passada para seu filho, também Arthur, e já nesta época a fábrica da Guinness era a maior do mundo, na mesma localização de hoje, o St. James Gate, em Dublin, Irlanda. A paixão da família Guinness, que ainda está a frente da marca, depositada na produção da cerveja é chamada por eles de 5º ingrediente.


Logo na chegada, uma grande surpresa, uma parede gigantesca com TODOS os rótulos e edições da cerveja. Só ali devo ter ficado uns 20 minutos apreciando cada garrafa e, claro, tirando mil fotos. Um simpático guia inicia o tour de alguns chineses com uma breve explicação sobre a cerveja num ambiente que, através de jogos de luzes e imagens, parece que estamos dentro de um gigantesco copo de Guinness.



A seguir, os ingredientes nos são apresentados e minimamente explicados conforme o anúncio: “Para entender o que faz a Guinness tão especial, você tem que começar com os ingredientes crus. Água, cevada, lúpulo e levedura: quatro ingredientes naturais, cuidadosamente selecionados para garantir que eles são da mais alta qualidade. Cada ingrediente em si é especial, mas se misturados de acordo com a receita secreta, o resultado é simplesmente extraordinário.”

- Água:
Em qualquer lugar do mundo, a água da Guinness é a mesma, vinda de fontes irlandesas. Eles têm um programa chamado “Water of life”, e todas as moedas jogadas na fonte vão para este programa de tratamento.




- Cevada:
A Guinness é produzida com uma combinação de cevada maltada, não maltada e torrada.







- Lúpulo:
A Guinness tem mais lúpulo que qualquer outra cerveja, seja Ale ou Lager. É o que a torna tão diferente. O lúpulo é como uma planta trepadeira, com um aroma que pode ser verificado ao esfregar as planta com as mãos: é assim que a qualidade é testada. Como o lúpulo é uma espécie de conservante natural, a Guinness exige que o mesmo lote seja exportado para todas as fábricas da cerveja.


- Levedura:
É a levedura que transforma os nutrientes e açúcar da cevada em álcool. Também é produzida de acordo com os padrões criados por Arthur Guinness, apenas em um único local, o St. James Gate, e exportado. É tão valioso que existe uma reserva da levedura trancada dentro dos cofres da sala da diretoria da Guinness.



A seguir, nos é apresentado todo o processo de produção, maturação, estoque e distribuição, com informações detalhadas de cada um dos processos. Juro que tentei roubar a receita, mas fui pega e tive que deixar as anotações para trás...

Ainda, um jogo de perguntas para testar o conhecimento sobre a cerveja em geral e um andar exclusivo para a comunicação da marca – foi lá que o lado latente de publicitária da Catarina entrou em êxtase. Dezenas de anúncios, peças publicitárias e todos os filmes já criados pela Guinness desde o início da marca. SENSACIONAL!

Mas a melhor parte da visita (ou não, difícil definir) foi tirar minha própria pint! Há uma explicação detalhada do processo (que mencionei no meu primeiro post) e fui avaliada por um guia que se manteve ao meu lado o tempo todo. Ao finalizar, com honra, ganhei até um certificado! E pude sentar numa confortável poltrona e me deliciar com minha Guinness especialmente tirada por mim, cujo barril vinha direto da fábrica, há poucos metros de distância. Foi enfim a melhor Guinness que tomei na vida!


Para finalizar, um bar no último andar do edifício, que mais se parece um observatório em 360º da cidade de Dublin. Apreciar a paisagem cinza com uma Guinness na mão foi quase um grand-finale para o dia. Isso se não fosse a loja da Guinness no meu caminho de saída, onde deixei preciosos 65 euros em souvenirs: chaveiros, moletom, bolsas, bolachas, camisetas, uma caneca e até ganhei uma gota da cerveja armazenada dentro de um vidro. O lado consumista de Catarina também se realizou.


Saí da visita completamente exausta. Mas incrivelmente feliz. Foi um sonho realizado e mais um passo dado na compreensão e aprendizado do mundo das cervejas. Um dos muitos que virão pela frente.

Como foram muitas fotos e quero dividir este momento com todos, publiquei o álbum completo da visita aqui!

“There is a poetry in a pint of Guinness”.

Cheers!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigos, amigos, cervejas fazem parte!

(Post a 4 mãos)
 
São seis os amigos mais famosos do mundo. E são inúmeras as vezes que os vimos sentados diante de uma única protagonista: a cerveja.

Durante 10 anos – e pasmem, que acabaram há 7 anos – acompanhamos as piadas, tragi-comédias, amores, dores e neuras de 6 pessoas tão comuns quanto nós mesmos. Rachel, Monica, Phoebe, Ross, Chandler e Joey fizeram nossas noites mais agradáveis e hilárias. Seus quotes já são imortais, como o famoso “How you doing” de Joey, ou o “Could I be any...” de Chandler, isso claro, sem contar nos trejeitos e olhares de Ross. Tanto a dizer sobre eles, Catarina e Renatinha são fãs incondicionais do seriado. A ponto de saberem de cor as falas e detalhes de cada episódio. E vêem e revêem cada um deles como se fosse a primeira vez.

Mas uma coisa notada recentemente por Catarina, talvez pela nova paixão adicionada à sua lista: a cerveja favorita, principalmente de Joey: Budweiser.

Sem muito o que explicar, bud lembra parceiro, best bud, como ele mesmo chama seu amigo Chandler (ele deu até uma pulseira para ele, the woman repeller!)

Hoje, no dia do amigo, falamos da Budweiser americana, aquela lager que está sempre nas geladeiras nos filmes e seriados e que por algum tempo só nos fez vontade por aqui. Por algum tempo porque o Brasil está para ganhar uma nova amiga. Sim, a Budweiser será lançada em breve no Brasil.

A Budweiser foi a primeira cerveja nacionalmente americana. Seu nome na realidade é inspirado num tipo de cerveja de um lugar chamado Budweis, em uma região distante do Império Húngaro, e em 1883 começou a ser pasteurizada e engarrafada. Sim, nossa Bud era um másculo e rústico exemplar de chopp. O que alias combina e muito com seu público, homens trabalhadores, macacões, mãos sujas de graxa, trabalho pesado e jogos tradicionais. Nada mais americano, nada mais cinematográfico. Como imagem visual sempre foi o ponto alto da Budweiser – tanto o rótulo tipicamente americano com suas cores vermelho, branco e azul – com seu poder distintivo comparável ao da Coca-Cola; os slogans “O Rei das Cervejas” e “O Produto Genuíno” transformaram a marca na cerveja mais consumida do planeta, inclusive com campanhas que fizeram história (inclusive fazendo parte da nossa história!).

Em 2008 a Inbev comprou a Budweiser, tornando-se então a maior cervejaria do mundo. E já que a Bud será então fabricada e comercializada por aqui, nenhuma data melhor para comemorar a notícia da chegada de uma nova amiga do que no dia do amigo. Mas oficialmente sua primeira aparição acontecerá no Preliminary Draw, evento da Fifa que acontece no Rio de Janeiro na última semana desse mês. E estará no mercado até o mês de novembro (informações da Ambev). Na publicidade ela será representada por ninguém menos que Nisan Guanaes, ou melhor dizendo, pela Africa.

Enfim, uma cerveja para ser bebida entre amigos, após uma longa jornada de trabalho ou mesmo em frente à TV na companhia de 6 amigos inseparáveis que elevaram a amizade a um novo patamar.

O mundo e os amigos nunca mais foram os mesmos após Friends e talvez uma nova revolução aconteça após a Budweiser. Afinal, quando se trata de estômago ninguém entende mais que o Joey.

So... How YOU doing?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

De volta às origens

Uma singela e rápida sessão nostalgia. Você já parou para se questionar por que os rótulos dos palitos de dente Gina, palitos de fósforo Fiat Lux, sabonete Phebo (assim mesmo, sempre com ph), paçoquinha Amor, pomada Minancora, fermento Royal (a embalagem e o material dela mudou, mas o rótulo não), manteiga Aviação, palhas de aço Bom Bril e requeijão Catupiry nunca mudaram?

E por que a caneta Bic, os saleiros do sal Cisne e os copos americanos de botecos se mantêm iguais?

Além destes, o rótulo da cerveja Original também nunca mudou. Pensando em tudo isso, os publicitários responsáveis pela campanha da cerveja Original tiveram uma incrível sacada: As coisas boas não mudam.

Ou seja, partimos daquela máxima de que em time que está ganhando não se mexe.

Quando vi este cartaz, com todos estes rótulos famosos que desencadearam uma profunda e boa sensação nostálgica dentro de mim, não pude deixar passar despercebido. Então confesso, este post é mais para prestigiar o publicitário que criou a campanha do que propriamente falar de uma cerveja (publicitários e suas manias).

Sensacional. Pegar uma característica que poderia ser um ponto fraco, como um rótulo ultrapassado e transformá-la em um diferencial que intensifica a qualidade do produto.

Achei realmente incrível. Tão incrível que mesmo entre tantas opções de rótulos para escolher em um bar, fiz questão de pedir uma Original. Ao beber a Original tive mais sensações nostálgicas, do tempo em que comecei a dar os primeiros passos no mundo cervejeiro. Porque se a Bohemia foi a primeira a me dizer que havia diferenças entre as cervejas, a Original foi a que me fez perceber que não basta escolher uma cerveja entre as que o bar oferece, às vezes temos que escolher um bar pela cerveja que ele oferece.

Lembro de quando fui desafiada pela primeira vez a descrever o sabor de uma cerveja, de apontar quais suas nuances, características, aparência... Não me saí muito bem, mas serviu para me fazer perceber o quanto meu paladar precisava ser apurado. Foi a partir daí que entendi que por trás de cada gole há uma história e um longo processo.

A Original, sem dúvida, destoava das demais, e um bar que vendia Original já podia se considerar com uma boa carta de cervejas. Hoje em dia os bares precisam de muitas e muitas cervejas além da Original para serem considerados verdadeiros templos cervejeiros.
Essas pequenas lembranças me fizeram perceber o quanto esta arte evoluiu por aqui nos últimos anos. Fiquei feliz por participar e evoluir junto com essas mudanças e talvez por culpa delas.

Bebi um gole da cerveja pouco aromática, de amargor suave e que mesmo sendo muito parecida com todas as demais, ainda apresenta alguma personalidade marcante. Personalidade que não muda, assim como as coisas boas da vida. Assim como os rótulos das marcas já consagradas no mercado.

O que posso dizer é que mesmo não tendo mais um lugar de destaque, esta cerveja é capaz de trazer ao paladar deliciosas recordações. Daquele tempo onde tudo era novo, cada sabor era inédito, cada cerveja especial era mais que especial, simplesmente porque era original.